segunda-feira, 6 de abril de 2009

Banco público ocupou espaço em 2008


Estudo feito pelo BNDES comprova que a atuação dos bancos públicos limitou os efeitos da crise do crédito bancário no País em 2008. Essas operações cresceram 40% no ano passado, enquanto a elevação de crédito privado foi bem mais modesta, de 27%. O desempenho foi ditado basicamente pelo quarto trimestre, quando os efeitos da crise mostraram-se de forma mais contundente.


Apesar dos números registrarem aumento na concessão de crédito, houve escassez de recursos no mercado. Com a crise internacional, grandes companhias que se financiavam no exterior tiveram de disputar recursos no mercado interno, tirando recursos antes disponíveis para empresas menores. Além disso, boa parte do crescimento geral do crédito se deve à rolagem de antigos débitos acrescidos de juros.

Nesse quadro de dificuldades, os bancos públicos colocaram mais recursos na praça, aliviando parcialmente o problema. Entre setembro e dezembro, os créditos dos bancos públicos tiveram expansão de 12,9%, enquanto os dos bancos privados cresceram 3,2%. Ou seja, os bancos públicos foram responsáveis por 68% da variação das operações de crédito.

Sozinho, o BNDES contribuiu com 32% de toda a variação do crédito no período, exatamente a mesma parcela de todos os bancos privados. As outras instituições públicas, como Banco do Brasil e Caixa, ficaram com os 36%.

De acordo com os autores do estudo, pelos dados recentemente divulgados pelo Banco Central, a disparidade acentuou-se ainda mais no início de 2009. Até fevereiro, os bancos públicos responderam por 80% do aumento do crédito desde o agravamento da crise.

"Os bancos públicos estão funcionando como a mola amortecedora dos efeitos da crise", diz o economista Gilberto Borça Junior, coautor do estudo, ao lado de André Albuquerque Sant?Anna e Pedro Quaresma de Araújo.

"A existência de bancos estatais está sendo, nessa crise, um diferencial importante na capacidade dos Estados tornarem mais efetiva sua capacidade de compensar a retração das instituições privadas", conclui o texto do estudo, que traça um paralelo com a atual situação nos EUA, onde não existem bancos estatais. "O banco central americano encontra dificuldades para promover a expansão do crédito às empresas."

O estudo, que abrangeu o período entre 2004 e 2008, mostra que nos primeiros quatro anos o crescimento do crédito foi puxado pelas pessoas físicas, especialmente depois da popularização do crédito consignado.

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