segunda-feira, 6 de abril de 2009

Enquanto José Serra faz campanha para presidente,quase 40% pretendem demitir em São Paulo


Duas em cada cinco indústrias de São Paulo pretendem demitir empregados nos próximos meses. Em média, os cortes deverão atingir 14,3% do quadro de pessoal. A má notícia vem de uma pesquisa inédita realizada pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que ouviu 586 empresas entre os dias 17 de fevereiro e 17 de março.


A sondagem, no entanto, aponta uma desaceleração no ritmo das demissões. Do total de empresas pesquisadas, 47% informaram que já tinham dispensado, em média, 18,7% dos funcionários desde outubro de 2008, quando os efeitos da crise financeira mundial começaram a se acentuar sobre o País. Aquelas que pretendem promover mais demissões, e que representam 38% da amostra, dizem que o corte agora será menor, ao redor de 14%.

Para o diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Fiesp, Paulo Francini, o pior pode já ter passado, mas a crise continua a causar estragos na atividade e no emprego industrial. "É mais ou menos como um alicate apertando o dedo", compara Francini. "Quando a pressão alivia um pouco, o sujeito diz oba, o pior já passou, mas o alicate continua apertando o seu dedo."

A pesquisa revela que o porcentual das empresas que têm planos de demitir é maior entre as que já dispensaram trabalhadores nos últimos meses. Nada menos que 56% dessas empresas dizem que vão promover novos cortes, enquanto apenas 20% das que ainda não tinham demitido agora planejam fazer ajustes de pessoal.

"A onda de uma crise não atinge todas as empresas com a mesma intensidade a ao mesmo tempo", explica Francini. "A extensão foi maior que o imaginado e muitas empresas sentem necessidade de fazer um novo ajuste, enquanto outras só começam a tomar providências agora porque a onda chegou mais tarde para elas."

O tamanho do estrago apareceu nos números do nível de emprego divulgados mensalmente pela Fiesp. Até fevereiro, as empresas do setor fecharam 236,5 mil postos de trabalho,o que corresponde a um corte de quase 10% no número de empregos que existia no Estado em setembro de 2008.

O "facão" não poupou nenhum setor industrial.O corte foi maior na indústria de produtos alimentícios, que demitiu cerca de 78 mil trabalhadores, o equivalente a uma redução de 20% no nível de emprego. O número, no entanto, deve ser analisado com cautela, pois sofreu forte influência das demissões do setor sucroalcooleiro. Por causa da sazonalidade do plantio e corte da cana-de-açúcar, as usinas contratam milhares de trabalhadores ao longo do ano e costumam demitir a maioria deles em novembro e dezembro.

Já os fabricantes de veículos automotores, reboques e carrocerias, por exemplo, sentiram a retração da demanda e dispensaram 25,5 mil empregados (-10,2%). Da mesma forma, a indústria de produtos de borracha e de material plástico colocou na rua 15,5 mil trabalhadores e o setor de confecções e artigos do vestuário mandou embora 11,8 mil trabalhadores. Entre os menos afetados, estão os empregados dos laboratórios farmacêuticos, que fecharam apenas 120 vagas, e da indústria de produtos químicos (780 dispensas).

Responsáveis por algo como 40% do Produto Interno Bruto (PIB)industrial brasileiro, as empresas do setor instaladas no Estado empregam hoje cerca de 2,350 milhões de pessoas.

Banco público ocupou espaço em 2008


Estudo feito pelo BNDES comprova que a atuação dos bancos públicos limitou os efeitos da crise do crédito bancário no País em 2008. Essas operações cresceram 40% no ano passado, enquanto a elevação de crédito privado foi bem mais modesta, de 27%. O desempenho foi ditado basicamente pelo quarto trimestre, quando os efeitos da crise mostraram-se de forma mais contundente.


Apesar dos números registrarem aumento na concessão de crédito, houve escassez de recursos no mercado. Com a crise internacional, grandes companhias que se financiavam no exterior tiveram de disputar recursos no mercado interno, tirando recursos antes disponíveis para empresas menores. Além disso, boa parte do crescimento geral do crédito se deve à rolagem de antigos débitos acrescidos de juros.

