domingo, 12 de setembro de 2010

Voto "Dilmasia" chega a 46% em Minas


Em três Estados considerados fundamentais pelo PSDB -São Paulo, Minas Gerais e Paraná- o voto no presidenciável José Serra fica aquém da performance obtida pelos candidatos a governador.

Minas é o melhor exemplo. Enquanto Antonio Anastasia (PSDB) tem 36% das intenções de voto para governador e divide a liderança com Hélio Costa (39%), Serra tem menos da metade dos votos de Dilma Rousseff (PT) no Estado: 51% para a petista, 24% para o tucano.

A desvantagem de Serra pode ser explicada em grande parte pelo fato de os eleitores de Anastasia aderirem mais à petista do que ao tucano -fenômeno que vem sendo chamado de "Dilmasia".

Entre os mineiros que declaram voto em Anastasia para governador, 46% dizem querer votar em Dilma para presidente, contra 33% que apoiam Serra.

Já entre os eleitores de Hélio Costa, aliado da petista no Estado, 62% dizem querer votar em Dilma, e 22% declaram voto em Serra.

O desempenho do presidenciável tucano também é ruim se comparado com os candidatos ao Senado.

O ex-governador Aécio Neves (PSDB) aparece com 67% na pesquisa Datafolha, e Itamar Franco (PPS, da coligação tucana) tem 42%. O petista Fernando Pimentel, ex-prefeito de Belo Horizonte, está em terceiro, com 29%.

SÃO PAULO

Em São Paulo, o senador Aloizio Mercadante (PT) tem se mostrado um cabo eleitoral mais eficiente para Dilma do que Geraldo Alckmin (PSDB) tem sido para Serra.

O ex-governador e candidato à reeleição lidera com folga desde o início da disputa, mas não consegue transferir todo o seu capital político no Estado para Serra -na verdade, transfere apenas pouco mais da metade.

Alckmin tem hoje 49% das intenções de voto, enquanto Serra aparece com 35% dos votos paulistas.

Entre os eleitores de Alckmin, 55% votam em Serra, enquanto 28% dizem votar em Dilma.

Entre os eleitores de Mercadante (que tem 23%), 81% votam em Dilma, e apenas 8% apoiam Serra.

Já entre os eleitores de Serra, 78% votam em Alckmin e 5%, em Mercadante.

Se em Minas há o "Dilmasia", em São Paulo há o "Dilmalckmin", para prejuízo de Mercadante.

Entre os que dizem votar em Dilma (41% no Estado), 45% votam em Mercadante e 33% apoiam Alckmin.

O petista fica aquém não só do desempenho de Dilma mas também do da ex-prefeita Marta Suplicy, que tem 35% na disputa pelo Senado.

PARANÁ

O cenário desfavorável a Serra se repete no Paraná, onde Osmar Dias (PDT) capitaliza mais a favor de Dilma do que Beto Richa (PSDB) em prol do tucano.

A mais recente pesquisa Datafolha mostra que 62% dos eleitores de Dias declaram voto em Dilma, contra 26% que dizem querer votar em Serra.

Entre os eleitores de Richa, há quase uma divisão entre apoiadores de Serra e de Dilma: 43% votam no tucano, 39%, na petista.

Na disputa pelo governo do Estado, o ex-prefeito de Curitiba tem 44% das intenções de voto, e Dias, 38%.

Já na corrida presidencial, Dilma tem 46% das intenções de voto no Estado, contra 33% de Serra.

Metade dos eleitores de Dilma declaram voto em Dias, aliado da petista, enquanto 38% apoiam Richa.

Entre os eleitores de Serra, 58% votam em Richa, e 30%, em Dias. (UIRÁ MACHADO)

Marta de conchavos com o PSDB?

A disputa pelo patrimônio eleitoral de Orestes Quércia (PMDB) e a subida de Netinho de Paula (PCdoB) nas últimas pesquisas de intenção de votos mexeram com a estratégia das campanhas de Marta Suplicy (PT) e Aloysio Nunes (PSDB) pelas duas vagas de São Paulo no Senado.

