sábado, 30 de maio de 2009

Advogada ganha frigobar na prisão, e OAB quer também ar-condicionado


Uma advogada acusada de corrupção e tráfico de drogas ganhou na Justiça de Alagoas o direito de ter um frigobar dentro da cela do presídio Santa Luzia, onde está presa desde setembro de 2008, em Maceió.

A permissão foi dada pelo juiz da Vara de Execuções Penais, Ricardo Jorge. Segundo o magistrado, que assinou a autorização no último dia 23, Mary Any Vieira Alves tem direito ao frigobar por ter formação de nível superior especial. "Ela está presa há mais de seis meses e não há impedimento para a entrada de um frigobar na cela", afirmou.

A OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) de Alagoas afirma que os advogados têm direito a vantagens em relação aos presos de outros cursos superiores. Por isso, solicitou ainda que a direção do presídio fizesse uma adaptação que garanta a instalação de um ar-condicionado no local onde ela está presa, que será doado pela própria entidade.

"O Estatuto da OAB garante a ela uma sala de estado maior, que inclusive não pode ter grades. Nós solicitamos à direção do presídio Santa Luzia que fosse feita um buraco para a instalação um ar-condicionado. Nós vamos doar o aparelho", disse o presidente da OAB-AL, Omar Coelho. Para ele, é necessário também a "colocação de uma mesa para que ela continue exercendo suas atividades".

Na última quarta-feira (26) a advogada teve um pedido de habeas corpus negado pelo Tribunal de Justiça de Alagoas. Ela chegou a ter o registro profissional suspenso por 90 dias, mas o caso ainda está sob análise da OAB.

"Frigobar para todos os presos"

Jarbas Souza, presidente do Sindapen (Sindicato dos Agentes Penitenciários), afirma que a decisão revoltou os demais presos. Por isso, o sindicato pretende iniciar uma campanha inusitada. "Vamos fazer campanha agora para que todos os detentos tenham frigobar na cela. O cidadão tem que ter direitos iguais", disse. Segundo ele, "existe um decreto estadual, de fevereiro de 2000, no qual não constam essas regalias".

O juiz Ricardo Jorge confirmou a existência do decreto, mas alega que a determinação não atinge o caso de Mary Any. "Existe de fato um decreto estadual que não autoriza a entrada de televisão e aparelhos nos presídios. Mas isso não serve para presos especiais", assegurou o magistrado.

Mesmo doando o aparelho, o presidente da Ordem também afirma que gostaria de ver todas as regalias em presídios e em foros acabarem no país. "Pessoalmente, sou contra qualquer tipo de regalia, mas enquanto estiver na lei, vou fazer o quê?"

Há pouco mais de um mês, a OAB-AL denunciou problemas no sistema prisional de Alagoas, inclusive com "regalias fora da lei". Um relatório entregue ao Ministério Público, em abril, aponta que presos seriam colocados em celas de seis metros quadrados para serem torturados e só seriam libertados após o pagamento de propinas a diretores.

Especialista diz que estatuto não prevê regalias

Especialista em direito constitucional, o advogado César Galvão alerta que é preciso bom senso para interpretar o que diz o estatuto da OAB, questionando a necessidade da instalação de ar-condicionado e frigobar na cela onde está Mary Any. "Isso foge ao entendimento do que é 'uma prisão em condições de higiene e segurança adequadas', como consta no estatuto", acredita.

Galvão explica que cabe ao judiciário inspecionar a adoção dos benefícios concedidos a advogados presos, e não à OAB decidir se o estatuto está sendo cumprido. "O STF [Supremo Tribunal Federal] julgou constitucional o direito aos advogados previstos no estatuto da OAB, mas com exceção da expressão 'assim reconhecida pela OAB'. Ou seja, quem tem que vistoriar é o poder judiciário", explicou.

Ainda segundo o advogado, o benefício só vale até o momento da condenação. "Tanto a prisão especial e domiciliar, como a garantida pelo estatuto da Ordem, só são válidas durante o trâmite da ação penal. Ou seja, até a posterior condenação com trânsito em julgado. A exceção é para o agente penitenciário, que permanece com essa prerrogativa durante toda a execução da pena", explicou.

Para o especialista, "a prisão especial não deveria ser definida pelo simples fato de ser portador de diploma, mas sim certas funções que lidam diretamente com o crime, como um promotor e o próprio advogado. Tanto que a discussão chegou ao Senado, que aprovou o fim dessas regalias."

