domingo, 29 de agosto de 2010

A Dilma do Maranhão

Roseana Sarney vira clone da candidata à Presidência em uma campanha onde ninguém ousa falar mal de Lula

Passava das duas horas da tarde de quarta-feira, quando a governadora do Maranhão e candidata à reeleição, Roseana Sarney (PMDB), desceu de um helicóptero imaculadamente branco na pequena e empoeirada Nina Rodrigues, cidade com pouco mais de 10 mil habitantes a 175 quilômetros de São Luís. Era mais um dia da opulenta campanha da peemedebista - que elegeu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, como seus principais cabos eleitorais.

Numa espécie de clonagem, toda a campanha e os programas eleitorais de televisão de Roseana são muito parecidos com os de Dilma. Assim como a petista, a governadora é apresentada como "guerreira". A cor predominante também é o vermelho. "É coincidência", diz Roseana, que contratou o marqueteiro Duda Mendonça como consultor de campanha. A de Dilma é tocada pelo publicitário João Santana.

Mais do que Dilma, a presença de Lula é ostensiva na campanha. "Sou Dilma, sou Roseana", diz Lula, logo na abertura do programa, fazendo as vezes de apresentador. "Vote Dilma presidente, Roseana governadora", emenda o presidente. "Roseana e Dilma muito me ajudaram. Peço ao povo do Maranhão para eleger Dilma presidente e Roseana governadora." Lula também pede voto para a reeleição do senador e ex-ministro Edison Lobão (PMDB), de quem diz ser muito amigo, e para João Alberto (PMDB), outro aliado da família Sarney que disputa o Senado.

Estado com os piores índices sociais do País e sob o comando da oligarquia dos Sarney há quatro décadas, o Maranhão simplesmente ignora as denúncias contra o clã. À exceção de um candidato do PSOL ao Senado, Paulo Rios, ninguém fala dos escândalos envolvendo o patriarca, senador José Sarney (PMDB-AP), e a própria Roseana - há duas semanas, por exemplo, o Estado revelou que documentos nos arquivos do Banco Santos indicam que a governadora e seu marido, Jorge Murad, simularam em 2004 um empréstimo de R$ 4,5 milhões para resgatar US$ 1,5 milhão que possuíam no exterior. "Eles (os Sarney) são iguais a índio: inimputáveis", diz José Reinaldo (PSB), ex-governador e ex-aliado dos Sarney.

Contrastes. Mal o helicóptero que carregava Roseana aterrissa em Nina Rodrigues e duas centenas de crianças correm numa espécie de coreografia ensaiada para abraçar e beijar a governadora. A candidata veste calça jeans skinny, blusa estampada de grife, tênis vermelho e boné da mesma cor, com o símbolo do PMDB. De adereço, só um brinco em forma de estrela, com pequenos pontos dourados.

Momentos antes de sua chegada, um caminhão-pipa molha as ruas de terra numa tentativa infrutífera de aplacar o calor e baixar a poeira. Uma estrutura de campanha exuberante antecede a vinda da governadora: dezenas de utilitários de luxo - todos com enormes adesivos de Roseana ao lado de Lula e Dilma - carros de som, trio elétrico, fogos em profusão e seguranças.

Material com propaganda de candidatos dos 16 partidos que compõem a coligação de Roseana é fartamente distribuído pelas ruas da cidade. O aparato grandioso se repetiu em todos os três municípios visitados, na quarta-feira, por Roseana, numa jornada que se estendeu das duas da tarde até as 22h30. Realidade bem diferente vivem seus adversários. Sem dinheiro, Jackson Lago, do PDT, e Flávio Dino, do PC do B, fazem uma campanha bem mais modesta.

Traição. Além dos recursos escassos, Lago convive hoje com a traição de prefeitos de seu partido que se bandearam para o lado de Roseana. Para receber a governadora em Nina Rodrigues, a prefeita Iara Quaresma, do PDT, decretou feriado na cidade: nem escolas nem serviço público funcionaram na quarta-feira. A adesão da pedetista à governadora do PMDB teve um preço: a promessa de construção da ponte que ligará o município a São Benedito do Rio Preto. "Votei no Jackson na eleição passada, mas quem trouxe obras para o município foi a Roseana. Meu sonho é essa ponte, e ela prometeu que vai fazer", diz Iara, ao justificar o voto na peemedebista.