Nesse quadro de dificuldades, os bancos públicos colocaram mais recursos na praça, aliviando parcialmente o problema. Entre setembro e dezembro, os créditos dos bancos públicos tiveram expansão de 12,9%, enquanto os dos bancos privados cresceram 3,2%. Ou seja, os bancos públicos foram responsáveis por 68% da variação das operações de crédito.

Sozinho, o BNDES contribuiu com 32% de toda a variação do crédito no período, exatamente a mesma parcela de todos os bancos privados. As outras instituições públicas, como Banco do Brasil e Caixa, ficaram com os 36%.

De acordo com os autores do estudo, pelos dados recentemente divulgados pelo Banco Central, a disparidade acentuou-se ainda mais no início de 2009. Até fevereiro, os bancos públicos responderam por 80% do aumento do crédito desde o agravamento da crise.

"Os bancos públicos estão funcionando como a mola amortecedora dos efeitos da crise", diz o economista Gilberto Borça Junior, coautor do estudo, ao lado de André Albuquerque Sant?Anna e Pedro Quaresma de Araújo.

"A existência de bancos estatais está sendo, nessa crise, um diferencial importante na capacidade dos Estados tornarem mais efetiva sua capacidade de compensar a retração das instituições privadas", conclui o texto do estudo, que traça um paralelo com a atual situação nos EUA, onde não existem bancos estatais. "O banco central americano encontra dificuldades para promover a expansão do crédito às empresas."

O estudo, que abrangeu o período entre 2004 e 2008, mostra que nos primeiros quatro anos o crescimento do crédito foi puxado pelas pessoas físicas, especialmente depois da popularização do crédito consignado.

Game premia estupro e pedofilia


Tudo começa numa estação do metrô, onde o jogador encontra uma mulher e começa a molestá-la. Os estupros ocorrem primeiro no trem e depois num parque da cidade. Se o criminoso conseguir fotografar a vítima nua e chorando, ele tem acesso às duas filhas da vítima, também as violenta e, depois, obriga todas a abortarem.

Se o leitor imagina que estou relatando mais um caso escabroso de crime sexual, errou. Trata-se de uma reportagem, dura e dramaticamente verdadeira, sobre o mercado informal de entretenimento. Renato Machado, repórter do Estado, radiografou o conteúdo e a comercialização de games vendidos livremente na internet e nas ruas de São Paulo.

A reportagem do jornal encontrou o jogo japonês para computador, Rapelay, nos catálogos de pelo menos cinco vendedores ambulantes que trabalham na região das Ruas Santa Ifigênia e Timbiras, no centro de São Paulo. O Rapelay foi produzido em 2006 pela empresa japonesa Ilusion e no fim do ano passado chegou a outros países. Os jogos podem facilmente ser baixados pela internet, em sites de compartilhamento.

Além de ter como foco a violência sexual, o jogo também choca ao mostrar casos de pedofilia, pois uma das vítimas usa um uniforme de estudante colegial e a outra tem 10 anos de idade, segundo resenhas publicadas sobre o jogo. O estupro contra a segunda é feito num quarto com ursos de pelúcia. Após elas engravidarem, o criminoso tem de convencê-las a abortar, ou será jogado por elas nos trilhos do trem.

O Ministério Público Federal (MPF) tomou conhecimento da existência do jogo por meio de um oportuno alerta da juíza da 16ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo Kenarik Bouijkian Felippe. Como faz parte do Grupo de Estudos de Aborto, ela recebeu um e-mail com o conteúdo do Rapelay e repassou para o MPF.

O caso está sendo investigado pelo Grupo de Repressão a Crimes Cibernéticos do MPF. De acordo com o procurador da República Sérgio Suiama, uma das dificuldades para abrir uma investigação criminal é que a legislação brasileira não tipifica o abuso sexual simulado de crianças, adolescentes e adultos. "É um absurdo um jogo em que o objetivo seja um estupro, mas infelizmente não há preceitos legais para analisarmos o caso. Ele faz parte de uma grande discussão jurídica sobre até onde vai a liberdade de expressão e onde começa o crime", diz.

