sábado, 2 de junho de 2012

Máfia das Ambulâncias: MP-SP quer irmã de Edir Macedo entre réus


O Ministério Público Federal em São Paulo divulgou na quinta-feira que pediu a inclusão de dois ex-deputados federais como réus na ação que tramita na Advocacia Geral da União e que investiga o caso conhecido como máfia das sanguessugas - esquema criminoso de compra de ambulâncias. A ex-deputada Edna Bezerra Sampaio Fernandes, conhecida como Edna Macedo, irmã do bispo Edir Macedo, e o ex-deputado Marcos Roberto Abramo, então integrante da bancada evangélica, apresentaram emendas individuais ao orçamento federal de 2004, que, segundo o MP-SP, beneficiaram o esquema.

A ex-deputada Edna Macedo apresentou emenda no valor de R$ 60 mil em benefício do município de Pirapora de Bom Jesus. A ação de improbidade administrativa, proposta contra os dois ex-deputados, trata de atos praticados na concessão e execução de dois convênios firmados entre este município e o Ministério da Saúde e Fundo Nacional de Saúde, para a compra de ambulâncias.

O ex-deputado federal Marcos Roberto Abramo apresentou emenda no valor de R$ 160 mil em benefício da Associação Beneficente Cristã (ABC). A ação proposta pela AGU analisa atos criminosos na concessão e execução de quatro convênios pela ABC.

"Ao descrever os autores dos atos de improbidade administrativa, a AGU deixou de tratar dos políticos responsáveis pelas emendas orçamentárias", disse o procurador da República Roberto Antonio Dassié Diana, autor dos pedidos. "A inclusão das emendas no orçamento foi ato imprescindível para a liberação dos valores", apontou ele.

Máfia das Sanguessugas
A Operação Sanguessuga foi desencadeada pela Polícia Federal em Mato Grosso e apurou um grande esquema de fraudes em licitações no Ministério da Saúde. A ação criminosa teria sido liderada pelos sócios da empresa Planam, sediada naquele Estado, que teria desviado recursos públicos para pagamentos a parlamentares que propusessem emendas orçamentárias para a compra de ambulâncias para prefeituras ou organizações sociais.

Segundo o MP-SP, as licitações para as compras dos veículos eram todas acertadas com empresas ligadas ao esquema e as propostas de convênio feitas em conluio entre os principais responsáveis pela empresa Planam e a prefeitura ou entidade social beneficiada. Geralmente, as ambulâncias não vinham com os equipamentos médicos ou odontológicos necessários e o dinheiro que seria destinado aos equipamentos não adquiridos era rateado entre os participantes de cada esquema.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

A 'vingança' do PT

Sete anos depois da divulgação de um vídeo em que o diretor dos Correios Maurício Marinho era flagrado embolsando R$ 3 mil - o que deu origem ao mensalão -, vem aí a CPI da Vingança. Os petistas triturados pela CPI dos Correios veem no inquérito que vai apurar as relações de Carlinhos Cachoeira a chance de ir à forra contra a oposição.

Já os oposicionistas enxergam na CPI a possibilidade de encurralar o PT e até chegar ao Planalto, porque as empresas e os negócios de Cachoeira ultrapassam as divisas de Goiás. Só a Delta Construções, citada na Operação Monte Carlo, recebeu R$ 4,13 bilhões do governo federal de 2007 para cá. Além do mais, o advogado de Cachoeira é ninguém menos que Márcio Thomaz Bastos, ministro da Justiça do governo Lula. E Cachoeira foi um "parceiro" de Waldomiro Diniz, que habitava a cozinha do Planalto em 2004.

Peemedebistas experientes, como Renan Calheiros (AL) e José Sarney (AP), avaliavam ontem que o PT deu um passo arriscado, pois CPI não é coisa boa nem quando é a favor e o único consenso é o de que ninguém sabe como ela vai terminar. Fala-se em nova "CPI do fim do mundo", com acusações e dossiês por todo lado.

O PT age agora movido pelo trauma da CPI dos Correios, que arrebentou a cúpula do partido e cassou seu ministro mais poderoso. Nesse clima de rancor, os petistas aceitam até abrir uma CPI que pode implicar o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz. O presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), afirmou que não há muito a fazer se Agnelo estiver mesmo implicado: "Paciência, (ele) sabia dos riscos."

domingo, 1 de abril de 2012

Turista brasileiro 'AAA' é 3º do mundo

Brasileiros dispostos a pagar diárias que podem chegar a € 11 mil (R$ 26,7 mil) por uma suíte são a bola da vez no mercado mundial de hotelaria de luxo.

Disputada pelos mais requintados hotéis, a clientela do Brasil ocupa a terceira posição no ranking de reservas do The Leading Hotels of the World (LHW). O selo reúne alguns dos mais sofisticados estabelecimentos do mundo.

De 2010 para 2011, o faturamento local do LHW cresceu 16,26%.

No ano passado, o escritório brasileiro bateu o recorde de US$ 31 milhões (R$ 56,5 milhões) em reservas.

"Somos a meca dos clientes VIPs e só estamos atrás de Estados Unidos e Reino Unido como fornecedores de hóspedes para os nossos 400 hotéis em 80 países", diz João Annibale, presidente-executivo do Leading no Brasil.

Entre os hotéis que mais receberam brasileiros no ano passado está o francês Le Bristol, do grupo alemão Oetker Collection.

Oetker Hotel Collection


Cenário do filme "Meia- Noite em Paris", de Woody Allen, o hotel viu a quantidade de hóspedes do Brasil saltar de 3% para 10% em 2011. "Nos últimos três anos, a clientela brasileira cresceu de 10% a 15% a cada ano. Hoje, representa 3.000 diárias anuais", diz Alain Brière, vice-presidente de vendas.

De olho nesse potencial, o grupo trabalha em terras brasileiras a venda da nova joia da coroa: o Hotel Palais Namaskar, em Marrakesh, a ser inaugurado no dia 6.
 The Palais Namaskar


ITÁLIA EM PRIMEIRO

Nenhum destino, no entanto, bate a Itália na preferência dos brasileiros endinheirados em suas férias cinco estrelas no exterior.

