Tá fraco. Tá ruim

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Em meio ao escândalo político envolvendo o governador José Roberto Arruda e os fortes abalos que o episódio desencadeou no Democratas, um sinal de alerta também deve ser aceso nas fileiras do principal aliado da legenda, o PSDB. E não se trata somente dos fortes indícios de que o até então presidente tucano no DF, Márcio Machado, coordenou a arrecadação de doações irregulares, o famigerado caixa dois, da campanha de Arruda em 2006.

Mais preocupante, para o PSDB, foram as fraquezas exibidas no programa partidário que foi ao ar em rede nacional na semana passada, expostas como fraturas carentes do devido cuidado médico. A começar pelo esforço em demonstrar uma unidade e coesão que certamente não existem dentro do partido. Os elogios trocados pelos governadores de São Paulo, José Serra, e de Minas Gerais, Aécio Neves, dão a impressão de que reina nas fileiras tucanas uma paz bem maior do que a que de fato existe diante das pressões envolvendo a escolha do candidato do partido à Presidência da República no próximo ano. Serra e Aécio podem até mesmo admirar a gestão um do outro, e se engajarem sinceramente na campanha do correligionário caso sejam preteridos no processo de seleção interna, mas hoje representam, concretamente, interesses e táticas divergentes no campo da oposição.

Um outro ponto delicado, explorado na televisão, parece emergir do que poderia ser classificada como uma miopia política. Há um entendimento dominante dentro do PSDB de que o partido poderia usufruir de melhor prestígio junto ao conjunto do eleitorado se pelo menos este entendesse que parte dos benefícios macroeconômicos que hoje garantem a satisfação de amplas parcelas da população e são considerados conquistas do governo Lula só foram possíveis por causa dos avanços de estabilização da economia levados adiante pelo governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Independentemente dos problemas com essa leitura, o que os tucanos parecem não entender é que a população já sabe disso. Ela entende que o controle da inflação esteve relacionada com a gestão tucana, primeiro do Ministério da Fazenda em seguida da Presidência da República. Em grande medida, FHC foi reeleito, em 1998, por conta disso. Todavia, a “dívida de gratidão”, digamos assim, já foi paga. O Plano Real não foi suficiente para manter um nível razoável de popularidade para o então presidente quase dez anos atrás, até porque a estabilidade foi profundamente atingida pela crise cambial de 1999. Não foi suficiente para eleger Serra em 2002. Passa longe de ser suficiente para eleger qualquer hoje. Sim, Lula manteve, com poucas alterações, a política econômica baseada no tripé superávit primário, metas de inflação e câmbio flutuante. Mas é difícil negar ou ignorar que o que leva a maioria da população a preferir o governo Lula ao de FHC, dado demonstrado em inúmeras pesquisas de opinião, é justamente o que o petista fez além disso. Não obstante, o PSDB sabe que a comparação lhe é desfavorável. Tanto que o seu ex-presidente não é destacado no programa. O partido apenas tenta pegar carona no sucesso do governo atual, desnudando marcas tucanas – a principal delas cravada no Banco Central.

Para ser justo, o partido explorou, na televisão, as ideias e experiências que, entende, são louváveis dos governos Serra e Aécio. Um acerto, tendo em vista que a aprovação elevada dos dois governadores em colégios eleitorais tão significativos é, de fato, uma força da legenda. Mas pode ser pouco para fazer contraponto ao PT em nível nacional. Serve mais para reforçar a imagem pessoal dos postulantes tucanos do que para danificar o governo.

O quesito críticas ao governo talvez seja o que mais precise ser aperfeiçoado pelo tucanato. Na televisão, o partido tentou criar uma oposição entre a potência mundial que o país está se tornando e um suposto abandono dos interesses da população. Bandeiras do Brasil esvoaçantes ao fundo, fez um apelo artificial ao nacionalismo. Nada mais distante do discurso e do programa governamental “globalizante” de FHC. Se a peça publicitária do partido foi uma prévia de 2010, é hora de os tucanos se preocuparem. Na ânsia de mascarar as características que consideram mais rejeitadas pela população, podem acabar se apresentando como uma desonesta versão piorada do seu próprio adversário, o PT.

