segunda-feira, 3 de maio de 2010

Aliado do José Serra, Arruda, só deixou problemas em Brasília

Quarto nome à frente do governo do Distrito Federal neste ano, o advogado Rogério Rosso (PMDB) assumiu em 19 de abril - a menos de seis meses da eleição - com promessas de construção de oito Unidades de Pronto-Atendimento, um tipo de pronto-socorro menos equipado.

Mesmo com o Distrito Federal sob ameaça de intervenção e dono de um mandato-tampão, Rosso mandou convocar 250 agentes comunitários e nomeou 728 profissionais da área de saúde. "São reivindicações antigas", diz o secretário de Saúde, Joaquim Barros. Ele admite que a turbulência política afetou a liberação de verbas para a pasta, mas nega que os serviços tenham ficado comprometidos.

A ameaça de intervenção é outra preocupação do chefe do Executivo, que tenta demonstrar transparência. Um decreto publicado no Diário Oficial do Distrito Federal determina a criação do Comitê de Acompanhamento, Controle e Monitoramento de Obras Públicas - o objetivo é garantir "maior efetividade e transparência" nos gastos. Também foi estabelecida uma auditoria nos convênios e contratos firmados pelo governo.

Na semana passada, porém, o GDF sofreu críticas da Controladoria-Geral da União (CGU), que alegou falta de disposição das autoridades em colaborar com as investigações do órgão. Auditoria feita pela CGU detectou desvios de R$ 106,9 milhões na aplicação de repasses federais entre 2006 e 2009. Para o ministro-chefe Jorge Hage, "se esta é a atitude no que se refere às irregularidades com as verbas federais repassadas ao GDF, pior ainda deve ser a situação quanto aos recursos próprios do Distrito Federal, que a CGU não pode fiscalizar sem que haja uma clara disposição do governo local em abrir essas contas".

Eleição indireta. Rosso foi eleito pela Câmara Legislativa com voto de parlamentares investigados no inquérito conduzido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Durante o governo de José Roberto Arruda (sem partido), presidiu a Companhia de Planejamento do DF (Codeplan), órgão que é alvo do inquérito da Polícia Federal, na Operação Caixa de Pandora. Com a sua eleição, o PMDB espera negociar com o PT uma chapa para as eleições de outubro no DF, garantindo um palanque forte para a candidata à Presidência Dilma Rousseff. Rosso, apesar das promessas e contratações típicas de candidato, não deve concorrer ao cargo em outubro.

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