De fato, o Senado decidiu pelo fim das prisões especiais no país. No último dia 1° de abril, um projeto de lei foi aprovado no plenário e agora espera a votação da Câmara e a sanção do presidente Lula para se tornar lei. A proposta retira os benefícios das pessoas formadas em cursos superiores e de ministros, governadores, deputados, prefeitos e vereadores, que passariam a ficar em celas normais.

Ele vai


O ministro das Comunicações, Hélio Costa (PMDB-MG), deve ser o primeiro a deixar o governo Lula para se dedicar em 2010 às eleições estaduais. Seus assessores garantem que ele deixará a pasta em agosto e também deverá pedir licença do Senado. Por enquanto, Costa é o favorito na corrida para o Palácio da Liberdade. Quer continuar assim.

Ele está certo


sexta-feira, 29 de maio de 2009

Até tucanos na emenda do 3º mandato


Com assinaturas de dez deputados do DEM e cinco do PSDB, a proposta de emenda constitucional que permite o 3º mandato do presidente Lula foi protocolada na Câmara. O PSDB quer obrigar 08 rebeldes a voltarem atrás.

A polêmica proposta de emenda constitucional que cria a possibilidade de o presidente Lula, governadores e prefeitos disputarem um terceiro mandato consecutivo foi protocolada ontem na Câmara. O requerimento tinha 15 assinaturas de deputados da oposição, sendo dez do DEM e cinco do PSDB. Surpreendida com a informação, a direção do PSDB obrigou os cinco tucanos a retirarem seus nomes antes de a emenda ser protocolada. Dois deputados do DEM já retiraram.

Assinaram a emenda de Jackson Barreto (PMDB-SE) os tucanos Antônio Feijão (AP), Carlos Alberto Leréia (GO), Eduardo Barbosa (MG), Rogério Marinho (RN) e Silvio Torres (SP). Mais cedo, o presidente do PSDB, Sérgio Guerra (PE), ameaçara expulsar do partido os que haviam assinado. O líder tucano na Câmara, José Anibal (SP), pediu ao presidente Michel Temer (PMDB-SP) tempo (até as 22h de ontem) para que os tucanos retirassem as assinaturas.


O presidente do DEM, Rodrigo Maia (RJ), minimizou o fato:

- Este deputado (Jackson Barreto) está querendo aparecer. Para que vou perder meu tempo? É matéria vencida.

Uma emenda precisa ter pelo menos 171 assinaturas para ser protocolada, e na conferência da proposta de Barreto foram confirmadas 183. Sem os nomes do PSDB, o número cai para 178. Sem as três do DEM, para 175. Na base, o maior apoio foi do PMDB, com 46 assinaturas, seguido do PT, com 31. A emenda prevê a realização referendo popular, em setembro deste ano, para ser validada.

O líder do PT, Cândido Vaccarezza (SP), afirmou que não pedirá que nenhum dos petistas retire seus nomes. Mas insistiu que o PT é contra.

- O PT irá votar 100% contra o mérito, seja nas comissões ou em plenário. E se ela, por acaso, for aprovada, o presidente Lula não será candidato a um terceiro mandato. A candidata do PT é Dilma (Rousseff) - disse Vaccarezza.

O líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN), critica a ideia e afirma que não é uma motivação do PMDB:

- A gente não pode ser mais realista que o rei. Se o presidente Lula não quer isso, não é pauta do PMDB.

O ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, também rechaçou:

- Terceiro mandato? Pelo amor de Deus! Está no Congresso (a proposta), mas o governo não pensa nisso, nem o presidente. Estamos na plenitude da democracia; a gente às vezes se embriaga com esses vizinhos aqui. Fiquem tranquilos que tudo vai continuar como está.

O líder do governo na Câmara, Henrique Fontana (PT-RS), aproveitou para alfinetar os tucanos:

- Somos contra. Não vamos cometer o mesmo erro que o PSDB e FH cometeram no passado de alterar, às vésperas da eleição, a Constituição.

Michel Temer manifestou-se contra a emenda de Barreto e disse que ela terá tramitação normal na Casa:

- Não há preferência nem impedimento de tramitação. Mas estou com o presidente Lula, que não cogita terceiro mandato.

PCdoB quer cassar Jair Bolsonaro


O PCdoB protocolou ontem, na Mesa Diretora da Câmara, processo por quebra de decoro parlamentar contra o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ), que pendurou, em frente ao seu gabinete, um cartaz ofensivo aos militantes da Guerrilha do Araguaia (1972-1975). O cartaz traz os dizeres “desaparecidos do Araguaia. Quem procura (osso) é (cachorro)”, com as imagens de um osso e um cachorro (foto). O cartaz se refere à busca de parentes de militantes mortos na guerrilha do Araguaia pelas ossadas dos desaparecidos na região. O Ministério da Defesa criou um grupo de trabalho para procurar, recolher e identificar corpos de militares e guerrilheiros mortos durante a guerrilha. “Trata-se de inegável ofensa moral aos familiares dos cidadãos e das cidadãs brasileiros que desapareceram na ditadura militar, em razão de terem participado da guerrilha do Araguaia, organizada na ocasião pelo PCdoB”, disse no pedido o líder do PCdoB na Câmara, deputado Daniel Almeida (BA).

