sexta-feira, 11 de setembro de 2009

As novidades da censura na internet


Um dos mais divertidos bordões do nosso saudoso Abelardo Barbosa, o Chacrinha, proclamava: “Eu vim para confundir, não para explicar!” Ao que tudo indica, os parlamentares inspiraram-se no Velho Guerreiro para propor a reforma eleitoral (mais uma!) que deve regular as próximas eleições. Além de um punhado de disposições redundantes e de abusos regulamentaristas, a proposta contribui para judicializar ainda mais a campanha eleitoral. A impressão que se tem à primeira leitura é de que a campanha eleitoral é quase que uma ilegalidade, que os atos eleitorais devem ser procissões e que a propaganda eleitoral deve voltar aos tempos da Lei Falcão.


Os pontos centrais da reforma referemse à regulação do uso da internet, às contas de campanha, ao julgamento das representações judiciais contra candidatos e à definição da “pré-campanha”, incluindo nesta as prévias eleitorais, tudo no intuito de controlar o “abuso de poder econômico e o direito à liberdade de expressão”.

No entanto, é exatamente contra esses dois princípios que a proposta se coloca.

A pretexto de controle do poder econômico, o texto diz que será permitida a propaganda paga nos jornais em “um máximo de dez anúncios de 1/8 de página” (art. 41-A) ou que “fica vedada a utilização de trios elétricos em campanhas eleitorais” (art.

40, par. 10o. Além do vezo regulamentarista e da indevida intromissão nos negócios privados legais (como o das empresas que alugam trios elétricos), isso é mera cortina de fumaça diante das doações ocultas (art.

23, par. 2o e da possibilidade de o partido assumir as dívidas dos candidatos (art. 29, par. 3o. Aliás, para coibir o abuso do poder econômico bastaria regulamentar o art. 17-A da Lei Eleitoral, que estabelece o “limite de gastos da campanha eleitoral para cada cargo em disputa”. Mas, aparentemente, os congressistas não leram esse artigo.

Com relação à liberdade de expressão, o cenário é ainda mais preocupante.

A lista dos “não pode” é extensa: camisetas, chaveiros, bonés, canetas, brindes, showmícios, outdoors, pois, segundo o legislador, isso traria “vantagem” (?) ao eleitor. Como se um chaveiro constituísse grande vantagem! Por que será que é permitido anunciar lingerie mediante outdoors, mas não uma candidatura? Por que as pessoas não podem assistir a um show gratuito pago por um candidato e depois simplesmente votar no candidato que elas querem? Será que o eleitor é tão incapaz e por isso deve ser tutelado (e pelos deputados?). E se o eleitor, que é fã daquele cantor, quiser votar no candidato que pagou o show, quem é o político ou o juiz eleitoral para dizer que ele não pode? Afinal, o voto é dele ou do legislador? Na propaganda eleitoral, não pode o candidato a deputado aparecer no programa do candidato a governador (do seu partido) para dizer que vota nele (!) ou vice-versa (art. 53-A, par.

1o. Na internet, o candidato “não pode” veicular qualquer propaganda paga. Fica proibida a propaganda em sites de quaisquer pessoas jurídicas, “com ou sem fins lucrativos” (art. 57C). Já o provedor “não pode”: “veicular filmes, novelas, minisséries ou qualquer outra matéria com alusão ou crítica a candidato ou partido político” (art. 57-D, IV) nem “divulgar o nome de página eletrônica que se refira a candidato escolhido em convenção” (art. 57-D, V). Há ainda esta pérola: aos provedores de internet fica vedado “transmitir, ainda que sob a forma de entrevista jornalística, imagens, texto ou som sobre a realização de pesquisa (...) em que haja manipulação de dados” (art. 57-D, I).

Então antes podia? Mais uma vez, nossos legisladores perdem a oportunidade de pensar grande e de estabelecer uma legislação eleitoral que nos preserve dos casuísmos, garanta a igualdade entre os candidatos e a liberdade de expressão.

Repito: bastaria, por um lado, regulamentar o limite de gastos da Lei Eleitoral, fiscalizar as contas eleitorais através da Receita Federal e instituir os distritos eleitorais para coibir o poder econômico, e, por outro, permitir a livre expressão na internet e nos veículos de comunicação com regras simples para garantir aos candidatos o acesso em condições de igualdade, punindo na forma da lei os abusos e deixar o povo julgar.