A Folha apurou que a petista e o tucano negociam um "pacto de não agressão" daqui até o dia das eleições. A motivação de Marta seria manter os votos que tem hoje, e se tornar uma opção ao segundo voto de Aloysio.

Já o tucano ficaria livre de ataques, podendo aumentar a migração dos votos antes depositados em Quércia, e disputar o segundo voto do eleitor de Marta.

Netinho ficou de fora das negociações. Ele concorre ao Senado na chapa do PT e passou à frente no último Datafolha, empatado tecnicamente com Marta.

Marta e Aloysio teriam se reunido e conversado sobre a disputa. Quando a petista deixou a Prefeitura de São Paulo para José Serra (PSDB), em 2004, Aloysio Nunes coordenou a transição. Isso teria dado condições de diálogo aos dois.

Questionada pela Folha na última quinta-feira se havia feito alguma reunião para rediscutir a estratégia da campanha, Marta negou. "Não fiz reunião. Para onde vai o voto [do Quércia] é o povo quem decide. Voto não é cabresto", disse.

Em outra frente, os tucanos turbinarão a campanha do senador Romeu Tuma, que disputa a reeleição pelo PTB. Internado desde o último dia 1º no Hospital Sírio-Libanês, chegou a ter a renúncia cogitada.

Mas, após uma avaliação política, o PSDB entendeu que, sem uma opção de segundo voto, potenciais eleitores de Aloysio poderiam ampliar os índices de Marta e Netinho, diminuindo as chances de Aloysio Nunes.

Cientes das movimentações, aliados de Netinho dizem que ele manterá a linha de sua estratégia. Continuará fazendo campanha ao lado de Aloizio Mercadante, candidato do PT ao governo, em busca dos votos de petistas.

Sobre possíveis ataques, avaliam que há dois pontos que podem ser explorados: a falta de preparo do cantor, e o episódio da agressão à ex-mulher, em 2005.

Afirmam, no entanto, que ele está pronto para o embate técnico, e que há possibilidade de Netinho ser defendido pela ex, se o caso for diretamente citado na campanha de adversários.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Uma grande inversão

A disparada de Dilma Rousseff nas pesquisas de opinião pública tem suscitado interpretações diversas.

Duas constatações mobilizam os comentaristas: a primeira é a popularidade do governo, atingindo patamares de quase unanimidade, se computados como favoráveis os que avaliam o desempenho de Lula como ótimo, bom ou regular. Depois de oito anos, trata-se de algo raro.

A segunda constatação é a capacidade de transferência de votos do presidente. Também não é algo comum.

O comum é o inverso. Líderes de expressão nem sempre conseguem “fazer” os sucessores. Isto se deve, em parte, à vontade deles mesmos, por medo que os herdeiros possam obscurecer sua liderança, apagandoos da história. Leonel Brizola era craque nisto: nunca elegeu um sucessor, embora saindo de governos com alto índice de popularidade.

O mesmo aconteceu na sucessão de FHC. Embora desgastado, foi notório que ele preferia transferir a faixa presidencial ao líder operário, mesmo porque estava convencido de que a gestão deste seria um fracasso, favorecendo, quem sabe, a sua volta ao poder. No entanto, mesmo que os líderes o desejem, a transferência de votos nem sempre se dá, ou se dá de forma tão parcial que os herdeiros perdem as eleições.

Ora, o que surpreende nesta campanha eleitoral é a capacidade de transferência de votos de Lula para Dilma. Esta era uma personagem desconhecida em termos eleitorais. Sua vocação era outra: a de servidora pública, empenhada na gestão de empresas estatais ou planos de desenvolvimento.

Assim, quando Lula sacou o seu nome e o apresentou ao distinto público, não faltaram análises de que o homem não queria eleger o sucessor, no caso, sucessora. Escolhera um nome destinado a uma derrota eleitoral honrosa, evitando sombras em sua popularidade.