No levantamento do Leading, os hotéis italianos foram os que mais receberam reservas. O destino foi responsável por US$ 6,5 milhões (R$ 11,8 milhões) em vendas no escritório brasileiro, um crescimento de 42% em relação ao ano anterior.

No topo da preferência entre os estabelecimentos mais luxuosos da Itália está o Grand Hotel Quisisana, na ilha de Capri. É um dos mais frequentados pela arquiteta Bya Barros. Ela já se hospedou nos hotéis tops da Leading na Itália, em um giro que inclui Toscana e Sardenha.
Grand Hotel Quisisana


"Os hotéis são todos deslumbrantes. Cada um oferece uma emoção diferente. Você entra em outro mundo, cheio de detalhes", diz Bya.

Ela conta ter chorado ao entrar na Paltrow Penthouse Suíte do Capri Palace.

Com uma vista privilegiada da baía de Nápoles, a suíte de 160 m², que leva o nome da atriz Gwyneth Paltrow, é a mais cara do hotel: diária de € 6.500 (R$ 15,8 mil), com direito a piscina privativa e teto retrátil que permite dormir sob o céu estrelado.

O hotel de 78 quartos é comandado por Tonino Cacace. No mês passado, ele visitou São Paulo na companhia de outros cinco donos de hotéis que fazem parte do Leading.

Segundo Cacace, os brasileiros respondem por 6% da clientela do Capri Palace e já superaram os russos (4,5%). A expectativa é que, em 2012, os clientes do Brasil alcancem 8% do total de hóspedes. "É um público sofisticado, que gosta de comer bem e quer privacidade", diz.

Julia Roberts e Leonardo Di Caprio já estiveram no Beach Club do hotel, com vista para a gruta Azul.
Beach Club do hotel


No ano passado, o advogado Roberto Podval turbinou o crescimento verde-amarelo no Capri Palace. Ofereceu hospedagem para 200 convidados do seu casamento.

sábado, 31 de março de 2012

Demóstenes teria pedido favorecimento em licitação da Copa 2014

O senador Demóstenes Torres teria pedido ao contraventor Carlinhos Cachoeira que ajudasse a agência de publicidade de um amigo a conseguir contratos em Mato Grosso para a Copa do Mundo, segundo matéria publicada, neste sábado, na revista Época, com base em gravações feitas pela Polícia Federal. A conversa teria ocorrido no dia 11 de abril de 2011, quando Demóstenes pede ajuda a Cachoeira para vencer uma licitação para prestação de serviços marketing relacionados à Copa do Mundo de 2014.

Essa é apenas mais uma denúncia contra o senador que teria feito lobby em favor de Cachoeira no Congresso, Anvisa e Infraero. Sobre a relação com Cachoeira, Demóstenes disse que conversa apenas trivialidades e admitiu ter ganhado de presente de casamento um fogão e uma geladeira importados do contraventor. O senador teria ainda um aparelho rádio habilitado nos EUA, apenas para as conversas com Cachoeira.

Senado estuda dificultar progressão de pena para presidiários

A comissão de juristas criada pelo Senado para atualizar o Código Penal estuda alterar uma parte sensível da lei: a progressão de pena para presidiários. Hoje, o Código Penal prevê a progressão, que pode levar o detento ao regime semiaberto ou aberto, após o cumprimento de um sexto da pena.

De acordo com o promotor de Justiça de Goiás, Marcelo André de Azevedo, o estado atual da lei é preocupante. "É um ponto de endurecimento da legislação penal. O prazo atual de apenas um sexto é, a meu ver, um estímulo á criminalidade no país", apontou.

Para crime hediondo, no entanto, a progressão deve se manter. Hoje, quem pratica estes crimes consegue a progressão apenas após cumprir dois quintos da pena, caso seja réu primário. Do contrário, só com três quintos.

PPS pede explicações a Stepan Nercessian sobre dinheiro de Cachoeira


O Partido Popular Socialista (PPS) anunciou neste sábado que vai pedir explicações formais, por meio de seu Conselho de Ética, ao deputado federal Stepan Nercessian (PPS-RJ). O parlamentar confirmou, ao jornal Folha de S. Paulo, ter recebido R$ 175 mil do empresário Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, acusado de chefiar uma quadrilha que explorava o jogo ilegal.

De acordo com a assessoria do partido, Stepan terá uma semana para enviar explicações ao partido sobre sua situação. O Conselho de Ética do PPS analisará o caso. Nercessian solicitou o seu afastamento de todos os cargos ocupados no partido.

De acordo com o deputado, o dinheiro emprestado seria usado para a aquisição de um imóvel residencial. Ele disse que havia solicitado um empréstimo bancário, mas como não tinha garantias de seu recebimento, recorreu ao empresário para não perder o negócio. Como o empréstimo do banco foi aprovado, Stepan acabou devolvendo o dinheiro de Cachoeira.

domingo, 4 de setembro de 2011

'Faxina' de Dilma mobiliza redes sociais



A "faxina" nos ministérios colocada em prática pela presidente Dilma Rousseff está servindo de inspiração para as pessoas se mobilizarem nas redes sociais. Depois de uma brincadeira pela internet ter conseguido reunir centenas de pessoas para um "churrasco-protesto" contra a desistência do governo de São Paulo de construir um metrô em Higienópolis, o Facebook está sendo palco para organizar uma nova leva de manifestações, desta vez contra a corrupção. E os protestos já têm dia para acontecer: quarta-feira, 7 de setembro.

Há pelo menos dez diferentes grupos incentivando as pessoas a irem às ruas no dia em que foi declarada a Independência do Brasil. Mais de 75 mil pessoas já confirmaram presença em eventos espalhados por todo o País. Apesar de fazer algumas semanas que esse tipo de movimento começou a pipocar na rede social, foi somente nos últimos dias que os diversos grupos iniciaram um esforço para tentar unificar os eventos.

O blog Brasil+Ético tem reunido informações sobre os protestos. Para isso, publicou um Calendário Geral de Manifestações Anticorrupção, que tem sido atualizado periodicamente. Ronaldo da Cruz, brasileiro que mora na Espanha há dez anos, conta que criou o site para divulgar uma carta de apoio à presidente Dilma após ler notícias sobre a "faxina" que acontecia por aqui.

