quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Setor elétrico é a maior aposta do grupo alemão no Brasil

Preparada para crescer anualmente no segmento "verde", a Siemens vê no Brasil grande potencial para expandir seus negócios nos próximos anos. Grande parte dessa expectativa se deve ao fato de o país já pender "naturalmente" para isso, sobretudo no setor energético. Líder mundial em energia hidrelétrica, o país deverá consolidar sua matriz energética limpa com avanços nas gerações eólica e na cogeração com bagaço de cana e outros resíduos da agroindústria.

"Já tínhamos um portfólio verde no Brasil antes da reorientação mundial porque essa é a nossa vocação", diz Adilson Primo, presidente da Siemens Brasil.

Segundo o executivo, o portfólio "verde" da empresa no país representa cerca de 20% a 25% do total. Percentualmente, é maior que o do grupo. Com o Programa para Aceleração do Crescimento (PAC), os negócios nesse segmento poderão crescer mais, uma vez que quase todos os projetos tem um conteúdo "green".

"Peguemos [a hidrelétrica de] Jirau, em Rondônia: estamos falando de energia renovável e de transmissão de corrente contínua onde temos uma tecnologia específica, com menos descargas na atmosfera", diz o executivo.

A grande expectativa do grupo, no entanto, está no setor eólico. A Siemens Brasil aguarda os resultados do primeiro leilão de energia eólica, que ocorrerá em novembro, para tomar uma decisão: levantar seu primeiro parque industrial eólico no país, no caso de um resultado positivo.

"Estamos estudando montar uma fábrica de energia eólica. Estamos analisando quais componentes - pás, gerador ou a engrenagem - poderíamos fazer com níveis de nacionalização que seriam incrementados ao longo do tempo. Mas é preciso ter certa previsibilidade para se tomar uma decisão dessas", diz Adilson Primo, presidente da Siemens Brasil. "Até agora sabemos só que teremos leilão, que consideramos muito importante porque vai conceder mil megawatts para os investidores. Mas será exitoso? O último leilão foi um fiasco. Achávamos que teria uma série de investidores. E foi deserto."

Outra aposta do grupo está no setor de cogeração com bagaço de cana-de-açúcar. A estratégia da empresa é realizar parcerias tecnológicas com universidades, institutos de pesquisa e empresas locais para desenvolver soluções específicas para esse mercado. Uma das parcerias de mais sucesso tem sido com a indústria de base Dedini, de Piracicaba (SP), para o processo de automação das usinas de açúcar e álcool.

"Estamos aliados à política mundial e aproveitamos o que emana da matriz, todas as soluções criadas no conglomerado. Mas buscamos o desenvolvimento de nichos onde o Brasil vai dominar a tecnologia nos próximos anos", diz o executivo brasileiro.

Para ele, o Brasil deveria privilegiar os segmentos econômicos que o diferenciam dos demais países. O grande filão será nas energias eólica e de cogeração. A energia solar, no entanto, deslancharia apenas em um segundo momento. "Mas isso vai ter de ser subsidiado", diz Primo.

"O Brasil tem vocação para certas coisas e acho que é isso o que o país devia fazer: focar. O país não tem recursos para tudo, portanto deveria fechar o leque. Deveria saber quais são as suas vocações e investir pesado nelas."

De acordo com Primo, o braço brasileiro da Siemens tem investido continuamente no país, ao longo dos últimos dez anos, em torno de R$ 120 a R$ 140 milhões por ano. "Isso é muito mais do que a média das empresas nacionais. A Siemens mundial investe quase € 4 bilhões por ano. Eu não sei se o Brasil investe isso".

O grande problema, acrescenta o executivo, continua sendo a falta de uma cultura de inovação. "O Brasil é um país que inova pouco. As empresas brasileiras não têm o DNA da inovação e essa é a grande vantagem de um país como a Alemanha", diz o executivo. "A Alemanha não tem recursos naturais, é um país desse tamanho e, no entanto, é o maior exportador mundial. E o que ela exporta? Ideias."

Petrobras inicia projeto de injeção de CO2 na Bahia

A Petrobras começa a operar na primeira quinzena de outubro o projeto de injeção de dióxido de carbono (CO2) no campo terrestre de Miranga, na Bahia, com o objetivo de aumentar o fator de recuperação de óleo. De acordo com a gerente-executiva de engenharia de produção do setor de exploração e produção da Petrobras, Solange Guedes, este será o maior projeto de injeção de CO2 já implantado pela estatal.