Mas não foi isto que aconteceu. Lula investiu na herdeira, pessoalmente e com a máquina pública. Os resultados não se fizeram esperar e até agora espantam os analistas.

O que dizer destas evidências? Os mais simplórios, como sempre, denunciam sombrias manipulações.

É uma velha cantilena, de direita e de esquerda. Quando o eleitorado não acompanha suas propostas é porque está sendo manipulado. Para a velha UDN, era Vargas o grande manipulador.

Para as esquerdas, depois da ditadura, era a TV Globo que orquestrava as mentes. A conclusão é sempre a mesma: as pessoas não sabem votar. Multidões passivas, despolitizadas, idiotas! Idiota, no caso, é a interpretação, incapaz de compreender a complexidade do processo histórico.

Uma outra linha interpretativa foi importada de análise feita nos EUA a propósito da eleição de Bill Clinton.

Um gênio teria formulado a frase: é a economia, seu estúpido! Queria dizer com isto que o eleitorado estadunidense estaria votando de acordo com seus interesses econômicos. Como Clinton falou, e muito, do assunto, ganhou as eleições com folga.

Transportada para o Brasil, a tese poderia ser assim traduzida: as classes populares, na grande maioria, estariam votando com o bolso, ou seja, como os governos de Lula as beneficiaram economicamente, elas tenderiam a manter uma fidelidade canina ao benefactor.

A análise não é destituída de fundamento. Com efeito, os interesses econômicos são um ingrediente importante nas escolhas de qualquer eleitorado. Mas, se o ser humano não vive sem pão, sabe-se também que “nem só de pão vivem os humanos”.

A hipótese que sustento é que a aprovação do governo Lula e a sua inusitada capacidade de transferência de votos residem num processo mais profundo: o acesso progressivo das classes populares à cidadania. Lula é a expressão maior disso. Ele é visto como o político que promoveu como ninguém este acesso. Isto tem a ver com bens materiais, sem dúvida.

Mas há outros bens, simbólicos, mais importantes que o pão nosso de cada dia. E é isto que as direitas raivosas e as esquerdas radicais não percebem. As pessoas comuns, desde os anos 1980, e cada vez mais, começaram a achar graça nas instituições e nas lutas institucionais. Política, assunto de brancos ricos, começou a ser também de pardos, negros, índios e brancos pobres.

Esta é uma novidade óbvia, senhores e senhoras das elites brancas (a expressão é de Cláudio Lembo, líder conservador). Se Vossas Excelências puserem o ouvido no chão, talvez sejam capazes de ouvir o tropel que se aproxima. Se olharem para o mar, vão ver o tsunami que vem por aí. Na história desta república, só antes de 1964 houve coisa parecida com o que está ocorrendo agora. Entretanto, na época, os movimentos populares queriam muito e muito rápido. Não deu. Veio o golpe, paralisou e reverteu o processo. Agora, não. A multidão come pelas bordas, com paciência e moderação, devagar e sempre, mas a fome destas gentes é insaciável.

Quando as pessoas comuns compreendem os benefícios da democracia, querem para elas também. É raso imaginar que tudo se esgota no pão. O pão quentinho é gostoso, quem não gosta? É mais do que isto, porém: os comuns querem a cidadania. Plena. Querem jogar o jogo político como gente grande, como antes só os brancos ricos faziam. Uma grande inversão.

Vai dar? Não vai dar? Veremos. Mas uma coisa é certa: não vai ser tão fácil deter esta onda.- Daniel Aarão Reis, professor de história da Universidade Federal Fluminense, em artigo publicado no jornal O Globo, 07-09-2010.

sábado, 4 de setembro de 2010

Jogo do poder

Dando como certa a vitória de Dilma Rousseff na eleição presidencial, deputados e senadores da aliança governista já fazem o jogo do poder na Câmara e no Senado. O PT quer ficar com a presidência do Senado e o PMDB com a da Câmara. Para isso, os peemedebistas esperam eleger grandes bancadas parlamentares nos Estados.