Afinal, como o Velho Guerreiro sabia, o povo não é bobo.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Brasil não reconhecerá eleição em Honduras, diz Lula


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reiterou ontem, durante almoço em homenagem ao presidente de El Salvador, Maurício Fuenes, que o Brasil é contra o golpe militar em Honduras, que completou dois meses no fim de agosto. "O golpe de Estado é um retrocesso inaceitável. Devemos repudiá-lo incondicionalmente e exigir o retorno do presidente Manuel Zelaya às funções constitucionais para as quais o povo hondurenho o elegeu. Os golpistas precisam entender que a vontade popular é soberana em nosso continente", disse o presidente brasileiro.

Lula afirmou que não reconhecerá as eleições "conduzidas pelas forças do atraso e do autoritarismo". O presidente disse que o Brasil tomou todas as medidas de condenação ao golpe: retirou o embaixador de Honduras, interrompeu todos os projetos de cooperação e suspendeu a isenção de vistos de entrada. "A América Latina aprendeu, a duras penas, que só alcançaremos a paz e o progresso por meio do diálogo, tolerância e muito respeito pelas nossas diferenças. Não podemos abrir mão dessas conquistas", destacou Lula.

Lula reforçou ainda a parceria que tem com El Salvador, afirmando que no almoço de ontem estavam presentes diversos ministros, de ambos os países, para estreitar ainda mais as oportunidades de negócio. Anunciou que serão enviados técnicos da Embrapa para El Salvador. Existe a intenção de uma parceria no setor de biocombustíveis. "A função dos países mais ricos é dar as mãos aos países mais pobres. O Brasil ainda não é o país rico que eu espero que ele se torne. Mas vai se tornar, com a descoberta do pré-sal. Aqui está o nosso sheik, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão", brincou.

O presidente de El Salvador, que é casado com uma brasileira fundadora do PT, agradeceu o apoio dado pelo Brasil ao seu país, especialmente nos momentos mais sangrentos da guerra civil que o seu país enfrentou. Lembrou a disposição de Lula, "um amigo especial", de ajudar os países em desenvolvimento da região.

Disse ainda que o modelo de governo brasileiro é um exemplo que deve ser seguido por todos. "O Brasil soube combinar políticas sociais com uma política de manutenção da estabilidade, o que faz com que ele se torne voz obrigatória em todos os fóruns atuais."

Petrobras se prepara para licitar sondas


A Petrobras vai lançar nas próximas semanas licitação internacional para encomendar no Brasil 28 sondas de perfuração, informou o presidente da estatal, José Sergio Gabrielli. A concorrência deve prever uma nova alternativa de contratação, além das tradicionais, que é o afretamento [construção e aluguel] dos navios de perfuração construídos no país. Até hoje as plataformas alugadas pela Petrobras são construídas no exterior.

"Existem vários modelos para fazer as sondas. Pode fazer a licitação com estaleiros ou com os afretadores", disse Gabrielli. E acrescentou: "Tem várias alternativas. Mas todas elas serão feitas no Brasil." O modelo de afretamento já é usado pela estatal no segmento de navios de apoio marítimo que prestam serviço às atividades de exploração e produção.

As 28 sondas fazem parte de um pacote de 40 unidades que a Petrobras anunciou em 2008 para ser entregue até 2017. Elas serão usadas para perfurar os blocos da Petrobras e seus parceiros no pré-sal já licitados, e já estavam previstas antes da mudança do marco regulatório. Do total, 12 sondas foram contratadas com empresas afretadoras, algumas brasileiras, que levaram as encomendas para construção no exterior. Os contratos entre a Petrobras e as empresas garantem o aluguel dessas plataformas à estatal por período de até dez anos. Em média, a Petrobras pagará cerca de US$ 450 mil por dia por unidade, segundo informação da companhia em 2009.

Gabrielli admitiu que a companhia já sabe que algumas das doze sondas contratadas enfrentam problemas na construção. "Mas por enquanto elas estão dentro do contrato", disse. Na próxima semana ele irá à Inglaterra, Escócia e França para falar do pré-sal e atrair novos fornecedores para o Brasil.

Gabrielli defendeu que os fornecedores no Brasil têm que se preparar para atender a indústria mundial. "O fornecedor precisa ter uma escala e uma capacidade que atenda à Petrobras e à demanda mundial que virá no futuro. Essa é a questão. Agora, de fato, o grande fator motivador e direcionador dos investimentos de vários equipamentos é mesmo o Brasil. Estamos falando, no plano (de investimentos) atual, sem considerar as novas áreas, de 40 sondas para operar em águas ultraprofundas, de 146 navios de apoio, de 72 cargueiros, em milhares de quilômetros de risers, de 500 árvores de natal molhadas, 500 cabeças de poço, 42 mil toneladas de tubos, 2,2 mil quilômetros de umbilicais, 8 mil bombas e 700 compressores, entre outros equipamentos."

