sábado, 23 de outubro de 2010

PT cria "rota 13" e pede votos na via que liga Alvorada a Planalto

o PT decidiu criar uma "rota 13" entre o Palácio da Alvorada e o Palácio do Planalto, respectivamente residência oficial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o seu local de trabalho.

A pista de quase dois quilômetros entre os dois pontos foi ocupada por placas vermelhas com os dizeres: "Vote 13" e "Vote Dilma", pedindo voto para a presidenciável Dilma Rousseff. A via é muito usada por ônibus de turistas que visitam a capital. O Alvorada e o Planalto são pontos turísticos de Brasília.

A ideia surgiu da equipe de mobilização do candidato do PT ao governo do DF, Agnelo Queiroz, que tem espalhado pela cidade placas semelhantes em busca de apoio.

Segundo integrantes da campanha local, a estratégia é mostrar unidade e sintonia entre as duas candidaturas e também fazer um "agrado" ao presidente Lula -que tem se dedicado à disputa local.

Além de gravar depoimentos pedindo a eleição de Agnelo, seu ex-ministro do Esporte, Lula também participou de comícios ao lado de Dilma no DF.

Segundo pesquisa Datafolha divulgada ontem, Agnelo tem 54%, contra 31% da candidata Weslian Roriz (PSC).

Ricos vão viajar no feriado. Os pobres vão ficar para votar em Dilma. É o que dizem os tucanos...

Os números da última pesquisa Datafolha alimentaram no comando da campanha do PSDB o medo de abstenção entre os eleitores de José Serra para a Presidência.

O temor é que, com o sentimento de fato consumado, os eleitores de Serra deixem de votar para viajar no feriado.

Abatido com o resultado, o comando da campanha levará ao ar comercial conclamando o eleitor a ir às urnas. Ainda que lancem dúvidas sobre as pesquisas, tucanos reconhecem que a divulgação de uma vantagem de 12 pontos para Dilma, a uma semana da eleição, pode desestimular não só a militância mas também o eleitor.

O foco de preocupação é o Estado de São Paulo, onde Serra lidera as pesquisas e é grande o volume dos que viajam nos feriados.

Como Serra conta com mais votos do que Dilma entre os eleitores com renda superior a dez salários mínimos, a perda seria maior para a campanha do PSDB.

IMPACTO

O partido conclui hoje um levantamento sobre o impacto do potencial de abstenção nos diferentes Estados. Entre tucanos mais otimistas, a esperança é que os eleitores do PT relaxem com a confiança de vitória.

Nas duas últimas eleições presidenciais, o índice de abstenção foi maior no segundo turno em comparação ao primeiro. Em 2002, saltou de 17,73% para 20,45%.

Em 2006, passou de 16,73% para 18,97%.

O risco de desânimo do eleitor não é a única fonte de preocupação do PSDB. Por mais que contestem as pesquisas, tucanos reconhecem que Serra não tem esboçado sinal de crescimento nos últimos levantamentos e admitem a dificuldade de uma virada caso não ocorra um fato novo até a eleição.

"Está difícil. Mas a esperança é a última que morre", afirmou o presidente do PSDB de São Paulo, deputado Mendes Thame. No comando da campanha, a avaliação é ainda a de que Dilma poderá crescer na reta final, caso cristalizada a chance de vitória.

Em Porto Alegre, Serra afirmou que há "uma crise nas pesquisas" de intenção de voto. Questionado sobre o Datafolha, que dá a adversária petista 12 pontos à frente nos votos válidos, Serra disse que os institutos têm errado "fragorosamente".

PESQUISAS "As pesquisas erraram incrivelmente no primeiro turno, o Ibope errou até na pesquisa de boca de urna. Há institutos sérios, como o Datafolha, e institutos menos sérios, que são mais alugados por partidos e governos, como o Vox Populi. Mas hoje está todo mundo meio perdido nessa matéria", disse.

Indagado se poderia, em nove dias, reverter a tendência, o tucano disse que "não se vira resultado das pesquisas", mas "ganha-se o voto das pessoas".

"Está voltando [no segundo turno] o mesmo esquema de ilusão das pesquisas", afirmou, defendendo mobilização porque "o que resolve é o voto no dia [31]".

O presidente do PSDB, Sérgio Guerra (PE), pediu que os aliados não se deixem influenciar pelas pesquisas. Um dos coordenadores da campanha, o senador eleito Aloysio Nunes Ferreira endossou a estratégia, afirmando que, se dependesse das pesquisas, não estaria eleito.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

CNBB discute polêmica após nota que condena Dilma

O Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), órgão formado por 39 membros da cúpula da entidade, terá uma reunião privativa hoje de manhã, em Brasília, com a participação do núncio apostólico, d. Lorenzo Baldisseri, para discutir a polêmica provocada pela distribuição de cópias de uma nota que condena a candidatura de Dilma Rousseff, com a alegação de que a petista defende o aborto.

O núncio apostólico, que concelebrará a missa do dia com os bispos, ouvirá um relato sobre os desdobramentos da divulgação, entre os fiéis, à porta das igrejas ou pela internet, de uma mensagem da Comissão em Defesa da Vida, coordenada pelo padre Berardo Graz, com a aprovação da presidência do Regional Sul 1, que reúne as 41 dioceses de São Paulo. Além desse texto, foi distribuído um artigo do bispo de Guarulhos, d. Luiz Gonzaga Bergonzini, ainda no primeiro turno das eleições, recomendando aos eleitores que não votassem em Dilma nem em qualquer candidato do PT.

Anteontem, o chefe de gabinete da Presidência da República, Gilberto Carvalho, revelou no programa Tribuna Independente, da Rede Vida de Televisão, emissora católica, que pediu a mediação do presidente da CNBB, d. Geraldo Lyrio Rocha, e do núncio apostólico, para tentar conter a campanha de bispos e padres contra Dilma. D. Lorenzo Baldisseri, segundo Carvalho, foi muito receptivo e prometeu analisar a polêmica.

"A interferência do núncio apostólico é uma questão delicada, por causa da ambiguidade de seu cargo, uma vez que ele é um diplomata que representa a Santa Sé perante o governo brasileiro e o delegado do papa junto ao episcopado", observou d. Angélico Sândado Bernardino, bispo emérito de Blumenau (SC) e ex-bispo auxiliar de São Paulo. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Casa Branca fica rosa para campanha contra câncer de mama

A Casa Branca foi iluminada nesta quinta-feira com luzes cor de rosa para conscientizar a população sobre o câncer de mama, por ocasião do mês da educação sobre a doença.

Segundo o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, em mensagem enviada pelo Twitter, "a partir das 18h30, hora local (19h30 horário de Brasília), desta quinta-feira, a Casa Branca se iluminará de rosa pelo "Mês de Conscientização Nacional contra o Câncer de Mama".

A iluminação durará apenas uma noite, informou Washington. Essa não é a primeira vez que a residência presidencial participa do "Outubro Rosa". No ano passado chegou a pendurar um grande laço cor de rosa, símbolo da luta contra o câncer de mama, em seu pórtico norte.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Graças ao Serra Rede pública pode interromper gravidez desde 98

Legislação é de 1940, mas só há 12 anos norma técnica foi assinada pelo então ministro da Saúde, José Serra

A lei brasileira permite a realização do aborto em duas situações: quando a gestação coloca em risco a vida da mulher ou quando a gravidez é resultado de estupro. Embora prevista desde 1940, somente em 1998, com uma norma técnica assinada pelo então ministro da Saúde, José Serra, é que a interrupção da gravidez resultante de violência sexual passou a ser oferecida nos serviços públicos de saúde.

O documento, voltado para o atendimento de vítimas de violência, lista desde a infraestrutura necessária até as técnicas e prazos em que interrupção pode ser realizada.

A lentidão para colocar em prática algo já previsto em lei reflete a dificuldade com que o assunto é tratado no Brasil. Tema recorrente em disputas eleitorais, ele já foi apontado, por diversas vezes, como responsável pela derrota de alguns candidatos. "Daí a dificuldade com que políticos tratam o tema", avalia a secretária executiva da ONG Rede Feminista de Saúde, Télia Negrão.

Além do aborto legal, o manual de 1998 relacionava uma série de medidas de emergência para as vítimas de violência sexual. Entre elas, medicamentos para evitar doenças infecciosas e outro ponto bastante polêmico: a pílula do dia seguinte.

Remédio feito à base de um hormônio, a pílula já havia sido mencionada em um outro documento, de 1996, sobre planejamento familiar. O manual havia sido precedido por uma lei sobre o assunto, assinada pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso e pelo ministro da Saúde da época, Adib Jatene. O método somente ganhou força a partir de 2000, quando o Ministério da Saúde passou a comprar e distribuir o medicamento de forma a suplementar as aquisições feitas por Estados e municípios.

As duas medidas, aplaudidas por especialistas em saúde pública e grupos feministas, foram duramente criticadas por setores religiosos.

No caso da pílula, sob a justificativa de que o remédio era abortivo. "Essa é uma alegação inconsequente, inconsistente. Nenhum estudo científico comprova essa hipótese", afirma o ginecologista Jefferson Drezett, integrante do Consórcio Latino-Americano de Anticoncepção de Emergência.

Drezett sustenta que todas as pesquisas recentes mostram que a pílula age retardando a ovulação ou impedindo o encontro do espermatozoide com o óvulo, exatamente o mesmo mecanismos dos demais métodos contraceptivos. "Religiosos demonstram grande teimosia em aceitar constatações científicas."

O uso da pílula do dia seguinte é apontado por especialistas como uma das causas da redução tanto no número de abortos legais realizados pelo sistema público quanto das curetagens, relacionadas ou não a abortos espontâneos. Uma tendência animadora, sobretudo quando se analisam dados gerais. De acordo com o ministério, uma em cada sete brasileiras de até 40 anos já fez um aborto.

