quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Telefonia e internet no Brasil estão entre as mais caras do mundo

Custo dos serviços vem caindo, mas brasileiro ainda paga 10 vezes mais que um europeu para falar no celular

O preço que o brasileiro paga pelos serviços de telecomunicações (internet banda larga, telefonia fixa e celular) caiu no ano passado em relação a 2008. Mesmo assim, o Brasil ainda tem um dos custos mais altos do mundo para esses serviços e o acesso ao celular no Brasil ainda está uma década atrasado em comparação aos países lideres no uso da tecnologia.

O alerta faz parte do raio x anual produzido pela União Internacional de Telecomunicações sobre tecnologias da informação, considerada a avaliação mais completa do mercado. Para a entidade, o Brasil ainda não completou sua liberalização do mercado para operadores, e a falta de concorrência em algumas áreas ainda é um obstáculo. A taxa de penetração de celulares, por exemplo, é equivalente ao que Hong Kong, Itália, Luxemburgo ou Emirados Árabes tinham em 2000.

O Brasil subiu de forma marginal no ranking que mede a preparação de cada país em termos de tecnologia de comunicação, passando do 61º lugar para o 60º entre 2008 e 2009. Mas o País ainda não voltou à posição que tinha em 2002, quando estava entre as 50 economias mais competitivas nesse setor. O motivo da queda seria a relativa baixa educação da população, que prejudica o uso de novas tecnologias.

Outro fator é o custo ainda cobrado por operadoras que prestam serviços de comunicações. No geral, um brasileiro gasta 4,1% de sua renda para pagar por tecnologias de comunicação, taxa superior à de 86 outros países. A taxa é a pior entre os países do Bric, e perde também para Argentina e Irã, por exemplo. Proporcionalmente, um brasileiro gasta mais de dez vezes o que um cidadão europeu ou canadense gasta para se comunicar. Mas a boa notícia é que o custo vem caindo. Em 2008, o custo era de 7,6% da renda do brasileiro.

Segundo a UIT, o preço médio do serviço celular no Brasil caiu 25% em comparação à renda da população - mesma queda verificada na média mundial. Hoje, um brasileiro gasta em média 5,66% da renda para usar o serviço, contra 7,5% em 2008. A taxa é mais de cinco vezes a que as operadoras cobram na Europa, e apenas 40 países de um total de 161 economias analisadas tem serviço de telefonia móvel mais cara que o Brasil - quase todos as economias mais pobres do mundo. Em Mianmar, por exemplo, o custo do celular chega a 70% da renda média de um cidadão.

Entre 2008 e 2009, o Brasil foi um dos 20 países que mais cortaram custos com celulares. Mas, ainda assim, todos os países do Bric e todos os sul-americanos pagam menos pelo celular que os brasileiros. A Bolívia é a única na região que tem um celular mais caro. Macau, Hong Kong, Dinamarca e Cingapura são os locais mais baratos para o celular, onde o serviço é responsável por meros 0,1% da renda média.

Hoje, 78% dos brasileiros têm um celular, contra 63% em 2008. Em 2002, essa taxa era de 19,5%. Em 2009, 4,6 bilhões de celulares estavam em funcionamento no planeta. Este ano, o número chegará a 5 bilhões.

No Brasil, o preço do telefone fixo ainda sofreu a segunda maior queda no mundo entre 2008 e 2009. A redução foi de 63%, superado apenas pela Rússia. O custo médio passou de 5% da renda de uma família para 2,1% em 2009. Diante da queda, o número de telefones aumentou. Em 2007, eram 20% da população com telefone fixo. Em 2008, essa fatia chegou a 21,7%. Mas 85 países ainda têm tarifas mais baratas que as do Brasil.

INTERNET

Em termos de acesso à internet em banda larga, a UIT aponta que os custos no Brasil estão bem acima da média dos países ricos. Uma assinatura de banda larga exigia 9,6% da renda de um brasileiro em 2008. Em 2009, a taxa caiu para 4,58% da renda, uma redução de 52%.

Entre todos as economias analisadas, a UIT estima que 70 países têm um serviço de internet mais barato que o do Brasil. Outros 91 países têm uma internet ainda mais cara que no País, entre eles a China e Índia, em comparação à renda.