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Terceira via em 2010 é quase impossível, indica pesquisa

O resultado de um estudo de quatro pesquisadores sobre a eleição presidencial de 2006 indica a virtual impossibilidade de uma terceira via na sucessão em 2010. O País voltará a viver uma disputa polarizada entre tucanos e petistas, segundo um dos quatro pesquisadores, professor César Romero Jacob, da PUC do Rio.

Ao analisar o cenário da divisão eleitoral do Brasil na última corrida pelo Palácio do Planalto, os estudiosos notaram que ele pode se repetir. Em 2006, nas regiões Norte e Nordeste, onde os programas sociais, como o Bolsa-Família, foram mais fortes, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve ampla vitória. Já na região Centro-Sul, onde o dólar barato derrubou o agronegócio, o tucano Geraldo Alckmin teve melhor desempenho. Em 2010, as condições não devem variar, porque há uma nova e franca desvalorização da moeda americana e, paralelamente, mais beneficiários no principal programa social do governo.

"Não acho que essa divisão de votos entre Norte/Nordeste e Centro/Sul tenha relação com a questão da escolaridade", diz Jacob. "Tucanos poderiam achar que o presidente Lula caiu nas regiões mais ricas porque os escândalos do mensalão calaram no eleitorado mais informado. Mas prefiro a máxima de Delfim Netto: o bolso é a parte mais sensível do homem."

O estudo foi publicado na revista acadêmica Alceu, sob o título "A Eleição Presidencial de 2006 no Brasil: Continuidade Política e Mudança na Geografia Eleitoral". Além de Jacob, foi assinado por Dora Rodrigues Hees, da PUC, Philippe Waniez, da Universidade de Bordeaux, França, e Violette Brustlein, do Centro Nacional de Pesquisa Científica, da França.

Para estudar o comportamento dos eleitores, os pesquisadores adotaram a divisão do Brasil em 558 microrregiões, feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Lula e Alckmin ganharam mapas distintos do País, nos quais cores e tons mais escuros mostravam as maiores proporções de votos.

Os modelos mostram a predominância do marrom, vermelho, ocre e laranja nas regiões onde o presidente reeleito obteve maior proporção de votos, e de azul escuro nas parte onde o tucano se saiu melhor. Os dois ganharam votos por todo o País, diferentemente da terceira colocada, Heloísa Helena (PSOL), cuja votação concentrou-se nas grandes capitais, no Estado do Rio e em Alagoas.

"Por isso não acredito na terceira via", afirma Jacob. "Nas grandes capitais, tem mercado político para tudo - mas não necessariamente para ganhar."

Segundo o pesquisador, nenhum candidato consegue ser viável nacionalmente sem recorrer à fórmula usada por Fernando Collor de Mello, em 1989, repetida por Fernando Henrique Cardoso, em 1994 e 1998, e, finalmente, por Lula, em 2002 e 2006. Ela conjuga a adesão de oligarquias que dominam politicamente o interior, o apoio de pastores evangélicos pentecostais e de políticos populistas - nas periferias dos grandes centros urbanos - e um discurso ideológico para a classe média das grandes cidades. O tom é calibrado com a ajuda de pesquisas de opinião qualitativas, que possibilitam ao candidato dizer aquilo que o eleitor quer ouvir.

SEM SINTONIA

Os terceiros colocados na disputa desde a primeira eleição pós-ditadura não tinham nada em comum, em termos territoriais, diz ele. "Leonel Brizola tinha votação concentrada no Rio de Janeiro e no Rio Grande do Sul", cita Jacob.

"Enéas Carneiro teve mais votos nas periferias das regiões metropolitanas, de viúvas de Collor. Em 1998, Ciro Gomes teve votos no Nordeste, em Brasília e nas capitais. Já Anthony Garotinho teve votos dos fiéis de igrejas pentecostais nas periferias, mais Rio e Pernambuco. Heloísa Helena teve voto urbano, nas capitais."