Campanhas. A polêmica sobre o aborto não reflete a posição que o Brasil tem adotado no cenário internacional. Problema de saúde mundial, a interrupção da gravidez foi um dos temas tratados durante a Conferência do Cairo, organizada pelo Fundo das Nações Unidas para População e Desenvolvimento Humano. No encontro, em 1994, o Brasil assumiu o compromisso de rever a criminalização do aborto.

"O tema, que deveria ser discutido dentro da saúde pública, passou a ser alvo de um verdadeiro cerco aos candidatos por grupos conservadores", avalia Telia. Os exemplos são vários. "A derrota de Lula nas eleições de 1989 para Collor, depois do episódio Lurian, é uma delas", avalia.

Em 2006, Jandira Feghali que concorria a uma vaga pelo PC do B ao Senado também foi alvo de uma campanha contrária, organizada por religiosos que condenavam seu empenho em favor do aborto. "Diante de tanta pressão, é natural que candidatos procurem não se manifestar de forma clara sobre o assunto. Mesmo o presidente Lula, quando concorria à reeleição em 2006, dizia-se contrário à interrupção. É um vespeiro, que muitos preferem não mexer, pelo menos durante a disputa."Estadão

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Bandido que vai aparecer no horário eleitoral do José Serra é mentiroso, diz perito

Laudo elaborado com base em um programa de exame de frequência de voz concluiu que o empresário Rubnei Quícoli, consultor da empresa ERDB, mentiu em quatro trechos de entrevista que deu à TV Globo, exibidos em reportagem do "Jornal Nacional" de ontem (17) e no "Bom Dia Brasil" de hoje. Entre os trechos apontados pelo laudo feito pelo perito em veracidade Mauro Nadvorny, da Truster Brasil, Quícoli não foi verdadeiro quando disse que houve um pedido de R$ 5 milhões feito pela empresa de consultoria da filha da ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra e também ao dizer que nunca esteve com o candidato José Serra (PSDB).

A ERDB do Brasil Ltda. é uma empresa de Campinas que confirmou à Folha de S.Paulo a existência de um lobby dentro da Casa Civil da Presidência da República. Interessada em instalar uma central de energia solar no Nordeste, a empresa disse à Folha que o projeto estava parado desde 2002 na burocracia federal até que, no ano passado, seus donos foram orientados por um servidor da Casa Civil a procurar a Capital Consultoria, empresa de um dos filhos de Erenice Guerra, que pediu demissão ontem (17) do cargo de ministra da Casa Civil depois das acusações.

Representantes da ERDB disseram que depois de mediação da Capital foram recebidos em audiência oficial por Erenice na Casa Civil em novembro, quando ela era secretária-executiva da pasta então ocupada por Dilma Rousseff, hoje candidata do PT à Presidência da República. Troca de e-mails entre a Casa Civil e Quícoli obtida pela Folha mostrou mensagens para marcar a audiência oficial. O encontro, confirmado pela Casa Civil, ocorreu às 17h de 10 de novembro no Centro Cultural Banco do Brasil, em Brasília, que era usado na época como sede da Presidência, mas, segundo o governo, sem a presença de Erenice.

O laudo sobre a entrevista de Quícoli foi produzido voluntariamente pela empresa Truster Brasil, especializada em tecnologia de análise de voz. Um computador verifica os índices de estresse na fala de uma pessoa e aponta se ela diz a verdade. Diferentemente de sistemas similares, o sistema da Truster utiliza um algoritmo (conjunto de regras e operações matemáticas) que permite ao sistema detectar o estado de estresse, medir seu nível e perceber a causa desse estresse. Quando ocorre uma alteração de frequência na voz, o software registra as variações, estabelece um padrão e aponta quando há distorções. Oficialmente, a técnica não é considerada um método científico pelo sistema jurídico brasileiro, mas equipamentos de análise de voz da Truster Brasil são utilizados por serviços de inteligência policial no Rio Grande do Sul e no Distrito Federal e a técnica também já foi utilizada para apoio em decisões judiciais.

A reportagem está tentando contado com Quícoli.

O texto abaixo reproduz uma transcrição das perguntas colocadas na reportagem e as respectivas respostas do empresário e mais algumas das declarações dele exibidas nas reportagens do Jornal Nacional e do Bom Dia Brasil. Logo abaixo de cada transcrição, as observações apontadas pelo programa de computador sobre trechos do áudio e as conclusões do perito em veracidade Mauro Nadvorny sobre a análise de voz.

Trecho de fala de Quícoli na reportagem do Jornal Nacional sobre o caso. Ele fala sobre Erenice Guerra ao confirmar reunião na Casa Civil:

Rubnei Quícoli - "Nessa primeira oportunidade que a então secretária, hoje a atual exonerada, que a gente tá sabendo o final de tudo isso que aconteceu, ela se colocou numa situação que iria viabilizar o projeto através da Chesf, que é a Central da energética do São Francisco."

O que diz o laudo sobre os trechos da fala:

"ela se colocou numa situação" - PROVÁVEL RISCO

"de viabilizar" - PROVÁVEL RISCO

"iria viabilizar o projeto através" - ALTO RISCO

"da Chesf" - IMPRECISÃO

Conclusão do perito: De acordo com a análise do programa, o Sr. Quícoli não está sendo verdadeiro quando afirma que Erenice Guerra viabilizaria o projeto.

Trecho em que ele afirma ter recebido de Marco Antônio Oliveira, ex-diretor de Operações dos Correios, solitação de pagamento para viabilizar o projeto:

Rubnei Quícoli - "A última conversa que eu estive com o Marco Antônio, ele me pediu cinco milhões, e desses cinco milhões seria pra poder pagar alguma conta da então candidata Dilma, da ex-ministra Erenice Guerra e também pra ajudar também o candidato Hélio Costa lá de Minas Gerais, a candidatura dele. Eu neguei tudo isso daí e não quis participar disso. Eles insistiram, entendeu, nesse dinheiro pra poder sair o projeto. Foi quando o Marco Antônio disse pra mim que o Israel Guerra, filho da ministra Erenice, disse que se não pagasse não sairia o projeto mais."

O que diz o laudo sobre os trechos da fala:

"ele me pediu cinco milhões" - IMPRECISÃO

"cinco milhões seria para poder pagar alguma" - IMPRECISÃO

"conta da" - PROVÁVEL RISCO

"então candidata Dilma" - ALTO RISCO

"da ex-ministra" - ALTO RISCO

"Erenice Guerra" - ALTO RISCO

"e para ajudar também o candidato" - PROVÁVEL RISCO

"Hélio Costa lá de MG na candidatura dele" - IMPRECISÃO

Com relação ao que disse Marco Antonio:

"foi quando o Marco Antonio disse para mim" - ALTAMENTE ESTRESSADO

"que o Israel Guerra"- ALTO RISCO

"filho da ministra" - TENSÃO ALTA

"se não pagar" - BAIXO RISCO

"não sairia o projeto mais" - ESTRESSADO

Conclusões do perito: De acordo com a análise do programa, o Sr. Quícoli provavelmente não está sendo verdadeiro quando afirma que o Sr. Marco Antônio teria solicitado 5 milhões, e não está sendo verdadeiro quando afirma que seriam para pagamento de contas destas pessoas. Ele também não está sendo verdadeiro quando afirma que o Sr. Marco Antonio o teria informado que o Sr. Israel Guerra teria dito que se não pagasse, não sairia mais o projeto.

O que o laudo diz sobre a fala Quícoli sobre sua atitude:

"neguei tudo isso daí" - ALTO RISCO

"não quis participar disso, eles insistiram entendeu" - ALTAMENTE ESTRESSADO

"nesse dinheiro para poder sair o projeto" - PROVÁVEL RISCO

Conclusão do perito: De acordo com a análise do programa, o sr. Quícoli não está sendo verdadeiro quando afirma que negou tudo e na insistência do dinheiro para que saísse o projeto.

Trecho em que Quícoli é questionado sobre se sua denúncia teve motivações políticas:

Rubnei Quícoli - "Nunca houve, jamais, nunca estive com o Serra, nunca estive com a Marina, nunca falei nada, eu sou filiado ao Greenpeace desde 2001, eu quando garoto lá, estava com 20 anos, eu pertenci ao PDT e ao PSDB. Houve uma filiação mas eu não sei se ela foi concretizada via cartório."

O que diz o laudo:

"nunca houve, jamais" - ALTAMENTE ESTRESSADO

"eu nunca estive com o Serra" - ALTO RISCO

Conclusão do perito: De acordo com a análise do programa, o Sr. Quícoli não está sendo verdadeiro quando afirma que nunca esteve com o candidato Serra. Não é possível concluir se houve alguma motivação política. Da Uol

domingo, 12 de setembro de 2010

Voto "Dilmasia" chega a 46% em Minas


Em três Estados considerados fundamentais pelo PSDB -São Paulo, Minas Gerais e Paraná- o voto no presidenciável José Serra fica aquém da performance obtida pelos candidatos a governador.

Minas é o melhor exemplo. Enquanto Antonio Anastasia (PSDB) tem 36% das intenções de voto para governador e divide a liderança com Hélio Costa (39%), Serra tem menos da metade dos votos de Dilma Rousseff (PT) no Estado: 51% para a petista, 24% para o tucano.

A desvantagem de Serra pode ser explicada em grande parte pelo fato de os eleitores de Anastasia aderirem mais à petista do que ao tucano -fenômeno que vem sendo chamado de "Dilmasia".

Entre os mineiros que declaram voto em Anastasia para governador, 46% dizem querer votar em Dilma para presidente, contra 33% que apoiam Serra.

Já entre os eleitores de Hélio Costa, aliado da petista no Estado, 62% dizem querer votar em Dilma, e 22% declaram voto em Serra.

O desempenho do presidenciável tucano também é ruim se comparado com os candidatos ao Senado.

O ex-governador Aécio Neves (PSDB) aparece com 67% na pesquisa Datafolha, e Itamar Franco (PPS, da coligação tucana) tem 42%. O petista Fernando Pimentel, ex-prefeito de Belo Horizonte, está em terceiro, com 29%.