Suape terá mais um estaleiro


O grupo Alusa, a Galvão Engenharia e a coreana Sungdong investirão US$ 500 milhões para erguer um estaleiro no porto de Suape, a 60 quilômetros do Recife. O consórcio está de olho nas novas rodadas de licitações tanto da Petrobras quanto da Transpetro para a construção de plataformas e navios.

Hoje, as empresas se reúnem com o governador Eduardo Campos (PSB) no começo da tarde, no Palácio Campo das Princesas, para detalhar o projeto. As conversações com o Estado começaram no início do ano. O primeiro documento formal foi assinado entre as partes em abril, em Houston (Estados Unidos) durante uma apresentação do governo sobre o porto de Suape.

Para incentivar a instalação do estaleiro em Pernambuco, o governo estadual ofereceu aos investidores um pacote de benefícios fiscais e de infraestrutura. Rio de Janeiro, Santa Catarina, Bahia e Rio Grande do Sul também participaram da disputa.

O empreendimento ficará na ilha de Tatuoca, ao lado do estaleiro Atlântico Sul, que tem 15 navios para construir em carteira mais o casco da plataforma P-55. Camargo Corrêa, Queiroz Galvão, PJMR e Samsung estão investindo R$ 1,4 bilhão no projeto.

A chegada do novo vizinho não deixa o Atlântico Sul em uma situação muito confortável. Além de ter mais uma empresa participando das concorrências, há o fator mão-de-obra. Como a indústria naval é um segmento novo que se instala em Pernambuco, o Atlântico Sul teve de treinar seus funcionários da área industrial, mais de 2,4 mil pessoas. O receio agora é perdê-los para a concorrência.

Procurados pela reportagem, a Galvão Engenharia e o grupo Alusa não retornaram o pedido de entrevista até o fechamento desta edição. Devido ao fuso horário, o Valor não conseguiu entrar em contato com a coreana Sungdong.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Brasil sobe oito posições em ranking global de competitividade

A competitividade da economia brasileira deu um salto em 2009, em plena crise global e apesar de enfrentar um dos "spreads" bancários mais altos do planeta, excesso de regulamentações, problemas de corrupção e atrasos na implementação de reformas.

É o que mostra o Relatório de Competitividade Global 2009-2010, que coloca o Brasil na 56ª posição entre 133 nações. O país ganhou oito posições em relação ao ano passado (era 64º ), com avanço em todas as áreas e mais do que China e Índia, que subiram uma posição.

Também é apontado como o país que terá sua competitividade "mais favoravelmente afetada" pela crise global, numa pesquisa com um grupo de economistas feita pela entidade suíça Forum Mundial de Economia, que publica o relatório.

Um dos autores do relatório, Xavier Sala-i-Martin, professor de economia da Universidade de Columbia, Estados Unidos, define as economias competitivas como "aquelas que possuem fatores que impulsionam avanços de produtividade, a base para a prosperidade atual e futura. Um ambiente econômico que favorece a competitividade é capaz de ajudar economias nacionais e enfrentar ciclos empresariais de retração e garantir a presença de mecanismos que apoiam um bom desempenho econômico futuro".

"O Brasil é o destaque do ano", interpreta Carlos Arruda, diretor-executivo da Fundação Dom Cabral, parceira do forum. "As respostas do governo à crise, para sustentar a economia, foram adequadas e isso se reflete na percepção internacional".

O Brasil passa o México pela primeira vez no relatório. A melhora na competitividade brasileira é atribuída a seu setor empresarial inovador e sofisticado, ao tamanho de seu mercado e a melhora na área de estabilidade macroeconômica, comparada com o ano anterior.

Mas o relatório aponta vulnerabilidades na qualidade das instituições, nos mercados de bens e de trabalho, padrões educacionais. Uma das maiores desvantagens competitivas é o "spread" bancário (a diferença entre o que o banco paga ao tomar um empréstimo e o que ele cobra ao conceder um empréstimo), na posição 128 entre 133 países. O país é também campeão da categoria de regulação do governo (132).