Jacob lembra que a senadora Marina Silva (PV-AC), possível candidata pelo PV, seria uma candidata temática, como Heloísa. Brigaria, portanto, apenas pelo eleitorado das grandes cidades, onde há real disputa ideológica e programática.

O professor acredita que a eleição não terá um caráter plebiscitário, como deseja o PT. Mas será polarizada, como acontece há 15 anos.

O fato novo é que a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, a ungida por Lula para disputar o cargo pelo PT, tem base política no Rio Grande do Sul - Estado onde o presidente perdeu em 2006.

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Desafiando o chefão

Um grupo de peemedebistas liderados pelo deputado Francisco Rossi (SP) decidiu desafiar o domínio do ex-governador Orestes Quércia (SP) no diretório estadual do partido. Rossi preparou anteontem o registro de uma chapa para disputar o comando da sigla na convenção do próximo fim de semana, para tirar Quércia da presidência.

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DEMolição

domingo, 6 de dezembro de 2009

Seguindo a lógica, o tsunami sobre o DEM invade o território do governador José Serra, candidato tucano. Diminui a probabilidade de escolha de um vice democrata na chapa tucana. O ímpeto do tucanato fica amortecido. Sem participar diretamente da chapa, o Democratas poderá sentir-se livre nos Estados para fazer campanha com partidos não coligados. E uma chapa puro-sangue, defendida por uma ala do PSDB, só não seria limitativa se o governador de Minas Gerais, sob intensa pressão, aceitasse ser o vice de Serra. Ante a rejeição da ideia, já tornada pública por Aécio Neves, sobra a perspectiva cada vez mais defendida por um grupo de tucanos: o governador paulista ficaria com o pássaro na mão (a garantia da reeleição em São Paulo), deixando os dois a voar para Aécio (a candidatura presidencial, risco de monta).

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Campanha de Arruda no DF financiou 236 candidatos

Investigado por suspeita de caixa dois e pagamento de mensalão para deputados distritais, o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM), montou em seu escritório político uma espécie de balcão de financiamento de campanhas em 2006. Dali, abasteceu 220 candidaturas à Câmara Legislativa do Distrito Federal, hoje alvo do escândalo, e 16 à Câmara dos Deputados, num total de R$ 642 mil.

Ao informar a saída dos valores da conta de campanha, a prestação de contas de Arruda omitiu à Justiça Eleitoral as datas dos pagamentos e o CNPJ de quem os recebeu.

Flagrado em vídeos da Operação Caixa de Pandora da Polícia Federal recebendo maços de dinheiro do seu ex-secretário Durval Barbosa (Relações Institucionais), Arruda alega que as gravações são do período pré-campanha de 2006.

Promotor eleitoral em São Paulo, Maurício Antônio Ribeiro Lopes afirmou que o elevado número de candidatos ajudados por Arruda surpreende e que, em tese, a ausência de datas pode significar ilegalidade. "Isso é sério, pode caracterizar fraude. Existem prazos para a captação e a transferência de recursos. Sem as datas, não há como fiscalizar." O promotor, porém, não vê ilegalidade na distribuição em si.

Na prática, a conta da campanha ao governo do DF funcionou como um comitê eleitoral. Candidatos ouvidos pela Folha relataram, inclusive, que achavam ter sacado os valores de um "comitê" ou do "diretório regional" do partido. Mas, para a Justiça Eleitoral, esse comitê jamais existiu formalmente.

Os valores foram pagos em duas remessas, de R$ 2.100 e R$ 1.050 para cada aliado. Foram 397 repasses. A maioria das campanhas desses candidatos só teve essa fonte de recursos. Alguns não declararam à Justiça a entrada das doações e outros nem sequer prestaram contas da campanha.

Ao médico Dr. Ranon (PMN), por exemplo, Arruda declarou ter doado R$ 3.150 em duas parcelas. O candidato, porém, informou à Justiça Eleitoral que arrecadou R$ 9.000 e gastou R$ 3.000 na campanha, mas que esses recursos foram doados pela sua própria clínica. "Sou empresário e a campanha foi bancada por mim. Não me lembro de ter recebido nenhum recurso dele [Arruda]."