Já se falam em grupo independente no Congresso Nacional, formado pelos partidos vencedores, como o PSB, por exemplo, que vão ter governadores fortes como Eduardo Campos, de Pernambuco. Seria uma espécie de terceira força, que não estaria atrelada automaticamente ao governo. Eles querem mais independência.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Em São Paulo, PCC ataca de BMW rouba joias em arrastão . A imprensa silencia para não atrapalhar eleição de tucanos

Uma quadrilha com pelo menos oito homens fez um arrastão na noite de ontem em prédio residencial da rua Oscar Freire, nos Jardins (zona oeste), uma das áreas mais nobres da cidade.
Os primeiros do grupo invadiram o prédio pela garagem dentro de uma BMW preta, que entrou colada ao carro de um morador.
Segundo relato de moradores, os criminosos entraram gritando: "Quantos judeus tem aqui?"
Buscavam também o apartamento de um andar específico (no prédio, há um por andar), que diziam já ter assaltado há mais de um mês.
Perguntavam também sobre localização de cofres e estavam focados especialmente em conseguir joias.
Peças com pedras preciosas têm sido alvo frequente em assaltos, com a alta demanda internacional na receptação dos objetos. Neste ano, ao menos 15 joalherias de shoppings foram roubadas na capital paulista.

EQUIPADOS
Além das joias, os homens levaram também dinheiro e celulares, entre outros itens.
O bando estava equipado com coletes à prova de balas e armas de alto poder de fogo. "Pareciam submetralhadoras", disse um dos reféns ouvidos pela Folha.
Ao menos 12 pessoas de quatro famílias foram rendidas. Elas eram abordadas na portaria e levadas todas para um mesmo andar. Depois, um membro de cada uma delas acompanhava os assaltantes até seu apartamento para que fosse feito o roubo.
No grupo, havia um bebê de cinco meses. Ninguém ficou ferido. Até o fechamento desta edição, ninguém havia sido preso pelo assalto.
Os homens falavam, em geral, com tranquilidade, mas em alguns momentos chegaram a ameaçar moradores de sequestro caso não colaborassem com a ação.

UMA HORA

O arrastão começou por volta das 18h45 e durou cerca de uma hora. Acabou quando um dos criminosos recebeu uma mensagem por radiocomunicador. Com isso, uma das quatro famílias rendidas escapou de ter o apartamento roubado.
Mesmo depois que os assaltantes foram embora, os moradores permaneceram no andar em que estavam rendidos, por medo.

O arrastão de ontem foi o 13º ocorrido na cidade em 2010. O mais recente aconteceu em um prédio do bairro da Aclimação (região central de SP) no dia 24 de agosto. Na ocasião, cinco apartamentos foram roubados.folha

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

José Serra covarde e sem escrupulos, quer tirar Dilma do pleito para vencer sozinho

A coligação do candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, entrou com uma representação nesta quarta-feira (1) no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) reclamando suposto abuso de poder político e uso de máquina pública para favorecer a campanha da petista Dilma Rousseff. A representação cita, além da candidata do PT, pessoas que estariam envolvidas com o que o PSDB classifica de ato coordenado para fabricação de supostos dossiês contra adversários a partir da quebra de sigilo fiscal.

A ação pede cópia de documentos sobre a investigação da violação de sigilo feita pela Receita Federal e a Polícia Federal e realização de perícia por técnico indicado pela Justiça Eleitoral no sistema da Receita. "A filha do Serra não teria o sigilo violado não fosse ele candidato", afirmou o senador Álvaro Dias (PSDB-PR), que protocolou a representação no TSE. "A espionagem se deu para abastecer a central de dossiês". Na ação, também é citado artigo da Lei da Ficha Limpa, que prevê inelegibilidade de candidato "diretamente beneficiado (...) pelo desvio ou abuso de poder de autoridade".