SÃO PAULO

Em São Paulo, o senador Aloizio Mercadante (PT) tem se mostrado um cabo eleitoral mais eficiente para Dilma do que Geraldo Alckmin (PSDB) tem sido para Serra.

O ex-governador e candidato à reeleição lidera com folga desde o início da disputa, mas não consegue transferir todo o seu capital político no Estado para Serra -na verdade, transfere apenas pouco mais da metade.

Alckmin tem hoje 49% das intenções de voto, enquanto Serra aparece com 35% dos votos paulistas.

Entre os eleitores de Alckmin, 55% votam em Serra, enquanto 28% dizem votar em Dilma.

Entre os eleitores de Mercadante (que tem 23%), 81% votam em Dilma, e apenas 8% apoiam Serra.

Já entre os eleitores de Serra, 78% votam em Alckmin e 5%, em Mercadante.

Se em Minas há o "Dilmasia", em São Paulo há o "Dilmalckmin", para prejuízo de Mercadante.

Entre os que dizem votar em Dilma (41% no Estado), 45% votam em Mercadante e 33% apoiam Alckmin.

O petista fica aquém não só do desempenho de Dilma mas também do da ex-prefeita Marta Suplicy, que tem 35% na disputa pelo Senado.

PARANÁ

O cenário desfavorável a Serra se repete no Paraná, onde Osmar Dias (PDT) capitaliza mais a favor de Dilma do que Beto Richa (PSDB) em prol do tucano.

A mais recente pesquisa Datafolha mostra que 62% dos eleitores de Dias declaram voto em Dilma, contra 26% que dizem querer votar em Serra.

Entre os eleitores de Richa, há quase uma divisão entre apoiadores de Serra e de Dilma: 43% votam no tucano, 39%, na petista.

Na disputa pelo governo do Estado, o ex-prefeito de Curitiba tem 44% das intenções de voto, e Dias, 38%.

Já na corrida presidencial, Dilma tem 46% das intenções de voto no Estado, contra 33% de Serra.

Metade dos eleitores de Dilma declaram voto em Dias, aliado da petista, enquanto 38% apoiam Richa.

Entre os eleitores de Serra, 58% votam em Richa, e 30%, em Dias. (UIRÁ MACHADO)

Marta de conchavos com o PSDB?

A disputa pelo patrimônio eleitoral de Orestes Quércia (PMDB) e a subida de Netinho de Paula (PCdoB) nas últimas pesquisas de intenção de votos mexeram com a estratégia das campanhas de Marta Suplicy (PT) e Aloysio Nunes (PSDB) pelas duas vagas de São Paulo no Senado.

A Folha apurou que a petista e o tucano negociam um "pacto de não agressão" daqui até o dia das eleições. A motivação de Marta seria manter os votos que tem hoje, e se tornar uma opção ao segundo voto de Aloysio.

Já o tucano ficaria livre de ataques, podendo aumentar a migração dos votos antes depositados em Quércia, e disputar o segundo voto do eleitor de Marta.

Netinho ficou de fora das negociações. Ele concorre ao Senado na chapa do PT e passou à frente no último Datafolha, empatado tecnicamente com Marta.

Marta e Aloysio teriam se reunido e conversado sobre a disputa. Quando a petista deixou a Prefeitura de São Paulo para José Serra (PSDB), em 2004, Aloysio Nunes coordenou a transição. Isso teria dado condições de diálogo aos dois.

Questionada pela Folha na última quinta-feira se havia feito alguma reunião para rediscutir a estratégia da campanha, Marta negou. "Não fiz reunião. Para onde vai o voto [do Quércia] é o povo quem decide. Voto não é cabresto", disse.

Em outra frente, os tucanos turbinarão a campanha do senador Romeu Tuma, que disputa a reeleição pelo PTB. Internado desde o último dia 1º no Hospital Sírio-Libanês, chegou a ter a renúncia cogitada.

Mas, após uma avaliação política, o PSDB entendeu que, sem uma opção de segundo voto, potenciais eleitores de Aloysio poderiam ampliar os índices de Marta e Netinho, diminuindo as chances de Aloysio Nunes.

Cientes das movimentações, aliados de Netinho dizem que ele manterá a linha de sua estratégia. Continuará fazendo campanha ao lado de Aloizio Mercadante, candidato do PT ao governo, em busca dos votos de petistas.

Sobre possíveis ataques, avaliam que há dois pontos que podem ser explorados: a falta de preparo do cantor, e o episódio da agressão à ex-mulher, em 2005.

Afirmam, no entanto, que ele está pronto para o embate técnico, e que há possibilidade de Netinho ser defendido pela ex, se o caso for diretamente citado na campanha de adversários.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Uma grande inversão

A disparada de Dilma Rousseff nas pesquisas de opinião pública tem suscitado interpretações diversas.

Duas constatações mobilizam os comentaristas: a primeira é a popularidade do governo, atingindo patamares de quase unanimidade, se computados como favoráveis os que avaliam o desempenho de Lula como ótimo, bom ou regular. Depois de oito anos, trata-se de algo raro.

A segunda constatação é a capacidade de transferência de votos do presidente. Também não é algo comum.

O comum é o inverso. Líderes de expressão nem sempre conseguem “fazer” os sucessores. Isto se deve, em parte, à vontade deles mesmos, por medo que os herdeiros possam obscurecer sua liderança, apagandoos da história. Leonel Brizola era craque nisto: nunca elegeu um sucessor, embora saindo de governos com alto índice de popularidade.

O mesmo aconteceu na sucessão de FHC. Embora desgastado, foi notório que ele preferia transferir a faixa presidencial ao líder operário, mesmo porque estava convencido de que a gestão deste seria um fracasso, favorecendo, quem sabe, a sua volta ao poder. No entanto, mesmo que os líderes o desejem, a transferência de votos nem sempre se dá, ou se dá de forma tão parcial que os herdeiros perdem as eleições.

Ora, o que surpreende nesta campanha eleitoral é a capacidade de transferência de votos de Lula para Dilma. Esta era uma personagem desconhecida em termos eleitorais. Sua vocação era outra: a de servidora pública, empenhada na gestão de empresas estatais ou planos de desenvolvimento.

Assim, quando Lula sacou o seu nome e o apresentou ao distinto público, não faltaram análises de que o homem não queria eleger o sucessor, no caso, sucessora. Escolhera um nome destinado a uma derrota eleitoral honrosa, evitando sombras em sua popularidade.

Mas não foi isto que aconteceu. Lula investiu na herdeira, pessoalmente e com a máquina pública. Os resultados não se fizeram esperar e até agora espantam os analistas.

O que dizer destas evidências? Os mais simplórios, como sempre, denunciam sombrias manipulações.

É uma velha cantilena, de direita e de esquerda. Quando o eleitorado não acompanha suas propostas é porque está sendo manipulado. Para a velha UDN, era Vargas o grande manipulador.

Para as esquerdas, depois da ditadura, era a TV Globo que orquestrava as mentes. A conclusão é sempre a mesma: as pessoas não sabem votar. Multidões passivas, despolitizadas, idiotas! Idiota, no caso, é a interpretação, incapaz de compreender a complexidade do processo histórico.

Uma outra linha interpretativa foi importada de análise feita nos EUA a propósito da eleição de Bill Clinton.

Um gênio teria formulado a frase: é a economia, seu estúpido! Queria dizer com isto que o eleitorado estadunidense estaria votando de acordo com seus interesses econômicos. Como Clinton falou, e muito, do assunto, ganhou as eleições com folga.

Transportada para o Brasil, a tese poderia ser assim traduzida: as classes populares, na grande maioria, estariam votando com o bolso, ou seja, como os governos de Lula as beneficiaram economicamente, elas tenderiam a manter uma fidelidade canina ao benefactor.

A análise não é destituída de fundamento. Com efeito, os interesses econômicos são um ingrediente importante nas escolhas de qualquer eleitorado. Mas, se o ser humano não vive sem pão, sabe-se também que “nem só de pão vivem os humanos”.

A hipótese que sustento é que a aprovação do governo Lula e a sua inusitada capacidade de transferência de votos residem num processo mais profundo: o acesso progressivo das classes populares à cidadania. Lula é a expressão maior disso. Ele é visto como o político que promoveu como ninguém este acesso. Isto tem a ver com bens materiais, sem dúvida.

Mas há outros bens, simbólicos, mais importantes que o pão nosso de cada dia. E é isto que as direitas raivosas e as esquerdas radicais não percebem. As pessoas comuns, desde os anos 1980, e cada vez mais, começaram a achar graça nas instituições e nas lutas institucionais. Política, assunto de brancos ricos, começou a ser também de pardos, negros, índios e brancos pobres.

Esta é uma novidade óbvia, senhores e senhoras das elites brancas (a expressão é de Cláudio Lembo, líder conservador). Se Vossas Excelências puserem o ouvido no chão, talvez sejam capazes de ouvir o tropel que se aproxima. Se olharem para o mar, vão ver o tsunami que vem por aí. Na história desta república, só antes de 1964 houve coisa parecida com o que está ocorrendo agora. Entretanto, na época, os movimentos populares queriam muito e muito rápido. Não deu. Veio o golpe, paralisou e reverteu o processo. Agora, não. A multidão come pelas bordas, com paciência e moderação, devagar e sempre, mas a fome destas gentes é insaciável.

Quando as pessoas comuns compreendem os benefícios da democracia, querem para elas também. É raso imaginar que tudo se esgota no pão. O pão quentinho é gostoso, quem não gosta? É mais do que isto, porém: os comuns querem a cidadania. Plena. Querem jogar o jogo político como gente grande, como antes só os brancos ricos faziam. Uma grande inversão.

Vai dar? Não vai dar? Veremos. Mas uma coisa é certa: não vai ser tão fácil deter esta onda.- Daniel Aarão Reis, professor de história da Universidade Federal Fluminense, em artigo publicado no jornal O Globo, 07-09-2010.

sábado, 4 de setembro de 2010

Jogo do poder

Dando como certa a vitória de Dilma Rousseff na eleição presidencial, deputados e senadores da aliança governista já fazem o jogo do poder na Câmara e no Senado. O PT quer ficar com a presidência do Senado e o PMDB com a da Câmara. Para isso, os peemedebistas esperam eleger grandes bancadas parlamentares nos Estados.