Para a UIT, o acesso à banda larga é o real espelho do desenvolvimento de um País na difusão da internet. E, nesse critério, a situação brasileira ainda está longe do ideal. O acesso passou de 4% da população em 2007 para 5,2% em 2008. No Brasil, o custo médio é de US$ 28,00. Nos países mais caros, a banda larga ainda pode custar US$ 1,8 mil por mês, como em Burkina Fasso, ou US$ 1,6 mil em Cuba.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Serra tenta tirar palanques do PSB de Dilma

Enquanto o PT prioriza a aliança com o PMDB e o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) não tem a sua situação definida na disputa deste ano, o governador José Serra (PSDB) avança sobre os palanques que o PSB monta para a ministra Dilma Rousseff (PT), principalmente nas regiões Norte e Nordeste. Apesar de ainda não assumir sua candidatura, Serra teria destacado vários tucanos para negociar com o PSB nos estados.

— A indefinição do Ciro e os acertos do PT com o PMDB nos estados bagunçou nossos palanques.

Tirando Pernambuco e Ceará, não há mais garantia de nada para Dilma. Serra está fazendo boas propostas. Ele é frio, mas muito eficaz na política — diz um dirigente do PSB.


Tucanos procuram acordos em nove estados Serra e seus enviados já teriam procurado acertos em nove estados: Mato Grosso, Piauí, Amazonas, Sergipe, Paraíba, Maranhão, Rio Grande do Norte, Paraná e Espírito Santo.

O secretário-geral do PSB, senador Renato Casagrande, précandidato ao governo do Espírito Santo, disse que tem conversado com o PSDB em seu estado, mas que se trata de “uma relação local”. O deputado Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB-ES), da direção nacional do PSDB e também pré-candidato, disse que vem tentando uma dobradinha com Casagrande.

— Dilma já tem palanque no Espírito Santo com o Ricardo Ferraço (PMDB, vice-governador atual, apoiado pelo PT). E as eleições não são verticalizadas.

Não podemos descartar nada. As chances do Serra com o PSB são pequenas, mas digamos que ele não terá nossa hostilidade — diz Casagrande.

— O fato é que a aliança do PT com o PMDB precipitou muito o processo nos estados.

Acho difícil o PSB apoiar o PSDB, mas em política nada é impossível — disse Lucas.

A decisão sobre a candidatura própria do PSB à Presidência está longe de se definir. Amanhã, Ciro se encontra com os representantes dos nove partidos que formam a base aliada de Dilma em São Paulo. Os dirigentes vão insistir na candidatura de Ciro ao governo de São Paulo. Mas a tendência é que ele só decida após uma conversa com o presidente Lula, prevista para 15 de março. O PT tenta antecipar o encontro, preocupado com o esfacelamento da base no estado.

— Caso Ciro não seja candidato em São Paulo, teremos três candidatos: Paulo Skaf (presidente da Fiesp recém-filiado ao PSB), Celso Russomano (PP) e outro do PT. Separados, nenhum de nós vencerá Geraldo Alckmin (PSDB), e Serra terá pelo menos 6 milhões de votos no estado.

Assim, será muito difícil Dilma vencer nacionalmente — disse outro dirigente da base de Dilma em São Paulo.

Aécio e Serra vão se encontrar nos próximos dias Ao chegar ontem de uma temporada de 11 dias no exterior, o governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), minimizou o crescimento de Dilma nas pesquisas e sua exposição pública, após o congresso que a lançou pré-candidata do PT. Sob o argumento de que a campanha só começa com a propaganda eleitoral, Aécio disse não se afligir com a presença dela na mídia, enquanto Serra fica em silêncio. Para ele, que ontem inaugurou um hospital em Sabará (MG), o paulista se manifestará na hora certa: — Cabe a ele encontrar o caminho e o momento adequados dessa manifestação. Continuo tendo grande confiança nas suas possibilidades de vitória — disse Aécio, confirmando que encontrará com Serra nos próximos dias.

Kassab gasta R$ 470 mi com empresas que doaram a Kassab

Empresas que doaram para a campanha do prefeito Gilberto Kassab em 2008 -citadas como um dos motivos para a cassação do democrata- receberam mais de R$ 470 milhões entre 2008 e 2009. Esse é o valor liquidado segundo o sistema de monitoramento de gastos.

Camargo Corrêa, OAS, Carioca Christiani Nielsen, Engeform e S/A Paulista doaram R$ 6,8 milhões para a campanha de Kassab à reeleição.Esse tipo de doação para campanhas não é novidade.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Dilma exalta Lula e diz que Brasil não voltará ao passado

A uma semana de ser lançada no Congresso do PT como candidata do partido à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, A ministra Dilma Rousseff disse nesta sexta-feira que o Brasil não viverá uma volta ao passado.