Segundo relatos, funcionava assim: o candidato recebia um telefonema dos dirigentes do seu partido e buscava os recursos em mãos, ora em cheques, ora em dinheiro vivo, no escritório da campanha de Arruda.

"Fui até o partido, o DEM, e peguei um cheque. Mas não lembro quem assinava", diz Fabiano Alves (PR), 301 votos nas urnas. Segundo dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ele não declarou a entrada desse dinheiro porque não prestou contas de sua campanha.

"O partido [PPS] comunicou que o comitê do Arruda iria disponibilizar R$ 3.100, aí eu fui lá buscar os cheques", disse Wisdnay Souza Sales (PPS), 259 votos. "Ele [Arruda] me passou os recursos através do PPS, deu o cheque através do PPS. Eu peguei o cheque nominal e declarei. As pessoas do PPS é que conversaram com o Arruda, houve um acerto para a aliança", disse Pedro Lacerda Neto (PPS), 214 votos.

Legislação

A Lei Eleitoral permite que um candidato redistribua doações feitas a ele para outras campanhas, mas três características incomuns foram adotadas por Arruda: 1) o volume pulverizado de 236 candidatos a deputado; 2) a omissão das datas em que os repasses foram efetuados; 3) e o fato de alguns não terem declarado a entrada do dinheiro à Justiça.

Arruda informou à Justiça ter arrecadado R$ 8 milhões e desembolsado o mesmo valor na corrida eleitoral. O principal financiador de sua campanha foi oculto. Cerca de R$ 3,57 milhões (44,3% do total) vieram do Diretório Nacional do DEM, cuja sede fica em Brasília. Por uma brecha da lei, os diretórios podem captar recursos de empresas e pessoas e repassá-los a determinado candidato sem revelar a origem do dinheiro.

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Escândalo do panetone encerra o ciclo de um partido, o DEM, que se acostumou a apontar o dedo

sábado, 5 de dezembro de 2009

Fim de ano, mais que uma volta no calendário, é também o encerramento de um ciclo. Dá-se adeus ao ano velho e pede-se que "tudo se realize no ano que vai nascer; muito dinheiro no bolso, saúde pra dar e vender". No mais é festa, uma baita comilança: pernis, perus, champanhe, sidras, frutas de estação e, é claro, panetones. Este último, guloseima de Natal que, neste ano, entra para o rol do escárnio, ou, sabe-se lá, para o anedotário político nacional que, nos últimos tempos, tem sido engrossado por uma penca de escândalos. De quebra, encerra o ciclo em que o Democratas se dava ao direito de falar do "cisco no olho do outro" sem considerar a trave que vai no seu.

É uma curiosa coincidência que o escândalo em que se afunda o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, ocorra justamente sob os auspícios de Papai Noel, neste período do ano. Foi mesmo um presentinho deixado sob a árvore de Natal, ao lado dos sapatinhos da ministra Dilma Rousseff, do presidente Lula e de todo o PT. Um cenário sem presépio, mas de uma enorme presepada, que, é claro, será explorado no ano que vem, no mínimo para anular o discurso moralista do adversário.

São as ironias da política: os tijolos de que o DEM, de repente, se fez useiro e vezeiro de atirar nas vidraças alheias, voltam-lhe, agora, como bumerangue, no meio da testa, deixando sem voz os mais falantes; fazendo gaguejar os mais eloquentes; revelando o desde sempre inocultável mal-estar de peessedebistas com a companhia do antigo PFL, oligarquia tacanha que nunca esteve à altura da aristocracia ilustrada tucana. Verdade que as vidraças já atingidas nunca foram de igrejas, mas o farisaísmo é realmente uma cobra que pica a si mesmo. Agora o DEM passa a saber disso.