Já se falam em grupo independente no Congresso Nacional, formado pelos partidos vencedores, como o PSB, por exemplo, que vão ter governadores fortes como Eduardo Campos, de Pernambuco. Seria uma espécie de terceira força, que não estaria atrelada automaticamente ao governo. Eles querem mais independência.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Em São Paulo, PCC ataca de BMW rouba joias em arrastão . A imprensa silencia para não atrapalhar eleição de tucanos

Uma quadrilha com pelo menos oito homens fez um arrastão na noite de ontem em prédio residencial da rua Oscar Freire, nos Jardins (zona oeste), uma das áreas mais nobres da cidade.
Os primeiros do grupo invadiram o prédio pela garagem dentro de uma BMW preta, que entrou colada ao carro de um morador.
Segundo relato de moradores, os criminosos entraram gritando: "Quantos judeus tem aqui?"
Buscavam também o apartamento de um andar específico (no prédio, há um por andar), que diziam já ter assaltado há mais de um mês.
Perguntavam também sobre localização de cofres e estavam focados especialmente em conseguir joias.
Peças com pedras preciosas têm sido alvo frequente em assaltos, com a alta demanda internacional na receptação dos objetos. Neste ano, ao menos 15 joalherias de shoppings foram roubadas na capital paulista.

EQUIPADOS
Além das joias, os homens levaram também dinheiro e celulares, entre outros itens.
O bando estava equipado com coletes à prova de balas e armas de alto poder de fogo. "Pareciam submetralhadoras", disse um dos reféns ouvidos pela Folha.
Ao menos 12 pessoas de quatro famílias foram rendidas. Elas eram abordadas na portaria e levadas todas para um mesmo andar. Depois, um membro de cada uma delas acompanhava os assaltantes até seu apartamento para que fosse feito o roubo.
No grupo, havia um bebê de cinco meses. Ninguém ficou ferido. Até o fechamento desta edição, ninguém havia sido preso pelo assalto.
Os homens falavam, em geral, com tranquilidade, mas em alguns momentos chegaram a ameaçar moradores de sequestro caso não colaborassem com a ação.

UMA HORA

O arrastão começou por volta das 18h45 e durou cerca de uma hora. Acabou quando um dos criminosos recebeu uma mensagem por radiocomunicador. Com isso, uma das quatro famílias rendidas escapou de ter o apartamento roubado.
Mesmo depois que os assaltantes foram embora, os moradores permaneceram no andar em que estavam rendidos, por medo.

O arrastão de ontem foi o 13º ocorrido na cidade em 2010. O mais recente aconteceu em um prédio do bairro da Aclimação (região central de SP) no dia 24 de agosto. Na ocasião, cinco apartamentos foram roubados.folha

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

José Serra covarde e sem escrúlulos, quer tirar Dilma do pleito para vencer sozinho

A coligação do candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, entrou com uma representação nesta quarta-feira (1) no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) reclamando suposto abuso de poder político e uso de máquina pública para favorecer a campanha da petista Dilma Rousseff. A representação cita, além da candidata do PT, pessoas que estariam envolvidas com o que o PSDB classifica de ato coordenado para fabricação de supostos dossiês contra adversários a partir da quebra de sigilo fiscal.

A ação pede cópia de documentos sobre a investigação da violação de sigilo feita pela Receita Federal e a Polícia Federal e realização de perícia por técnico indicado pela Justiça Eleitoral no sistema da Receita. "A filha do Serra não teria o sigilo violado não fosse ele candidato", afirmou o senador Álvaro Dias (PSDB-PR), que protocolou a representação no TSE. "A espionagem se deu para abastecer a central de dossiês". Na ação, também é citado artigo da Lei da Ficha Limpa, que prevê inelegibilidade de candidato "diretamente beneficiado (...) pelo desvio ou abuso de poder de autoridade".

O advogado da coligação, Eduardo Alckmin, disse que eventuais consequências à candidatura de Dilma Rousseff vão depender do "juízo que fizer a Justiça Eleitoral". "Trazemos aqui dados de um fato grave que pode afetar a legitimidade do pleito. (Fazemos isso) até para evitar que isso ocorra". Segundo o advogado, o objetivo primeiro é "coibir certas práticas" que beneficiariam a candidata petista.

Além da condenação, a ação protocolada no TSE pede também cópia de documentos sobre a investigação da violação de sigilo feita pela Receita Federal e pela Polícia Federal e realização de perícia por técnico indicado pela Justiça Eleitoral no sistema da Receita.

"A filha do Serra não teria o sigilo violado não fosse ele candidato", afirmou o senador Álvaro Dias (PSDB-PR), que protocolou a representação no TSE. "A espionagem se deu para abastecer a central de dossiês".

O documento aponta como responsabilidade de Dilma dizendo que ela "tinha conhecimento e anuiu com a prática de preparar dossiês para atacar adversários políticos, mediante o ilegal acesso a documentos protegidos pelo sigilo fiscal e bancário".

E que "beneficiou-se de comportamento leniente" na apuração dos fatos, por parte de outros dois representados: o secretário da Receita Federal Otacílio Cartaxo e Antonio Carlos Costa D¿Avila, corregedor-geral da Receita.

"A representada se mostra ligada aos desmandos ocorridos, seja por sua estreita vinculação com os responsáveis pela conduta ilícita, seja por ser dela beneficiária", afirma a representação, a respeito da candidata

domingo, 29 de agosto de 2010

A Dilma do Maranhão

Roseana Sarney vira clone da candidata à Presidência em uma campanha onde ninguém ousa falar mal de Lula

Passava das duas horas da tarde de quarta-feira, quando a governadora do Maranhão e candidata à reeleição, Roseana Sarney (PMDB), desceu de um helicóptero imaculadamente branco na pequena e empoeirada Nina Rodrigues, cidade com pouco mais de 10 mil habitantes a 175 quilômetros de São Luís. Era mais um dia da opulenta campanha da peemedebista - que elegeu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, como seus principais cabos eleitorais.

Numa espécie de clonagem, toda a campanha e os programas eleitorais de televisão de Roseana são muito parecidos com os de Dilma. Assim como a petista, a governadora é apresentada como "guerreira". A cor predominante também é o vermelho. "É coincidência", diz Roseana, que contratou o marqueteiro Duda Mendonça como consultor de campanha. A de Dilma é tocada pelo publicitário João Santana.

Mais do que Dilma, a presença de Lula é ostensiva na campanha. "Sou Dilma, sou Roseana", diz Lula, logo na abertura do programa, fazendo as vezes de apresentador. "Vote Dilma presidente, Roseana governadora", emenda o presidente. "Roseana e Dilma muito me ajudaram. Peço ao povo do Maranhão para eleger Dilma presidente e Roseana governadora." Lula também pede voto para a reeleição do senador e ex-ministro Edison Lobão (PMDB), de quem diz ser muito amigo, e para João Alberto (PMDB), outro aliado da família Sarney que disputa o Senado.

Estado com os piores índices sociais do País e sob o comando da oligarquia dos Sarney há quatro décadas, o Maranhão simplesmente ignora as denúncias contra o clã. À exceção de um candidato do PSOL ao Senado, Paulo Rios, ninguém fala dos escândalos envolvendo o patriarca, senador José Sarney (PMDB-AP), e a própria Roseana - há duas semanas, por exemplo, o Estado revelou que documentos nos arquivos do Banco Santos indicam que a governadora e seu marido, Jorge Murad, simularam em 2004 um empréstimo de R$ 4,5 milhões para resgatar US$ 1,5 milhão que possuíam no exterior. "Eles (os Sarney) são iguais a índio: inimputáveis", diz José Reinaldo (PSB), ex-governador e ex-aliado dos Sarney.

Contrastes. Mal o helicóptero que carregava Roseana aterrissa em Nina Rodrigues e duas centenas de crianças correm numa espécie de coreografia ensaiada para abraçar e beijar a governadora. A candidata veste calça jeans skinny, blusa estampada de grife, tênis vermelho e boné da mesma cor, com o símbolo do PMDB. De adereço, só um brinco em forma de estrela, com pequenos pontos dourados.

Momentos antes de sua chegada, um caminhão-pipa molha as ruas de terra numa tentativa infrutífera de aplacar o calor e baixar a poeira. Uma estrutura de campanha exuberante antecede a vinda da governadora: dezenas de utilitários de luxo - todos com enormes adesivos de Roseana ao lado de Lula e Dilma - carros de som, trio elétrico, fogos em profusão e seguranças.

Material com propaganda de candidatos dos 16 partidos que compõem a coligação de Roseana é fartamente distribuído pelas ruas da cidade. O aparato grandioso se repetiu em todos os três municípios visitados, na quarta-feira, por Roseana, numa jornada que se estendeu das duas da tarde até as 22h30. Realidade bem diferente vivem seus adversários. Sem dinheiro, Jackson Lago, do PDT, e Flávio Dino, do PC do B, fazem uma campanha bem mais modesta.

Traição. Além dos recursos escassos, Lago convive hoje com a traição de prefeitos de seu partido que se bandearam para o lado de Roseana. Para receber a governadora em Nina Rodrigues, a prefeita Iara Quaresma, do PDT, decretou feriado na cidade: nem escolas nem serviço público funcionaram na quarta-feira. A adesão da pedetista à governadora do PMDB teve um preço: a promessa de construção da ponte que ligará o município a São Benedito do Rio Preto. "Votei no Jackson na eleição passada, mas quem trouxe obras para o município foi a Roseana. Meu sonho é essa ponte, e ela prometeu que vai fazer", diz Iara, ao justificar o voto na peemedebista.