Em inauguração de um conjunto habitacional em Goiânia, Dilma exaltou o governo Lula e o programa Minha Casa, Minha vida, afirmando estar em construção um "país novo".

"O governo pensa primeiro no povo, não pensa primeiro nos ricos", disse Dilma em palanque ao lado do presidente Lula e do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, entre outras autoridades.

"Esse caminho que foi aberto ninguém vai mais deixar voltar para o passado."

A viagem de Lula e Dilma a Goiânia ocorreu um dia depois de Meirelles ter anunciado que abriria mão de concorrer ao governo do Estado de Goiás. Filiado ao PMDB, Meirelles é cogitado para ocupar a vaga de vice na chapa de Dilma à Presidência.

Beija-Flor mostrará Brasília sem corrupção

Brasília passará pela Marquês de Sapucaí sem corrupção nem política, apesar do escândalo que levou à prisão o governador licenciado do Distrito Federal, José Roberto Arruda, principal patrocinador do desfile da Beija-Flor.

A tradicional escola de Nilópolis, que tem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva como ilustre torcedor, se viu no centro de um furacão devido ao suposto envolvimento de Arruda num esquema de pagamentos de propina, uma vez que o governo do DF é o responsável por financiar o enredo da agremiação sobre os 50 anos da capital federal.

A escola garante, no entanto, que a folia não vai se misturar com a política. Escolhida pelo Distrito Federal para receber o patrocínio do governo, estimado na casa dos R$ 3 milhões, a escola garante que seu desfile não vai abordar nem de longe os assuntos políticos.



"Nem um pouco, a gente nem cita nada de política", disse à Reuters o carnavalesco Fran Sérgio, um dos integrantes da comissão de carnaval da escola.

A Beija-Flor afirma que recebeu um pedido do governo distrital para se concentrar na história da cidade com seu enredo "Brasília 50 anos - Brilhante ao sol do novo mundo, Brasília do sonho à realidade, capital da esperança".

"Eles querem mostrar o cinquentenário da cidade, a história, a saga dos candangos, de Juscelino Kubitchek, mostrar como a cidade é linda e uma ótimo lugar para se viver", afirmou Fran Sérgio.

Arruda, que pediu licença do cargo após ter a prisão preventiva decretada na quinta-feira, 11, teve um pedido de habeas corpus negado pelo Supremo Tribunal Federal nesta sexta, 12.

Se na passarela a política não terá vez, a expectativa é que o ano eleitoral agite os camarotes da Sapucaí, com as possíveis presenças do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de sua pré-candidata à sucessão, ministra Dilma Rosseuff, e do pré-candidato da oposição José Serra.

Em 2009, o presidente Lula aceitou convite do governador fluminense, Sérgio Cabral, para acompanhar o desfile do camarote oficial e vibrou com a passagem da Beija Flor pela avenida.

Para a escola, no entanto, a presença de seu torcedor mais ilustre "não tem nada demais", segundo o carnavalesco.

Celebridades nos camarotes

Além da esperada presenças dos políticos, os camarotes este ano prometem reunir mais do que as habituais estrelas de tevê, com direito a presença de celebridades mundiais como a popstar Madonna e a modelo Paris Hilton.

Em ano ainda de Copa do Mundo, jogadores da seleção brasileira também vão comparecer, uma vez que a camisa reserva que a equipe usará na África do Sul será lançada oficialmente durante os desfiles no camarote de um dos patrocinadores da CBF.

Os mais de 70.000 espectadores esperados por noite vão acompanhar desfiles com temas desde o México (Viradouro) até a integração digital (Portela), passando pelo poeta de Noel Rosa (Vila Isabel), o segredo (Unidos da Tijuca) e a história da própria Marquês de Sapucaí (Grande Rio).

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Serra quer mudar nome da Polícia Militar

O governador José Serra (PSDB) encaminhou à Assembleia Legislativa uma Proposta de Emenda Constitucional que muda o nome da Polícia Militar, adotando nome de Força Pública, usado durante 67 anos pela corporação. A denominação foi utilizada durante três períodos distintos da vida republicana - o último deles foi encerrado em 1970, quando o Exército, durante o regime militar, impôs o atual nome à instituição, que surgira da fusão com a então Guarda Civil do Estado.