O advogado da coligação, Eduardo Alckmin, disse que eventuais consequências à candidatura de Dilma Rousseff vão depender do "juízo que fizer a Justiça Eleitoral". "Trazemos aqui dados de um fato grave que pode afetar a legitimidade do pleito. (Fazemos isso) até para evitar que isso ocorra". Segundo o advogado, o objetivo primeiro é "coibir certas práticas" que beneficiariam a candidata petista.

Além da condenação, a ação protocolada no TSE pede também cópia de documentos sobre a investigação da violação de sigilo feita pela Receita Federal e pela Polícia Federal e realização de perícia por técnico indicado pela Justiça Eleitoral no sistema da Receita.

"A filha do Serra não teria o sigilo violado não fosse ele candidato", afirmou o senador Álvaro Dias (PSDB-PR), que protocolou a representação no TSE. "A espionagem se deu para abastecer a central de dossiês".

O documento aponta como responsabilidade de Dilma dizendo que ela "tinha conhecimento e anuiu com a prática de preparar dossiês para atacar adversários políticos, mediante o ilegal acesso a documentos protegidos pelo sigilo fiscal e bancário".

E que "beneficiou-se de comportamento leniente" na apuração dos fatos, por parte de outros dois representados: o secretário da Receita Federal Otacílio Cartaxo e Antonio Carlos Costa D¿Avila, corregedor-geral da Receita.

"A representada se mostra ligada aos desmandos ocorridos, seja por sua estreita vinculação com os responsáveis pela conduta ilícita, seja por ser dela beneficiária", afirma a representação, a respeito da candidata

domingo, 29 de agosto de 2010

A Dilma do Maranhão

Roseana Sarney vira clone da candidata à Presidência em uma campanha onde ninguém ousa falar mal de Lula

Passava das duas horas da tarde de quarta-feira, quando a governadora do Maranhão e candidata à reeleição, Roseana Sarney (PMDB), desceu de um helicóptero imaculadamente branco na pequena e empoeirada Nina Rodrigues, cidade com pouco mais de 10 mil habitantes a 175 quilômetros de São Luís. Era mais um dia da opulenta campanha da peemedebista - que elegeu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, como seus principais cabos eleitorais.

Numa espécie de clonagem, toda a campanha e os programas eleitorais de televisão de Roseana são muito parecidos com os de Dilma. Assim como a petista, a governadora é apresentada como "guerreira". A cor predominante também é o vermelho. "É coincidência", diz Roseana, que contratou o marqueteiro Duda Mendonça como consultor de campanha. A de Dilma é tocada pelo publicitário João Santana.

Mais do que Dilma, a presença de Lula é ostensiva na campanha. "Sou Dilma, sou Roseana", diz Lula, logo na abertura do programa, fazendo as vezes de apresentador. "Vote Dilma presidente, Roseana governadora", emenda o presidente. "Roseana e Dilma muito me ajudaram. Peço ao povo do Maranhão para eleger Dilma presidente e Roseana governadora." Lula também pede voto para a reeleição do senador e ex-ministro Edison Lobão (PMDB), de quem diz ser muito amigo, e para João Alberto (PMDB), outro aliado da família Sarney que disputa o Senado.

Estado com os piores índices sociais do País e sob o comando da oligarquia dos Sarney há quatro décadas, o Maranhão simplesmente ignora as denúncias contra o clã. À exceção de um candidato do PSOL ao Senado, Paulo Rios, ninguém fala dos escândalos envolvendo o patriarca, senador José Sarney (PMDB-AP), e a própria Roseana - há duas semanas, por exemplo, o Estado revelou que documentos nos arquivos do Banco Santos indicam que a governadora e seu marido, Jorge Murad, simularam em 2004 um empréstimo de R$ 4,5 milhões para resgatar US$ 1,5 milhão que possuíam no exterior. "Eles (os Sarney) são iguais a índio: inimputáveis", diz José Reinaldo (PSB), ex-governador e ex-aliado dos Sarney.