Seis horas mais tarde, em Itapecuru Mirim, cidade com cerca de 90 mil habitantes, o vereador Biné dos Picos, do PDT, também dava desculpa semelhante para votar em Roseana.

"Represento um povoado de 17 mil habitantes, que ganhou uma praça, uma escola de segundo grau e água encanada para 600 famílias desde que a Roseana voltou para o governo. Hoje, ela prometeu reformar a rodoviária do povoado", conta Biné, que levou 150 pessoas em quatro ônibus para ajudar a encher a Praça Gomes de Souza, bem em frente à Prefeitura de Itapecuru.

Em suas andanças na quarta-feira, Roseana ouviu apenas uma crítica. Foi em Vargem Grande, município de 50 mil habitantes, onde candidatos a deputado aproveitaram o comício para reclamar do sistema de abastecimento de água da cidade. "Ainda existe uma dificuldade imensa de água na torneira", critica Fábio Braga, do PMDB. "Fiquei fora sete anos e ninguém se incomodou com o problema de água aqui", contrapõe Roseana.

"Desgoverno". Todas as mazelas do Maranhão são debitadas aos últimos sete anos em que a família Sarney esteve fora do poder. Nem parece que o Estado foi praticamente governado nas últimas décadas pelo clã, aí incluída a própria Roseana, que comandou o Maranhão entre 1994 e 2002. Ao deixar o governo, ela elegeu seu sucessor, o então vice-governador José Reinaldo, hoje adversário ferrenho dos Sarney. A hegemonia só foi quebrada com Jackson Lago, que ficou de janeiro de 2007 a abril de 2009 no governo do Estado.

É só subir no palanque e governadora começa a atacar os "sete anos de desgoverno" e a repetir suas realizações nos últimos 16 meses em que está no comando do Estado. Até a descoberta de gás em Capinzal do Norte pela OGX, do empresário Eike Batista, vai parar na conta das benfeitorias de um ano e quatro meses de Roseana à frente do governo maranhense.

A pouco mais de um mês das eleições, ela conta hoje o apoio da maioria esmagadora dos 217 prefeitos de Maranhão. E desta vez, segundo seus próprios adversários, não são apenas cidadezinhas do interior. Dos dez maiores municípios do Estado, cinco trabalham por sua reeleição.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Todo mundo odeia o Serra

Embora a democrata Rosalba Ciarlini mantenha o favoritismo nas pesquisas eleitorais para vencer a disputa pelo governo do Rio Grande do Norte, o candidato tucano José Serra perde feio para Dilma Rousseff (PT). O maior adversário do tucano no estado é o Bolsa Família, que contempla 360 mil famílias potiguares.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Túneis do PSDB são reprovados

O Corpo de Bombeiros entregou ao Ministério Público o resultado da vistoria feita em dez túneis e passagens subterrâneas de São Paulo para verificar a existência de extintores e hidrantes. Todos apresentaram algum problema. Os túneis Ayrton Senna, Max Feffer e Fernando Vieira de Mello possuem hidrantes, mas não têm acessórios como mangueiras e esguichos. Nos dois últimos, também faltam extintores portáteis e sinalização

Todos sabem que Dilma vai ganhar

Tão logo Dilma Rousseff afirmou que, se eleita, incluirá na segunda edição do "Minha Casa Minha Vida" uma linha de financiamento para a compra de eletrodomésticos e móveis, o comando de sua campanha passou a ser assediado por empresas do setor, interessadas em conhecer detalhes do programa.

Ontem Dilma anunciou a distribuição 100% gratuita de medicamentos para o tratamento de hipertensão e diabetes -hoje, o governo federal subsidia até 90% do valor desses remédios. Com a arrancada de Dilma nas pesquisas, acirra-se a disputa do setor privado por um espaço na agenda da candidata. O lobby do ensino particular tem sido especialmente intenso.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

José Serra vai levar fumo no Rio Grande do Sul

O PT pretende usar as campanhas antitabagistas do candidato do PSDB à Presidência, José Serra, para tentar melhorar o desempenho da candidata do partido, Dilma Rousseff, no Sul. O alvo da tática é o setor de fumo, que garante a renda de 185 mil famílias de pequenos agricultores e o emprego de 30 mil trabalhadores na indústria de beneficiamento. "Muita gente sabe que o Serra é antitabagista e isso terá que ser exposto na campanha", diz o vice-prefeito de Santa Cruz do Sul, Luís Augusto Campis, do PT.

A trajetória antitabagista do candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, será uma das armas do PT para bater no tucano e tentar melhorar o desempenho da candidata do partido, Dilma Rousseff, nas pesquisas de intenção de voto no Sul do país. O alvo da estratégia é o setor fumageiro, que garante a renda de 185 mil famílias de pequenos agricultores e o emprego de 30 mil trabalhadores na indústria de beneficiamento do tabaco no Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina.

Segundo as últimas pesquisas que abriram números por região, Dilma segue atrás de Serra no Sul. No levantamento do Ibope divulgado dia 4, a candidata perde por 45% a 37% nos três Estados, ante o empate em 39% para cada um em âmbito nacional. Já no Datafolha do dia 26 (que apontou 37% para o tucano e 36% para a petista no país), ela tem 34% no Rio Grande do Sul e 30% no Paraná, enquanto Serra aparece com 46% e 45%, respectivamente.

É com esses resultados na mão que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarca hoje à tarde em Santa Cruz do Sul, numa janela aberta entre compromissos pela manhã e à noite em Porto Alegre. O município é principal polo de processamento de tabaco no Rio Grande do Sul. Antes dele, o candidato do PT ao governo gaúcho, Tarso Genro, e até o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, estiveram na cidade e ouviram as preocupações do setor sobre as crescentes restrições à produção do fumo. Em março, a então secretária-executiva e hoje ministra da Casa Civil, Erenice Guerra, também recebeu uma comitiva da região fumageira em Brasília.

"Muita gente sabe que o Serra é antitabagista e isso terá que ser exposto na campanha", afirma o vice-prefeito da cidade, Luíz Augusto Campis, do PT. Segundo ele, o governo está "atento" à situação do setor, que gera R$ 8,4 bilhões em impostos federais, estaduais e municipais por ano, e está "formando opinião também a partir das informações que partem daqui". Ele diz ainda que a cultura do tabaco faz parte da história da região desde 1852 e qualquer programa de diversificação de culturas só pode ser implementado no "longo prazo".

O receio mais imediato da cadeia fumageira é com a reunião de novembro da Conferência das Partes da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco da Organização Mundial da Saúde (OMS), no Uruguai. No encontro, os países signatários da convenção (o Brasil inclusive) vão analisar recomendações que tornam inviável a produção do fumo tipo "burley", cultivado por quase 50 mil famílias nos três Estados, porque proíbem a adição de ingredientes - especialmente açúcar - no processamento do produto, explica o presidente do Sindicato das Indústrias de Tabaco (Sinditabaco), Iro Schünke.

A posição do Brasil seria anunciada no fim de junho, mas a pressão do setor adiou a decisão. Agora, a questão será levada diretamente a Lula, que visitará uma usina de biocombustíveis financiada pela Petrobras e pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário, mas também receberá representantes da indústria fumageira e dos agricultores. Eles vão pedir que o governo cumpra a promessa feita em 2005, quando o país ratificou a convenção-quadro, de não aprovar medidas prejudiciais aos produtores, explica o presidente da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), Benício Werner.

Mas Serra não deverá assistir impassível à ofensiva petista, afirma o deputado federal Luís Carlos Heinze, do PP, sigla que no Rio Grande do Sul apoia o tucano. Responsável pela imposição de restrições à propaganda do cigarro quando era ministro da Saúde do governo Fernando Henrique Cardoso e pela proibição ao fumo em áreas públicas em São Paulo quando foi governador do Estado, o tucano está apenas "acertando a agenda" para visitar a região e dizer "publicamente" que não é contra a produção do fumo, diz o parlamentar.

Do lado dos petistas, a intenção é garantir para Dilma um desempenho igual ou superior ao do próprio Lula em 2002, quando ele bateu Serra com facilidade nos principais municípios da região. Em Santa Cruz, Venâncio Aires e Vera Cruz, por exemplo, o petista alcançou de 71% a 74% dos votos válidos no segundo turno. No primeiro turno, o tucano chegou a ficar atrás de Anthony Garotinho (PSB) e de Ciro Gomes (PPS) em Vera Cruz e de Ciro em Santa Cruz do Sul.

"Não vamos adotar nenhuma medida de constrangimento contra a produção de fumo", reforça o coordenador do programa de governo de Tarso Genro, Marcelo Danéris. De acordo com ele, um eventual governo petista no Rio Grande do Sul irá apoiar a diversificação de culturas com suporte técnico e creditício via sistema financeiro estadual, mas sempre de acordo com os interesses e o ritmo dos próprios produtores. "Não existe uma alternativa rápida para a produção do fumo", reconhece o petista.

Segundo Werner, da Afubra, os agricultores precisariam cultivar 20 hectares de milho para obter a mesma renda gerada por 2,5 hectares de fumo, que nesta safra foi vendido pelo preço médio de R$ 6,34 o quilo. Só que o tamanho médio das propriedades é de 16 hectares. No caso do feijão, a relação é de sete para um e a substituição por hortigranjeiros também é inviável porque o cultivo desses produtos nos 370 mil hectares dedicados hoje ao tabaco no Sul do país iria inundar o mercado e derrubar os preços.

Além disso, conforme o Sinditabaco, em média 85% da produção anual do fumo (estimada na safra 2009/2010 em quase 700 mil toneladas pela Afubra) é vendida para o exterior, o que faz do Brasil o maior exportador mundial do produto. No ano passado, os embarques do tabaco beneficiado renderam US$ 3 bilhões, o equivalente a 2% de todas as exportações do país, enquanto a comercialização da colheita passada, de 739 mil toneladas, gerou ainda uma renda bruta de R$ 4,4 bilhões aos produtores, lembra Schünke.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Cheiro de pena queimada

Depois da reviravolta provocada pelo anúncio do senador Osmar Dias (PDT) de disputar o governo do Paraná e dar palanque para a petista Dilma Rousseff, o presidente do PSDB, Sergio Guerra, criticou nesta quarta-feira (30) a postura do político pedetista, que flertou com tucanos e integrantes do PT, provocou a indicação de seu irmão, o senador Alvaro Dias, para vice de José Serra e depois decidiu disputar, alinhado ao presidente Lula, o Palácio das Araucárias.

