quarta-feira, 8 de julho de 2009

Comemoração do Plano Real vira embate entre PT e PSDB

Entre reconhecimentos mútuos de trabalho em prol da estabilidade econômica, PT e PSDB travaram ontem no Senado um pequeno embate sobre o direto de uso do Plano Real como bandeira política. Durante solenidade em comemoração aos 15 anos da troca da moeda, tucanos frisaram que a atual solidez da economia é fruto da decisão do partido em tocar o projeto que mudou a estrutura econômica do País. Os petistas, por sua vez, ressaltaram que foi no governo de Luiz Inácio Lula da Silva que as medidas de austeridade foram aprofundadas.

O líder do PT na Casa, senador Aloizio Mercadante (SP), alegou que as lideranças do PSDB, do DEM e de outros partidos que formaram a base do governo Fernando Henrique Cardoso não podem reconhecer apenas a "primeira parte" da história do Real, renegando o que foi realizado ao longo da administração Lula. "Nós tivemos nesses seis anos e meio um papel decisivo em manter a estabilidade", afirmou.

O senador Arthur Virgílio (AM), líder do PSDB, classificou como "impecável" o primeiro mandato de Lula, considerando as políticas fiscal e de juros, e celebrou a decisão do presidente de ter "renegado" suas posições econômicas históricas na campanha ao Palácio do Planalto em 2002. "Ele renegou tudo que falava a respeito de economia e essa foi a incoerência que mais fortemente aplaudi ao longo da minha vida", disse.

Virgílio afirmou, porém, que o governo "relaxou um pouco a guarda" no plano fiscal diante da insistência do Planalto de promover reajustes salariais de uma série de categorias do funcionalismo, aumentando as despesas durante um período de retração da receita, fruto da crise financeira mundial. "Há tempo para corrigir rumos, é só se pensar mais no País e menos nos eventos que são relevantes para a democracia, como eleições e hospitais", alfinetou.

Fernando Henrique também reconheceu os méritos do governo Lula e disse que seria "injusto" declarar que o sucessor estaria apenas "surfando na onda" do Real. "Até agora ele não disse uma palavra de reconhecimento dos benefícios do Real e que o meu governo trouxeram ao Brasil, mas ele também fez sua parte", disse.

Para o ex-presidente da República, uma das ações importantes do governo Lula foi seguir "tudo" em termos de política macroeconômica deixadas pelo governo anterior, mas bateu na tecla de que o País "não é feito por um homem". "A Nação é construída como uma corrida em que uma equipe entrega a faixa para a outra equipe, para chegar a um resultado melhor."

Mercadante defendeu maior diálogo entre Lula e FHC, ao ponderar que a credibilidade que o País desfruta hoje é resultado do trabalho dos dois. Fernando Henrique demonstrou que a disposição existe, mas o gesto deve partir de Lula. "Quem pode dizer ?vamos juntos? é quem está por cima", disse. "Sempre que estive por cima tentei, não consegui."

FRASES

Fernando Henrique Cardoso
Ex-presidente

"Ele (Lula) não disse uma palavra de reconhecimento dos benefícios do Real e que o meu governo trouxeram ao Brasil, mas ele também fez sua parte"

"O País não é feito por um homem"

terça-feira, 7 de julho de 2009

Entrevista: Senador Tião Viana

"Lula nada fez para evitar a desconstrução e a perda moral do Congresso"

Para quem queria ler a entrevista de Tião Viana na Veja, aqui está

Nesta entrevista à repórter Sandra Brasil, o senador petista Tião Viana (AC) diz que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem responsabilidade pela crise moral que assola o Senado e que seu governo controla a Câmara dos Deputados na base do fisiologismo. Aos 48 anos, Viana tem autoridade para falar sobre o assunto. Já foi líder do PT e do governo Lula no Senado. Em fevereiro, disputou a presidência da Casa. Perdeu para José Sarney (PMDB-AP), que tomou o apoio que o Palácio do Planalto lhe havia prometido. Agora afirma que não aceitaria mais o cargo.