Conversei com o procurador. O que ele percebe, com razão, é a dificuldade de reprimir um jogo produzido em outro país e que aqui só é comercializado clandestinamente. Combater a pirataria é importante, mas, como todos sabemos, não é nada fácil. Ademais, sublinha Sérgio Suiama, o monitoramento dos sites de compartilhamento é extremamente complicado. Esbarramos na dramática carência de normas internacionais que sejam de fato capazes de enfrentar os excessos do mundo virtual.

As empresas de comunicação e entretenimento, os legisladores, a sociedade e a família têm papel fundamental na luta contra ações criminosas e marcadamente antissociais. Cabe-nos a responsabilidade de falar claro. A liberdade de expressão termina onde começam o crime e o desrespeito aos valores éticos fundamentais. Produzir e comercializar um jogo que premia estupro e pedofilia é crime de primeira grandeza. A impunidade é uma arma devastadora da estabilidade social. É preciso encontrar mecanismos legais eficientes na repressão desses delitos.

Nós, jornalistas, formadores de opinião e empresários da comunicação, precisamos assumir firmemente a bandeira da cidadania. As empresas de comunicação éticas e sérias produzem entretenimento de qualidade e não podem ser confundidas com falanges criminosas do mundo virtual. Por isso devemos defender editorialmente as fronteiras que separam a liberdade de expressão do simulacro da liberdade. A falsa liberdade desemboca facilmente no crime hediondo. Matérias como as do repórter Renato Machado estão na melhor linha do jornalismo de qualidade.

Atualmente, graças ao impacto da internet, qualquer criança pode ter acesso a conteúdos corrosivos. Não é preciso ser psicólogo para que se possam prever as distorções afetivas, psíquicas e emocionais dessa perversa exposição virtual. Psiquiatras ouvidos pela jornalista Adriana Carranca, também repórter do Estado, foram enfáticos: os efeitos da exposição à violência são devastadores. A coordenadora da Psiquiatria do Hospital Albert Einstein, Ana Luiza Simões Camargo, explica que os jogos provocam uma certa permissividade em relação a situações de violência. "Aquilo que é horroroso se torna banal e até divertido", adverte a especialista.

Mas a família é insubstituível. A demissão do exercício da paternidade traz consequências que ultrapassam, de longe, o âmbito familiar. A ausência de limites sempre acaba mal. Frequentemente, com o apoio das próprias mães, inúmeras crianças estão sendo condenadas prematuramente a uma vida "adulta" e sórdida. Privadas da infância, elas estão se comportando, vestindo, consumindo e falando como adultos. A inocência infantil está sendo impiedosamente banida. Por isso, a multiplicação dos casos de pedofilia e abuso sexual não deve surpreender ninguém. Trata-se, na verdade, das consequências da escalada da erotização infantil e da impunidade do criminoso e lucrativo mercado da pornografia.

A falta de limites e a ausência da família estão no cerne do problema. Se os filhos não são educados para o exercício da liberdade, equilibrada e responsável, pouco se pode fazer. É preciso chegar junto. Acompanhar, orientar, limitar. É preciso saber dizer não. O Brasil precisa, com urgência, resgatar os valores e as instituições básicas da sociedade.

sábado, 4 de abril de 2009

Assim é a segurança pública do governador José Serra


Uma operação da Corregedoria da Polícia Civil e dos promotores do grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado (Gaeco) fechou ontem o 41º Distrito Policial, na Vila Rica, na zona leste de São Paulo. Os corregedores cercaram a delegacia às 9h40 atrás de 21 carros alienados que deviam, por ordem judicial, ser apreendidos, mas que estariam sendo negociados dentro do pátio da delegacia. A ação surpreendeu um informante trabalhando no plantão da delegacia como se fosse policial e apreendeu cerca de R$ 30 mil e uma porção de cocaína escondidos em um fundo falso.

A maioria dos carros no entanto, havia sumido do estacionamento da delegacia, agora chamado de "pátio dos milagres". O trabalho na delegacia foi interrompido durante a ação dos corregedores, que revistaram todas as salas do 41º DP. No fim da tarde, o titular da delegado, José Eduardo Ferreira Ielo e os chefes dos investigadores e dos escrivães da delegacia foram afastados. Conforme ordem do secretário da Segurança Pública, Antônio Ferreira Pinto, Ielo ficará em cargo burocrático enquanto durar a investigação do caso.