Solange, que participou de palestra organizada pela Câmara Britânica, afirmou que a operação em Miranga será uma preparação tecnológica para desenvolver um sistema eficiente de injeção de CO2 a ser aplicado nos campos do pré-sal. O projeto-piloto de Tupi, que começará a operar na bacia de Santos no fim de 2010, efetuará a reinjeção do CO2 para facilitar o escoamento do óleo.

O objetivo da companhia ao injetar CO2 nos reservatórios é aumentar a vazão dos poços. A plataforma que vai operar o piloto de Tupi, com capacidade de 100 mil barris por dia, já será equipada com uma unidade para separar o CO2 extraído do fundo do mar junto com os hidrocarbonetos e com bombas de reinjeção.

Solange disse ainda que a empresa não extrapola para todo o reservatório o resultado de um poço em Guará, no bloco BM-S-9, na Bacia de Santos, com vazão de até 50 mil barris por dia. Quanto maior a vazão de um poço, menor o custo de produção.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Serra concede honrarias a aliados do PMDB

No momento em que a cúpula do PMDB nacional tenta antecipar a formalização de uma aliança de apoio à candidatura da ministra Dilma Rousseff à Presidência da República, a ala do partido mais alinhada ao governador de São Paulo, José Serra (PSDB), desembarca hoje à noite na capital paulista para um evento com o tucano. Os senadores Pedro Simon (RS), Jarbas Vasconcelos (PE) e o governador de Santa Catarina, Luiz Henrique da Silveira, devem estar entre os homenageados com a honraria Ordem do Ipiranga.

O título é reservado a cidadãos nacionais ou estrangeiros como reconhecimento de gratidão dos paulistas por serviços prestados a São Paulo. Também participariam do evento o ex-presidente Itamar Franco (PPS), os ex-ministros Márcio Thomaz Bastos, Miguel Reali Junior, José Gregori, e o presidente nacional do PPS, Roberto Freire.

Antes da cerimônia, Serra descartou qualquer caráter partidário do encontro. "Tem (pessoas) de todos os partidos, até do PSOL. Não é uma cerimônia partidária, o que não corresponde ao governo de São Paulo." Segundo ele, são "pessoas que merecem ser homenageadas pela sua trajetória e pela sua relação com São Paulo".

À tarde, Serra recebeu cerca de 500 prefeitos e representantes no Palácio dos Bandeirantes para o anúncio de um programa de distribuição de ônibus escolar para todos os 645 municípios do Estado. Cada cidade terá direito a um veículo, com capacidade para 31 alunos, que será entregue até fevereiro de 2010. O investimento do governo paulista é de R$ 94 milhões.

Na cerimônia a prefeita de Itaju, Fátima Guimarães (PSDB), porta-voz dos prefeitos presentes, elogiou a parceria de Serra com os municípios, criticou o governo federal e por pouco não fez um apoio explícito à candidatura do tucano à Presidência da República. "Uma das coisas que a gente tem muito orgulho é a capacidade administrativa do nosso governador, que não fique restrita ao nosso Estado, que o Brasil também merece um governador como nós temos", emendou.


Chalita

O governador evitou comentar a filiação do vereador Gabriel Chalita ao PSB e as críticas feitas pelo ex-tucano ao governo paulista. "Não vou falar disso. Não tem a menor importância", afirmou Serra.

Indagado se havia ficado surpreso com as declarações do vereador, o governador disse que nem sabia quais tinham sido os ataques.

Ontem, Serra adotou um tom de desprezo em relação à saída de Chalita do PSDB e as acusações à gestão tucana. "Estou nem aí", afirmou.

Milhões e bilhões

A única coisa certa em relação ao projeto de capitalização da Petrobras que o governo encaminhou ao Congresso Nacional é que o Tesouro injetará mais de R$ 50 bilhões na empresa, da qual hoje detém cerca de um terço das ações. Se esses recursos forem contabilizados como dívida pública, o superávit fiscal será zerado. O projeto de capitalização do governo prevê a cessão onerosa de 5 bilhões de barris de reservas do pré-sal que caberiam à União no novo regime de partilha, em troca da emissão de ações novas da Petrobras no mesmo valor.