Como o Senado chegou a um nível tão baixo?
Até 2002, ainda havia no Senado um debate conceitual, ideológico. No início do governo Lula, ainda votamos a Reforma da Previdência. Mas logo o mensalão substituiu esses projetos na agenda da Casa. Daí em diante, nada mais andou, e perdemos a conexão com os interesses do cidadão.

O Senado ainda faz algo relevante?
A Casa está em chamas. Perde 80% do tempo em debates vazios e gasta os 20% restantes numa disputa entre governo e oposição que não leva a lugar nenhum. No Senado, o governo tem uma maioria apertada e vive no fio da navalha. Negocia voto a voto. Na Câmara dos Deputados, é mais fácil porque lá o fisiologismo impera.

Poderia explicar melhor?
É da cultura política brasileira. O governo controla a Câmara atendendo aos pedidos dos deputados com emendas parlamentares e com nomeações para cargos no Executivo.

A forma como o presidente Lula negocia com o Senado é adequada?
Lula é o melhor presidente que o Brasil já elegeu. Os resultados econômicos e sociais do seu governo nos orgulham. No entanto, ele deixa uma grande frustração no que se pensava ser uma de suas maiores habilidades: a política partidária. Lula nada fez para evitar a desconstrução e a perda de autoridade moral do Congresso. Os partidos estão mais fracos e deteriorados do que antes de sua posse. E é papel do chefe de estado fazer com que as instituições como o Parlamento sejam vigorosas.

O que explica a omissão dele?
Dá para entender as razões do presidente Lula. Ele sofreu muito com as ofensas pessoais durante o mensalão. Depois disso, com 82% de aprovação popular, adotou o pragmatismo para manter a maioria no Parlamento e resolveu que não precisava do Congresso. Tanto que José Dirceu foi o último ministro (da Casa Civil até 2005) que dialogou com o Senado.

O presidente Lula defende um tratamento privilegiado ao senador Sarney. E o senhor?
Sarney deve ser tratado como uma pessoa comum. Acontece que o presidente Lula é muito generoso com quem está em dificuldade. Marcou a vida dele o fato de Sarney tê-lo defendido na eleição de 2002, quando enfrentou o (governador paulista) José Serra, e de ter sido solidário no episódio do mensalão. Por isso, Lula foi até onde pôde com a minha candidatura à presidência do Senado. Depois, olhou com pragmatismo para as eleições de 2010, que são fundamentais para o seu projeto de nação.

O presidente Lula o traiu na eleição do Senado?

Ele levou em conta que o PMDB é essencial para 2010. Decidiu respeitar as forças que impuseram a candidatura Sarney, porque privilegiou a candidatura Dilma Rousseff e a necessidade de coalizão. Não guardo mágoas, mas é uma tragédia um partido dirigir as duas casas do Congresso. Ainda mais quando esse partido é o PMDB.

Por quê?

O PMDB é a essência do fisiologismo. Tem bons quadros, mas vive de troca de favores. Ignora concepção programática, visão doutrinária, tudo para acomodar os interesses dos seus parlamentares, que só querem assegurar suas reeleições.

O senhor ainda quer ser presidente do Senado?

Se me oferecessem o cargo hoje, a cadeira ficaria vazia. Eu não romperia com meus ideais por um ato de vaidade. Nós, idealistas, achamos que o Legislativo não sobreviverá se continuar funcionando apenas na base do beija-mão do governo. O Senado deveria cuidar da regulação e da proteção do estado sem ultrapassar o limite de revisor das leis. Não dá para presidir a Casa hoje sem forças para fazer o resgate desse papel. Aliás, Sarney deveria tomar consciência de que, sozinho, ele é insuficiente para mudar o Senado. Por uma razão: foi eleito com o apoio daquela casta de servidores para manter a estrutura atual. Ele deveria radicalizar na transparência e adotar medidas moralizadoras.