Seis horas mais tarde, em Itapecuru Mirim, cidade com cerca de 90 mil habitantes, o vereador Biné dos Picos, do PDT, também dava desculpa semelhante para votar em Roseana.

"Represento um povoado de 17 mil habitantes, que ganhou uma praça, uma escola de segundo grau e água encanada para 600 famílias desde que a Roseana voltou para o governo. Hoje, ela prometeu reformar a rodoviária do povoado", conta Biné, que levou 150 pessoas em quatro ônibus para ajudar a encher a Praça Gomes de Souza, bem em frente à Prefeitura de Itapecuru.

Em suas andanças na quarta-feira, Roseana ouviu apenas uma crítica. Foi em Vargem Grande, município de 50 mil habitantes, onde candidatos a deputado aproveitaram o comício para reclamar do sistema de abastecimento de água da cidade. "Ainda existe uma dificuldade imensa de água na torneira", critica Fábio Braga, do PMDB. "Fiquei fora sete anos e ninguém se incomodou com o problema de água aqui", contrapõe Roseana.

"Desgoverno". Todas as mazelas do Maranhão são debitadas aos últimos sete anos em que a família Sarney esteve fora do poder. Nem parece que o Estado foi praticamente governado nas últimas décadas pelo clã, aí incluída a própria Roseana, que comandou o Maranhão entre 1994 e 2002. Ao deixar o governo, ela elegeu seu sucessor, o então vice-governador José Reinaldo, hoje adversário ferrenho dos Sarney. A hegemonia só foi quebrada com Jackson Lago, que ficou de janeiro de 2007 a abril de 2009 no governo do Estado.

É só subir no palanque e governadora começa a atacar os "sete anos de desgoverno" e a repetir suas realizações nos últimos 16 meses em que está no comando do Estado. Até a descoberta de gás em Capinzal do Norte pela OGX, do empresário Eike Batista, vai parar na conta das benfeitorias de um ano e quatro meses de Roseana à frente do governo maranhense.

A pouco mais de um mês das eleições, ela conta hoje o apoio da maioria esmagadora dos 217 prefeitos de Maranhão. E desta vez, segundo seus próprios adversários, não são apenas cidadezinhas do interior. Dos dez maiores municípios do Estado, cinco trabalham por sua reeleição.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Todo mundo odeia o Serra

Embora a democrata Rosalba Ciarlini mantenha o favoritismo nas pesquisas eleitorais para vencer a disputa pelo governo do Rio Grande do Norte, o candidato tucano José Serra perde feio para Dilma Rousseff (PT). O maior adversário do tucano no estado é o Bolsa Família, que contempla 360 mil famílias potiguares.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Túneis do PSDB são reprovados

O Corpo de Bombeiros entregou ao Ministério Público o resultado da vistoria feita em dez túneis e passagens subterrâneas de São Paulo para verificar a existência de extintores e hidrantes. Todos apresentaram algum problema. Os túneis Ayrton Senna, Max Feffer e Fernando Vieira de Mello possuem hidrantes, mas não têm acessórios como mangueiras e esguichos. Nos dois últimos, também faltam extintores portáteis e sinalização

Todos sabem que Dilma vai ganhar

Tão logo Dilma Rousseff afirmou que, se eleita, incluirá na segunda edição do "Minha Casa Minha Vida" uma linha de financiamento para a compra de eletrodomésticos e móveis, o comando de sua campanha passou a ser assediado por empresas do setor, interessadas em conhecer detalhes do programa.

Ontem Dilma anunciou a distribuição 100% gratuita de medicamentos para o tratamento de hipertensão e diabetes -hoje, o governo federal subsidia até 90% do valor desses remédios. Com a arrancada de Dilma nas pesquisas, acirra-se a disputa do setor privado por um espaço na agenda da candidata. O lobby do ensino particular tem sido especialmente intenso.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

José Serra vai levar fumo no Rio Grande do Sul

O PT pretende usar as campanhas antitabagistas do candidato do PSDB à Presidência, José Serra, para tentar melhorar o desempenho da candidata do partido, Dilma Rousseff, no Sul. O alvo da tática é o setor de fumo, que garante a renda de 185 mil famílias de pequenos agricultores e o emprego de 30 mil trabalhadores na indústria de beneficiamento. "Muita gente sabe que o Serra é antitabagista e isso terá que ser exposto na campanha", diz o vice-prefeito de Santa Cruz do Sul, Luís Augusto Campis, do PT.