"O Osmar nos disse várias vezes, não uma, duas, dez, vinte, quarenta vezes que queria ser candidato a senador (em aliança com o PSDB). Espero que ele seja da próxima vez mais afirmativo", reclamou o dirigente tucano, que se reuniu em Brasília com Alvaro Dias e representantes do partido.

Para Guerra, houve sim um erro tático do PSDB de não negociar com o DEM a indicação de Alvaro Dias e de permitir que o presidente do PTB, Roberto Jefferson, vazasse via Twitter a indicação do senador paranaense para compor a chapa de Serra.

"Há alguns dias tínhamos o maior candidato de todos, que era o Aécio. Ele não era candidato a vice, era candidato a presidente. (A candidatura de Osmar) interfere porque tínhamos determinada estratégia no Paraná. Certamente houve um erro de condução, mas o DEM é um bom partido e estamos com ele", declarou o presidente do PSDB.

A cúpula do Democratas suspendeu na manhã desta quarta até as 13h30 a convenção da legenda convocada para decidir os rumos do partido no pleito de outubro. Principal item da pauta da convenção, a definição sobre um eventual vice para o tucano José Serra ganhou novo fôlego após a indicação de que o senador Osmar Dias irá se candidatar ao governo do Paraná. Seu irmão, o também senador Alvaro Dias, havia sido alçado à condição de vice de Serra na tentativa de atrair o pedetista.

Nesta madrugada, PSDB deu indicativos de que Alvaro Dias pode ser revisto como vice do ex-governador de São Paulo.

terça-feira, 29 de junho de 2010

23 Estados aderem a plano de alfabetização

A uma semana do fim do prazo para adesão de Estados e municípios ao Programa Brasil Alfabetizado, do governo federal, o Ministério da Educação faz a previsão de matricular, neste ano, 2,2 milhões de jovens e adultos em classes de alfabetização. O prazo para adesão de Estados e municípios termina domingo e a meta do ministério é fechar parceria com 1.450 secretarias de Educação.

Até agora, foram registradas 1.392 adesões - 23 Estados, o Distrito Federal e 1.368 municípios. Ainda não aderiram ao programa São Paulo, Espírito Santo e Rio Grande do Sul. O ministério repassa recursos aos Estados e municípios participantes para capacitações de professores, compra de material pedagógico, além de ser responsável pelo pagamento da bolsa dos alfabetizadores.

Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 2008, feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o país tem 14 milhões de analfabetos entre a população com 15 anos de idade ou mais, o que representa 10% dos brasileiros nessa faixa etária.

Governo paulista tenta ressuscitar Emae

Depois de anos de tentativas frustradas de fazer a Sabesp incorporar os ativos da Emae, o governo de São Paulo tenta agora ressuscitar a empresa de geração por meio de parcerias com sócios público ou privados em novos investimentos. Na semana passada, foi sancionada a lei estadual número 14.150 que permite que a Emae se associe ou crie subsidiárias em sociedade para explorar fontes alternativas ou renováveis de energia. Com isso, a empresa tenta se reerguer depois de anos de prejuízos e receita decrescente.

"A lei marca um novo começo para a Emae", diz o presidente da empresa, Antonio Bolognesi. Algumas parcerias já estão sendo estudadas para dois projetos que juntos vão requerer R$ 1 bilhão de investimentos. O primeiro é a despoluição do rio Pinheiros, que vai permitir que a usina hidrelétrica Henry Borden, que pertence à Emae, possa gerar na média por ano 300 MW a mais do que consegue atualmente. O segundo projeto é para a geração de energia a partir do lixo produzido pelos grandes centros paulistas e que será a alternativa para aterros sanitários, hoje com capacidade esgotada.

A secretária de Energia do Estado de São Paulo, Dilma Pena, diz que deve entregar nas próximas semanas um estudo ao governo federal para que a produção de energia a partir do lixo seja desonerada de PIS, Cofins e IPI. Isso porque esse tipo de energia é ainda muito cara e não encontra compradores. A secretária Dilma foi quem trabalhou para aprovar a lei que permite as parcerias a serem feitas pela Emae. Ela diz que isso não impede que a Sabesp ainda compre a empresa, mas segundo apurou o Valor é pouco provável que as negociações avancem.

Mesmo sem parceria ainda firmada, a Emae quer colocar seu primeiro investimento na rua ainda em 2010, depois de anos de paralisia. A empresa está fechando financiamento com o BNDES para investir R$ 100 milhões na pequena central hidrelétrica de Pirapora com capacidade de 25 MW. A PCH está inscrita no leilão de energias alternativas do governo federal que acontece ainda este ano. "Mas se o preço não estiver bom podemos vender essa energia no mercado livre", diz Bolognesi. Além de Pirapora, a Emae também vai investir R$ 20 milhões na motorização da usina de Edgar de Souza.

O último investimento feito pela empresa foi em 2005, e mesmo assim não muito significativo, segundo conta Bolognesi. Antes disso, investimentos de vulto só foram feitos na década de 60. A Emae surgiu em 1998, a partir da cisão da Eletropaulo nos processos de privatização. A empresa possui quatro usinas hidrelétricas com capacidade de gerar mais de 1.000 MW e uma termelétrica, de Piratininga, com capacidade de gerar cerca de 430 MW e que foi arrendada em 2008 para a Petrobras.

A térmica foi uma das soluções encontradas para resolver parte dos problemas financeiros da Emae. O grande desafio agora é recuperar a capacidade de geração de caixa por meio da usina Henry Borden. A usina consegue gerar apenas 120 MW médios de energia, apesar de ter capacidade de cerca de 800 MW. Isso acontece, segundo explica o presidente da empresa, porque o reservatório Billings está impedido de bombear água suficiente para a usina em função de uma proibição prevista na Constituição estadual. Ela impôs a condição de que a empresa despolua o rio para ter acesso a água que fica no reservatórios. A empresa avalia fazer a flotação do rio, o que vai requerer R$ 600 milhões, mas ainda está em fase de elaboração do estudo de impacto ambiental. A meta é de concluir toda a obra em 2013.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Vendas de netbooks devem crescer 130%

Em 2009, foram vendidas no país 515 mil unidades de netbooks, aumento superior a 300% frente ao ano anterior, período de lançamento dos portáteis. A previsão da consultoria IDC é que as entregas no país cresçam 130%, este ano. A busca por mobilidade com aparelhos mais leves e facilidades de crédito para adquirir as máquinas entre as classes B e C devem puxar as vendas. E fabricantes e operadoras costuram parcerias para vender equipamentos com planos de acesso à internet. Marcas como Positivo Informática e Lenovo lançaram novidades este mês, com preços a partir de R$ 1 mil.

A Positivo Informática oferece 18 modelos, sendo oito com tecnologia 3G. Os itens mais recentes são os da linha 2010, Mobo Black e Mobo Red. Pesam cerca de um quilo e têm autonomia de bateria para até oito horas por preços que vão R$ 1 mil a R$ 1,6 mil. Em 2009, as vendas de notebooks da Positivo cresceram 50,2% em relação a 2008 e representaram 40,2% das vendas da empresa - ou 714,2 mil unidades, incluindo netbooks, que representaram 11,2% das vendas totais de portáteis.

Em junho, a Lenovo apresentou o Netbook S10-3, com

alto-falantes de qualidade estéreo e áudio Dolby. O aparelho permite sincronizar arquivos com notebooks, sem a necessidade de conexão à internet. O modelo com memória de 2 GB e câmera de 1,3 megapixel custa, em média, R$ 1,6 mil.

Conexões sem fio à web superam fixas pela primeira vez

Em abril, acabou o prazo para as operadoras celulares levarem cobertura 3G a todas as capitais e cidades brasileiras com mais de 500 mil habitantes - 44 localidades, ao todo. Ou menos de 1% dos 5.564 municípios do país. Claro, Oi, TIM e Vivo informaram o cumprimento das metas acertadas com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), por ocasião do leilão de frequências para prestação dos serviços de terceira geração.

TIM e Vivo fizeram tudo o que acordaram, segundo levantamento realizado no início de maio pela consultoria especializada Teleco, com base em informações das próprias operadoras. A Claro ainda não atendia duas capitais duas capitais: Boa Vista e Macapá; a Oi, idem, esses dois municípios, e Manaus. Em maio, a cobertura 3G (na tecnologia WCDMA) da Vivo alcançava 604 municípios; a da Claro 396 (sem atualização dos dados até maio); a da Oi e BrT 168; a da TIM 140.

Em termos da população atendida pelo serviço móvel na tecnologia de terceira geração, o cenário é mais favorável às empresas: 65% dos brasileiros têm acesso ao SMP. A maior oferta é da Vivo - 61,5% da população, de acordo com o Teleco, seguida pela da Claro (55%). Oi e TIM estavam na casa dos 41%, em maio. Nesse mesmo mês, o número de estações radiobase (ERBs) existente no país era de pouco mais de 47 mil.

Foto Destaque

Dados ainda preliminares, divulgados pela Anatel, indicam que o Brasil terminou maio com 183,7 milhões de celulares, deste total 82,4% são linhas pré-pagos e uma densidade de 95,26 celulares por grupos de 100 habitantes. Nos últimos 12 meses, foram vendidas 26,2 milhões de celulares. O pré-pago cresceu (1,7%), mais que o pós-pago (1,4%).