O senhor fala em idealismo, mas confundiu o bem público com o privado ao emprestar um celular do Senado para sua filha usar em uma viagem de férias ao México.

Eu errei. Foi um ato irrefletido de um pai superprotetor. A minha filha ia para um lugar estranho e, para encontrá-la a qualquer momento, entreguei o celular. Mas, um mês e meio antes da chegada da conta, que é trimestral, acessaram minha fatura e me denunciaram. Isso me causou uma dor profunda, comprometeu toda uma vida baseada na humildade e na coerência. Paguei a conta antes que o Senado gastasse um centavo.

De onde o senhor tirou dinheiro para pagar a conta de 14 000 reais se recebe um salário líquido de 12 000 reais?

Fiz um empréstimo bancário para pagar em 72 vezes. A minha filha levou o celular só para receber ligações minhas ou da sua mãe. Tomei um susto com a conta, que chegou a essa soma por uma fatalidade. A mãe do namorado dela teve ruptura de um aneurisma cerebral no dia seguinte à viagem e passou dez dias em coma. Ela se descontrolou com as ligações.

O senhor lhe deu uma bronca?

Não, fiquei com pena. Ela sofreu tanto pelo namorado e, depois, por mim. Mas quem não erra na vida na condição de pai? Esse caso me fez refletir sobre o tênue limite entre o público e o privado. Tenho uma cota mensal de 250 reais para telefone fixo em casa, mas não posso proibir que um filho faça um interurbano para o avô no Acre. É difícil separar o público do privado nessas pequenas coisas. Veja

Dia P


A reunião marcada para hoje pela bancada do PT no Senado divide opiniões. Há quem considere favas contadas o enquadramento dela por Lula. Assim, senadores terão de rejeitar formalmente a proposta de licenciamento do presidente da Casa, José Sarney, como deseja o Planalto

Denúncias contra Yeda chegam ao MPF


O lobista Lair Ferst, que atuou na campanha eleitoral da governadora Yeda Crusius (PSDB), enviou ao Ministério Público Federal uma lista com 20 irregularidades que foram sido cometidas na disputa eleitoral e no início do governo. A lista de acusações foi enviada por um procurador da República no Rio Grande do Sul à Procuradoria Geral da República, uma vez que Yeda tem foro privilegiado.

Alegando que a investigação é sigilosa, o MP não confirma se Yeda foi denunciada, afirmando em nota que “a divulgação de dados sigilosos sob investigação, além de ser crime, perturba e dificulta a apuração dos fatos gerando, além de risco a pessoas, impunidade”.

Entre as denúncias do lobista, publicadas ontem pelo jornal “Zero Hora”, está a de arrecadação irregular de dinheiro de empresas — em valores que variam de R$ 100 mil a R$ 1,1 milhão. A reportagem cita, entre os envolvidos nas doações sem recibo, a própria governadora, o seu marido, Carlos Crusius, a assessora Walna Vilarins Meneses e Marcelo Cavalcante, ex-representante do governo do estado em Brasília — cujo corpo apareceu boiando, em fevereiro, no Lago Paranoá — e o ex-secretário da Fazenda Aod Cunha.

O governo gaúcho emitiu nota dizendo que “todas as supostas denúncias são fatos já mencionados no passado, sem qualquer comprovação, com o claro objetivo de criar dúvida e estabelecer desconfiança na relação do governo com a sociedade”.

Na reportagem publicada ontem, a “Zero Hora” reproduz ofícios internos do Ministério Público. Num deles, o procurador da República no Rio Grande do Sul Alexandre Schneider pede “providências cabíveis na seara criminal” ao então procuradorgeral da República, Antonio Fernando de Souza.

Denúncia sobre compra de casa foi arquivada pelo MP Outra denúncia de Lair envolve a compra da casa da governadora.