A confiança do brasileiro nos políticos é uma das mais baixas do mundo (127). A percepção também é de enorme desperdícios por parte do governo (129). "Existe mais confiança no setor privado do que no setor público, o que reflete problemas de imagem, ética e corrupção", diz Arruda.

Uma pesquisa sobre os principais problemas para fazer negócios no Brasil aponta em primeiro lugar o excesso de regulamentação pelo governo, impostos, restrição no mercado de trabalho, ineficiência da burocracia, vindo questões como violência entre as últimas preocupações do empresariado.

Enquanto o Brasil, China e Índia melhoraram, a Rússia foi a grande perdedora do ano, caindo 12 posições. A China continua dominante entre as grandes economias em desenvolvimento, ganhando um lugar e se posicionando entre as 30 economias mais competitivas do mundo.

Globalmente, a Suíça lidera o ranking de país mais competitivo, tomando o lugar dos Estados Unidos, no rastro do enfraquecimento nos mercados financeiros e na estabilidade macroeconômica americana. Cingapura, Suécia e Dinamarca completam as cinco primeiras posições. As economias europeias continuam dominando as primeiras dez colocações, com Finlândia, Alemanha e Holanda.

Sete economias da América Latina e Caribe estão colocadas na primeira metade do ranking: Chile (28º ), Porto Rico (42º), Barbados (44º ), Costa Rica (55º), Brasil (56º ), Panamá (59º ), México (60º ) e Uruguai (65º )

Os rankings são baseados em dados de domínio público e nos resultados da pesquisa de opinião com executivos (mais de 13 mil em 133 países).

Aprovação de Lula cai pouco, mesmo com crise

Pesquisa CNT/Sensus aponta pouca oscilação negativa na avaliação do presidente da República. A avaliação de Lula caiu de 81,5%, no mês de maio, para 76,8%, em setembro.

As avaliações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de seu governo oscilaram pouco em relação aos índices de maio deste ano, segundo pesquisa do instituto Sensus feita para a CNT (Confederação Nacional do Transporte) e divulgada ontem.

Segundo os dados do levantamento, Lula tinha 81,5% de aprovação no último mês de maio. Agora, o índice foi de 76,8%. A oscilação é maior no Sul e Sudeste, entre o público feminino e nas faixas de jovens e idosos.

A avaliação positiva do governo, que era de 69,8% em maio de 2009, chegou a 65,4% na pesquisa. O diretor do Sensus, Ricardo Guedes atribui a piora nos índices a três fatores: gripe suína, embate entre a ex-secretária da Receita Federal Lina Vieira e a ministra Dilma Rousseff e crise no Senado Federal.

Este último item não foi incluído nas perguntas. Foram ouvidas 2.000 pessoas entre 31 de agosto e 4 de setembro. A margem de erro varia de um a três pontos percentuais.

"Acredito que a queda é uma conjunção de três fatores, especialmente a postura política de comunicação do presidente Lula, com o discurso de linguagem de comunicação distante da população. Também há o efeito Lina Vieira [ex-secretária da Receita] e Dilma Rousseff [ministra da Casa Civil], onde temos pauta continuamente negativa, e a percepção da saúde", afirmou Guedes.

O presidente nacional do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), minimizou ontem no Twitter a avaliação do governo federal e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que oscilou negativamente.

"Na série da pesquisa CNT/ Sensus, a aprovação é uma das maiores do atual governo e supera, em muito, a média histórica da pesquisa", disse Berzoini no blog.

Até janeiro deste ano, os índices de popularidade de Lula foram superiores às avaliações de sua popularidade registradas em janeiro de 2003 -- o ano em que foi empossado no cargo -- quando obteve 83,6% de aprovação.

O cenário da pesquisa mudou em março, em consequência da crise econômica internacional. Os patamares positivos de avaliação do governo e do presidente voltaram a subir em maio, mas agora registraram pequena queda, de acordo com o último levantamento.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Lula e Obama demonstraram liderança ao condenar golpe, diz Zelaya

Manuel Zelaya, o líder deposto de Honduras, crê que os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Barack Obama, dos Estados Unidos, vêm demonstrando forte liderança na crise hondurenha.Veja vídeo

Zelaya elogiou em especial as ações mais recentes de Lula e Obama contestando o governo interino de Roberto Michelletti, que se instaurou no poder após o golpe do último dia 28 de junho, quando Zelaya teve a residência presidencial invadida por soldados armados e foi obrigado a embarcar, ainda de pijamas, em um avião com destino à Costa Rica.