A PEC do governador Serra deve ser publicada hoje no Diário Oficial. Para a mudança ocorrer, os deputados estaduais devem aprová-la por dois terços dos votos em dois turnos. A proposta estava em estudo no comando da PM desde o ano passado. Ela havia sido encaminhada pelo comandante-geral, coronel Álvaro Batista Camilo, à Secretaria da Segurança Pública em dezembro. O secretário Antônio Ferreira Pinto concordou com a proposta e a mandou ao Palácio dos Bandeirantes para a apreciação do governador. Serra decidiu que a mudança era necessária e oportuna.

Para o governo, ela será uma forma de aproximar a polícia da população. A Força Pública continuará sendo a Polícia Militar de São Paulo, conforme previsto pela Constituição Federal - esta determina que a segurança pública no País é divida entre polícias Federal, Militar e Civil. Será, no entanto, a primeira corporação a retirar o termo “militar” de seu nome no País - no Rio Grande do Sul existe a Brigada Militar e todos os demais Estados têm PMs.

A necessidade de PEC para mudar o nome ocorre porque a Constituição do Estado de São Paulo determina que o nome seja Polícia Militar, o que não ocorre com a Constituição Federal. “Não se quer mudar o nome para mudar a polícia”, disse o comandante-geral, Álvaro Batista Camilo, aos seus subordinados. Camilo e o subcomandante-geral, coronel Danilo Antão, enfrentaram resistências entre oficiais do Estado Maior da corporação, que viam no resgate do nome a lembrança de uma época em que a corporação era mais uma espécie de exército estadual, como a Guarda Nacional nos EUA, do que uma polícia. Também se ressentiam da ausência do termo “polícia”.

Os argumentos favoráveis à mudança, além do resgate histórico, era o fato de Força Pública ser a designação dada pela Declaração dos Direitos do Homem de 1789 feita pela Revolução Francesa, que dizia que “a garantia dos direitos do homem e do cidadão necessita de uma força pública”. Todas as datas comemorativas da PM e até mesmo seu hino mantém ainda hoje a menção e a memória da antiga Força Pública, pois no processo de junção desta com a Guarda Civil, prevaleceu na corporação a cultura da Força Pública. O alvo principal é a retirada da palavra militar do nome da polícia. Ela seria mais um passo no processo iniciado nos 90 com as políticas de polícia comunitária.

HISTÓRICO DA PM
1831: é fundada a Guarda Municipal Permanente

1837: a guarda se transforma em Corpo Policial Permanente

1866: com o engajamento na Guerra do Paraguai, passa a se chamar Corpo Policial Provisório

1871: com o fim da guerra, volta a ter permanente no nome

1891: após a proclamação da República, é adotado pela primeira vez o nome Força Pública
1901: o nome passa a ser Força Policial

1905: a corporação volta a ter o nome Força Pública

1939: o interventor do Estado Novo muda-lhe o nome para Força Policial

1947: a corporação retoma seu nome de Força Pública

1970: o governo militar impõe a fusão da Força com a Guarda Civil e a adoção do nome Polícia Militar

Aliado de Arruda assume presidência do Legislativo

A base aliada ao governador José Roberto Arruda (ex-DEM) conseguiu retomar o comando da Câmara Legislativa do Distrito Federal. Por 15 votos a sete, o deputado Wilson Lima (PR) foi eleito presidente da Casa para mandato de um ano derrotando o deputado Cabo Patrício (PT). Lima era primeiro secretário na gestão de Leonardo Prudente (ex-DEM), flagrado colocando dinheiro de suposta propina nas meias, que renunciou ao cargo na semana passada.

Aliado do governador, o parlamentar assume o comando do legislativo local em meio à crise política que teve início com a Operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal, que investiga suposto esquema de arrecadação de dinheiro de empresas contratadas pelo governo e distribuição de propinas a secretários e deputados distritais. Arruda é citado no inquérito policial como chefe e principal beneficiário do esquema, que ficou conhecido como “Mensalão do DEM”. Como líder da Casa, o parlamentar do PR será responsável pela condução dos processos de impeachment do governador .