Segundo Lair, a mansão custou R$ 1 milhão, dos quais R$ 250 mil foram pagos por fora, em dinheiro vivo, pelo casal Crusius. O caso já foi investigado pelo Ministério Público Estadual, que não constatou irregularidades e arquivou a investigação.

Na nota, o governo gaúcho diz que “as contas da campanha eleitoral foram julgadas, auditadas pelos órgãos competentes e aprovadas, o que permitiu a diplomação da governadora”.

Conclui afirmando que o governo “aguarda com serenidade o desenvolvimento das investigações”.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Psol-RS diz que pedirá bloqueio de bens e contas de Yeda


O Psol informou nesta segunda-feira que irá requerer à juíza Simone Fortes, titular da Justiça Federal de Santa Maria, no interior do Rio Grande do Sul, na próxima quarta-feira, o bloqueio e indisponibilidade dos bens e contas bancárias da governadora do Estado, Yeda Crusius, do seu marido, Carlos Crusius, e do ex-secretário de governo Delson Martini.

O partido alega que esta é a única forma de minimamente garantir o ressarcimento dos cofres públicos. "Para nós, isso é vital. A punição exemplar era e é necessária, mas não é suficiente", disse o vereador de Porto Alegre Pedro Ruas (Psol), que assina o requerimento à juíza juntamente com a deputada federal Luciana Genro e com o presidente estadual do partido, Roberto Robaina. "Tem de ressarcir os cofres públicos."

Segundo Ruas, que sempre defendeu a CPI contra a corrupção no Rio Grande do Sul, uma comissão de inquérito agora faria a governadora ganhar tempo, o que não seria o ideal. "O governo não está governando para os gaúchos, mas está trabalhando para ganhar tempo. A governadora contratou o advogado (Eduardo) Alckmin para processar os dirigentes do Psol, mas até agora está claro que é para se defender, pois não nos processou", afirmou, defendendo a votação em Plenário de um impeachment contra Yeda. "Agora, mais do que CPI, é preciso que o processo de impeachment corra mais rápido."

Hoje, o jornal Zero Hora publicou reportagem na qual afirma que o empresário Lair Ferst, acusado de ser um dos líderes da fraude que desviou R$ 44 milhões do Departamento Estadual de Trânsito do Rio Grande do Sul (Detran-RS), encaminhou ao Ministério Público Federal (MPF) um documento detalhando 20 supostas irregularidades que teriam sido cometidas na campanha de 2006 e no início do governo de Yeda Crusius (PSDB).

As denúncias teriam sido encaminhadas pelo procurador Alexandre Schneider ao então procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, por meio do ofício OF/SECRIM/PRRS/Nº 2669, de 16 de abril, onde consta um texto escrito por Lair Ferst.

Ferst confirmou a existência de caixa 2 na campanha da governadora. O dinheiro não contabilizado seria recebido por Marcelo Cavalcante, ex-assessor morto em fevereiro, e por Walna Meneses, assessora de Yeda. O marido da governadora, segundo o relato de Ferst, era avisado da chegada de doações e buscava o dinheiro no comitê.

Gravações
Gravações divulgadas pela revista Veja em maio haviam apontado conversas entre Marcelo Cavalcante, ex-assessor da governadora, e o empresário Lair Ferst.

Cavalcante morreu em fevereiro em Brasília. Seu corpo foi encontrado no lago Paranoá e a polícia trabalha com a hipótese de suicídio. O ex-assessor era investigado como suspeito de participação no suposto esquema do Detran. O áudio indicaria o uso de caixa dois na campanha de Yeda para o governo do Estado.

Em fevereiro, representantes do Psol no Rio Grande do Sul levantaram nove suspeitas contra o governo Yeda. Os membros do partido garantiram que áudios, vídeos e depoimentos, que estariam sendo analisados pelo Ministério Público Federal (MPF), apontariam que há uma "quadrilha" dentro do Palácio Piratini, que se utilizou de caixa 2 para chegar ao poder e que utiliza verbas públicas para satisfazer interesses particulares.