Trocando em miúdos: a Petrobras emitirá ações para que a parte que a União comprar dessas ações corresponda ao valor que a empresa precisa lhe pagar pelas reservas que recebeu. Como as reservas novas devem custar o equivalente a 32,2% do bolo de ações emitidas, que é exatamente a participação da União no capital na empresa, também serão emitidas ações em volume proporcional aos minoritários, que têm os outros 67,8%. O dinheiro obtido com a venda irá para o caixa da Petrobras para investimentos. Porém, sempre há um porém, pode ser que os sócios minoritários não se interessem. Nesse caso, o governo ampliaria a participação nas ações e poderia recuperar o total controle acionário da Petrobras, com mais de 50% do seu capital. Será uma espécie de reestatização da empresa, uma sociedade anônima de capital misto controlada pelo governo.

FGTS// Uma das 67 emendas do PMDB apresentadas ao projeto do pré-sal prevê a utilização dos recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para a compra das novas ações da Petrobras. Trabalhadores que compraram ações da empresa com o FGTS, no passado, correm o risco de perdê-las se não aumentarem a participação na Petrobras.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Jurista critica sabatinas de indicados ao STF

Professor titular de direito constitucional da Universidade de São Paulo (USP), Virgílio Afonso da Silva diz que o grande problema na nomeação dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) é a sabatina. "É necessário que o Senado leve mais a sério a sua função", critica. "A Casa nunca fez uma sabatina de verdade. É um carimbo na indicação do presidente, é só uma chancela."

Afonso da Silva aponta que "se alguém não tem feito seu papel corretamente, é o Senado". Segundo ele, com exceção de casos folclóricos no início da República, nunca houve rejeição de um indicado à Corte. O jurista lembra que o modelo brasileiro é inspirado no americano, mas falta seriedade na hora da sabatina - que nos EUA chega a durar vários dias. "Não é apenas uma tarde, como aqui."

O importante, diz, é saber como o candidato a ministro interpreta a Constituição, conhecer suas convicções éticas, políticas e morais. Situação inversa ocorre hoje. O último indicado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, José Antonio Dias Toffoli, gerou polêmica, mas sua aprovação pelo Senado está praticamente acertada.

Afonso da Silva destaca que a grande maioria dos modelos em vigência no mundo partem do pressuposto de que um tribunal constitucional é político. "Não posso afirmar, seguramente, sobre todos os países, mas nos mais importantes, com certeza." Na opinião dele, os ministro do STF deveriam ter mandatos fixos

Cartaz do filme "Michael Jackson: This Is It"; documentário terá pré-estreias em 15 cidades



Milhares de ingressos para as sessões do filme sobre o cantor Michael Jackson foram vendidos rapidamente em várias cidades do mundo após o início das vendas, neste domingo, de acordo com a Sony Pictures.

De acordo com a empresa, todos os 30 mil ingressos colocados à venda em Londres foram vendidos nas primeiras 24 horas.

O filme, que reunirá imagens dos ensaios do cantor para a turnê que começaria em julho, em Londres, entrará em cartaz no dia 28 de outubro e ficará nos cinemas durante duas semanas.

Algumas pré-estreias do filme também já estão com os ingressos esgotados.

domingo, 27 de setembro de 2009

Agentes do ex-Dops vigiaram Lula e Serra

Durante 16 anos, em meio à euforia da abertura democrática, arapongas da polícia de São Paulo espreitaram José Serra, Franco Montoro, Mário Covas, Aloysio Nunes Ferreira, Michel Temer, d. Claudio Hummes, Luiz Inácio Lula da Silva e outras lideranças políticas, sociais e religiosas. A vigilância clandestina foi exercida intensamente - cada passo, cada gesto, cada palavra dos alvos era merecedor de registro - e prevaleceu por todo o período entre março de 1983 e maio de 1999.

O segredo dos espiões estava lacrado havia uma década em grandes caixas de papelão empilhadas no Arquivo Público do Estado. Elas escondiam acervo de 1.286 pastas com dados pessoais e temáticos, 52.875 fichas remissivas, documentos expedidos por repartições oficiais, relatórios de ações investigativas, materiais apreendidos e robusta coleção de recortes de jornais da época. As fichas são de papel cartolina, formato retangular, e nelas os agentes datilografaram suas impressões e anotações acerca de cada autoridade. Também batiam fotos, em preto e branco, de reuniões sindicais, movimentos populares e manifestações.