Contrastes. Mal o helicóptero que carregava Roseana aterrissa em Nina Rodrigues e duas centenas de crianças correm numa espécie de coreografia ensaiada para abraçar e beijar a governadora. A candidata veste calça jeans skinny, blusa estampada de grife, tênis vermelho e boné da mesma cor, com o símbolo do PMDB. De adereço, só um brinco em forma de estrela, com pequenos pontos dourados.

Momentos antes de sua chegada, um caminhão-pipa molha as ruas de terra numa tentativa infrutífera de aplacar o calor e baixar a poeira. Uma estrutura de campanha exuberante antecede a vinda da governadora: dezenas de utilitários de luxo - todos com enormes adesivos de Roseana ao lado de Lula e Dilma - carros de som, trio elétrico, fogos em profusão e seguranças.

Material com propaganda de candidatos dos 16 partidos que compõem a coligação de Roseana é fartamente distribuído pelas ruas da cidade. O aparato grandioso se repetiu em todos os três municípios visitados, na quarta-feira, por Roseana, numa jornada que se estendeu das duas da tarde até as 22h30. Realidade bem diferente vivem seus adversários. Sem dinheiro, Jackson Lago, do PDT, e Flávio Dino, do PC do B, fazem uma campanha bem mais modesta.

Traição. Além dos recursos escassos, Lago convive hoje com a traição de prefeitos de seu partido que se bandearam para o lado de Roseana. Para receber a governadora em Nina Rodrigues, a prefeita Iara Quaresma, do PDT, decretou feriado na cidade: nem escolas nem serviço público funcionaram na quarta-feira. A adesão da pedetista à governadora do PMDB teve um preço: a promessa de construção da ponte que ligará o município a São Benedito do Rio Preto. "Votei no Jackson na eleição passada, mas quem trouxe obras para o município foi a Roseana. Meu sonho é essa ponte, e ela prometeu que vai fazer", diz Iara, ao justificar o voto na peemedebista.

Seis horas mais tarde, em Itapecuru Mirim, cidade com cerca de 90 mil habitantes, o vereador Biné dos Picos, do PDT, também dava desculpa semelhante para votar em Roseana.

"Represento um povoado de 17 mil habitantes, que ganhou uma praça, uma escola de segundo grau e água encanada para 600 famílias desde que a Roseana voltou para o governo. Hoje, ela prometeu reformar a rodoviária do povoado", conta Biné, que levou 150 pessoas em quatro ônibus para ajudar a encher a Praça Gomes de Souza, bem em frente à Prefeitura de Itapecuru.

Em suas andanças na quarta-feira, Roseana ouviu apenas uma crítica. Foi em Vargem Grande, município de 50 mil habitantes, onde candidatos a deputado aproveitaram o comício para reclamar do sistema de abastecimento de água da cidade. "Ainda existe uma dificuldade imensa de água na torneira", critica Fábio Braga, do PMDB. "Fiquei fora sete anos e ninguém se incomodou com o problema de água aqui", contrapõe Roseana.

"Desgoverno". Todas as mazelas do Maranhão são debitadas aos últimos sete anos em que a família Sarney esteve fora do poder. Nem parece que o Estado foi praticamente governado nas últimas décadas pelo clã, aí incluída a própria Roseana, que comandou o Maranhão entre 1994 e 2002. Ao deixar o governo, ela elegeu seu sucessor, o então vice-governador José Reinaldo, hoje adversário ferrenho dos Sarney. A hegemonia só foi quebrada com Jackson Lago, que ficou de janeiro de 2007 a abril de 2009 no governo do Estado.

É só subir no palanque e governadora começa a atacar os "sete anos de desgoverno" e a repetir suas realizações nos últimos 16 meses em que está no comando do Estado. Até a descoberta de gás em Capinzal do Norte pela OGX, do empresário Eike Batista, vai parar na conta das benfeitorias de um ano e quatro meses de Roseana à frente do governo maranhense.