PF diz que Opportunity fez 14 mil empréstimos mútuos


Muitas das operações foram entre empresas financeiras, o que é proibido por lei

Advogado de Dantas diz que número de empréstimos é normal para um grupo que tem cerca de 50 empresas e fundos de investimentos

A Polícia Federal contabilizou 14 mil empréstimos entre as empresas que integram o grupo Opportunity, segundo o novo relatório da Operação Satiagraha. Muitos dessas empréstimos são entre empresas que a PF classifica de financeiras, o que é proibido pela legislação brasileira.

O número de empréstimos é atípico na avaliação de policiais que analisaram os documentos. O próprio número de empréstimos dentro do grupo, de acordo com essa análise, aponta para um labirinto de operações que seria típico de quem busca esconder as irregularidades.

Foi com base nessa visão que a PF indiciou o banqueiro Daniel Dantas no final de abril sob acusação de ele ter cometido o crime de empréstimo vedado. A lei 7.492, que trata dos crimes contra o sistema financeiro, veta esses empréstimos em seu artigo 17. A pena para quem violá-lo é de dois a seis anos de prisão e multa.
O veto aos empréstimos entre instituições financeiras e empresas do mesmo grupo têm pelo menos quatro razões:

1. Pode ser um disfarce para que o banqueiro tire dinheiro do banco que não é necessariamente seu, mas de acionistas;

2. A proibição é uma forma de evitar que o controlador prejudique acionistas minoritários, o que ocorreria se ele tirasse recursos da instituição e os transferisse para uma empresa sobre a qual tem controle total;

3. Uma instituição poderia emprestar recursos a uma empresa do próprio grupo a juros menores do que os de mercado, o que cria uma situação de concorrência desleal;

4. A concentração de empréstimos entre empresas de um mesmo grupo aumenta o risco sistêmico. Se um dos elos do negócio quebrar, o grupo inteiro pode ir à falência.
O advogado Andrei Schmidt, que defende Dantas, diz que o número de empréstimos dentro do Opportunity é normal para um grupo que tem cerca de 50 empresas e trabalha com fundos de investimentos.

O empréstimo vedado é um clássico entre os crimes financeiros no Brasil. Os banqueiros Ângelo Calmon de Sá, do Econômico, Edemar Cid Ferreira, do Banco Santos, Ezequiel Nasser, do Excel, e Ricardo Mansur, do Crefisul, foram condenados, entre outros crimes, pela prática de empréstimos vedados -o que eles negam.

Cipoal

Os empréstimos formam um cipoal tão complexo, com cruzamentos que se ramificam entre as cerca de 50 empresas que compõem o grupo Opportunity, que a PF não totalizou os valores, segundo autoridades que tiveram acesso ao inquérito ouvidas pela Folha sob a condição de que seus nomes não fossem citados.

Os documentos que permitiram a contabilização do número de empréstimos, chamados tecnicamente de contratos de mútuo, foram apreendidos na sede do Opportunity no Rio, no mês passado.

A PF teve de realizar uma segunda operação de busca e apreensão no âmbito da Satiagraha para ter acesso a esses documentos. A busca aconteceu há um mês.
O delegado Ricardo Saadi, que preside o inquérito que investiga Dantas após a saída de Protógenes Queiroz, havia pedido o acesso aos contratos de mútuo, mas o Opportunity se recusava a entregá-los. Ele só conseguiu os documentos após decisão do juiz Fausto Martin De Sanctis, da 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Debate sobre união entre homossexuais vai ao STF


A Procuradoria Geral da República pediu ontem ao Supremo Tribunal Federal (STF) que torne obrigatório o reconhecimento da união civil entre homossexuais. Na ação, a procuradora-geral interina, Debora Duprah, defende que a Corte estenda aos casais de gays e lésbicas os mesmos direitos e deveres existentes nas relações estáveis entre homens e mulheres. Se o pedido for aceito, esse tipo de união passará a ser reconhecido por todos os órgãos públicos do país, mesmo que o Congresso ainda não tenha regulamentado o assunto. O Ministério Público Federal quer que os homossexuais tenham os mesmos direitos dos heterossexuais em temas como herança, divisão de bens e recebimento de pensão alimentícia e benefícios previdenciários. De acordo com o pedido, gays e lésbicas também poderiam receber visitas íntimas em presídios e fazer declarações conjuntas de Imposto de Renda à Receita Federal.