A trajetória antitabagista do candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, será uma das armas do PT para bater no tucano e tentar melhorar o desempenho da candidata do partido, Dilma Rousseff, nas pesquisas de intenção de voto no Sul do país. O alvo da estratégia é o setor fumageiro, que garante a renda de 185 mil famílias de pequenos agricultores e o emprego de 30 mil trabalhadores na indústria de beneficiamento do tabaco no Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina.

Segundo as últimas pesquisas que abriram números por região, Dilma segue atrás de Serra no Sul. No levantamento do Ibope divulgado dia 4, a candidata perde por 45% a 37% nos três Estados, ante o empate em 39% para cada um em âmbito nacional. Já no Datafolha do dia 26 (que apontou 37% para o tucano e 36% para a petista no país), ela tem 34% no Rio Grande do Sul e 30% no Paraná, enquanto Serra aparece com 46% e 45%, respectivamente.

É com esses resultados na mão que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarca hoje à tarde em Santa Cruz do Sul, numa janela aberta entre compromissos pela manhã e à noite em Porto Alegre. O município é principal polo de processamento de tabaco no Rio Grande do Sul. Antes dele, o candidato do PT ao governo gaúcho, Tarso Genro, e até o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, estiveram na cidade e ouviram as preocupações do setor sobre as crescentes restrições à produção do fumo. Em março, a então secretária-executiva e hoje ministra da Casa Civil, Erenice Guerra, também recebeu uma comitiva da região fumageira em Brasília.

"Muita gente sabe que o Serra é antitabagista e isso terá que ser exposto na campanha", afirma o vice-prefeito da cidade, Luíz Augusto Campis, do PT. Segundo ele, o governo está "atento" à situação do setor, que gera R$ 8,4 bilhões em impostos federais, estaduais e municipais por ano, e está "formando opinião também a partir das informações que partem daqui". Ele diz ainda que a cultura do tabaco faz parte da história da região desde 1852 e qualquer programa de diversificação de culturas só pode ser implementado no "longo prazo".

O receio mais imediato da cadeia fumageira é com a reunião de novembro da Conferência das Partes da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco da Organização Mundial da Saúde (OMS), no Uruguai. No encontro, os países signatários da convenção (o Brasil inclusive) vão analisar recomendações que tornam inviável a produção do fumo tipo "burley", cultivado por quase 50 mil famílias nos três Estados, porque proíbem a adição de ingredientes - especialmente açúcar - no processamento do produto, explica o presidente do Sindicato das Indústrias de Tabaco (Sinditabaco), Iro Schünke.

A posição do Brasil seria anunciada no fim de junho, mas a pressão do setor adiou a decisão. Agora, a questão será levada diretamente a Lula, que visitará uma usina de biocombustíveis financiada pela Petrobras e pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário, mas também receberá representantes da indústria fumageira e dos agricultores. Eles vão pedir que o governo cumpra a promessa feita em 2005, quando o país ratificou a convenção-quadro, de não aprovar medidas prejudiciais aos produtores, explica o presidente da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), Benício Werner.

Mas Serra não deverá assistir impassível à ofensiva petista, afirma o deputado federal Luís Carlos Heinze, do PP, sigla que no Rio Grande do Sul apoia o tucano. Responsável pela imposição de restrições à propaganda do cigarro quando era ministro da Saúde do governo Fernando Henrique Cardoso e pela proibição ao fumo em áreas públicas em São Paulo quando foi governador do Estado, o tucano está apenas "acertando a agenda" para visitar a região e dizer "publicamente" que não é contra a produção do fumo, diz o parlamentar.

Do lado dos petistas, a intenção é garantir para Dilma um desempenho igual ou superior ao do próprio Lula em 2002, quando ele bateu Serra com facilidade nos principais municípios da região. Em Santa Cruz, Venâncio Aires e Vera Cruz, por exemplo, o petista alcançou de 71% a 74% dos votos válidos no segundo turno. No primeiro turno, o tucano chegou a ficar atrás de Anthony Garotinho (PSB) e de Ciro Gomes (PPS) em Vera Cruz e de Ciro em Santa Cruz do Sul.