''O presidente Lula foi firme em sua posição contra o golpe. Ele fez bastante, cancelou vistos, foi um líder, ao lado do presidente Obama. Se fracassarmos, vai fracassar a democracia. Se triunfarmos, triunfam os povos da América'', disse Zelaya, em entrevista à BBC Brasil e à BBC Mundo, o serviço hispânico da BBC.

Nesta quinta-feira, o Ministério das Relações Exteriores anunciou que o governo brasileiro suspenderá temporariamente, a partir deste sábado, o acordo de isenção de vistos com Honduras, em protesto contra a deposição de Zelaya, o presidente eleito.

Com a suspensão, os portadores de passaportes hondurenhos precisarão de visto para entrar no Brasil.Leia mais

Crise fortaleceu papel do Brasil no mundo, dizem analistas

O Brasil está saindo da atual crise econômica mundial fortalecido em relação aos países desenvolvidos, na avaliação de especialistas ouvidos pela BBC Brasil.

A análise da situação da economia brasileira foi feita a pedido da BBC Brasil, que publica a partir desta segunda-feira até o dia 24 de setembro a série "Depois da Tempestade", um especial de toda a BBC com um balanço de um ano de crise econômica.Leia a reportagem da BBC Brasil

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Prefeito do PSDB desvasta áera ambiental

A Prefeitura Municipal de Praia Grande foi multada em R$ 40 mil pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) por devastar uma área de 8 mil metros quadrados de mangue no bairro Guaramar. A multa foi aplicada hoje por dois fiscais do Ibama. Após várias denúncias, eles compareceram ao local e flagraram crime de alteração de vegetação de área de proteção ambiental sem autorização do órgão competente. De acordo com a chefe do escritório regional do Ibama, Ingrid Maria Furlan Oberg, o local estava sendo aterrado ilegalmente com entulhos e lixo. "Estavam jogando de tudo lá. Tinha até coroa de velório", disse Ingrid. Ela afirmou que o Ibama já havia alertado à prefeitura da irregularidade.

Em nota, o prefeito Roberto Francisco dos Santos (PSDB) informou que entrará com recurso contra a multa e que possuía a documentação e as autorizações necessárias para executar o serviço, porém respeitará as determinações do Ibama e paralisará a obra "momentaneamente".

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Lula diz que pré-sal é dádiva, mas pode se transformar em maldição

No lançamento do marco regulatório para exploração de petróleo no pré-sal, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou a nova região petrolífera de pré-sal de "dádiva". Mas alertou que se o país não tomar as medidas certas, as gigantescas reservas de petróleo poderão ser transformar em "maldição".

Lula não quer que se repita no Brasil, o que ocorreu em países pobres que descobriram grandes reservas de petróleo. Segundo o presidente, essas nações passaram a exportar o óleo cru a qualquer preço, caíram na tentação do dinheiro fácil e acabaram por destruir suas indústrias e a economia. "O bilhete premiado pode transformar-se em fonte de grandes problemas", afirmou, na cerimônia realizada no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília.

Para evitar o problema, o presidente disse que determinou três diretrizes à equipe que elaborou o marco regulatório: maior parte dos lucros com a exploração deve ficar no país, não sermos somente exportador de óleo cru e que o dinheiro seja investido no combate à pobreza e nas áreas de educação, ciência e tecnologia e cultura.

Ao discursar, Lula saiu em defesa da Petrobras e criticou o governo passado por ter classificado a estatal de "último dinossauro a ser desmantelado", chegando até a sugerir a mudança de nome da empresa. "Se não fosse a forte reação da sociedade, teriam até trocado o nome da empresa. Em vez de Petrobras, com a marca do Brasil, a companhia passaria a ser chamada de Petrobrax. Sabe lá o que esse "X" queria dizer", disse. Para o presidente, a descoberta do pré-sal deve-se à determinação e ao talento da petrolífera.

O novo marco regulatório prevê que a União poderá aumentar o capital da Petrobras. A estimativa é de um acréscimo de US$ 50 bilhões. Além da capitalização da estatal, os projetos de lei encaminhado ao Congresso Nacional prevê a criação de uma nova estatal, a Petrosal, e de um fundo social, que vai usar parte do dinheiro da exploração do pré-sal no combate à pobreza e em ações educacionais, culturais e de ciência e tecnologia.