As cenas em horário nobre falam por si. Mas choca o fato de que, infelizmente, nem escandalizam tanto assim; o escândalo tem se banalizado. No pastelão da política nacional, tornaram-se vulgares os maços de dinheiros aos montes e o descaramento com que se negocia a propina, como se fosse a coisa mais trivial de feira livre. É água no moinho de quem acredita que "política é coisa pra malandro". De um modo ou de outro, os "Panetones de Arruda", ao contrário da erva, atraem o mau-olhado da cidadania, que a tudo despreza na política. O que é um erro, afasta as pessoas de bem do bem comum, isola os que ainda pelejam.

No mais, não é a primeira vez em que comida e política se misturam, promovendo uma grande lambança: a começar pela frase que se atribui a Maria Antonieta, que, de fato, a mulher de Luís XVI jamais pronunciou: "Se não há pão, dê-lhes brioches", teria dito, sem cerimônia e sem ciência do que acontecia no entorno de Versalhes. A maldade com a rainha deve ter sido coisa de Jean-Paul Marat ou de Camille Desmoulins, os dois maiores jornalistas, línguas de trapo e difamadores da Revolução. O fato é que a frase atribuída a Maria Antonieta denunciava o indesmentível distanciamento entre a realeza e o povo, que surrava padeiros e pedia pão.

Marat e Desmoulins pregaram a pecha no inimigo. Folclore ou anedota, não importa: a frase de nonsense ficou para a posteridade como símbolo de insensibilidade política e social, estupidez ou escárnio. Por essas e outras, Maria perdeu a cabeça numa guilhotina da Revolução Francesa. Aqui, o governador foi seu próprio Marat e afiou a lâmina da própria guilhotina. A história dos panetones foi recebida como símbolo mais acabado da desfaçatez e do distanciamento entre governantes e o povo.

É mais uma vez culinária e política se misturando como um angu de caroço duro de engolir. Em sua posse, o presidente Lula afirmou que se sentiria realizado e feliz se, ao final de seu mandato, todo brasileiro tivesse assegurado o direito de pelo menos três refeições por dia. Logo propôs o Fome Zero, um insucesso inicial de crítica e público que teve até de mudar de nome. Em outro contexto, Fernando Henrique Cardoso teria declarado ter o pé na cozinha, e, em campanha, encarou com coragem uma bela buchada de bode. Itamar Franco e seus pães de queijo fizeram história. O pão com mortadela de Jânio Quadros foi marca de sua histrionice. Sinal da essencialidade do tema - noutra dessas frases atribuídas -, teria Karl Marx sentenciado: "Primeiro a barriga". A fome precede a ideologia, mais vital, mais visceral. Não comemos sonhos - a não ser os de padaria -, como se sabe.

Um jornalista amigo me alertou que na Alemanha existe um pão de Natal, feito com massa doce e frutas cristalizadas, muito parecido com o panetone; seu nome é stollen (em inglês, stolen é "roubado"). Ironia da língua dos filósofos com a política nacional! "A gente não quer só comida", Arruda sabe, a gente quer comidinha diferente, quer uma guloseima pro fim de ano, um cala-boca qualquer! Misto de Maria Antonieta, Lula, FHC, Itamar, Jânio e Marx, o governador do Distrito Federal, põe sobre a mesa seus panetones, inova no cardápio. Sai do governo para passar à história - que história.

Como na frase de Maria Antonieta, não sabemos se o "panetone de Arruda" foi tergiversação, estupidez ou escárnio. Talvez um ensopadinho disso tudo. O certo é que dificilmente o pescoço de José Roberto Arruda deixará de sentir a afiada e fria lâmina da sobrevivência política do DEM. Naquelas cercanias, neste ano, o espírito de Natal será mesmo o do dr. Joseph Ignace Guillotin.Estadão

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15 morrem em alagamentos em S.P. Kassab está em campanha com José Serra


A tempestade de anteontem despejou sobre São Paulo, em uma hora, o equivalente a 25% de toda a chuva esperada para o mês de dezembro. Quando fenômenos climáticos desse porte acontecem, qualquer grande cidade enfrenta problemas.