"Não vamos adotar nenhuma medida de constrangimento contra a produção de fumo", reforça o coordenador do programa de governo de Tarso Genro, Marcelo Danéris. De acordo com ele, um eventual governo petista no Rio Grande do Sul irá apoiar a diversificação de culturas com suporte técnico e creditício via sistema financeiro estadual, mas sempre de acordo com os interesses e o ritmo dos próprios produtores. "Não existe uma alternativa rápida para a produção do fumo", reconhece o petista.

Segundo Werner, da Afubra, os agricultores precisariam cultivar 20 hectares de milho para obter a mesma renda gerada por 2,5 hectares de fumo, que nesta safra foi vendido pelo preço médio de R$ 6,34 o quilo. Só que o tamanho médio das propriedades é de 16 hectares. No caso do feijão, a relação é de sete para um e a substituição por hortigranjeiros também é inviável porque o cultivo desses produtos nos 370 mil hectares dedicados hoje ao tabaco no Sul do país iria inundar o mercado e derrubar os preços.

Além disso, conforme o Sinditabaco, em média 85% da produção anual do fumo (estimada na safra 2009/2010 em quase 700 mil toneladas pela Afubra) é vendida para o exterior, o que faz do Brasil o maior exportador mundial do produto. No ano passado, os embarques do tabaco beneficiado renderam US$ 3 bilhões, o equivalente a 2% de todas as exportações do país, enquanto a comercialização da colheita passada, de 739 mil toneladas, gerou ainda uma renda bruta de R$ 4,4 bilhões aos produtores, lembra Schünke.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Cheiro de pena queimada

Depois da reviravolta provocada pelo anúncio do senador Osmar Dias (PDT) de disputar o governo do Paraná e dar palanque para a petista Dilma Rousseff, o presidente do PSDB, Sergio Guerra, criticou nesta quarta-feira (30) a postura do político pedetista, que flertou com tucanos e integrantes do PT, provocou a indicação de seu irmão, o senador Alvaro Dias, para vice de José Serra e depois decidiu disputar, alinhado ao presidente Lula, o Palácio das Araucárias.

"O Osmar nos disse várias vezes, não uma, duas, dez, vinte, quarenta vezes que queria ser candidato a senador (em aliança com o PSDB). Espero que ele seja da próxima vez mais afirmativo", reclamou o dirigente tucano, que se reuniu em Brasília com Alvaro Dias e representantes do partido.

Para Guerra, houve sim um erro tático do PSDB de não negociar com o DEM a indicação de Alvaro Dias e de permitir que o presidente do PTB, Roberto Jefferson, vazasse via Twitter a indicação do senador paranaense para compor a chapa de Serra.

"Há alguns dias tínhamos o maior candidato de todos, que era o Aécio. Ele não era candidato a vice, era candidato a presidente. (A candidatura de Osmar) interfere porque tínhamos determinada estratégia no Paraná. Certamente houve um erro de condução, mas o DEM é um bom partido e estamos com ele", declarou o presidente do PSDB.

A cúpula do Democratas suspendeu na manhã desta quarta até as 13h30 a convenção da legenda convocada para decidir os rumos do partido no pleito de outubro. Principal item da pauta da convenção, a definição sobre um eventual vice para o tucano José Serra ganhou novo fôlego após a indicação de que o senador Osmar Dias irá se candidatar ao governo do Paraná. Seu irmão, o também senador Alvaro Dias, havia sido alçado à condição de vice de Serra na tentativa de atrair o pedetista.

Nesta madrugada, PSDB deu indicativos de que Alvaro Dias pode ser revisto como vice do ex-governador de São Paulo.

terça-feira, 29 de junho de 2010

23 Estados aderem a plano de alfabetização

A uma semana do fim do prazo para adesão de Estados e municípios ao Programa Brasil Alfabetizado, do governo federal, o Ministério da Educação faz a previsão de matricular, neste ano, 2,2 milhões de jovens e adultos em classes de alfabetização. O prazo para adesão de Estados e municípios termina domingo e a meta do ministério é fechar parceria com 1.450 secretarias de Educação.

Até agora, foram registradas 1.392 adesões - 23 Estados, o Distrito Federal e 1.368 municípios. Ainda não aderiram ao programa São Paulo, Espírito Santo e Rio Grande do Sul. O ministério repassa recursos aos Estados e municípios participantes para capacitações de professores, compra de material pedagógico, além de ser responsável pelo pagamento da bolsa dos alfabetizadores.

Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 2008, feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o país tem 14 milhões de analfabetos entre a população com 15 anos de idade ou mais, o que representa 10% dos brasileiros nessa faixa etária.

Governo paulista tenta ressuscitar Emae

Depois de anos de tentativas frustradas de fazer a Sabesp incorporar os ativos da Emae, o governo de São Paulo tenta agora ressuscitar a empresa de geração por meio de parcerias com sócios público ou privados em novos investimentos. Na semana passada, foi sancionada a lei estadual número 14.150 que permite que a Emae se associe ou crie subsidiárias em sociedade para explorar fontes alternativas ou renováveis de energia. Com isso, a empresa tenta se reerguer depois de anos de prejuízos e receita decrescente.

"A lei marca um novo começo para a Emae", diz o presidente da empresa, Antonio Bolognesi. Algumas parcerias já estão sendo estudadas para dois projetos que juntos vão requerer R$ 1 bilhão de investimentos. O primeiro é a despoluição do rio Pinheiros, que vai permitir que a usina hidrelétrica Henry Borden, que pertence à Emae, possa gerar na média por ano 300 MW a mais do que consegue atualmente. O segundo projeto é para a geração de energia a partir do lixo produzido pelos grandes centros paulistas e que será a alternativa para aterros sanitários, hoje com capacidade esgotada.

A secretária de Energia do Estado de São Paulo, Dilma Pena, diz que deve entregar nas próximas semanas um estudo ao governo federal para que a produção de energia a partir do lixo seja desonerada de PIS, Cofins e IPI. Isso porque esse tipo de energia é ainda muito cara e não encontra compradores. A secretária Dilma foi quem trabalhou para aprovar a lei que permite as parcerias a serem feitas pela Emae. Ela diz que isso não impede que a Sabesp ainda compre a empresa, mas segundo apurou o Valor é pouco provável que as negociações avancem.

Mesmo sem parceria ainda firmada, a Emae quer colocar seu primeiro investimento na rua ainda em 2010, depois de anos de paralisia. A empresa está fechando financiamento com o BNDES para investir R$ 100 milhões na pequena central hidrelétrica de Pirapora com capacidade de 25 MW. A PCH está inscrita no leilão de energias alternativas do governo federal que acontece ainda este ano. "Mas se o preço não estiver bom podemos vender essa energia no mercado livre", diz Bolognesi. Além de Pirapora, a Emae também vai investir R$ 20 milhões na motorização da usina de Edgar de Souza.

O último investimento feito pela empresa foi em 2005, e mesmo assim não muito significativo, segundo conta Bolognesi. Antes disso, investimentos de vulto só foram feitos na década de 60. A Emae surgiu em 1998, a partir da cisão da Eletropaulo nos processos de privatização. A empresa possui quatro usinas hidrelétricas com capacidade de gerar mais de 1.000 MW e uma termelétrica, de Piratininga, com capacidade de gerar cerca de 430 MW e que foi arrendada em 2008 para a Petrobras.

A térmica foi uma das soluções encontradas para resolver parte dos problemas financeiros da Emae. O grande desafio agora é recuperar a capacidade de geração de caixa por meio da usina Henry Borden. A usina consegue gerar apenas 120 MW médios de energia, apesar de ter capacidade de cerca de 800 MW. Isso acontece, segundo explica o presidente da empresa, porque o reservatório Billings está impedido de bombear água suficiente para a usina em função de uma proibição prevista na Constituição estadual. Ela impôs a condição de que a empresa despolua o rio para ter acesso a água que fica no reservatórios. A empresa avalia fazer a flotação do rio, o que vai requerer R$ 600 milhões, mas ainda está em fase de elaboração do estudo de impacto ambiental. A meta é de concluir toda a obra em 2013.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Vendas de netbooks devem crescer 130%

Em 2009, foram vendidas no país 515 mil unidades de netbooks, aumento superior a 300% frente ao ano anterior, período de lançamento dos portáteis. A previsão da consultoria IDC é que as entregas no país cresçam 130%, este ano. A busca por mobilidade com aparelhos mais leves e facilidades de crédito para adquirir as máquinas entre as classes B e C devem puxar as vendas. E fabricantes e operadoras costuram parcerias para vender equipamentos com planos de acesso à internet. Marcas como Positivo Informática e Lenovo lançaram novidades este mês, com preços a partir de R$ 1 mil.