Deputado há três mandatos, Lima é natural de Ceres, Goiás, e foi subsecretário de Alimentação e Promoção Social em 2002, no governo Joaquim Roriz (PSC). Filiado ao PR, ele já passou pelo PSD, PTB e PMDB e foi secretário-geral do Prona no DF. O site da Câmara informa que ele tem ensino médio completo e, antes de ser parlamentar, foi 'vendedor de picolés, frentista, mecânico, lanterneiro, pintor, balconista e cobrador de ônibus' e que, como empresário, 'foi sócio da rede de supermercados Organizações Lima'.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Lula e Lindberg Farias definem estratégias para candidatura ao Senado pelo PT do Rio

Em uma reunião nesta quarta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva definiu com o prefeito de Nova Iguaçu (RJ), Lindberg Farias (PT), a estratégia para garantir a candidatura dele ao Senado nas eleições de outubro.

Segundo interlocutores petistas, no encontro, ficou definido que o principal argumento para forçar o diretório do Rio de Janeiro a referendar o nome de Lindberg na disputa é de que ele tem mais condições políticas para enfrentar os adversários do que a ex-governadora Benedita da Silva (PT).

Lindberg atendeu aos apelos de Lula e recuou no lançamento de sua pré-candidatura ao governo do Rio, mas exigiu em contrapartida a garantia de disputar ao Senado, vaga reservada para Benedita e que deve ter como adversário o ex-prefeito Cesar Maia (DEM).

O prefeito de Nova Iguaçu não quis confirmar a estratégia, mas reafirmou que desistiu de concorrer a governador porque Lula tem preferência pela reeleição do governador Sérgio Cabral [PMDB]. "Está decidido: vou ser candidato ao Senado. Ele sempre preferiu a aliança com o governador Cabral. Fiz isso por ele [Lula], atendendo a um pedido dele", disse.

A preocupação de Lula com o Rio é garantir unidade do palanque para a pré-candidata do PT à sucessão presidencial, ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) para poder tirar vantagem em relação à campanha tucana do governador de São Paulo, José Serra (PSDB), que sem candidato ainda enfrenta problemas para conseguir vitrine.

Segundo reportagem da Folha publicada no início do mês, sem nomes com densidade eleitoral no PSDB e no PPS, o candidato dos sonhos da oposição é o deputado federal Fernando Gabeira (PV-RJ), que tem de 14% a 17%, segundo o Datafolha. O problema para Serra é que Gabeira terá que apoiar a senadora Marina Silva (PV) à Presidência.

Com o palanque de Cabral garantido, o presidente Lula espera transferir votos para Dilma. Na última pesquisa Datafolha, divulgada em dezembro, o governador do Rio é um dos mais fortes candidatos, de 36% a 39% das intenções de voto.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Céu de brigadeiro para o turismo brasileiro

Muito mais do que meros números ou índices, são determinadas ações ou movimentos do mercado que mostram se um setor está ou não bem. No caso do turismo no Brasil, é perceptível nas principais cidades a presença de estrangeiros, estimulados pelas últimas conquistas do país, notadamente a Copa do Mundo 2014 e a Olimpíada 2016 – e nos aeroportos também se percebe bom movimento de brasileiros rumo a passeios no exterior. Mas não é só no olhômetro ou nos números das associações de turismo que se comprova a força do setor. A recente compra de 63,6% das ações da CVC, maior operadora de turismo do Brasil, pelo Carlyle, fundo americano de private equity, é absolutamente sintomática quanto ao potencial do setor no país.


Pode-se discutir se a empresa brasileira fez ou não um bom negócio. Aí só o mercado vai dizer. Mas o que é importante para o país é o fato de um fundo desse tamanho decidir investir aqui. Não pelo nome do investidor – que, aliás, em abril foi investigado por um suposto pagamento de propina para obter recursos para o fundo de pensão dos servidores de Nova York.

A questão é que o Carlyle gere hoje um patrimônio de quase US$ 88 bilhões. É considerado nos Estados Unidos um fundo com credibilidade e com relações políticas importantes, a ponto de já ter tido entre seus conselheiros nomes como o ex-presidente George Bush (pai) e o ex-primeiro-ministro britânico John Major. E esse peso-pesado quer investir no turismo brasileiro.

Óbvio que não é por nenhum tipo de benesse. Os americanos sabem bem o que lhes pode dar um retorno robusto. Apenas para citar a CVC, que detém 60% do mercado nacional, a empresa teve um crescimento em torno de 20% entre 2008 e 2009 – números que batem com os gerais do setor de hotelaria, e que são altamente significativos para qualquer setor de qualquer cadeia produtiva do mundo.