Pela primeira vez, o acesso à internet via dispositivos móveis superou o número de acessos fixos no primeiro trimestre, segundo levantamento da consultoria Teleco, em parceria com a fabricante chinesa Huawei. O total de acessos à web sem fio chegou a 11,9 milhões frente aos 11,8 milhões de conexões fixas. A Teleco revisou suas estimativas para 2010, chegando a um total de 18 milhões de acessos móveis e 13 milhões de fixos em comparação a uma previsão anterior de 15 milhões de acessos móveis e 14 milhões fixos.

Ainda segundo o estudo Teleco/Huawei, houve um crescimento de 70% no volume de acesso móveis à internet no primeiro semestre em relação aos 7 milhões do final de 2009. A base de linhas fixas de banda larga cresceu apenas 3,5% na comparação com os 11,4 milhões do ano passado.

A Vivo, no entanto, quer mais, segundo anunciou seu presidente Roberto Lima, no início de junho: um plano para levar conectividade 3G a 2.832 cidades até dezembro de 2011, com o Vivo Internet Brasil. O investimento previsto é de R$ 2,49 bilhões este ano. Segundo Lima, atualmente as operadoras conectam uma nova cidade com 3G por dia. A meta da empresa é conectar quatro municípios por dia. Até o fim deste ano, serão 1.461 localidades cobertas, com uma média de 16 mil a 20 mil habitantes. Não haverá prioridade de investir em regiões que deem retorno financeiro mais rápido, diz o executivo. Ele prometeu que a operadora estenderá a cobertura de internet móvel a municípios pequenos, alguns isolados, porque acredita que a essência dos seus serviços cria desenvolvimento social e econômico naquelas localidades. A exemplo de Borá, no interior paulista e que, com somente 800 moradores, ganha cobertura 3G.

"O plano é ambicioso e será cumprido. Nosso objetivo é ampliar rapidamente a cobertura de 3G", diz Roberto Lima. Já a Claro e TIM planejam estender o serviço móvel pessoal, conforme a demanda. Seja pela agregação de novos serviços, o que levaria o cliente atual a consumir mais. Ou pela expansão das redes, segundo a Claro, que participa de um consórcio para implementar a infraestrutura de transmissão para a região Sul. De seu lado, mesmo em terceiro lugar na cobertura, a TIM continua a investir em planos para os clientes.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Mauricio Dias: mídia tenta valorizar Marina só para ajudar Serra

A imprensa tenta oxigenar a candidatura de Marina Silva (PV), que patina em torno de 10% em todas as pesquisas mais recentes de intenção de voto. Cresce a convicção, no meio político, de que, sem ela no páreo, Dilma Rousseff (PT) poderia ganhar a eleição presidencial de José Serra (PSDB) ainda no primeiro turno.

Por Maurício Dias, na CartaCapital
O interesse da mídia pela candidatura de Marina sustenta a confiança nessa convicção. Não se pode acreditar que os jornais, tomados pela fé democrática, ajam somente para estimular a competição eleitoral. Nas circunstâncias atuais, não há dúvida: o eleitor de Marina dará um voto para Serra. É um efeito colateral dessa decisão, um antídoto contra Dilma.

Mas, seja como for, a democracia exige respeito à escolha do eleitor. Cada um vota como quer. É preciso, no entanto, conhecer os efeitos políticos do voto.

Marina pode vir a ser um obstáculo para Dilma e, em consequência, linha auxiliar — involuntária, admita-se — de Serra. Neste momento, ela se coloca exatamente entre os dois: critica Dilma acidamente e, suavemente, critica Serra. Nessa posição pode ser facilmente triturada ao longo dos debates polarizados.

Em 2006, embora não houvesse o viés plebiscitário de agora, a disputa foi para o segundo turno em razão da dispersão do voto progressista: Heloísa Helena (PSOL) obteve 6,85% e Cristovam Buarque (PDT), 2,64%. Ambos partidariamente à esquerda do espectro político. Faltaram a Lula, que buscava a reeleição, um pouco mais de 1 milhão de votos para ganhar no primeiro turno. Isso, porcentualmente, significou 1,39% dos votos válidos.

A história eleitoral brasileira tem exemplos parecidos, que favoreceram a vitória de candidatos conservadores. Um dos casos mais traumáticos para a esquerda foi a conquista do governo do novo estado da Guanabara pelo udenista Carlos Lacerda, em 1960. Ele obteve uma vantagem apertada sobre Sérgio Magalhães (PSB), de 2,6%. A derrota é atribuída à participação de Tenório Cavalcanti no pleito. Influente na Baixada Fluminense, Tenório, fatalmente, tirou votos certos de Magalhães.

Afinal, os pobres, por episódios como o do incêndio (provocado?) na praia do Pinto, na orla da Lagoa Rodrigo de Freitas, zona sul do Rio, e a matança de mendigos que apareceram boiando no rio da Guarda, na Baixada Fluminense, estavam escabreados com o lacerdismo. Os dois episódios foram parar na conta da administração Lacerda. Se não era verdade, a versão superou o fato.

Uma parte desse voto da turma do Brasil de baixo migrou para Tenório Cavalcanti, que tinha apoio do Luta Democrática, um influente jornal popular na ocasião. Seriam, naturalmente, votos de Sérgio Magalhães. Lacerda ganhou por isso.

A polarização hoje tende a ser maior e pode desidratar os votos que estão à margem do confronto PT versus PSDB. Além de Marina, há dez outros postulantes que, somados, não alcançarão mais do que 3% dos votos. É o cálculo que fazem os institutos de pesquisa. Se o porcentual de Marina não minguar, haverá segundo turno.

Esse viés plebiscitário que Lula sempre buscou e que a oposição sempre temeu deve estimular o eleitor, em outubro, a evitar a cabine eleitoral pela segunda vez.
Mesmo sem o uso de uma bola de cristal é possível prever a volta da campanha pelo voto útil, estimulada pelos petistas.

A Globo tá demais. Esse vídeo é sucesso

terça-feira, 15 de junho de 2010

Petrobrás; FHC, algoz da Petrobrás

O pai, grande lutador pela empresa, o filho fez tudo para destruí-la.
O presidente Fernando Henrique Cardoso recebeu uma missão: desmontar o País. A Petrobrás está na sua longa agenda macabra de demolidor do futuro. Acompanhe os passos de FHC rumo ao seu grande objetivo:

1993
Neste ano, o então ministro FHC promoveu um corte de 52% no orçamento de 1994 da PETROBRÁS. Isto só não paralisou a empresa porque estourou no Congresso o escândalo do Orçamento, impedindo que se fechasse o orçamento geral da União antes de outubro de 94. Ainda assim a PETROBRÁS teve retardados diversos projetos em andamento.

1994
Através do Departamento Nacional de Combustíveis, o ministro FHC promoveu uma manipulação da estrutura de preços que transferiu, permanentemente, da PETROBRÁS para as multinacionais da distribuição cerca de US$ 3 bilhões/ano. Nos 6 meses que antecederam a URV o governo deu dois aumentos por mês aos combustíveis para compensar a desvalorização diária da moeda nacional frente ao dólar.

Nesses aumentos, a parcela da PETROBRÁS aumentava abaixo da inflação enquanto a das distribuidoras aumentava acima da inflação. De dezembro de 93 a abril de 94 os aumentos foram de: a) inflação 536%; b) parcela da PETROBRÁS 491% e c) distribuidoras 703%. Com a Urverização os ganhos e perdas se tornaram permanentes, criando no Brasil a maior margem de distribuição do mundo.

1995
O governo, mais uma vez, faltando com o compromisso negociado com a categoria, levou os petroleiros à greve com o firme propósito de destruir o sindicalismo brasileiro.

E colocou tropas militares nas refinarias, deixando as distribuidoras de combustíveis e de gás sonegarem os produtos. Há documentos do DNC provando isto.

Pelo Cano
Em 1995, deflagrou a construção do gasoduto Bolívia-Brasil que vai permitir às empresas do Cartel das 5 irmãs venderem uma massa de 1,1 trilhão de m3 de gás ao único cliente possível (150 bi na Bolívia, 350 bi de m3 em Camisea, Peru, descoberto pela Shell em 1983 e até hoje não explorado e 600 bi de m3 na Argentina, pertencentes à Shell, Enron e British).

A PETROBRÁS constrói o duto (economicamente inviável) drenando recursos que poderiam ser aplicados na Bacia de Campos, onde o retorno é acima de 60% ao ano. O gás vai ser usado em termoelétricas. Teremos uma matriz energética mais poluente e estaremos dependentes de energia externa fornecida por um monopólio natural, comandado por multinacionais. Mary Quinn, diretora de investimentos do C.S.F. Boston declarou que não consegue explicar este investimento da Petrobrás.

Quebra
Em 1995, a quebra do monopólio do petróleo com pressões, chantagens e barganhas com o Congresso Nacional.

Ainda em 1995, o governo Itamar, as estatais estratégicas, durante o processo de Revisão Constitucional, enviaram os seus técnicos a Brasília para dar informações sobre os dados significativos das empresas. Isto ajudou a impedir que a Revisão Constitucional se realizasse. No governo FHC os empregados foram proibidos de ir ao Congresso conversar com os parlamentares sob pena de demissão. O Decreto 1.403 de fevereiro de 95 criou o SIAL - Serviço de Informação e Apoio Legislativo, que foi o grupo de "Intelligentzia" criado com a missão de verificar a ida dos empregados para fins de demissão.

1996
Anulação do Contrato de Gestão. Envia a Lei 9.478 que quebra o monopólio da União (art. 26), permite a exportação (art. 60) e cria subsidiárias (art. 65) para cumprir o plano C.S First Boston de desmonte da empresa.

Também em 96, na Europa, os governos assinam um contrato de Gestão com as empresas estatais e estabelece metas a serem cumpridas pelas empresas. Caso as metas não sejam cumpridas rolam cabeças de dirigentes. Mas o governo não interfere na gestão das empresas. Por isto elas são eficientes e lucrativas a ponto de comprarem estatais no exterior, inclusive no Brasil. Aqui as estatais são violentadas pelo governo. É o único caso do planeta Terra, em que o acionista majoritário trabalha contra a sua empresa. O governo Collor mudou, em dois anos, 6 presidentes e 24 diretores. O governo FHC vem fazendo um estrago maior. O governo FHC anulou o contrato de Gestão que havia entre o governo e a Petrobrás.