Para o professor José Álvaro Moisés, diretor do núcleo de Políticas Públicas da USP, essas iniciativas mostram que o País passa por um processo de mudança da cultura política. Segundo ele, o povo brasileiro sempre apresentou certa "tolerância social da corrupção", mas hoje a tendência é, cada vez mais, de mobilização contra práticas ilícitas.

Movimentos. Só na cidade de São Paulo há mais de cinco manifestações agendadas. O ponto de encontro da maioria delas será o vão do prédio do Masp, na Avenida Paulista. No Rio também haverá pelo menos quatro movimentos diferentes pela cidade. Em Brasília há o registro de outras quatro passeatas.

Um dos organizadores dessas manifestações é o grupo de hackers Anonymous, que ficou famoso por invadir as redes da Visa e da Sony. O movimento criado por eles no Facebook foi batizado de "Manifesto contra a corrupção no Brasil" e lista ações em praticamente todos os Estados brasileiros. Aproximadamente 35 mil pessoas confirmaram presença na página do evento na rede social.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Deputado dá R$ 560 mil a firma-fantasma


O deputado federal José Vieira (PR-MA) repassou R$ 560 mil da verba de custeio de atividade parlamentar a uma empresa-fantasma. Durante dois anos, Vieira, que tem avião próprio, simulou despesas com afretamento de aeronaves para seus deslocamentos no Maranhão.

Os pagamentos foram feitos à Discovery Transporte e Logística, uma suposta empresa de táxi aéreo, que só existe no papel.

A Discovery não possui avião, nem sede, nem funcionários. O endereço que consta como sede da empresa na Receita Federal é uma residência em um conjunto habitacional simples, em São José do Ribamar, na região metropolitana de São Luís.

A empresa foi registrada em nome de um piloto que prestava serviços ao deputado em Bacabal, cidade maranhense da qual Vieira já foi prefeito.

O piloto, José Joaquim Nina, morreu no início do ano, mas já não pilotava havia muito tempo. Mesmo depois da morte dele, os pagamentos à empresa continuaram.

SEM REGISTRO

A Discovery é conhecida das empresas de táxi aéreo regulares do Maranhão como empresa de fachada que vende notas fiscais.

No aeroporto de São Luís, a Infraero informou que a Discovery não faz voos. Ela também não tem registro na Anac (Agência Nacional de Avião Civil) como empresa de táxi aéreo.

Já o deputado possui um avião Sêneca modelo 34-220T, no valor de R$ 607 mil, conforme consta na declaração de bens que ele apresentou à Justiça Eleitoral no ano passado.

O principal item de despesa do deputado pago com a cota parlamentar é a contratação do suposto serviço da Discovery. Os gastos começaram a ser lançados em julho de 2009. Em alguns meses, foram mais de R$ 60 mil. Neste ano, a Câmara pagou R$ 83 mil de notas da Discovery.

A cota parlamentar para os deputados federais do Maranhão é de R$ 31.637 por mês. A verba é para cobrir gastos com alimentação, hospedagem, passagens aéreas, combustível, afretamento de avião e outras despesas.

O único item da cota que tem limite de gasto é o combustível (R$ 4.500 por mês).

Se o congressista gastar abaixo da cota em um mês, a diferença é acumulada para os meses seguintes.

A norma da Câmara é de que o deputado não pode usar a cota parlamentar para despesas com campanha eleitoral. Porém, em 2010, ano eleitoral, Vieira apresentou R$ 333 mil em notas da Discovery.

A TAM chega ao metrô


A companhia aérea TAM - que, desde a época do tapete vermelho, ficou conhecida como a mais sofisticada do setor - começou a vender passagens de promoção no metrô de São Paulo no último sábado. O primeiro quiosque foi instalado na estação Itaquera e já está prevista a expansão para as estações Ana Rosa e São Bento.

Ao mesmo tempo, a TAM começa uma ofensiva nos meios de comunicação: vai divulgar suas ofertas diariamente na internet e semanalmente na TV, jornais e revistas. A estratégia de conquista da classe C começou em 2010, depois de uma parceria para a venda de passagens na Casas Bahia. "Queremos mostrar que a TAM é para todo mundo", diz Renato Ramos, gerente de marketing da empresa.

Dessa forma, a TAM quer se aproximar do público cativo de sua grande concorrente, a Gol - que, aliás, já vende passagens no metrô de São Paulo. "A percepção de que a Gol é mais barata vem diminuindo, segundo as nossas pesquisas", diz Rodrigo Trevizan, gerente de novos canais da TAM, em um sinal de que a briga pelo pessoal da nova classe média está cada vez mais intensa.

domingo, 14 de agosto de 2011

Duas contas


A doutora Dilma precisa chamar para um almoço o doutor Mauricio Ceschin, diretor da Agência Nacional de Saúde Suplementar, e o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. No segundo semestre do ano passado Ceschin conseguiu receber R$ 14 milhões dos planos de saúde, cobrando-lhes o que devem ao SUS pelo atendimento aos seus clientes. Ele desdenha a relevância desse mecanismo, dizendo que, no máximo, renderia R$ 100 milhões anuais. Alckmin quer privatizar 25% dos serviços de 52 unidades entregues a organizações sociais no Estado de São Paulo e seu governo sustenta que, com isso, a Viúva poderá recuperar R$ 468 milhões só em São Paulo.
Qual das duas contas está certa? É o ressarcimento da ANS que não funciona ou Alckmin está prometendo outra coisa?