Durante 15 dias, o movimento na delegacia foi filmado por uma equipe da TV Globo. Carros que deviam ser apreendidos formalmente eram estacionados na delegacia sem que isso fosse registrado. A suspeita é de que, em vez disso, os policiais vendessem os carros. Não era qualquer pessoa que tinha acesso ao lugar. Recentemente dois portões foram construídos para controlar o acesso ao local. Um deles tem controle remoto e só deviam ser estacionados ali carros de policiais e veículos apreendidos - vítimas de crimes e advogados podiam usar um outro estacionamento.

Entre os veículos que deviam ter sido apreendidos pelos policiais e não foram está um Renault Scénic e um Audi A3 - só dois Gol e um Corsa da lista estavam ontem no pátio. Os corregedores e os promotores querem agora saber o destino dos carros. Quando eles chegaram à delegacia, um homem saiu correndo do prédio do 41º DP e pulou o muro dos fundos.

Os corregedores apanharam o suspeito que tentava fugir. Tratava-se do ex-escrivão de polícia Wagner Alves da Costa. Em seu bolso havia R$ 1 mil e a chave de um Gol parado no pátio da delegacia. No veículo havia uma porção de cocaína e, em um fundo falso, cerca de R$ 30 mil. O carro tinha ainda uma sirene da polícia e algemas no porta-luvas.

Costa foi levado à corregedoria, onde foi autuado em flagrante por posse de droga e falsidade ideológica, pois ele se apresentaria como policial e daria plantão na delegacia. "Olha, eu estou aqui há cinco meses e nunca vi nada. Eu estou surpreso", disse Ielo, então titular do 41º DP.

Além do falso policial, os corregedores buscavam máquinas de caça-níqueis no distrito. Verificavam denúncia de que, mediante propina, integrantes da máfia do jogo liberariam caça-níqueis apreendidos, que seriam trocados por máquinas velhas.Após a ação dos corregedores, a delegacia voltou a atender a população.

Professores descobrem mais erros em apostilas


Professores de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, descobriram novos erros em apostilas distribuídas às escolas estaduais. Além do mapa com dois Paraguais e sem o Equador na apostila de geografia (da 6ª série), na de história consta que Cristóvão Colombo descobriu a América em 1942, e não em 1492.

Alguns não creem que as apostilas do primeiro bimestre serão recolhidas pelo governo. "Eles foram orientados por coordenadores pedagógicos a corrigir os erros com o lápis, com os alunos, pois não dará tempo para distribuir novas apostilas", diz o conselheiro da regional do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), Claudio Luiz da Silva.

A Secretaria Estadual da Educação informou que ontem seria o último dia para trocar as apostilas com o mapa errado. O erro mencionando Colombo seria de digitação e o material não passaria por troca, mas os professores podem entrar no site da secretaria, imprimir as informações corretas e colá-las nas apostilas. A recomendação do uso de lápis foi para o período em que o material não chegou ou não foi colado, para que os alunos sejam ensinados corretamente, informou a assessoria de imprensa da secretaria.

O professor de geografia Oswaldo Ferreira Alves Filho disse que a legenda de uma apostila do 1º ano do ensino médio sugere que o pau-brasil existe em todo o país. ''Isso não é verdade, pois o pau-brasil é mais de áreas litorâneas, mas citaram como se também existisse no Amazonas'', diz.

A secretaria também atribuiu esse erro à digitação e diz que eles já foram sido detectados há três semanas pela Fundação Vanzolini, responsável pelas confecções das apostilas.

Alves Filho alega que em 2008 já havia erro, mas no caderno do professor: "Colocaram o Rio Xingu, que fica no Amazonas, como se estivesse no Rio Grande do Sul." Ele crê que, pelo desgaste atual, o Estado talvez nem distribua mais apostilas às crianças nos próximos bimestres. "É desperdício de dinheiro e os alunos hoje não são bobos e estão com receios de usar esse material errado."

