quarta-feira, 4 de março de 2009

Vídeo indica que cargos na polícia eram ‘vendidos’


O líder cubano, Fidel Castro, apoiou ontem publicamente a ampla reforma de gabinete feita por seu irmão, o presidente Raúl Castro, e justificou a destituição de alguns ministros dizendo que eles eram ambiciosos. "O mel do poder despertou (em alguns ministros) ambições que os conduziram a um papel indigno", escreveu Fidel, num artigo no site Cubadebate. "O inimigo externo encheu-se de esperanças com eles."

Fidel não citou nomes, mas ao referir-se a "dois ministros mencionados pelas agências de notícias como os mais afetados pela reforma" não deixou muitas dúvidas sobre os alvos dos ataques: o reformista Carlos Lage, de 57 anos, que perdeu o posto de secretário executivo do Conselho de Ministros (uma espécie de "premiê"), e Felipe Pérez Roque, de 43 anos, o agora ex-ministro das Relações Exteriores. Ambos estavam nas listas dos líderes que poderiam substituir Fidel na presidência quando ele renunciou, há pouco mais de um ano, e - ironicamente - eram tidos como dois de seus mais leais seguidores.

O líder cubano também disse que foi consultado sobre a reforma e negou que o objetivo das mudanças fosse trocar seus aliados por gente de confiança de Raúl. "A maioria dos substituídos não foi indicada por mim", escreveu.

Na maior reestruturação do gabinete cubano em décadas foram destituídos mais de uma dezena de funcionários do alto escalão. Também foram fundidos alguns ministérios com o objetivo de "tornar o governo cubano mais eficiente".

Saíram figuras políticas de peso e entraram membros da linha dura do Partido Comunista e tecnocratas relativamente desconhecidos, que até agora ocupavam o segundo escalão dos ministérios, além de militares.

GENERAIS

Agora, a alta cúpula do governo cubano tem um total de dez militares. Lage, por exemplo, foi substituído pelo general José Amado Ricardo Guerra no Conselho Ministros - mas manteve seu cargo de vice-presidente. Já Pérez Roque cedeu lugar a seu vice, o ex-embaixador de Cuba na ONU, Bruno Rodríguez Parrilla.

"Acho difícil que Lage ou Pérez Roque representassem uma ameaça para Raúl. Até porque, para que essa ameaça fosse real, eles precisariam ter o apoio dos quartéis, sobre os quais o controle do presidente é grande", disse ao Estado José Azel, pesquisador do Instituto de Estudos Cubanos e Cubano-Americanos da Universidade de Miami, nos EUA. Ele lembra que, antes de assumir o governo da ilha, o irmão de Fidel era o chefe das Forças Armadas.

"São típicos do governo cubano discursos como esse sobre as ambições dos ministros. De tempos em tempos eles servem para justificar porque uma ou outra autoridade foi ?queimada?", disse Azel. "O mais provável, porém, é mesmo que Raúl tenha feito as reformas para cercar-se de sua gente - pessoas de sua estreita confiança, alinhadas com suas ideias."

Segundo analistas, é cedo para saber se as mudanças teriam como objetivo frear ou acelerar as reformas econômicas. O economista cubano Carmelo Mesa-Lago chama a atenção para o fato de que entre os destituídos há conservadores e figuras importantes no programa cultural e educacional conhecido como "batalha das ideias", que acompanhou, no início da década, a revisão das reformas econômicas dos anos 90.

Seria esse o caso de Otto Rivera, substituído no cargo de vice-presidente do Conselho de Ministros pelo comandante histórico da revolução Ramiro Valdés. "Ao mesmo tempo, também estão saindo reformistas como Lage", diz Mesa-Lago. "De qualquer forma, as mudanças feitas por Raúl nos últimos meses foram tímidas, o que faz com que as esperanças dos cubanos estejam mais depositadas no governo dos EUA - com seu aceno a uma flexibilização nas relações com a ilha - do que em Havana."

COM REUTERS E AP

MOVENDO PEÇAS

Bruno Rodríguez Parrilla - Com a reforma, assumiu o cargo de chanceler no lugar de Felipe Pérez Roque, que era tido como o homem forte de Fidel Castro. Representou Cuba na sede da ONU, em Nova York, de 1995 a 2003

Ramiro Valdés Menéndez - Veterano da Revolução Cubana, lutou ao lado de Fidel e sempre foi considerado próximo a Raúl Castro. Com a reforma, assumiu o cargo de vice-presidente do Conselho de Ministros

Marino Murillo Jorge - Próximo de Raúl, foi ?promovido? de ministro de Comércio para ministro da Economia e Planejamento, substituindo José Luis Rodríguez

José Luis Rodríguez - Deixou o cargo de ministro da Economia, depois de 11 anos. Fluente em inglês, participava de foros internacionais, como o de Davos, na Suíça, onde era visto como o economista cubano de maior projeção

Carlos Lage D?Ávila - Considerado reformista, perdeu seu cargo como secretário-geral do Conselho de Ministros. Chegou a ser cotado como possível sucessor de Fidel, mas acabou perdendo prestígio com a reforma

Felipe Pérez Roque - Assumiu o Ministério das Relações Exteriores em 1999, se tornando o ministro mais jovem do regime. Também esteve na lista de possíveis substitutos de Fidel, de quem foi secretário particular

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