quarta-feira, 1 de julho de 2009

Caderneta de poupança bate fundos DI e CDBs de pequenos investidores


Além de mostrar folgada liderança do Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa), o ranking dos investimentos brasileiros do primeiro semestre deixa claro os efeitos da queda da taxa básica de juros (Selic) para o menor nível da história. No período, os fundos DI e os Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) voltados ao pequeno investidor perderam para a caderneta de poupança.


Os fundos cuja taxa de administração supera 3% ao ano renderam 3,32% entre janeiro e junho, enquanto os CDBs para aplicações entre R$ 5 mil e R$ 100 mil ganharam 3,30% no período. A poupança subiu 3,58%.

"A rentabilidade líquida dos fundos DI está muito ruim e pode até ficar negativa em alguns casos", afirmou o professor e educador do Centro de Estudos e Formação de Patrimônio Calil & Calil, Mauro Calil. "A aplicação em CDB só é indicada, hoje, para os grandes investidores", completa o administrador de investimentos Fabio Colombo.

A maior parte da carteira dos fundos DI é composta por títulos públicos pós-fixados, que acompanham a evolução da Selic. A taxa, que iniciou 2009 em 13,75%, está agora em 9,25% ao ano. Os CDBs também têm remuneração atrelada ao juro básico. Esse efeito se evidencia quando se compara a situação atual com a de março de 1999, quando a Selic atingiu o maior nível da história (45%). Naquele mês, os fundos DI renderam, em média, 2,53%.

O aumento da competitividade da poupança levou o governo a anunciar, em 13 de maio, novas regras para a caderneta, que incluem, entre outros pontos, a taxação de aplicações superiores a R$ 50 mil a partir de 2010. O governo federal tem interesse na questão porque depende dos fundos para rolar parte relevante de sua dívida. Até agora, porém, a legislação não foi enviada ao Congresso.

Em entrevista ao Estado, há duas semanas, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, negou que o governo tenha desistido de mexer na caderneta. "Foi anunciado e foi dito que a medida de aumento de tributação é para o ano que vem. Temos tempo para entrar no Congresso. O projeto está pronto, não tem nenhum segredo", afirmou.

Para Colombo, o governo aproveita o momento para pressionar as instituições financeiras a reduzir as taxas de administração cobradas dos clientes nos fundos.

"Ainda existe fundo DI no Brasil que cobra taxa de 5% ao ano", observou o professor do Laboratório de Finanças da Fundação Instituto de Administração (FIA) Rafael Paschoarelli. Ele e outros especialistas acreditam que não há outro caminho para as instituições senão reduzir essas taxas. "Se não acontecer, esse produto (DI) vai sumir do mercado, como já ocorreu no passado com o overnight", pondera Calil.

Os grandes bancos do País já começaram a se mover nessa direção. O Bradesco, por exemplo, baixou recentemente o valor da aplicação mínima para diversos fundos de investimento. O Banco do Brasil reduziu as taxas de administração de alguns fundos. O Santander-Real deve anunciar nas próximas semanas medida semelhante.

MÊS

Levando-se em conta somente o mês de junho, a liderança do ranking de investimentos ficou com os fundos de renda fixa, que renderam, em média, 0,64%. Em seguida, ficaram os fundos DI que cobram taxa de administração inferior a 3% - esses tiveram rentabilidade de 0,63%.

O ouro, que perdeu 7,14% no mês, ficou na lanterna do levantamento. O segundo pior foi o Ibovespa, que se desvalorizou 3,25%, puxado pela saída de investidores estrangeiros no mês. Como na medição semestral, a caderneta de poupança terminou junho à frente dos fundos DI e dos CDBs voltados ao pequeno aplicador.

A tendência para o segundo semestre é de que os produtos indexados ao juro continuem apresentando queda da rentabilidade, uma vez que a expectativa do mercado para a taxa Selic é de novas quedas. O último relatório Focus, síntese de uma pesquisa do Banco Central (BC) com bancos e consultorias, prevê que a Selic estará em 8,75% em dezembro.

Esse é o cenário com que trabalha, por exemplo, o analista-chefe da XP Corretora, Rossano Oltramari. "O BC deve cortar a Selic em mais meio ponto no segundo semestre e, então, parar para observar os efeitos do juro menor na economia."

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