A fila


A doutora Dilma mudou o título do hospital Instituto Nacional de Câncer, acrescentando-lhe o nome do vice-presidente José Alencar.
Ideia pior seria difícil. Se Alencar fosse um cliente do SUS e recorresse à fila do Inca, esperaria algo como dois meses para a primeira operação e faria uma série de quimioterapia.
Dificilmente faria a segunda cirurgia (fez 13, uma das quais com 17 horas de duração). Também não receberia as drogas que recebeu, nem conseguiria cerca de vinte internações.
José Alencar, como a própria Dilma Rousseff, só recebeu o atendimento que teve porque foi para o Hospital Sírio Libanês, da rede privada. Ambos são exemplos do contrário do que a homenagem pretende.
Restará ao pessoal que ficará na fila do "José Alencar" apenas uma piada: "Se nós pudéssemos, faríamos como ele, iríamos para o Sírio".

sábado, 23 de outubro de 2010

PT cria "rota 13" e pede votos na via que liga Alvorada a Planalto

o PT decidiu criar uma "rota 13" entre o Palácio da Alvorada e o Palácio do Planalto, respectivamente residência oficial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o seu local de trabalho.

A pista de quase dois quilômetros entre os dois pontos foi ocupada por placas vermelhas com os dizeres: "Vote 13" e "Vote Dilma", pedindo voto para a presidenciável Dilma Rousseff. A via é muito usada por ônibus de turistas que visitam a capital. O Alvorada e o Planalto são pontos turísticos de Brasília.

A ideia surgiu da equipe de mobilização do candidato do PT ao governo do DF, Agnelo Queiroz, que tem espalhado pela cidade placas semelhantes em busca de apoio.

Segundo integrantes da campanha local, a estratégia é mostrar unidade e sintonia entre as duas candidaturas e também fazer um "agrado" ao presidente Lula -que tem se dedicado à disputa local.

Além de gravar depoimentos pedindo a eleição de Agnelo, seu ex-ministro do Esporte, Lula também participou de comícios ao lado de Dilma no DF.

Segundo pesquisa Datafolha divulgada ontem, Agnelo tem 54%, contra 31% da candidata Weslian Roriz (PSC).

Ricos vão viajar no feriado. Os pobres vão ficar para votar em Dilma. É o que dizem os tucanos...

Os números da última pesquisa Datafolha alimentaram no comando da campanha do PSDB o medo de abstenção entre os eleitores de José Serra para a Presidência.

O temor é que, com o sentimento de fato consumado, os eleitores de Serra deixem de votar para viajar no feriado.

Abatido com o resultado, o comando da campanha levará ao ar comercial conclamando o eleitor a ir às urnas. Ainda que lancem dúvidas sobre as pesquisas, tucanos reconhecem que a divulgação de uma vantagem de 12 pontos para Dilma, a uma semana da eleição, pode desestimular não só a militância mas também o eleitor.

O foco de preocupação é o Estado de São Paulo, onde Serra lidera as pesquisas e é grande o volume dos que viajam nos feriados.

Como Serra conta com mais votos do que Dilma entre os eleitores com renda superior a dez salários mínimos, a perda seria maior para a campanha do PSDB.

IMPACTO

O partido conclui hoje um levantamento sobre o impacto do potencial de abstenção nos diferentes Estados. Entre tucanos mais otimistas, a esperança é que os eleitores do PT relaxem com a confiança de vitória.

Nas duas últimas eleições presidenciais, o índice de abstenção foi maior no segundo turno em comparação ao primeiro. Em 2002, saltou de 17,73% para 20,45%.

Em 2006, passou de 16,73% para 18,97%.

O risco de desânimo do eleitor não é a única fonte de preocupação do PSDB. Por mais que contestem as pesquisas, tucanos reconhecem que Serra não tem esboçado sinal de crescimento nos últimos levantamentos e admitem a dificuldade de uma virada caso não ocorra um fato novo até a eleição.

"Está difícil. Mas a esperança é a última que morre", afirmou o presidente do PSDB de São Paulo, deputado Mendes Thame. No comando da campanha, a avaliação é ainda a de que Dilma poderá crescer na reta final, caso cristalizada a chance de vitória.

Em Porto Alegre, Serra afirmou que há "uma crise nas pesquisas" de intenção de voto. Questionado sobre o Datafolha, que dá a adversária petista 12 pontos à frente nos votos válidos, Serra disse que os institutos têm errado "fragorosamente".

PESQUISAS "As pesquisas erraram incrivelmente no primeiro turno, o Ibope errou até na pesquisa de boca de urna. Há institutos sérios, como o Datafolha, e institutos menos sérios, que são mais alugados por partidos e governos, como o Vox Populi. Mas hoje está todo mundo meio perdido nessa matéria", disse.

Indagado se poderia, em nove dias, reverter a tendência, o tucano disse que "não se vira resultado das pesquisas", mas "ganha-se o voto das pessoas".

"Está voltando [no segundo turno] o mesmo esquema de ilusão das pesquisas", afirmou, defendendo mobilização porque "o que resolve é o voto no dia [31]".

O presidente do PSDB, Sérgio Guerra (PE), pediu que os aliados não se deixem influenciar pelas pesquisas. Um dos coordenadores da campanha, o senador eleito Aloysio Nunes Ferreira endossou a estratégia, afirmando que, se dependesse das pesquisas, não estaria eleito.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

CNBB discute polêmica após nota que condena Dilma

O Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), órgão formado por 39 membros da cúpula da entidade, terá uma reunião privativa hoje de manhã, em Brasília, com a participação do núncio apostólico, d. Lorenzo Baldisseri, para discutir a polêmica provocada pela distribuição de cópias de uma nota que condena a candidatura de Dilma Rousseff, com a alegação de que a petista defende o aborto.

O núncio apostólico, que concelebrará a missa do dia com os bispos, ouvirá um relato sobre os desdobramentos da divulgação, entre os fiéis, à porta das igrejas ou pela internet, de uma mensagem da Comissão em Defesa da Vida, coordenada pelo padre Berardo Graz, com a aprovação da presidência do Regional Sul 1, que reúne as 41 dioceses de São Paulo. Além desse texto, foi distribuído um artigo do bispo de Guarulhos, d. Luiz Gonzaga Bergonzini, ainda no primeiro turno das eleições, recomendando aos eleitores que não votassem em Dilma nem em qualquer candidato do PT.

Anteontem, o chefe de gabinete da Presidência da República, Gilberto Carvalho, revelou no programa Tribuna Independente, da Rede Vida de Televisão, emissora católica, que pediu a mediação do presidente da CNBB, d. Geraldo Lyrio Rocha, e do núncio apostólico, para tentar conter a campanha de bispos e padres contra Dilma. D. Lorenzo Baldisseri, segundo Carvalho, foi muito receptivo e prometeu analisar a polêmica.