Mesmo assim, não dá para responsabilizar apenas o calor, o céu e as nuvens pelas mortes que ocorreram por causa da chuva na região metropolitana entre quinta e sexta. Até o fim da tarde de ontem, ao menos 11 pessoas haviam morrido por causa de deslizamentos de terra. Ainda que os governos municipais e estadual não possam prever hora e intensidade das tempestades, engenheiros e Defesa Civil são capazes de apontar, com bastante precisão, quais são as áreas com perigo de deslizamento de terra.

É preciso tirar as pessoas dessas áreas de modo permanente e levá-las para habitações mais seguras. Se há locais que correm o risco de serem varridos por lençóis de lama, cabe ao poder público policiar essas áreas e impedir que famílias se instalem ali.

Este ano foi incomum, atravessado por chuvas intensas de janeiro a dezembro, mas é sabido que o verão é o período das piores tempestades. Por que os prefeitos, com a ajuda do governador, não intensificam o trabalho de limpeza dos córregos, de contenção de encostas e de desobstrução de bueiros nos meses que antecedem as chuvas? Não dá para a região metropolitana de São Paulo ser surpreendida todos os anos por chuvas que caem sempre na mesma época.

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Mercadante: 'Oposição está engasgada com o panetone'

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

O senador Aloizio Mercadante (PT-SP) disse hoje que a oposição não tem discurso econômico, social e moral para debater com o governo na próxima campanha para presidente. "Na área moral eles estão engasgados com o panetone do Arruda em Brasília", disse o senador durante a 4ª Oficina de Gestão Pública, que acontece hoje no Guarujá, na Baixada Santista.

Mercadante comemorou com cautela a pesquisa encomendada à Vox Populi pelos próprios petistas que mostra que a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, possui entre 22% e 30% das intenções de voto nas eleições para presidente. "Eleição é que nem melão, você bate, pesa, olha, mas você só sabe o que tem dentro quando abre. Então, não dá para dizer que a eleição já aconteceu, até porque a humildade é trabalhar com seriedade. Mas eu estou muito confiante na possibilidade de vencer as eleições presidenciais."

Segundo o senador, o aumento do tempo no horário gratuito de TV será um grande aliado de Dilma no pleito do próximo ano. "Nós tivemos 21% do tempo de televisão em 2002, 24% em 2006 e vamos ter 50% de televisão em 2010. Isso ajuda muito para quem é governo porque nós vamos poder mostrar um Brasil que o povo sente e não vê", disse, completando que os brasileiros poderão conhecer a história política da ministra.

"Além disso, acho que a despedida do Lula (presidente Luiz Inácio Lula da Silva) vai comover profundamente o povo brasileiro, vai dar um sentimento de vazio. E esse sentimento, essa emoção, vai ser canalizada com a continuidade do governo com a eleição da Dilma", afirmou o senador, completando que irá a festa do PT em Brasília na próxima terça-feira.

"A festa é para comemorar 30 anos da história do PT. É uma história muito bonita, de um partido que mudou o Brasil, mudou pra melhor", disse Mercadante sem responder se se sente constrangido com o fato de a festa homenagear os ex-presidentes do partido, entre eles os réus no processo do mensalão petista, José Genoino e José Dirceu.Agência Estado.

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Vice e algoz de Yeda mira a Assembleia

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Empresário bem sucedido e ex-dirigente de entidades de classe, o vice-governador do Rio Grande do Sul, Paulo Afonso Feijó (DEM), afirma que está "frustrado" e "chocado" com o governo de Yeda Crusius (PSDB), com quem rompeu ainda durante a campanha eleitoral de 2006, mas nem por isso pensa em abandonar a política no ano que vem, quando terminar seu mandato. Defensor assumido do liberalismo, da redução da carga tributária e de um Estado menor e mais eficiente na gestão dos recursos públicos, ele ainda não sabe exatamente a que cargo irá concorrer, mas o próximo passo da carreira iniciada em 2007 pode passar pela Assembleia Legislativa gaúcha.