O núcleo de arapongas era formado por investigadores e delegados, incluindo veteranos do Departamento de Ordem Política e Social (Dops) - artífice dos porões que Franco Montoro (PMDB) extinguiu no início de 1983, pouco antes de sua posse no governo de São Paulo. Montoro chegou ao Palácio dos Bandeirantes pela via do voto direto, respaldado na bandeira das liberdades e do respeito aos direitos humanos. O arbítrio vivia o seu ocaso, as ruas ferviam por Diretas Já. Em março daquele ano, o peemedebista montou o Departamento de Comunicação Social (DCS). Mal podia imaginar que ele próprio, governador dos paulistas, seria espiado por sua criação.

Ao DCS não foi conferida autonomia ilimitada, muito menos o poder desmedido da polícia política, mas o decreto 20.872/83, que lhe deu forma e definiu suas atribuições e competências, era um tanto vago, confuso até. O novo departamento alojou traços da intolerância em suas divisões e um pessoal vocacionado para a bisbilhotagem, que se sentia legitimado por texto ambíguo.

O DCS instalou-se discretamente no 15º andar do Palácio da Polícia, na Luz, com a missão de "planejar, controlar e coordenar a coleta, processamento e difusão de informação social, e o relacionamento interno e externo da Polícia Civil". Na prática, virou quase uma réplica do Dops debaixo do nariz dos democratas - eles os alvos preferenciais. O departamento restabeleceu a era dos relatórios secretos, virou fábrica de dossiês.

O procedimento dos arapongas marca contradição histórica. Por que e a quem serviam exatamente não se sabe. O governo federal ainda estava nas mãos dos generais - e só por mais dois anos, até 1985. Mas, em São Paulo e em muitos outros Estados, já havia chegado a democracia. O ritual se arrastou até 1999, quando Mário Covas (PSDB), governador já em segundo mandato, foi alertado e de pronto tomou duas medidas - pôs um fim na repartição e ordenou a lacração de todos os registros. A papelada foi removida para um salão no terceiro andar do Arquivo Público, em Santana, desde 2007 vinculado à Casa Civil do governo, pasta dirigida por Aloysio.

Há duas semanas, uma equipe técnica deu início à pesquisa da relíquia. O trabalho leva a assinatura de Carlos de Almeida Prado Bacellar, coordenador do Arquivo e professor do Departamento de História da USP. Sua meta inicial é montar um banco de dados digital. Depois, todo o acervo será microfilmado. Não é tarefa simples. Os peritos tentam decifrar senhas, palavras abreviadas e algarismos. "Temos que entender a lógica dos códigos", diz Bacellar. "É o primeiro desafio. Não se trata aqui de codificação de arquivistas, é coisa de polícia."

Nos anos 80, ainda estudante, Bacellar também foi às ruas. Em meio às multidões que pediam "eu quero votar para presidente", ele montava uma barraquinha e oferecia camisetas que fizeram sucesso porque no peito e nas costas traziam desfeita aos militares. "Direita volver, Diretas vou ver." "Vendia como água", recorda-se o professor. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

sábado, 26 de setembro de 2009

Os desconhecidos

O pré-candidato tucano a presidente José Serra é conhecido por apenas 66% dos eleitores, segundo revelou a última pesquisa Ibope, divulgada nesta semana. Os demais postulantes pontuam sempre abaixo dos 50%.

O segundo mais conhecido é Ciro Gomes, do PSB, cuja imagem é lembrada por 45% dos eleitores. O percentual de Dilma Rousseff (PT) é só 32%. O tucano Aécio Neves tem 27%. Em último lugar está a neófita Marina Silva (PV), com 18%.

Esses números dão um recado simples. Falta pouco mais de um ano para a eleição do ano que vem e o eleitor ainda não está nem aí para o assunto. A chance de imprevistos ocorrerem são enormes.

Em todas as disputas presidenciais diretas pós-ditadura, o candidato favorito só se consolidou no primeiro semestre do ano eleitoral -nunca antes. Foi assim com Fernando Collor (1989), com FHC (1994) e com Lula (2002). As reeleições de FHC (1998) e de Lula (2006) são histórias diferentes.

Há também agora um fator destruidor de análises baseadas em fatos passados. Lula não estará presente pela primeira vez na lista de candidatos. A existência da candidatura constante do petista funcionava como um eixo organizador. A partir de um dado momento, formava-se uma onda a favor e outra contra o PT e o radicalismo lulista.