O Golpe
FHC envia do Congresso a Lei 9.478 que iria regulamentar o setor de petróleo após a quebra do monopólio em 1995. A Lei extingue violentamente a Lei 2.004 que criou a PETROBRÁS após um dos maiores movimentos cívicos ocorrido no País. A Lei, além de desrespeitar a Constituição em vários artigos, efetiva a quebra do monopólio da União.

O artigo 26 é claro: a concessionária que produzir o petróleo torna-se sua proprietária, cabendo à União o monopólio de rocha vazia. O artigo 60 permite a exportação do petróleo. O nosso petróleo que poderia nos suprir por 40 anos, pode ser exaurido em 10 anos. As Cinco Irmãs têm hoje menos de 5% das reservas mundiais. Usarão as nossas. A Lei é um conjunto de artigos que ajudem a Constituição e o bom senso.

1997
Cria a ANP e nomeia o genro para comandar o processo de engessamento da Petrobrás.

Corte de R$ 1 bilhão nos investimentos.

Obriga a empresa a apelar para parcerias. Os parceiros, que nada investiram, passam a repartir os lucros.

FHC cria a ANP - Agência Nacional do Petróleo, presidida pelo seu genro privatista David Zilbersztajn. A ANP tem se mostrado a inimiga nº 2 da Petrobrás. Atrapalha a empresa, cria fórmulas e dispositivos que a desfavorecem como a portaria nº 3 que a impede de se defender da inflação e da correção cambial. Dá 3 anos para a PETROBRÁS pôr em produção os seus campos em águas profundas, enquanto estabelece o prazo de 8 anos para as demais concorrentes. "E dá outras nocivas providências".

Obriga a empresa a apelar para parcerias. Áreas onde ela investiu pesado, correu todos os riscos e desenvolveu tecnologia, é obrigada agora adividir os lucros com aquelas empresas que não quiseram correr os riscos. É como se a PETROBRÁS comprasse um bilhete premiado e fosse obrigada a repartir o prêmio, recebendo só a metade do valor da compra do bilhete.

1998
Corte nos investimentos. Impede a emissão de debêntures para obter recursos para investimentos. Libera a importação de equipamentos sem IPI e ICMS para multinacionais.

Proíbe tomar empréstimo no exterior (a 6% ao ano). Impasse na negociação salarial (continua até hoje).

Em plena Copa do Mundo a ANP retira mais 35% das áreas escolhidas pela PETROBRÁS, restando para ela apenas 7,1% do total.

ANP emite a Portaria nº 3 que impede a PB de se defender da desvalorização do real e da inflação.

Ocupação
Em 1998, seis empresas ocupam o 12º andar do EDISE (duas delas comandaram a privatização da YPF Argentina - Merryl Linch e Gaffney Cline) - para examinar minuciosamente todos os dados da PETROBRÁS.

Neste mesmo ano, promove o corte de um bilhão nos investimentos. Novas paralisações em projetos e atividades importantes. Só a revisão do orçamento promove uma paralisação de mais de três a seis meses na Petrobrás. Técnicos das áreas mais cruciais param os seus serviços para analisar e priorizar os cortes. É uma das piores armas de FHC contra a empresa. Projetos de alta rentabilidade vão se tornando inviáveis com as paralisações.

Garrote
Proíbe a empresa de tomar recursos no exterior a juros civilizados, impede-a de emitir debêntures para gerar recursos. Enquanto isto a ANP ameaça retomar as áreas que não produzirem em 3 anos da data da Lei 9.478.

Libera a importação de equipamentos com isenção de impostos pelas multinacionais, inviabilizando a competitividade dos fabricantes nacionais. Gera emprego no exterior e os extingue no País.

Em plena Copa do Mundo a ANP retira mais 35% das áreas escolhidas pela Petrobrás, restando para ela apenas 7,1 do total.

1999
Corte nos investimentos.

Delega ao Conselho de Administração o controle absoluto da empresa.

Nomeia um conselho de raposas para isto, entre eles Jayme Rotstein, empresário fracassado, lobistas dos usineiros e suplente de senador na chapa derrotada do Roberto Campos e Pio Borges com 23 denúncias de improbidade administrativa no BNDES junto com Mendonça de Barros.

O governo corta novamente R$ 1 milhão nos investimentos, nova paralisação na empresa.

Promove um aumento brutal nos impostos da Petrobrás. Alguns aumentaram até 4 vezes como o caso dos royalties. O pior é que sabemos que, se a Petrobrás for privatizada, as Cinco Irmãs extinguirão os royalties como fizeram no Mar do Norte, na Índia e na costa da Califórnia, EUA. Alegam que a atividade em águas profundas é dispendiosa e arriscada, conseguindo com isto a indicação do royalty.

Rapinagem
O governo faz um decreto delegando ao Conselho de Administração o controle absoluto da PETROBRÁS, modificando dois decretos existentes que davam essas atribuições ao governo.

O governo impede a Petrobrás (BR e Petros) de entrarem no leilão da CONGÁS. É mais uma ingerência ilegal e imoral na empresa.

PS - O artigo acima foi escrito pelo bravo Fernando Siqueira e publicado pelo "O Farol", em 1999. Não tem uma linha deste repórter, apenas o espaço é meu. Mas como Fernando Siqueira, só defende o interesse nacional, em toda e qualquer situação, referendo e assino tudo o que ele escreve. Por que então escrever novamente?

PS 2 - E o recorte me foi enviado por Mario Lobo Cunha, outro bravo lutador, colaborador deste repórter, que mora em Porto Alegre. Minha participação é apenas a da divulgação do que FHC fez contra a Petrobrás e o próprio pai. Ressalte-se: todo o mérito para Fernando Siqueira e Mario Lobo Cunha.
Web site: http://www.tribuna.inf.br/coluna.asp?coluna=helio Autor: Hélio Fernandes

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Para analistas, real tem maior resistência às oscilações do dólar

O nervosismo que voltou ao mercado de moedas na última sexta-feira, dia em que o euro atingiu mínimas há tempos não vistas e o dólar se valorizou na maioria das praças do mundo, deve permanecer no radar ainda por muito tempo. Mas, ainda que o real não esteja imune aos ajustes de posição que pressionam os ativos, as oscilações da moeda brasileira devem ficar restritas ao curto prazo. A avaliação de analistas é de que, diferentemente dos países desenvolvidos, as condições fiscais e do sistema bancário do país continuarão atraindo capital. E que, por isso, os movimentos aqui tendem a ser mais brandos e pontuais.

Na sexta-feira passada, foi a vez da Hungria entrar no noticiário e deflagrar uma nova onda de correção dos mercados. Candidata a ser a próxima Grécia, segundo o próprio governo, a apreensão com a situação fiscal daquele país levou o euro ao menor nível dos últimos quatro anos, abaixo do piso psicológico de US$ 1,20. O país da Europa Oriental não pertence à zona do euro, mas possui uma dívida equivalente a US$ 70 bilhões nas mãos de outros países, sendo a maior parte deles europeus. Ou seja, mais perdas para os tesouros da União Europeia à vista.

O real não escapou da tendência global. Num horizonte mais longo, é possível observar que a desvalorização do real é modesta. O primeiro semestre está por um fio e o real cai 6,24% frente ao dólar. No caso do peso chileno, a desvalorização é de 6,26%. Já a libra esterlina perde 10,61% e o euro, 16,44%.

O estrategista do Nomura Securities, em Nova York, Tony Volpon, diz que o real vem apresentando um desempenho mais positivo desde o final do ano passado, quando as moedas dos países do Hemisfério Norte ampliaram as perdas. Ele observa que a moeda brasileira, historicamente, mantém uma relação estreita com uma cesta de moedas acompanhada pelo Federal Reserve (o Banco Central dos EUA), composta, além do euro, pelo iene, livra esterlina, dólar canadense e australiano. Desde o final do ano passado, entretanto, a desvalorização do real é mais modesta do que a da cesta de moedas. "Se a relação entre essa cesta e o real se mantivesse, a moeda brasileira deveria estar em US$ 2,40 hoje", afirma.

O que explica essa maior resistência do real, explica, é o fluxo de recursos para a renda fixa no Brasil. "Não há sinais de entrada de dinheiro de hedge funds, nem para bolsas, mas sim para renda fixa, especialmente para papéis públicos", afirma Volpon. A realocação do dinheiro global, diz, mostra que investidores não querem mesmo ser credores de alguns países desenvolvidos e veem em países emergentes uma boa opção. "EUA, Japão e União Europeia estão superendividando seus Estados, o que torna a situação fiscal muito séria", diz.

Assim, as oscilações que se vê no real "refletem mais o enfraquecimento do euro do que o fortalecimento do dólar", explica Roberto Padovani, estrategista do banco WestLB.

O receio predominante de ruptura na Europa é, segundo Padovani, o fator de curto prazo que está movendo os mercados. O pano de fundo é a dúvida com o crescimento global.

O estrategista do WestLB considera que o real acompanhará a volatilidade global e que não dá para dizer que o real entrou em processo de desvalorização. Ao contrário, pondera, os fundamentos da economia indicam valorização.

Mas, se a situação dos EUA também é frágil, por que o dólar se fortalece? O economista da MCM, Cláudio Adilson Gonçalez, explica que os EUA têm espaço para elevar sua carga tributária e contam com um setor privado mais dinâmico, o que ajudarão a enfrentar os desequilíbrios fiscais. Os títulos da dívida americana são considerados os mais seguros, atrairão dinheiro e, com isso, o dólar seguirá fortalecido. "Não me surpreenderia se euro e dólar alcançarem a paridade no final deste ano", afirma.

Sobre o Brasil, ele não vê o real em queda continuada. O país tem o setor bancário sadio é um grande produtor de commodities e tem contas públicas sob controle.

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