sexta-feira, 23 de abril de 2010

PSB decidirá no voto candidatura própria

O PSB deve decidir no voto se terá candidato à sucessão presidencial, em reunião da Executiva Nacional do partido marcada para o dia 27. Em reunião ontem com o ex-ministro Roberto Amaral, que é vice-presidente da sigla, o deputado Ciro Gomes, pré-candidato à sucessão de Lula, comprometeu-se com os dirigentes partidários a acatar a decisão que for tomada na próxima semana. O que Ciro quer é que o partido assuma a decisão. Se for afastado, como exige o PT, não arcará com o ônus político de ter abandonado a disputa. Ciro não vai à reunião para não constranger os dirigentes e já decidiu licenciar-se da Câmara por um mês.

O presidente do PSB, governador Eduardo Campos, de Pernambuco, reune-se hoje com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Palácio da Alvorada, para discutir a posição do PSB. O mais provável é que a maioria da Executiva Nacional - controlada por Campos - opte pela composição com o PT. O que dificulta a aliança são os problemas regionais.

Amaral disse ao Valor que a tendência é que a decisão vá a voto, pois o PSB está dividido entre a candidatura própria e o apoio à candidata do PT, Dilma Rousseff. Segundo Amaral, a prioridade dos socialistas é a continuidade do projeto de governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva - e isso pode ser alcançado seja por meio da candidatura própria seja com o apoio ao PT.

O PSB decidiu consultar a Executiva Nacional após Ciro Gomes ter provocado o partido, em um artigo no qual discorre sobre a candidatura própria. Até lá serão consultados também todos os diretórios regionais do partido, informalmente. A Comissão Executiva Nacional conta com 18 integrantes. Eles é que decidirão a sorte da candidatura Ciro.

"Concordamos que qualquer que seja a decisão, ela será acatada", disse Roberto Amaral. "Nós gostaríamos que fosse por consenso, mas se for necessário, vamos votar". O pré-candidato, por seu turno, deixou claro que quer disputar a decisão do PSB.

Ciro e Amaral conversaram ontem na sede da Alcântara Cyclone Space (ACS), empresa binacional Brasil-Ucrania presidida pelo dirigente do PSB. Os dois fizeram uma avaliação situação do partido nos Estados. Os socialistas têm 11 candidatos a governador, mas desse total, tem o apoio do PT em apenas três - Ceará, Pernambuco e Rio Grande do Norte, nos quais o PSB disputa a reeleição. O PSB tenta obter o apoio do PT em outros dois Estados, Piauí e Amapá, mas as conversas até agora não chegaram a bom termo.

O PSB tem candidatos ao Senado com o apoio do PT em Sergipe, no Rio Grande do Norte e na Bahia, e discute com os petistas palanques em São Paulo e Amapá. "Em São Paulo e Minas Gerais nem vamos discutir com o PT", disse Amaral.

O objetivo do PSB, em relação às eleições de 2010, é "duplicar a bancada" atual de congressistas. A decisão de ter ou não candidato a presidente será tomada em função desta meta. A eleição aos governos estaduais e para o Congresso está na origem da divisão do PSB sobre a conveniência de sair ou não com nome próprio para presidente.

Uma ala do partido avalia que ter um nome na disputa presidencial permitirá a alavancagem das demais candidaturas. Essa é a tese defendida pelo próprio Ciro Gomes, no manifesto em que provocou o partido a discutir o assunto - sua pré-candidatura estava sendo lentamente esvaziada pela direção partidária.

Outra ala, igualmente importante, avalia que é melhor compor com a candidata do PT, Dilma Rousseff. Há situações contraditórias, como a do Amazonas, onde o pré-candidato ao governo estadual, Serafim Corrêa, tanto pode se aliar com o PR do ex-ministro dos Transportes Alfredo Nascimento - o que a campanha de Dilma dá como certo - como com o PSDB e DEM.

"Fomos despertados da importância de o partido se reunir para tomar essa decisão pelo próprio Ciro. As bases também sofrem da angústia natural da falta de uma decisão", disse Amaral. A decisão, é certo, permite que Ciro tenha uma saída honrosa, com o partido se pronunciando sobre o que considera melhor para o seu futuro - ter ou não candidato próprio, independentemente de quem seja esse candidato.

"Essa é uma eleição estratégica para nós pois temos o desafio de crescer a bancada para termos maior tempo de televisão e mais recursos do fundo partidário. Por isso as eleições majoritárias são fundamentais para nós neste ano", declarou Eduardo Campos.

Campos contou que "Ciro pediu debate sobre o papel que ele deveria cumprir nas eleições. Ele foi muito claro hoje na disposição de ser candidato e afirmou que, se o partido entender que ele não deve ser candidato, ele será solidário à decisão". Campos só marcou a reunião da executiva do PSB para terça-feira, dia 27, depois que teve a garantia de que Ciro acatará a decisão que vier a ser tomada. O PT e o governo temiam que o deputado, de comportamento quase sempre imprevisível, atacasse a candidatura da ex-ministra.

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