"A interferência do núncio apostólico é uma questão delicada, por causa da ambiguidade de seu cargo, uma vez que ele é um diplomata que representa a Santa Sé perante o governo brasileiro e o delegado do papa junto ao episcopado", observou d. Angélico Sândado Bernardino, bispo emérito de Blumenau (SC) e ex-bispo auxiliar de São Paulo. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Casa Branca fica rosa para campanha contra câncer de mama

A Casa Branca foi iluminada nesta quinta-feira com luzes cor de rosa para conscientizar a população sobre o câncer de mama, por ocasião do mês da educação sobre a doença.

Segundo o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, em mensagem enviada pelo Twitter, "a partir das 18h30, hora local (19h30 horário de Brasília), desta quinta-feira, a Casa Branca se iluminará de rosa pelo "Mês de Conscientização Nacional contra o Câncer de Mama".

A iluminação durará apenas uma noite, informou Washington. Essa não é a primeira vez que a residência presidencial participa do "Outubro Rosa". No ano passado chegou a pendurar um grande laço cor de rosa, símbolo da luta contra o câncer de mama, em seu pórtico norte.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Graças ao Serra Rede pública pode interromper gravidez desde 98

Legislação é de 1940, mas só há 12 anos norma técnica foi assinada pelo então ministro da Saúde, José Serra

A lei brasileira permite a realização do aborto em duas situações: quando a gestação coloca em risco a vida da mulher ou quando a gravidez é resultado de estupro. Embora prevista desde 1940, somente em 1998, com uma norma técnica assinada pelo então ministro da Saúde, José Serra, é que a interrupção da gravidez resultante de violência sexual passou a ser oferecida nos serviços públicos de saúde.

O documento, voltado para o atendimento de vítimas de violência, lista desde a infraestrutura necessária até as técnicas e prazos em que interrupção pode ser realizada.

A lentidão para colocar em prática algo já previsto em lei reflete a dificuldade com que o assunto é tratado no Brasil. Tema recorrente em disputas eleitorais, ele já foi apontado, por diversas vezes, como responsável pela derrota de alguns candidatos. "Daí a dificuldade com que políticos tratam o tema", avalia a secretária executiva da ONG Rede Feminista de Saúde, Télia Negrão.

Além do aborto legal, o manual de 1998 relacionava uma série de medidas de emergência para as vítimas de violência sexual. Entre elas, medicamentos para evitar doenças infecciosas e outro ponto bastante polêmico: a pílula do dia seguinte.

Remédio feito à base de um hormônio, a pílula já havia sido mencionada em um outro documento, de 1996, sobre planejamento familiar. O manual havia sido precedido por uma lei sobre o assunto, assinada pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso e pelo ministro da Saúde da época, Adib Jatene. O método somente ganhou força a partir de 2000, quando o Ministério da Saúde passou a comprar e distribuir o medicamento de forma a suplementar as aquisições feitas por Estados e municípios.

As duas medidas, aplaudidas por especialistas em saúde pública e grupos feministas, foram duramente criticadas por setores religiosos.

No caso da pílula, sob a justificativa de que o remédio era abortivo. "Essa é uma alegação inconsequente, inconsistente. Nenhum estudo científico comprova essa hipótese", afirma o ginecologista Jefferson Drezett, integrante do Consórcio Latino-Americano de Anticoncepção de Emergência.

Drezett sustenta que todas as pesquisas recentes mostram que a pílula age retardando a ovulação ou impedindo o encontro do espermatozoide com o óvulo, exatamente o mesmo mecanismos dos demais métodos contraceptivos. "Religiosos demonstram grande teimosia em aceitar constatações científicas."

O uso da pílula do dia seguinte é apontado por especialistas como uma das causas da redução tanto no número de abortos legais realizados pelo sistema público quanto das curetagens, relacionadas ou não a abortos espontâneos. Uma tendência animadora, sobretudo quando se analisam dados gerais. De acordo com o ministério, uma em cada sete brasileiras de até 40 anos já fez um aborto.

Campanhas. A polêmica sobre o aborto não reflete a posição que o Brasil tem adotado no cenário internacional. Problema de saúde mundial, a interrupção da gravidez foi um dos temas tratados durante a Conferência do Cairo, organizada pelo Fundo das Nações Unidas para População e Desenvolvimento Humano. No encontro, em 1994, o Brasil assumiu o compromisso de rever a criminalização do aborto.

"O tema, que deveria ser discutido dentro da saúde pública, passou a ser alvo de um verdadeiro cerco aos candidatos por grupos conservadores", avalia Telia. Os exemplos são vários. "A derrota de Lula nas eleições de 1989 para Collor, depois do episódio Lurian, é uma delas", avalia.

Em 2006, Jandira Feghali que concorria a uma vaga pelo PC do B ao Senado também foi alvo de uma campanha contrária, organizada por religiosos que condenavam seu empenho em favor do aborto. "Diante de tanta pressão, é natural que candidatos procurem não se manifestar de forma clara sobre o assunto. Mesmo o presidente Lula, quando concorria à reeleição em 2006, dizia-se contrário à interrupção. É um vespeiro, que muitos preferem não mexer, pelo menos durante a disputa."Estadão

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Bandido que vai aparecer no horário eleitoral do José Serra é mentiroso, diz perito

Laudo elaborado com base em um programa de exame de frequência de voz concluiu que o empresário Rubnei Quícoli, consultor da empresa ERDB, mentiu em quatro trechos de entrevista que deu à TV Globo, exibidos em reportagem do "Jornal Nacional" de ontem (17) e no "Bom Dia Brasil" de hoje. Entre os trechos apontados pelo laudo feito pelo perito em veracidade Mauro Nadvorny, da Truster Brasil, Quícoli não foi verdadeiro quando disse que houve um pedido de R$ 5 milhões feito pela empresa de consultoria da filha da ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra e também ao dizer que nunca esteve com o candidato José Serra (PSDB).