Para Silva, que é professor de filosofia e não usa apostila, o caso gerou uma "crise moral": "Fizeram apostilas a toque de caixa, copiando da internet."

sexta-feira, 3 de abril de 2009

G-20 vai combater paraísos fiscais e regular mais o sistema financeiro


O documento final da reunião de cúpula do G-20 deu contornos práticos e animadores à saída imaginada pelos líderes mundiais para escapar da crise econômica global. Além de um pacote que pode chegar a US$ 5 trilhões até o fim do ano que vem, decidiu-se fechar o cerco a paraísos fiscais, ampliar a regulação do sistema financeiro, estimular a redução do consumo de carbono, criar "empregos verdes" e reabrir a Rodada Doha para negociações sobre o comércio internacional. O ânimo foi geral - dos líderes presentes no encontro, dos analistas e das bolsas de valores.

Obama elogia Lula em Londres: ‘‘Esse é o cara!’’

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi o líder político mais afagado nos dois dias de reunião do G-20, em Londres. Depois de se sentar ao lado da rainha da Inglaterra, Elizabeth II, e de ser citado pelo primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, Lula foi bajulado pelo presidente dos Estados Unidos. Em uma roda de líderes, minutos antes de iniciar a reunião de ontem, Barack Obama referiu-se a Lula como “o político mais popular da Terra”. Um vídeo da BBC, veiculado nas tevês, mostra o presidente Lula com Obama, que o cumprimenta e diz que ele é o político mais popular do planeta. Em resposta, o primeiro-ministro da Austrália, Kevin Rudd, acrescenta: “É o mais popular de longo mandato”. Ao que o norte-americano acrescenta: “Porque é boa-pinta”.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Tasso paga avião fretado com dinheiro do Senado


Em apoio a Tasso, Virgílio considera "CPI do Senado"


O senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) tem o hábito de usar parte de sua verba oficial de passagens aéreas para fretar jatinhos que são pagos com recursos do Senado. O ato da direção da Casa que regula o benefício não permite esse tipo de procedimento, mas o tucano diz ter obtido autorização especial para fazer as suas viagens.
Entre 2005 e 2007, Tasso gastou R$ 335 mil. Depois, as despesas foram publicadas sem registro de seu nome. De lá para cá, foram mais R$ 134 mil, totalizando R$ 469 mil, segundo o Siafi (sistema de acompanhamento do Orçamento).
O senador confirmou à Folha que foi usuário de jatinhos fretados e bancados com o dinheiro do Senado nos últimos quatro anos, mas enviou documentos em que assume gastos menores: R$ 358 mil. Tasso tem o seu próprio avião, um jato Citation. Ele afirma que recorre a fretamentos quando o seu está indisponível. Ele diz que a autorização foi obtida após o envio de ofícios para o então diretor-geral da Casa, Agaciel Maia. As brechas foram autorizadas pessoalmente pelo primeiro-secretário da Casa entre 2005 e 2008, Efraim Morais (DEM-PB), sem consulta à Mesa Diretora.

Regra fala em bilhete de avião, mas se omite sobre jatinho

Ato da Mesa do Senado que regulamenta a distribuição de passagens é claro ao determinar que cada senador terá direito só a bilhetes em aviões de carreira. Nada é dito sobre o pagamento de fretamento de jatinhos. O ato diz que não poderá haver outro tipo de subsídio que não sejam os bilhetes: "Fica extinta a ajuda de custo paga para transporte aéreo".

O senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) subiu há pouco à tribuna do plenário para rebater informações publicadas hoje (2) em matéria do jornal Folha de S.Paulo, segundo a qual Tasso teria usado irregularmente sua cota de passagem aérea em fretamento de jatinhos. Mas quem roubou a cena foi o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM): no calor de seu discurso, em aparte de defesa, Virgílio chegou a suscitar “uma CPI que investigue o Senado”, dada a situação da Casa.

“Não é o que eu quero, mas eu consigo em dez minutos uma CPI para investigar a gestão do senhor Agaciel Maia [diretor-geral afastado], e sabemos que não será só o senhor Agaciel a ser investigado”, ressaltou Virgílio, exigindo em 30 dias um “projeto moral” para a Casa.

A declaração de Virgílio foi uma espécie de desabafo contra o que ele considera "injustiça" aos senadores e servidores competentes e "de bem". O tucano, bem como outros pares, têm reclamado das seguidas denúncias que a imprensa vem publicando sobre os excessivos gastos do Senado.