Em tese, José Serra poderia desempenhar esse papel antes ocupado por Lula. Afinal, o tucano será, de longe, o mais experiente de todos os postulantes ao Planalto -não só por ser o mais velho, mas também por ser quem ocupou os cargos de maior relevância entre os possíveis candidatos.

Ocorre que Serra não é Lula, como se sabe. Tampouco se assemelham ao petista os dois nomes do campo governista, Dilma e Ciro. Se o quadro de candidaturas se mantiver assim, nada impede Lula de continuar a dar as cartas nesse oceano de quase desconhecidos.

Fernando Rofrigues - frodriguesbsb@uol.com.br

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

PIB pode crescer acima de 5% em 2010

O cenário positivo que se desenha para a demanda interna torna cada vez mais provável um crescimento na casa de 5% em 2010, e já há até quem aposte em alta de 6%, como o ex-ministro Luiz Carlos Mendonça de Barros, da Quest Investimentos. O consumo das famílias e o investimento devem liderar a expansão, com as despesas do governo como coadjuvante, um resultado da combinação de juros baixos, mercado de trabalho em recuperação, gastos públicos elevados e redução das incertezas globais. Para este ano, boa parte dos bancos e consultorias já aponta para um Produto Interno Bruto (PIB) ligeiramente positivo.

O economista-chefe da MB Associados, Sérgio Vale, diz que uma alta expressiva do PIB em 2010 está praticamente contratada. "A política monetária e a política fiscal serão muito expansionistas. Elas estarão trabalhando como nunca para estimular o crescimento", afirma Vale, que revisou na semana passada a sua projeção de 4% para 5%. Para ele, apenas uma piora muito acentuada do cenário global pode comprometer um PIB forte em 2010, algo como um "novo Lehman Brothers" - o banco de investimentos que quebrou em setembro de 2008, agravando a crise. Vale acredita em crescimento de 5% do consumo das famílias, estimulado pela alta de 5% da massa salarial acima da inflação, e de 11% dos investimentos na construção civil e em máquinas e equipamentos (a formação bruta de capital fixo, FBCF) - em 2009, ele projeta queda de 10,2% da FBCF.

Mendonça de Barros passou a apostar em crescimento de 6% em 2010 depois da divulgação dos números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) de agosto, que revelou um saldo positivo de 242,1 mil postos de trabalhos formais. A renda segue firme e a geração de emprego está melhor do que se esperava, diz ele, observando que a Quest passou a trabalhar com uma alta do PIB neste ano de 0,2% - antes do Caged de agosto, estimava queda de 0,3%. O Morgan Stanley, que chegou a prever queda de 4,5%, hoje estima recuo de apenas 0,5%.

"O consumo das famílias deve continuar forte, e o investimento também deve voltar, estimulado pela demanda. Além disso, o governo está gastando que nem louco", afirma Mendonça de Barros, ministro das Comunicações no governo Fernando Henrique Cardoso. Apenas as exportações não devem ter uma reação das mais expressivas, já que o mundo ainda crescerá pouco no ano que vem.

Para ele, o ritmo forte de expansão da economia, com um mercado de trabalho tão pujante, pode exigir aumentos de juros já no primeiro semestre do ano que vem. Nesse cenário, o governo deveria mudar a política fiscal, diz Mendonça de Barros. Com a demanda privada aquecida, manter os gastos públicos em alta expressiva é uma má ideia. "A inflação não vai dar saltos, pulando de 4,5% para 8%, mas pode ficar pressionada por conta do mercado de trabalho muito aquecido, elevando os preços dos serviços." Vale diz que há de fato o risco de alta dos juros no ano que vem, mas vê um eventual aumento da taxa Selic, hoje em 8,75% ao ano, apenas no quarto trimestre. Se ocorrer, será mais por causa das perspectivas para a inflação em 2011 do que pela pressão no ano que vem, já que a capacidade ociosa na indústria é grande.

O diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco, Octavio de Barros, também mudou a sua projeção de crescimento do PIB para 2010, elevando-a de 4,9% para 5,4%. "A maior surpresa em nosso cenário certamente tem sido o comportamento muito favorável do mercado de trabalho e da renda", diz Barros. Segundo ele, os efeitos da redução dos juros, dos estímulos fiscais e da rede de proteção social criada nos últimos anos "foram capazes de preservar o emprego de forma importante, levando à rápida recuperação da confiança dos consumidores e, consequentemente, à manutenção do otimismo empresarial e da produção voltada ao mercado doméstico".