No ano retrasado, a empresa embarcou 1,7 milhão de passageiros – para turismo interno ou externo. Ano passado foram 2 milhões. Também o turismo de negócios tem céu de brigadeiro à frente, com São Paulo prevendo crescimento de 5% na recepção de negócios e rede hoteleira com excelente nível de ocupação na capital. A projeção da direção, antes de o negócio com os americanos ser concluído, é que a CVC dobre de tamanho até 2015 – não por coincidência, entre a Copa do Mundo e a Olimpíada do Rio de Janeiro. Tudo isso sem que se possa perder de vista que em grandes e tradicionais destinos mundiais, como Estados Unidos e Europa, a tendência é inversa – de queda, ainda que discreta.

É a situação típica em que, se há motivos para festejar, há muitos mais para que o governo e as empresas se mantenham em alerta para evitar que a euforia deixe a peteca cair. Se o fluxo de turistas se mantivesse na alta temporada, já seria bom, mas há ainda margem para crescimento. É importante também que se pense na chamada baixa temporada, e usar um pouco da gordura acumulada para criar novas condições de atração para potenciais visitantes.

Quem é de gerações mais antigas sabe bem o trabalho que deu para que o Brasil deixasse de ser visto com desconfiança no exterior e virasse um player de ponta no turismo. O caminho é conhecido, é preciso segui-lo com muito trabalho e determinação. E com a certeza de que é um jogo que nunca estará totalmente ganho.

Você acrdita? Arruda vai municiar o PT contra ex-partido

O governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (sem partido), fechou acordo com o PT do DF para que o presidente da Câmara Distrital, Leonardo Prudente (sem partido), continue no cargo. Em troca, ele vai ajudar os petistas contra seu ex-partido (DEM}, informa Leandro Mazzini no Informe JB. Aliados de Arruda vão comandar as investigações sobre a corrupção no DF.

A Corja

No Aurélio, “Verbete: corja – 1. Multidão de pessoas desprezíveis, de má nota; canalha; súcia”. Não há significado mais cabível à Câmara Distrital de Brasília, onde, segundo relatos (e com provas) do “cineasta” Durval Barbosa, em inquérito sob segredo de Justiça, 23 – atente, 23! – dos 24 deputados receberam o chamado mensalão do governo José Roberto Arruda (sem partido)

E Brasília assistiu ontem ao descalabro do parlamento já batizado de provinciano: a volta de Leonardo Prudente à presidência da Casa, aquele que guardou dinheiro nas meias; a decisão da maioria de deixar a CCJ sob os cuidados de Geraldo Naves (DEM), da turma do governo; e Alírio Neto, ex-secretário de Justiça do governador, eleito presidente da CPI que vai investigar o esquema de corrupção.

Acertou quem acredita no mais provável – que Arruda vai se manter no cargo blindado pela sua maioria na Câmara. Não haverá impeachment. Isso, se o trato se mantiver, o que não é notório e o que ninguém esperava: Arruda fechou um acordo com o PT de Brasília, para deixarem Prudente no cargo. Desde semana passada Arruda tem sido o anfitrião de reuniões com vários deputados em sua residência. Em contrapartida, vai municiar os petistas para a campanha. Contra quem? O DEM, seu ex-partido. Trio parada dura

Leonardo Meia Cheia Prudente, Eurides Tranca-Porta Brito e Junior Rezador Brunelli, gravados recebendo dinheiro, já desfilam sem medo pela Casa.
Ditado
Em suma, é aquela velha história: o pior inimigo é aquele que não tem nada a perder. Arruda se sente rifado pelo DEM.


Micareta...
A Asa Norte de Brasília ontem foi uma festa. Trios elétricos contra e a favor de Arruda. No Malibu, pró-governador, os aliados repetiam “Deus te abençoe, Arruda”.

... e pão com manteiga

Centenas de pessoas foram à Câmara Distrital, principalmente uma claque de Sobradinho 2, levada por um deputado. Pagaram o lanche e condução, disse uma manifestante ...Jornal do Brasil

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Marinha detém jornalistas que fotografavam Lula em Guarujá


Dois repórteres fotográficos, um do jornal Folha e outro do Estado de São Paulo, foram detidos na tarde de quinta-feira pela Marinha enquanto tiravam fotos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que passa férias no Forte de Andradas, em Guarujá, litoral sul de São Paulo.

De acordo com a Marinha, os dois estavam em um barco próximo da costa, que não respeitaria o perímetro de segurança do presidente, de aproximadamente 200 m. Os jornalistas foram abordados por uma lancha da Marinha, que os escoltou até a praia. Os dois foram liberados depois que a Polícia Militar registrou um boletim de ocorrência.

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