A Positivo Informática oferece 18 modelos, sendo oito com tecnologia 3G. Os itens mais recentes são os da linha 2010, Mobo Black e Mobo Red. Pesam cerca de um quilo e têm autonomia de bateria para até oito horas por preços que vão R$ 1 mil a R$ 1,6 mil. Em 2009, as vendas de notebooks da Positivo cresceram 50,2% em relação a 2008 e representaram 40,2% das vendas da empresa - ou 714,2 mil unidades, incluindo netbooks, que representaram 11,2% das vendas totais de portáteis.

Em junho, a Lenovo apresentou o Netbook S10-3, com

alto-falantes de qualidade estéreo e áudio Dolby. O aparelho permite sincronizar arquivos com notebooks, sem a necessidade de conexão à internet. O modelo com memória de 2 GB e câmera de 1,3 megapixel custa, em média, R$ 1,6 mil.

Conexões sem fio à web superam fixas pela primeira vez

Em abril, acabou o prazo para as operadoras celulares levarem cobertura 3G a todas as capitais e cidades brasileiras com mais de 500 mil habitantes - 44 localidades, ao todo. Ou menos de 1% dos 5.564 municípios do país. Claro, Oi, TIM e Vivo informaram o cumprimento das metas acertadas com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), por ocasião do leilão de frequências para prestação dos serviços de terceira geração.

TIM e Vivo fizeram tudo o que acordaram, segundo levantamento realizado no início de maio pela consultoria especializada Teleco, com base em informações das próprias operadoras. A Claro ainda não atendia duas capitais duas capitais: Boa Vista e Macapá; a Oi, idem, esses dois municípios, e Manaus. Em maio, a cobertura 3G (na tecnologia WCDMA) da Vivo alcançava 604 municípios; a da Claro 396 (sem atualização dos dados até maio); a da Oi e BrT 168; a da TIM 140.

Em termos da população atendida pelo serviço móvel na tecnologia de terceira geração, o cenário é mais favorável às empresas: 65% dos brasileiros têm acesso ao SMP. A maior oferta é da Vivo - 61,5% da população, de acordo com o Teleco, seguida pela da Claro (55%). Oi e TIM estavam na casa dos 41%, em maio. Nesse mesmo mês, o número de estações radiobase (ERBs) existente no país era de pouco mais de 47 mil.

Foto Destaque

Dados ainda preliminares, divulgados pela Anatel, indicam que o Brasil terminou maio com 183,7 milhões de celulares, deste total 82,4% são linhas pré-pagos e uma densidade de 95,26 celulares por grupos de 100 habitantes. Nos últimos 12 meses, foram vendidas 26,2 milhões de celulares. O pré-pago cresceu (1,7%), mais que o pós-pago (1,4%).

Pela primeira vez, o acesso à internet via dispositivos móveis superou o número de acessos fixos no primeiro trimestre, segundo levantamento da consultoria Teleco, em parceria com a fabricante chinesa Huawei. O total de acessos à web sem fio chegou a 11,9 milhões frente aos 11,8 milhões de conexões fixas. A Teleco revisou suas estimativas para 2010, chegando a um total de 18 milhões de acessos móveis e 13 milhões de fixos em comparação a uma previsão anterior de 15 milhões de acessos móveis e 14 milhões fixos.

Ainda segundo o estudo Teleco/Huawei, houve um crescimento de 70% no volume de acesso móveis à internet no primeiro semestre em relação aos 7 milhões do final de 2009. A base de linhas fixas de banda larga cresceu apenas 3,5% na comparação com os 11,4 milhões do ano passado.

A Vivo, no entanto, quer mais, segundo anunciou seu presidente Roberto Lima, no início de junho: um plano para levar conectividade 3G a 2.832 cidades até dezembro de 2011, com o Vivo Internet Brasil. O investimento previsto é de R$ 2,49 bilhões este ano. Segundo Lima, atualmente as operadoras conectam uma nova cidade com 3G por dia. A meta da empresa é conectar quatro municípios por dia. Até o fim deste ano, serão 1.461 localidades cobertas, com uma média de 16 mil a 20 mil habitantes. Não haverá prioridade de investir em regiões que deem retorno financeiro mais rápido, diz o executivo. Ele prometeu que a operadora estenderá a cobertura de internet móvel a municípios pequenos, alguns isolados, porque acredita que a essência dos seus serviços cria desenvolvimento social e econômico naquelas localidades. A exemplo de Borá, no interior paulista e que, com somente 800 moradores, ganha cobertura 3G.