"Eu ainda tenho um papel (a cumprir). Entrei no jogo e agora é para jogar", afirma. O vice-governador coloca a decisão nas mãos do partido, mas ressalva que "ainda é cedo, tem muita coisa para acontecer e uma avaliação só será mais clara e definitiva quando se consolidarem as alianças". Segundo ele, por enquanto a hipótese mais consistente é que o DEM se alie ao PDT e ao PTB, mas abra mão da cabeça de chapa para o governo estadual.

Com a fala calma e pausada de quem não se ilude com a notoriedade adquirida como um dos críticos mais ácidos e contundentes do governo Yeda, Feijó não é favorável à "aventura política" de concorrer a governador por um partido ainda pequeno no Estado como o DEM. Ele tampouco perde a tranquilidade quando colocado diante da possibilidade de assumir o governo por alguns meses no ano que vem, caso a governadora renuncie para concorrer a outro cargo e não à reeleição.

Ex-supermercadista e hoje dono de empresas de consultoria, participações e negócios imobiliários, entre outras, o vice-governador filiou-se ao então PFL no fim de 2005 a pedido de líderes do partido que queriam tê-lo à disposição para a eleição de 2006. Depois de presidir as associações gaúcha e brasileira de supermercados (Agas e Abras) e a Federação das Associações Comerciais do Rio Grande do Sul, ele confessa que "não queria ser eleito", mas aceitou concorrer a senador na chapa PSDB-DEM. Tinha certeza de que não levaraia a única vaga numa disputa contra nomes como Pedro Simon (PMDB) e Miguel Rossetto (PT).

Só que, na última hora, os dois partidos acabaram colocando-o na vaga de vice de Yeda e, para não tumultuar, resolveu aceitar. Com o amplo relacionamento no meio empresarial, ajudou a chapa a arrecadar contribuições, mas logo depois do 1º turno o tempo começou a fechar. Quando a então candidata tucana começou a costurar alianças para o 2º turno, ela saiu em busca do apoio do PMDB e do PP e "desprezou o DEM, inclusive pedindo que eu renunciasse à vice", lembra Feijó.

O episódio, conhecido nos meios políticos gaúchos, selou a ruptura entre a governadora e seu vice. Em algumas poucas ocasiões depois da posse os dois chegaram a anunciar acordos de paz, mas a cisão era mesmo irremediável. Ainda antes do início do governo, por exemplo, Yeda havia acertado com o então governador Germano Rigotto (PMDB) o envio de um projeto à Assembleia mantendo o aumento do ICMS sobre energia, telecomunicações e combustíveis. Mas, assim como havia feito dois anos antes, Feijó voltou a liderar manifestações contra a medida, que dessa vez acabou derrotada, e bateu de frente contra a tucana.

"Yeda rasgou o discurso da campanha", afirma Feijó, para quem hoje o governo segue aumentando a carga de impostos de forma "enrustida" graças à ampliação dos setores da economia sujeitos ao regime de substituição tributária (no qual o ICMS é recolhido na indústria sobre um valor presumido de venda da mercadoria no varejo). A ruptura custou a ele o total isolamento no governo, mas também rendeu à governadora um adversário perigoso na própria trincheira.

Em um dos embates posteriores, revelou gravação comprometedora com o ex-chefe da Casa Civil, Cezar Buzatto, sobre o uso de órgãos públicos e estatais para financiamento de aliados. Depois, depôs ao Ministério Público Federal sobre desvios de recursos de campanha e ajudou a abastecer uma ação por improbidade administrativa movida contra a governadora (mais tarde ela teve seu nome retirado da ação por liminar do Tribunal Regional Federal, mas o caso ainda não está encerrado). "Eu não tolero corrupção no meu governo, no meu partido, nem nos meus oponentes", afirma, palpitando pelo afastamento imedidato do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, seu correligionário.

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DEM? Nunca mais!