A pouco mais de um mês das eleições, ela conta hoje o apoio da maioria esmagadora dos 217 prefeitos de Maranhão. E desta vez, segundo seus próprios adversários, não são apenas cidadezinhas do interior. Dos dez maiores municípios do Estado, cinco trabalham por sua reeleição.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Todo mundo odeia o Serra

Embora a democrata Rosalba Ciarlini mantenha o favoritismo nas pesquisas eleitorais para vencer a disputa pelo governo do Rio Grande do Norte, o candidato tucano José Serra perde feio para Dilma Rousseff (PT). O maior adversário do tucano no estado é o Bolsa Família, que contempla 360 mil famílias potiguares.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Túneis do PSDB são reprovados

O Corpo de Bombeiros entregou ao Ministério Público o resultado da vistoria feita em dez túneis e passagens subterrâneas de São Paulo para verificar a existência de extintores e hidrantes. Todos apresentaram algum problema. Os túneis Ayrton Senna, Max Feffer e Fernando Vieira de Mello possuem hidrantes, mas não têm acessórios como mangueiras e esguichos. Nos dois últimos, também faltam extintores portáteis e sinalização

Todos sabem que Dilma vai ganhar

Tão logo Dilma Rousseff afirmou que, se eleita, incluirá na segunda edição do "Minha Casa Minha Vida" uma linha de financiamento para a compra de eletrodomésticos e móveis, o comando de sua campanha passou a ser assediado por empresas do setor, interessadas em conhecer detalhes do programa.

Ontem Dilma anunciou a distribuição 100% gratuita de medicamentos para o tratamento de hipertensão e diabetes -hoje, o governo federal subsidia até 90% do valor desses remédios. Com a arrancada de Dilma nas pesquisas, acirra-se a disputa do setor privado por um espaço na agenda da candidata. O lobby do ensino particular tem sido especialmente intenso.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

José Serra vai levar fumo no Rio Grande do Sul

O PT pretende usar as campanhas antitabagistas do candidato do PSDB à Presidência, José Serra, para tentar melhorar o desempenho da candidata do partido, Dilma Rousseff, no Sul. O alvo da tática é o setor de fumo, que garante a renda de 185 mil famílias de pequenos agricultores e o emprego de 30 mil trabalhadores na indústria de beneficiamento. "Muita gente sabe que o Serra é antitabagista e isso terá que ser exposto na campanha", diz o vice-prefeito de Santa Cruz do Sul, Luís Augusto Campis, do PT.

A trajetória antitabagista do candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, será uma das armas do PT para bater no tucano e tentar melhorar o desempenho da candidata do partido, Dilma Rousseff, nas pesquisas de intenção de voto no Sul do país. O alvo da estratégia é o setor fumageiro, que garante a renda de 185 mil famílias de pequenos agricultores e o emprego de 30 mil trabalhadores na indústria de beneficiamento do tabaco no Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina.

Segundo as últimas pesquisas que abriram números por região, Dilma segue atrás de Serra no Sul. No levantamento do Ibope divulgado dia 4, a candidata perde por 45% a 37% nos três Estados, ante o empate em 39% para cada um em âmbito nacional. Já no Datafolha do dia 26 (que apontou 37% para o tucano e 36% para a petista no país), ela tem 34% no Rio Grande do Sul e 30% no Paraná, enquanto Serra aparece com 46% e 45%, respectivamente.

É com esses resultados na mão que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarca hoje à tarde em Santa Cruz do Sul, numa janela aberta entre compromissos pela manhã e à noite em Porto Alegre. O município é principal polo de processamento de tabaco no Rio Grande do Sul. Antes dele, o candidato do PT ao governo gaúcho, Tarso Genro, e até o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, estiveram na cidade e ouviram as preocupações do setor sobre as crescentes restrições à produção do fumo. Em março, a então secretária-executiva e hoje ministra da Casa Civil, Erenice Guerra, também recebeu uma comitiva da região fumageira em Brasília.