Depois do pronunciamento, Virgílio disse ao Congresso em Foco que vai esperar a conclusão dos trabalhos de readequação da estrutura administrativa da Casa encomandado pelo presidência à Fundação Getúlio Vargas, e que a hipótese da CPI é "assunto muito sério". "Quem já lutou contra a ditadura sabe que não se pode brincar com uma coisa dessas", afirmou, acrescentando que uma CPI para investigar a Casa seria "deletéria".

Segundo Tasso, que tem um avião particular, tudo transcorreu de forma “transparente e legal”.

“Sempre subi aqui para assumir as coisas que faço. Fiz porque é legal, reconheço porque é legal”, disse o tucano, que entregou à Mesa Diretora uma declaração emitida pela diretoria-geral do Senado segundo a qual os fretamentos teriam sido executados segundo a legislação interna vigente. Diante das acusações, ele fez menção às seguidas denúncias de desmandos com o dinheiro público na Casa, instalando a crise ética em curso.

A reportagem da Folha informa que foi o então primeiro-secretário do Senado, Efraim Morais (DEM-PB), o responsável pela autorização dos fretamentos. "Desde 2005, o senador Tasso Jereissati usou R$ 469 mil de sua verba oficial de bilhetes aéreos para fretar jatinhos, o que é vetado. O senador confirmou ter fretado jatinhos com a verba do Senado, mas só assume gastos de R$ 358 mil O tucano tem jato, mas diz que, quando não pode usá-lo, freta aviões", diz trecho da chamada de capa.

Sem investigação

Mais cedo, o corregedor do Senado, Romeu Tuma (PTB-SP), anunciou que não será aberto processo investigativo contra Tasso, uma vez que nenhum óbice legal está previsto na legislação da Casa (leia).

“Eu, homem público, senador da República, banco de olhos azuis, não sou responsável por esta crise do Senado”, disse, com referência à declaração feita pelo presidente Lula no Palácio do Itamaraty, na semana passada, por ocasião da visita do primeiro-ministro britânico Gordon Brown. Lula atribuiu àquele biótipo a responsabilidade pela crise financeira internacional.

Recebendo o apoio do presidente do PSDB, Sérgio Guerra (PSDB-PE), Tasso propôs um desafio aos supostos detratores, caso fosse comprovado que os gastos com fretamento tenham algum tipo de irregularidade. “Eu me proponho a repor em dobro o que gastei”, disse.

“O vazamento desse tipo de informação é fraudulento. Não há nada ilegal nisso [o fretamento]”, defendeu Sérgio Guerra, para quem o caso de Tasso “não tem a menor gravidade”. “Ele tem o próprio avião, que presta enormes serviços ao partido”, destacou, lembrando que Tasso já emprestou o próprio avião quando Guerra enfrentou problemas de saúde.

O senador também recebeu apoio de nomes como o “independente” Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), para quem o Senado passa por uma fase “medíocre”, e do governista Tião Viana (PT-AC), que viajou ao seu estado e enviou palavras de “solidariedade” ao colega por Arthur Virgílio.

Briga de foice


O governo Lula não quer saber de violência durante a retirada dos arrozeiros da reserva indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, que foi determinada pelo STF. O grande temor da Polícia Federal é o ex-prefeito de Pacaraima Paulo César Quartiero(DEM), que promete liderar a resistência contra a decisão da Justiça.

Paixão nacional


Em visita ao Nordeste a convite do companheiro Lula, o presidente eleito de El Salvador, Mauricio Funes, que é casado com a petista Vanda Pignato, ficou impressionado com o programa Território da Cidadania. Decidiu adotar o projeto que dá apoio a comunidades com baixa atividade econômica.

Skaf sobe o morro


Na quarta-feira 25, o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, deu o pontapé inicial na agenda de pré-candidato ao governo de São Paulo.

De jeans e manga de camisa, foi à favela Paraisópolis, no Morumbi, a convite da associação dos moradores. Andou pelas vielas onde vivem cerca de 180 mil pessoas, e, ao fim da visita, fez promessas, entre elas o apoio da Fiesp à formação de mão de obra.

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