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

A população brasileira nunca fica livre dos escândalos políticos por muito tempo. Dessa vez o protagonista é o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (foto), acusado de comandar um esquema de arrecadação e distribuição de propinas a aliados: “Acuado, Arruda ameaça DEM e mira em Kassab”

Aos cidadãos já não resta nada porque está provado que não podemos confiar em nossos políticos. Digo isso porque são tantas as roubalheiras, a corrupção, a malversação do dinheiro dos cofres públicos, as mentiras que assolam o País e o corporativismo político que não há como garantir a idoneidade de ninguém.

A esperança que resta aos brasileiros é que, em algum momento, um bom político apareça e dê um basta definitivo em toda essa balbúrdia que corrói o Brasil. Precisamos garantir um bom futuro para as próximas gerações. E, com políticos como Arruda e Leonardo Prudente, o deputado que colocou dinheiro até em suas meias, tenho certeza de que o nosso brilhante futuro está cada vez mais distante: “Deputado da meia vira alvo de nova acusação”

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Placas frias eram feitas no Detran de S.Paulo

Uma suposta rede de fábricas clandestinas em postos do Departamento Estadual de Trânsito (Detran-SP) está sendo investigada desde julho deste ano. A Corregedoria da Polícia Civil constatou os problemas por meio de uma diligência feita no posto do Parque Villa-Lobos, na zona oeste de São Paulo, e na antiga sede do departamento no Parque do Ibirapuera, na zona sul. Os locais foram fotografados por peritos do Instituto de Criminalística para constatar a presença das empresas.

As fábricas teriam sido instaladas nos principais postos de lacração de carros do Detran na capital e no interior. Os corregedores verificaram ainda a existência de sistema semelhante em postos de lacração de carros em Jundiaí e São José dos Campos. No caso da capital, as minifábricas teriam sido montadas pela Centersystem, e no interior, pela Cordeiro Lopes.

A existência da rede provaria mais uma forma de fraude aos contratos assinados entre o Detran e as empresas contratadas para emplacar e lacrar veículos no Estado. O prejuízo do departamento com as fraudes na execução dos contratos assinados em 2006 é estimado em pelo menos R$ 40 milhões.

“É preciso haver uma brutal conivência de funcionários do Detran e da divisão de licenciamento para que essas fábricas clandestinas funcionem”, afirma o empresário Hélio Rabello Passos Júnior, presidente da Associação dos Fabricantes de Placas do Estado. O empresário foi o autor da denúncia que levou à instauração do inquérito que ameaça dezenas de policiais, empresários e laranjas usados para acobertar o esquema milionário.

Por meio deles, os vencedores da licitação feita em 2005 burlariam a obrigação contratual de manter em estoque placas comuns necessárias para 15 dias de serviço. Essas placas foram oferecidas na licitação por R$ 2,50 a R$ 4,50, preços que seriam abaixo do custo das placas, fazendo as empresas Cordeiro Lopes e Centersystem vencerem a licitação pelo critério do menor preço.

Governo lesado

Como não existiriam em estoque, as empresas montavam as minifábricas, burlando a concorrência com os demais fabricantes, a fim de fazer a placa na hora. Mas fazem nos postos as placas especiais, que custam de R$ 60 a R$ 100 para o consumidor que já pagou a taxa de lacração e teria direito à placa comum sem custo extra. “Eles só fazem a placa comum quando o consumidor sabe que tem o direito e exige o produto”, disse o empresário Passos Júnior.

De acordo com a acusação do empresário, apesar de fazer a placa especial para o consumidor, ganhando por vender uma placa de preço em média 20 vezes maior, as empresas também lesariam o governo. É que, mesmo vendendo a placa especial, eles teriam de fabricar e entregar a placa comum. Quando fosse o caso de o consumidor exigir a placa especial, a comum deveria ser cortada e enviada como sucata ao Fundo Especial de Solidariedade do Palácio dos Bandeirantes. E o governo pagaria os R$ 2,50 ou R$ 4,50 pela placa comum que virou sucata.

Mas a Corregedoria suspeita que essas placas comuns, que teriam de ser fabricadas mesmo quando o consumidor exige a especial, nunca foram feitas. O Fundo de Solidariedade não teria recebido nada como sucata.

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