"Muita gente sabe que o Serra é antitabagista e isso terá que ser exposto na campanha", afirma o vice-prefeito da cidade, Luíz Augusto Campis, do PT. Segundo ele, o governo está "atento" à situação do setor, que gera R$ 8,4 bilhões em impostos federais, estaduais e municipais por ano, e está "formando opinião também a partir das informações que partem daqui". Ele diz ainda que a cultura do tabaco faz parte da história da região desde 1852 e qualquer programa de diversificação de culturas só pode ser implementado no "longo prazo".

O receio mais imediato da cadeia fumageira é com a reunião de novembro da Conferência das Partes da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco da Organização Mundial da Saúde (OMS), no Uruguai. No encontro, os países signatários da convenção (o Brasil inclusive) vão analisar recomendações que tornam inviável a produção do fumo tipo "burley", cultivado por quase 50 mil famílias nos três Estados, porque proíbem a adição de ingredientes - especialmente açúcar - no processamento do produto, explica o presidente do Sindicato das Indústrias de Tabaco (Sinditabaco), Iro Schünke.

A posição do Brasil seria anunciada no fim de junho, mas a pressão do setor adiou a decisão. Agora, a questão será levada diretamente a Lula, que visitará uma usina de biocombustíveis financiada pela Petrobras e pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário, mas também receberá representantes da indústria fumageira e dos agricultores. Eles vão pedir que o governo cumpra a promessa feita em 2005, quando o país ratificou a convenção-quadro, de não aprovar medidas prejudiciais aos produtores, explica o presidente da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), Benício Werner.

Mas Serra não deverá assistir impassível à ofensiva petista, afirma o deputado federal Luís Carlos Heinze, do PP, sigla que no Rio Grande do Sul apoia o tucano. Responsável pela imposição de restrições à propaganda do cigarro quando era ministro da Saúde do governo Fernando Henrique Cardoso e pela proibição ao fumo em áreas públicas em São Paulo quando foi governador do Estado, o tucano está apenas "acertando a agenda" para visitar a região e dizer "publicamente" que não é contra a produção do fumo, diz o parlamentar.

Do lado dos petistas, a intenção é garantir para Dilma um desempenho igual ou superior ao do próprio Lula em 2002, quando ele bateu Serra com facilidade nos principais municípios da região. Em Santa Cruz, Venâncio Aires e Vera Cruz, por exemplo, o petista alcançou de 71% a 74% dos votos válidos no segundo turno. No primeiro turno, o tucano chegou a ficar atrás de Anthony Garotinho (PSB) e de Ciro Gomes (PPS) em Vera Cruz e de Ciro em Santa Cruz do Sul.

"Não vamos adotar nenhuma medida de constrangimento contra a produção de fumo", reforça o coordenador do programa de governo de Tarso Genro, Marcelo Danéris. De acordo com ele, um eventual governo petista no Rio Grande do Sul irá apoiar a diversificação de culturas com suporte técnico e creditício via sistema financeiro estadual, mas sempre de acordo com os interesses e o ritmo dos próprios produtores. "Não existe uma alternativa rápida para a produção do fumo", reconhece o petista.

Segundo Werner, da Afubra, os agricultores precisariam cultivar 20 hectares de milho para obter a mesma renda gerada por 2,5 hectares de fumo, que nesta safra foi vendido pelo preço médio de R$ 6,34 o quilo. Só que o tamanho médio das propriedades é de 16 hectares. No caso do feijão, a relação é de sete para um e a substituição por hortigranjeiros também é inviável porque o cultivo desses produtos nos 370 mil hectares dedicados hoje ao tabaco no Sul do país iria inundar o mercado e derrubar os preços.

Além disso, conforme o Sinditabaco, em média 85% da produção anual do fumo (estimada na safra 2009/2010 em quase 700 mil toneladas pela Afubra) é vendida para o exterior, o que faz do Brasil o maior exportador mundial do produto. No ano passado, os embarques do tabaco beneficiado renderam US$ 3 bilhões, o equivalente a 2% de todas as exportações do país, enquanto a comercialização da colheita passada, de 739 mil toneladas, gerou ainda uma renda bruta de R$ 4,4 bilhões aos produtores, lembra Schünke.

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