Greve no PAC


As obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) poderão ter atraso ainda maior. Além dos problemas técnicos e de gestão enfrentados, surge agora a possibilidade de paralisação dos analistas responsáveis pela execução dos projetos. Com salário de R$ 5,4 mil, incluindo gratificações, os gestores do PAC querem um plano de carreira que dobre os vencimentos. “Poderá haver movimentos de paralisação. Nós já aprovamos a resolução que autoriza o indicativo de paralisação”, afirmou ao Correio o presidente da Associação Nacional dos Analistas e Especialistas em Infraestrutura (Aneinfra), Fábio Henrique. Ele admite que essa paralisação poderá atrasar o cronograma do PAC, que prevê a conclusão da maioria das obras até o fim do próximo ano: “Poderia sim, atrasaria algumas obras”.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Caderneta de poupança bate fundos DI e CDBs de pequenos investidores


Além de mostrar folgada liderança do Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa), o ranking dos investimentos brasileiros do primeiro semestre deixa claro os efeitos da queda da taxa básica de juros (Selic) para o menor nível da história. No período, os fundos DI e os Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) voltados ao pequeno investidor perderam para a caderneta de poupança.


Os fundos cuja taxa de administração supera 3% ao ano renderam 3,32% entre janeiro e junho, enquanto os CDBs para aplicações entre R$ 5 mil e R$ 100 mil ganharam 3,30% no período. A poupança subiu 3,58%.

"A rentabilidade líquida dos fundos DI está muito ruim e pode até ficar negativa em alguns casos", afirmou o professor e educador do Centro de Estudos e Formação de Patrimônio Calil & Calil, Mauro Calil. "A aplicação em CDB só é indicada, hoje, para os grandes investidores", completa o administrador de investimentos Fabio Colombo.

A maior parte da carteira dos fundos DI é composta por títulos públicos pós-fixados, que acompanham a evolução da Selic. A taxa, que iniciou 2009 em 13,75%, está agora em 9,25% ao ano. Os CDBs também têm remuneração atrelada ao juro básico. Esse efeito se evidencia quando se compara a situação atual com a de março de 1999, quando a Selic atingiu o maior nível da história (45%). Naquele mês, os fundos DI renderam, em média, 2,53%.

O aumento da competitividade da poupança levou o governo a anunciar, em 13 de maio, novas regras para a caderneta, que incluem, entre outros pontos, a taxação de aplicações superiores a R$ 50 mil a partir de 2010. O governo federal tem interesse na questão porque depende dos fundos para rolar parte relevante de sua dívida. Até agora, porém, a legislação não foi enviada ao Congresso.

Em entrevista ao Estado, há duas semanas, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, negou que o governo tenha desistido de mexer na caderneta. "Foi anunciado e foi dito que a medida de aumento de tributação é para o ano que vem. Temos tempo para entrar no Congresso. O projeto está pronto, não tem nenhum segredo", afirmou.

Para Colombo, o governo aproveita o momento para pressionar as instituições financeiras a reduzir as taxas de administração cobradas dos clientes nos fundos.

"Ainda existe fundo DI no Brasil que cobra taxa de 5% ao ano", observou o professor do Laboratório de Finanças da Fundação Instituto de Administração (FIA) Rafael Paschoarelli. Ele e outros especialistas acreditam que não há outro caminho para as instituições senão reduzir essas taxas. "Se não acontecer, esse produto (DI) vai sumir do mercado, como já ocorreu no passado com o overnight", pondera Calil.