A ERDB do Brasil Ltda. é uma empresa de Campinas que confirmou à Folha de S.Paulo a existência de um lobby dentro da Casa Civil da Presidência da República. Interessada em instalar uma central de energia solar no Nordeste, a empresa disse à Folha que o projeto estava parado desde 2002 na burocracia federal até que, no ano passado, seus donos foram orientados por um servidor da Casa Civil a procurar a Capital Consultoria, empresa de um dos filhos de Erenice Guerra, que pediu demissão ontem (17) do cargo de ministra da Casa Civil depois das acusações.

Representantes da ERDB disseram que depois de mediação da Capital foram recebidos em audiência oficial por Erenice na Casa Civil em novembro, quando ela era secretária-executiva da pasta então ocupada por Dilma Rousseff, hoje candidata do PT à Presidência da República. Troca de e-mails entre a Casa Civil e Quícoli obtida pela Folha mostrou mensagens para marcar a audiência oficial. O encontro, confirmado pela Casa Civil, ocorreu às 17h de 10 de novembro no Centro Cultural Banco do Brasil, em Brasília, que era usado na época como sede da Presidência, mas, segundo o governo, sem a presença de Erenice.

O laudo sobre a entrevista de Quícoli foi produzido voluntariamente pela empresa Truster Brasil, especializada em tecnologia de análise de voz. Um computador verifica os índices de estresse na fala de uma pessoa e aponta se ela diz a verdade. Diferentemente de sistemas similares, o sistema da Truster utiliza um algoritmo (conjunto de regras e operações matemáticas) que permite ao sistema detectar o estado de estresse, medir seu nível e perceber a causa desse estresse. Quando ocorre uma alteração de frequência na voz, o software registra as variações, estabelece um padrão e aponta quando há distorções. Oficialmente, a técnica não é considerada um método científico pelo sistema jurídico brasileiro, mas equipamentos de análise de voz da Truster Brasil são utilizados por serviços de inteligência policial no Rio Grande do Sul e no Distrito Federal e a técnica também já foi utilizada para apoio em decisões judiciais.

A reportagem está tentando contado com Quícoli.

O texto abaixo reproduz uma transcrição das perguntas colocadas na reportagem e as respectivas respostas do empresário e mais algumas das declarações dele exibidas nas reportagens do Jornal Nacional e do Bom Dia Brasil. Logo abaixo de cada transcrição, as observações apontadas pelo programa de computador sobre trechos do áudio e as conclusões do perito em veracidade Mauro Nadvorny sobre a análise de voz.

Trecho de fala de Quícoli na reportagem do Jornal Nacional sobre o caso. Ele fala sobre Erenice Guerra ao confirmar reunião na Casa Civil:

Rubnei Quícoli - "Nessa primeira oportunidade que a então secretária, hoje a atual exonerada, que a gente tá sabendo o final de tudo isso que aconteceu, ela se colocou numa situação que iria viabilizar o projeto através da Chesf, que é a Central da energética do São Francisco."

O que diz o laudo sobre os trechos da fala:

"ela se colocou numa situação" - PROVÁVEL RISCO

"de viabilizar" - PROVÁVEL RISCO

"iria viabilizar o projeto através" - ALTO RISCO

"da Chesf" - IMPRECISÃO

Conclusão do perito: De acordo com a análise do programa, o Sr. Quícoli não está sendo verdadeiro quando afirma que Erenice Guerra viabilizaria o projeto.

Trecho em que ele afirma ter recebido de Marco Antônio Oliveira, ex-diretor de Operações dos Correios, solitação de pagamento para viabilizar o projeto:

Rubnei Quícoli - "A última conversa que eu estive com o Marco Antônio, ele me pediu cinco milhões, e desses cinco milhões seria pra poder pagar alguma conta da então candidata Dilma, da ex-ministra Erenice Guerra e também pra ajudar também o candidato Hélio Costa lá de Minas Gerais, a candidatura dele. Eu neguei tudo isso daí e não quis participar disso. Eles insistiram, entendeu, nesse dinheiro pra poder sair o projeto. Foi quando o Marco Antônio disse pra mim que o Israel Guerra, filho da ministra Erenice, disse que se não pagasse não sairia o projeto mais."

O que diz o laudo sobre os trechos da fala:

"ele me pediu cinco milhões" - IMPRECISÃO

"cinco milhões seria para poder pagar alguma" - IMPRECISÃO

"conta da" - PROVÁVEL RISCO

"então candidata Dilma" - ALTO RISCO

"da ex-ministra" - ALTO RISCO

"Erenice Guerra" - ALTO RISCO

"e para ajudar também o candidato" - PROVÁVEL RISCO

"Hélio Costa lá de MG na candidatura dele" - IMPRECISÃO

Com relação ao que disse Marco Antonio:

"foi quando o Marco Antonio disse para mim" - ALTAMENTE ESTRESSADO

"que o Israel Guerra"- ALTO RISCO

"filho da ministra" - TENSÃO ALTA

"se não pagar" - BAIXO RISCO

"não sairia o projeto mais" - ESTRESSADO

Conclusões do perito: De acordo com a análise do programa, o Sr. Quícoli provavelmente não está sendo verdadeiro quando afirma que o Sr. Marco Antônio teria solicitado 5 milhões, e não está sendo verdadeiro quando afirma que seriam para pagamento de contas destas pessoas. Ele também não está sendo verdadeiro quando afirma que o Sr. Marco Antonio o teria informado que o Sr. Israel Guerra teria dito que se não pagasse, não sairia mais o projeto.

O que o laudo diz sobre a fala Quícoli sobre sua atitude:

"neguei tudo isso daí" - ALTO RISCO

"não quis participar disso, eles insistiram entendeu" - ALTAMENTE ESTRESSADO

"nesse dinheiro para poder sair o projeto" - PROVÁVEL RISCO

Conclusão do perito: De acordo com a análise do programa, o sr. Quícoli não está sendo verdadeiro quando afirma que negou tudo e na insistência do dinheiro para que saísse o projeto.