Lula ainda convocou a população a participar do debate sobre o pré-sal no Legislativo. Os projetos foram encaminhados em regime de urgência, o que significa que a Câmara dos Deputados e o Senado, juntos, têm 90 dias para apreciar as propostas antes do trancamento da pauta de votações.

“Pré-sal, patrimônio da União, riqueza do povo e futuro do Brasil”

O marco regulatório da camada do pré-sal anunciado ontem pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e enviado ao Congresso Nacional em quatro projetos de lei, prevê controle da União sobre as reservas e a produção nas camadas ultraprofundas, num patamar só igualado ao que ocorria quando a atividade era 100% estatal. Os braços estatais surgem via fortalecimento da Petrobras, criação da estatal Petro-Sal, e o novo formato para exploração da riqueza.

Para as grandes reservas do pré-sal e outras áreas consideradas estratégicas será adotado o regime de partilha, pelo qual a União é dona do óleo extraído, e o investidor é ressarcido com uma parcela da produção. Neste modelo, o poder público ainda controla o ritmo da produção, a tecnologia empregada e influenciará, via Petrobras, na contratação de pessoal e equipamentos.

Permanecerá o modelo de concessão — pelo qual o óleo é de propriedade do investidor, que paga taxas ao governo — apenas nas áreas do pós-sal e para todas as áreas já licitadas.

Além disso, a Petrobras ganha musculatura inédita, pois será capitalizada em cerca de US$ 50 bilhões, receberá áreas sem licitação, será operadora única de todos os campos, além de deter participação mínima de 30% em cada consórcio.

O governo ainda quer elevar participação no capital da empresa, hoje de 40%. Em outra ponta, foi proposta a criação da Petro-Sal, nova estatal do petróleo que, além de fiscalizar os consórcios, poderá vetar decisões das empresas do setor.

O viés nacionalista-estatizante ficou evidenciado no slogan da cerimônia, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães: “Pré-sal, patrimônio da União, riqueza do povo e futuro do Brasil”. Para o presidente Lula, foi “um novo Dia da Independência para o Brasil”. Em todos os discursos, foi enfatizado que desde a aprovação da Lei do Petróleo, em 1997, os tempos mudaram e o arcabouço anterior, lançado no governo de Fernando Henrique, não faz mais sentido.

— O petróleo e o gás pertencem ao povo e ao Estado, ou seja, a todo o povo brasileiro. E o modelo de exploração a ser adotado, num quadro de baixo risco exploratório e de grandes quantidades de petróleo, tem de assegurar que a maior parte da renda gerada permaneça nas mãos do povo brasileiro — discursou o presidente Lula.

Lula: ‘cheiradirinha’ no pré-sal para acalmar

Não faltaram farpas à administração tucana. O presidente lançou lembrou o viés privatizante do governo anterior, que cogitou mudar o nome da Petrobras para Petrobrax e chamou-a de “dinossauro”.

Lula ressaltou que sempre cuidou bem do “nosso querido dinossauro”.

— Altas personalidades naqueles anos chegaram a dizer que a Petrobras era um dinossauro, mais precisamente o último dinossauro a ser desmantelado no país. E, se não fosse a forte reação da sociedade, teriam até trocado o nome da empresa. Em vez de Petrobras, com a marca do Brasil no nome, a companhia passaria a ser a Petrobrax... Sabe-se lá o que esse xis queria dizer nos planos de alguns exterminadores do futuro.

Lula não escondia o bom humor no evento. Ao entregar ao presidente da Câmara, Michel Temer, um brinde da Petrobras, disse que ele seria eficiente como calmante político. O brinde, em uma maleta, continha miniaturas de barris com a primeira produção do pré-sal: — Isso aqui, o Temer (presidente da Câmara) e o Sarney (presidente do Senado) colocam em cima da mesa, e quando o debate estiver acalorado, dão uma cheiradinha assim. E tudo vai ficar muito tranquilo.

A ministra Dilma Rousseff explicou as razões que levaram o governo a não abrir mão do petróleo. Afirmou que todas as nações com grandes reservas adotam a partilha e ressaltou que o volume de produção é tão grande que agradará às empresas privadas no Brasil.

— Se uma empresa tem acesso a 10% de um campo com 14 bilhões de barris, ela terá um bloco supergigante. Um campo considerado gigante tem 600 milhões de barris.

A ministra lembrou que na Noruega quem decide sobre o petróleo é o rei. Aqui, o papel será do Conselho Nacional de Política Energética: — Não podemos ser fundamentalistas. Todos os países do mundo fazem isso (partilha).

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