"O plano é ambicioso e será cumprido. Nosso objetivo é ampliar rapidamente a cobertura de 3G", diz Roberto Lima. Já a Claro e TIM planejam estender o serviço móvel pessoal, conforme a demanda. Seja pela agregação de novos serviços, o que levaria o cliente atual a consumir mais. Ou pela expansão das redes, segundo a Claro, que participa de um consórcio para implementar a infraestrutura de transmissão para a região Sul. De seu lado, mesmo em terceiro lugar na cobertura, a TIM continua a investir em planos para os clientes.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Mauricio Dias: mídia tenta valorizar Marina só para ajudar Serra

A imprensa tenta oxigenar a candidatura de Marina Silva (PV), que patina em torno de 10% em todas as pesquisas mais recentes de intenção de voto. Cresce a convicção, no meio político, de que, sem ela no páreo, Dilma Rousseff (PT) poderia ganhar a eleição presidencial de José Serra (PSDB) ainda no primeiro turno.

Por Maurício Dias, na CartaCapital
O interesse da mídia pela candidatura de Marina sustenta a confiança nessa convicção. Não se pode acreditar que os jornais, tomados pela fé democrática, ajam somente para estimular a competição eleitoral. Nas circunstâncias atuais, não há dúvida: o eleitor de Marina dará um voto para Serra. É um efeito colateral dessa decisão, um antídoto contra Dilma.

Mas, seja como for, a democracia exige respeito à escolha do eleitor. Cada um vota como quer. É preciso, no entanto, conhecer os efeitos políticos do voto.

Marina pode vir a ser um obstáculo para Dilma e, em consequência, linha auxiliar — involuntária, admita-se — de Serra. Neste momento, ela se coloca exatamente entre os dois: critica Dilma acidamente e, suavemente, critica Serra. Nessa posição pode ser facilmente triturada ao longo dos debates polarizados.

Em 2006, embora não houvesse o viés plebiscitário de agora, a disputa foi para o segundo turno em razão da dispersão do voto progressista: Heloísa Helena (PSOL) obteve 6,85% e Cristovam Buarque (PDT), 2,64%. Ambos partidariamente à esquerda do espectro político. Faltaram a Lula, que buscava a reeleição, um pouco mais de 1 milhão de votos para ganhar no primeiro turno. Isso, porcentualmente, significou 1,39% dos votos válidos.

A história eleitoral brasileira tem exemplos parecidos, que favoreceram a vitória de candidatos conservadores. Um dos casos mais traumáticos para a esquerda foi a conquista do governo do novo estado da Guanabara pelo udenista Carlos Lacerda, em 1960. Ele obteve uma vantagem apertada sobre Sérgio Magalhães (PSB), de 2,6%. A derrota é atribuída à participação de Tenório Cavalcanti no pleito. Influente na Baixada Fluminense, Tenório, fatalmente, tirou votos certos de Magalhães.

Afinal, os pobres, por episódios como o do incêndio (provocado?) na praia do Pinto, na orla da Lagoa Rodrigo de Freitas, zona sul do Rio, e a matança de mendigos que apareceram boiando no rio da Guarda, na Baixada Fluminense, estavam escabreados com o lacerdismo. Os dois episódios foram parar na conta da administração Lacerda. Se não era verdade, a versão superou o fato.

Uma parte desse voto da turma do Brasil de baixo migrou para Tenório Cavalcanti, que tinha apoio do Luta Democrática, um influente jornal popular na ocasião. Seriam, naturalmente, votos de Sérgio Magalhães. Lacerda ganhou por isso.

A polarização hoje tende a ser maior e pode desidratar os votos que estão à margem do confronto PT versus PSDB. Além de Marina, há dez outros postulantes que, somados, não alcançarão mais do que 3% dos votos. É o cálculo que fazem os institutos de pesquisa. Se o porcentual de Marina não minguar, haverá segundo turno.

Esse viés plebiscitário que Lula sempre buscou e que a oposição sempre temeu deve estimular o eleitor, em outubro, a evitar a cabine eleitoral pela segunda vez.
Mesmo sem o uso de uma bola de cristal é possível prever a volta da campanha pelo voto útil, estimulada pelos petistas.

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