Trecho em que Quícoli é questionado sobre se sua denúncia teve motivações políticas:

Rubnei Quícoli - "Nunca houve, jamais, nunca estive com o Serra, nunca estive com a Marina, nunca falei nada, eu sou filiado ao Greenpeace desde 2001, eu quando garoto lá, estava com 20 anos, eu pertenci ao PDT e ao PSDB. Houve uma filiação mas eu não sei se ela foi concretizada via cartório."

O que diz o laudo:

"nunca houve, jamais" - ALTAMENTE ESTRESSADO

"eu nunca estive com o Serra" - ALTO RISCO

Conclusão do perito: De acordo com a análise do programa, o Sr. Quícoli não está sendo verdadeiro quando afirma que nunca esteve com o candidato Serra. Não é possível concluir se houve alguma motivação política. Da Uol

domingo, 12 de setembro de 2010

Voto "Dilmasia" chega a 46% em Minas


Em três Estados considerados fundamentais pelo PSDB -São Paulo, Minas Gerais e Paraná- o voto no presidenciável José Serra fica aquém da performance obtida pelos candidatos a governador.

Minas é o melhor exemplo. Enquanto Antonio Anastasia (PSDB) tem 36% das intenções de voto para governador e divide a liderança com Hélio Costa (39%), Serra tem menos da metade dos votos de Dilma Rousseff (PT) no Estado: 51% para a petista, 24% para o tucano.

A desvantagem de Serra pode ser explicada em grande parte pelo fato de os eleitores de Anastasia aderirem mais à petista do que ao tucano -fenômeno que vem sendo chamado de "Dilmasia".

Entre os mineiros que declaram voto em Anastasia para governador, 46% dizem querer votar em Dilma para presidente, contra 33% que apoiam Serra.

Já entre os eleitores de Hélio Costa, aliado da petista no Estado, 62% dizem querer votar em Dilma, e 22% declaram voto em Serra.

O desempenho do presidenciável tucano também é ruim se comparado com os candidatos ao Senado.

O ex-governador Aécio Neves (PSDB) aparece com 67% na pesquisa Datafolha, e Itamar Franco (PPS, da coligação tucana) tem 42%. O petista Fernando Pimentel, ex-prefeito de Belo Horizonte, está em terceiro, com 29%.

SÃO PAULO

Em São Paulo, o senador Aloizio Mercadante (PT) tem se mostrado um cabo eleitoral mais eficiente para Dilma do que Geraldo Alckmin (PSDB) tem sido para Serra.

O ex-governador e candidato à reeleição lidera com folga desde o início da disputa, mas não consegue transferir todo o seu capital político no Estado para Serra -na verdade, transfere apenas pouco mais da metade.

Alckmin tem hoje 49% das intenções de voto, enquanto Serra aparece com 35% dos votos paulistas.

Entre os eleitores de Alckmin, 55% votam em Serra, enquanto 28% dizem votar em Dilma.

Entre os eleitores de Mercadante (que tem 23%), 81% votam em Dilma, e apenas 8% apoiam Serra.

Já entre os eleitores de Serra, 78% votam em Alckmin e 5%, em Mercadante.

Se em Minas há o "Dilmasia", em São Paulo há o "Dilmalckmin", para prejuízo de Mercadante.

Entre os que dizem votar em Dilma (41% no Estado), 45% votam em Mercadante e 33% apoiam Alckmin.

O petista fica aquém não só do desempenho de Dilma mas também do da ex-prefeita Marta Suplicy, que tem 35% na disputa pelo Senado.

PARANÁ

O cenário desfavorável a Serra se repete no Paraná, onde Osmar Dias (PDT) capitaliza mais a favor de Dilma do que Beto Richa (PSDB) em prol do tucano.

A mais recente pesquisa Datafolha mostra que 62% dos eleitores de Dias declaram voto em Dilma, contra 26% que dizem querer votar em Serra.

Entre os eleitores de Richa, há quase uma divisão entre apoiadores de Serra e de Dilma: 43% votam no tucano, 39%, na petista.

Na disputa pelo governo do Estado, o ex-prefeito de Curitiba tem 44% das intenções de voto, e Dias, 38%.

Já na corrida presidencial, Dilma tem 46% das intenções de voto no Estado, contra 33% de Serra.

Metade dos eleitores de Dilma declaram voto em Dias, aliado da petista, enquanto 38% apoiam Richa.

Entre os eleitores de Serra, 58% votam em Richa, e 30%, em Dias. (UIRÁ MACHADO)

Marta de conchavos com o PSDB?

A disputa pelo patrimônio eleitoral de Orestes Quércia (PMDB) e a subida de Netinho de Paula (PCdoB) nas últimas pesquisas de intenção de votos mexeram com a estratégia das campanhas de Marta Suplicy (PT) e Aloysio Nunes (PSDB) pelas duas vagas de São Paulo no Senado.

A Folha apurou que a petista e o tucano negociam um "pacto de não agressão" daqui até o dia das eleições. A motivação de Marta seria manter os votos que tem hoje, e se tornar uma opção ao segundo voto de Aloysio.

Já o tucano ficaria livre de ataques, podendo aumentar a migração dos votos antes depositados em Quércia, e disputar o segundo voto do eleitor de Marta.

Netinho ficou de fora das negociações. Ele concorre ao Senado na chapa do PT e passou à frente no último Datafolha, empatado tecnicamente com Marta.

Marta e Aloysio teriam se reunido e conversado sobre a disputa. Quando a petista deixou a Prefeitura de São Paulo para José Serra (PSDB), em 2004, Aloysio Nunes coordenou a transição. Isso teria dado condições de diálogo aos dois.

Questionada pela Folha na última quinta-feira se havia feito alguma reunião para rediscutir a estratégia da campanha, Marta negou. "Não fiz reunião. Para onde vai o voto [do Quércia] é o povo quem decide. Voto não é cabresto", disse.

Em outra frente, os tucanos turbinarão a campanha do senador Romeu Tuma, que disputa a reeleição pelo PTB. Internado desde o último dia 1º no Hospital Sírio-Libanês, chegou a ter a renúncia cogitada.

Mas, após uma avaliação política, o PSDB entendeu que, sem uma opção de segundo voto, potenciais eleitores de Aloysio poderiam ampliar os índices de Marta e Netinho, diminuindo as chances de Aloysio Nunes.