Os grandes bancos do País já começaram a se mover nessa direção. O Bradesco, por exemplo, baixou recentemente o valor da aplicação mínima para diversos fundos de investimento. O Banco do Brasil reduziu as taxas de administração de alguns fundos. O Santander-Real deve anunciar nas próximas semanas medida semelhante.

MÊS

Levando-se em conta somente o mês de junho, a liderança do ranking de investimentos ficou com os fundos de renda fixa, que renderam, em média, 0,64%. Em seguida, ficaram os fundos DI que cobram taxa de administração inferior a 3% - esses tiveram rentabilidade de 0,63%.

O ouro, que perdeu 7,14% no mês, ficou na lanterna do levantamento. O segundo pior foi o Ibovespa, que se desvalorizou 3,25%, puxado pela saída de investidores estrangeiros no mês. Como na medição semestral, a caderneta de poupança terminou junho à frente dos fundos DI e dos CDBs voltados ao pequeno aplicador.

A tendência para o segundo semestre é de que os produtos indexados ao juro continuem apresentando queda da rentabilidade, uma vez que a expectativa do mercado para a taxa Selic é de novas quedas. O último relatório Focus, síntese de uma pesquisa do Banco Central (BC) com bancos e consultorias, prevê que a Selic estará em 8,75% em dezembro.

Esse é o cenário com que trabalha, por exemplo, o analista-chefe da XP Corretora, Rossano Oltramari. "O BC deve cortar a Selic em mais meio ponto no segundo semestre e, então, parar para observar os efeitos do juro menor na economia."

Bolsa brasileira é a 2ª mais rentável em ranking global


Com o arrefecimento da crise financeira global, a partir de março, os estrangeiros voltaram com apetite ao mercado acionário brasileiro. O movimento fez o Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) subir 37% no primeiro semestre. No ano, até 25 de junho, o saldo de investimentos estrangeiros estava positivo em R$ 8,8 bilhões.


Como o dólar se desvalorizou quase 16% ante o real, os ganhos da bolsa brasileira em nível mundial estão entre os mais expressivos. O índice MSCI Brasil, elaborado pelo banco Morgan Stanley, acumulava alta de 58,5% até segunda-feira. Só perdia para o MSCI Índia, que avançava 60,17%.

A tendência para os próximos meses, porém, divide os especialistas. "Estamos otimistas com a bolsa brasileira. Achamos que o fluxo de estrangeiros que vimos no primeiro semestre foi só o começo de uma tendência", disse o analista-chefe da XP Corretora, Rossano Oltramari. O administrador de investimentos Fabio Colombo está mais cauteloso. Para ele, a bolsa brasileira já subiu "além do razoável".

O médico deles


A Câmara dos Deputados gastou este ano mais de R$ 572 mil em ressarcimentos a parlamentares por despesas médicas em hospitais e clínicas particulares. A quantia ainda pode crescer, já que outros 41 processos, que somam R$ 387 mil, aguardam decisão da Mesa Diretora sobre a liberação do dinheiro ou a rejeição do pedido. Além desses repasses, a saúde dos deputados consome outros R$ 2,3 milhões por mês com o plano de saúde do qual cerca de 230 congressistas são beneficiários. Responsável pela análise dos pedidos de ressarcimento antes de a Mesa julgar os processos, o segundo vice-presidente, Antonio Carlos Magalhães Neto (DEM-BA), acredita que os valores gastos nos primeiros meses de 2009 não são considerados altos, visto que a média mensal está abaixo de anos anteriores. “Não se pode fazer estimativas com saúde. Recebemos os pedidos, analisamos criteriosamente e reembolsamos quando achamos devido. Dá para dizer apenas que, se a média continuar como está, podemos gastar em 2009 menos do que nos últimos dois anos”, diz Neto

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