Depois do cochilo, a ofensiva


Após anunciar que controlará os cargos de comando da CPI da Petrobras, o governo traçou uma estratégia para retomar a relatoria da CPI das ONGs, considerada fundamental para blindar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, da ofensiva deflagrada pela oposição. Ontem, o ministro de Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, disse a líderes aliados, durante um almoço, que o governo tem de impedir que tucanos e democratas usem as comissões para colher dividendos nas eleições presidenciais de 2010. A palavra de ordem é fazer valer a maioria e sufocar os oposicionistas, inclusive na CPI do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), cujo requerimento de instalação já foi encaminhado à Secretaria-Geral do Senado.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Real em alta


Com o dólar abaixo de dois reais, é previsível que continue a grita para que o Banco Central intervenha de forma mais acentuada no mercado de câmbio. O problema é que o BC não pode simultaneamente determinar a taxa de inflação e a taxa de câmbio. Ou ele cuida de um, ou cuida de outro.

É compreensível que exportadores se voltem para o Banco Central na expectativa de que esse possa, através de pesadas intervenções no mercado, comprando dólares, sustentar a paridade em um nível que mantenha competitivas as exportações brasileiras.

Contudo, a teoria econômica já mostrou, há muito tempo, que quando a política econômica tem dois objetivos – neste caso, manter a inflação dentro da meta e a taxa de câmbio acima de dois reais por dólar – são necessários dois instrumentos.

O instrumento de controle da inflação é a taxa de juros. O problema é que a manutenção da taxa de juros interna, em patamar muito acima das taxas de juros de países com grau de risco similar ao nosso, voltou a atrair volumes expressivos de recursos externos para aplicação no país.

A conversão desses recursos em reais está pressionando para baixo a taxa de câmbio. E assim permanecerá, a menos que os determinantes da taxa de juros interna se alterem.

A taxa de juros brasileira é alta porque a dívida pública continua a crescer. Interromper essa trajetória de alta requer o uso de outro instrumento, a política fiscal.

O governo já deveria ter cortado gastos correntes, de forma a zerar o déficit nominal. Não o fez, as taxas de juros permanecem altas, o que atrai capital externo e valoriza o real. E assim ficará, porque não há qualquer indicação de austeridade fiscal no horizonte.

O PAC da moto


O Conselho Deliberativo do FAT decidiu ontem liberar R$ 100 milhões para financiamento de motos para os motoboys

Hora do show


A Procuradoria Regional Federal no Rio decidiu conceder à UFRJ a reintegração de posse do prédio da casa de shows Canecão (foto), em Botafogo. O valor da indenização deve superar R$ 4 milhões.

O litígio vem de 1997, quando a empresa deveria ter desocupado o local. A desocupação deve ser feita em 60 dias. A empresa que ocupa o espaço pode recorrer

Sumiu... o ônibus

O Tribunal de Contas da União condenou João Ribeiro, ex-prefeito de Massaranduba (PB), e o sucessor, Roberto Sabino de Souza, a pagar R$ 110.316,15. O dinheiro era destinado à compra de um micro-ônibus escolar.

Alguém está fazendo lotação. O TCU constatou que o veículo foi comprado... mas não foi incorporado ao patrimônio da prefeitura.

O velho PMDB


Já foi noticiado que o PMDB quer ser vice na eleição presidencial – do candidato do PSDB ou da candidata do PT. Já é debatido também, e o presidente licenciado da legenda, Michel Temer, confirmou ao JB: é possível o partido lançar candidato à Presidência. E agora outro grupo dentro do PMDB começa fazer valer a ideia da precaução – e bem aceita até o momento. Ou seja, não se lança ninguém em candidatura, não se mete em aventura de ser vice de um ou de outro lado, evitando uma possível derrota completa. E continua o PMDB de sempre: parece rachado, mas não. O projeto desse grupo é investir pesado nas eleições de governadores, deputados e senadores. E, lá na frente, dependendo de quem ganhar, aliar-se ao poder e ganhar muitos ministérios. Essa ideia é nova? Não. É o velho PMDB em ação.

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