Cientes das movimentações, aliados de Netinho dizem que ele manterá a linha de sua estratégia. Continuará fazendo campanha ao lado de Aloizio Mercadante, candidato do PT ao governo, em busca dos votos de petistas.

Sobre possíveis ataques, avaliam que há dois pontos que podem ser explorados: a falta de preparo do cantor, e o episódio da agressão à ex-mulher, em 2005.

Afirmam, no entanto, que ele está pronto para o embate técnico, e que há possibilidade de Netinho ser defendido pela ex, se o caso for diretamente citado na campanha de adversários.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Uma grande inversão

A disparada de Dilma Rousseff nas pesquisas de opinião pública tem suscitado interpretações diversas.

Duas constatações mobilizam os comentaristas: a primeira é a popularidade do governo, atingindo patamares de quase unanimidade, se computados como favoráveis os que avaliam o desempenho de Lula como ótimo, bom ou regular. Depois de oito anos, trata-se de algo raro.

A segunda constatação é a capacidade de transferência de votos do presidente. Também não é algo comum.

O comum é o inverso. Líderes de expressão nem sempre conseguem “fazer” os sucessores. Isto se deve, em parte, à vontade deles mesmos, por medo que os herdeiros possam obscurecer sua liderança, apagandoos da história. Leonel Brizola era craque nisto: nunca elegeu um sucessor, embora saindo de governos com alto índice de popularidade.

O mesmo aconteceu na sucessão de FHC. Embora desgastado, foi notório que ele preferia transferir a faixa presidencial ao líder operário, mesmo porque estava convencido de que a gestão deste seria um fracasso, favorecendo, quem sabe, a sua volta ao poder. No entanto, mesmo que os líderes o desejem, a transferência de votos nem sempre se dá, ou se dá de forma tão parcial que os herdeiros perdem as eleições.

Ora, o que surpreende nesta campanha eleitoral é a capacidade de transferência de votos de Lula para Dilma. Esta era uma personagem desconhecida em termos eleitorais. Sua vocação era outra: a de servidora pública, empenhada na gestão de empresas estatais ou planos de desenvolvimento.

Assim, quando Lula sacou o seu nome e o apresentou ao distinto público, não faltaram análises de que o homem não queria eleger o sucessor, no caso, sucessora. Escolhera um nome destinado a uma derrota eleitoral honrosa, evitando sombras em sua popularidade.

Mas não foi isto que aconteceu. Lula investiu na herdeira, pessoalmente e com a máquina pública. Os resultados não se fizeram esperar e até agora espantam os analistas.

O que dizer destas evidências? Os mais simplórios, como sempre, denunciam sombrias manipulações.

É uma velha cantilena, de direita e de esquerda. Quando o eleitorado não acompanha suas propostas é porque está sendo manipulado. Para a velha UDN, era Vargas o grande manipulador.

Para as esquerdas, depois da ditadura, era a TV Globo que orquestrava as mentes. A conclusão é sempre a mesma: as pessoas não sabem votar. Multidões passivas, despolitizadas, idiotas! Idiota, no caso, é a interpretação, incapaz de compreender a complexidade do processo histórico.

Uma outra linha interpretativa foi importada de análise feita nos EUA a propósito da eleição de Bill Clinton.

Um gênio teria formulado a frase: é a economia, seu estúpido! Queria dizer com isto que o eleitorado estadunidense estaria votando de acordo com seus interesses econômicos. Como Clinton falou, e muito, do assunto, ganhou as eleições com folga.

Transportada para o Brasil, a tese poderia ser assim traduzida: as classes populares, na grande maioria, estariam votando com o bolso, ou seja, como os governos de Lula as beneficiaram economicamente, elas tenderiam a manter uma fidelidade canina ao benefactor.

A análise não é destituída de fundamento. Com efeito, os interesses econômicos são um ingrediente importante nas escolhas de qualquer eleitorado. Mas, se o ser humano não vive sem pão, sabe-se também que “nem só de pão vivem os humanos”.

A hipótese que sustento é que a aprovação do governo Lula e a sua inusitada capacidade de transferência de votos residem num processo mais profundo: o acesso progressivo das classes populares à cidadania. Lula é a expressão maior disso. Ele é visto como o político que promoveu como ninguém este acesso. Isto tem a ver com bens materiais, sem dúvida.

Mas há outros bens, simbólicos, mais importantes que o pão nosso de cada dia. E é isto que as direitas raivosas e as esquerdas radicais não percebem. As pessoas comuns, desde os anos 1980, e cada vez mais, começaram a achar graça nas instituições e nas lutas institucionais. Política, assunto de brancos ricos, começou a ser também de pardos, negros, índios e brancos pobres.

Esta é uma novidade óbvia, senhores e senhoras das elites brancas (a expressão é de Cláudio Lembo, líder conservador). Se Vossas Excelências puserem o ouvido no chão, talvez sejam capazes de ouvir o tropel que se aproxima. Se olharem para o mar, vão ver o tsunami que vem por aí. Na história desta república, só antes de 1964 houve coisa parecida com o que está ocorrendo agora. Entretanto, na época, os movimentos populares queriam muito e muito rápido. Não deu. Veio o golpe, paralisou e reverteu o processo. Agora, não. A multidão come pelas bordas, com paciência e moderação, devagar e sempre, mas a fome destas gentes é insaciável.

Quando as pessoas comuns compreendem os benefícios da democracia, querem para elas também. É raso imaginar que tudo se esgota no pão. O pão quentinho é gostoso, quem não gosta? É mais do que isto, porém: os comuns querem a cidadania. Plena. Querem jogar o jogo político como gente grande, como antes só os brancos ricos faziam. Uma grande inversão.

Vai dar? Não vai dar? Veremos. Mas uma coisa é certa: não vai ser tão fácil deter esta onda.- Daniel Aarão Reis, professor de história da Universidade Federal Fluminense, em artigo publicado no jornal O Globo, 07-09-2010.

Ver e Rever Copyright © 2011 | Template created by Ver e Rever | Powered by Blogger