O economista chama a atenção para o desempenho das vendas no comércio, que podem crescer algo próximo a 5% neste ano, descontada a inflação. Num quadro de preservação da demanda interna, com perspectiva de continuidade da expansão dos estímulos fiscais e da ampliação de alguns benefícios já contratados - o salário mínimo deve subir quase 10% em 2010, por exemplo -, ele mudou as suas estimativas para o PIB deste ano e do próximo. Para 2009, o Bradesco, que projetava queda de 0,5% prevê agora uma alta de 0,1%. "Em nosso novo cenário, a demanda doméstica continua a ser o motor do crescimento, puxada pelo consumo das famílias e os gastos do governo. Os investimentos retornarão em breve, mas esperamos uma contribuição bem menor do que os demais ainda em 2010", afirma Barros, ressalvando, contudo, que as inversões podem ser mais fortes do que ele projeta, "por conta das boas perspectivas para a economia e da farta disponibilidade de financiamento doméstico e externo. "

Para Rodrigo Azevedo, ex-diretor do Banco Central (BC) e sócio-sênior da JGP Gestão de Recursos, o Brasil deverá alcançar crescimento de 5% no PIB do próximo ano, impulsionado pela melhora do setor exportador e do mercado interno, sustentado pelo crescente aumento da renda. "Há revisão para cima no crescimento mundial, tendo uma retomada do comércio em primeiro plano. Como já observamos uma puxada das exportações acima das previsões, é possível supor que o quadro para 2010 seja melhor", analisa Azevedo, que trabalha com um quadro mais favorável para as exportações do que a média dos analistas. Para ele, a "profunda" retração pela qual passou a indústria entre o fim de 2008 e os primeiros meses de 2009 ampliou a capacidade ociosa, que foi e está sendo lentamente retomada. Azevedo destaca ainda que o governo federal não dá sinais de que vai segurar os gastos públicos.

O economista-chefe da LCA Consultores, Bráulio Borges, diz que, do ponto de vista da oferta, a indústria é que vai brilhar em 2010. Ele prevê alta de 9% para a produção industrial, uma reação forte à queda de 7% esperada para 2009. Os setores ligados ao mercado interno e que produzem bens de capital devem ter bom desempenho, avalia ele. Do lado da demanda, ele aposta em forte expansão do consumo das famílias, de 5,2%, e do investimento, de 15,8%.

Outro fator que vai ajudar o crescimento é a herança estatística (o "carry over") que 2009 deixará para 2010, como destaca Azevedo. Segundo ele, se o PIB deste ano ficar estável, como ele prevê, o "carry over" será de 2,5%. Com isso, se a economia não crescer nada em relação ao nível do fim deste ano, a expansão em 2010 será de 2,5%. Para comparar, o "carry over" que 2008 deixou para 2009 foi negativo em 1,5%.

Thaís Zara, economista-chefe da Rosenberg & Associados, tem previsões menos otimistas para o próximo ano, embora aposte em crescimento de 0,3% em 2009. "O fundo do poço já passou, mas o crescimento mundial não será tão forte quanto se imagina", afirma ela, que aposta em crescimento de 3,5% para o ano que vem. O fim das desonerações tributárias deve tirar um pouco de força da economia nos próximos trimestres, acredita ela. Nem a perspectiva de aquecimento da demanda externa por produtos nacionais empolga a analista, que vê no câmbio valorizado um entrave para o impulso exportador, embora os bens primários devam melhorar o saldo comercial do Brasil.

Selo de qualidade para o País

O Brasil tem agora o selo de qualidade de três das principais agências de classificação de risco. Isso consolida sua posição como mercado não só atraente, mas também seguro para o capital internacional. Os dois primeiros selos foram atribuídos ao País em abril e em maio do ano passado, quando a Standard & Poor"s e a Fitch anunciaram sua elevação ao grau de investimento. A decisão da Moody"s, quase um ano e meio depois, não surpreendeu o mercado, mas tem um valor especial por dois motivos. Primeiro, por ter ocorrido antes da superação da crise mundial, quando várias grandes economias ainda patinam na recessão. Segundo, porque alguns fundos de investimento só podem aplicar o dinheiro de seus associados em países e empresas com a garantia de pelo menos três agências.

O Brasil atingiu essa condição e isso acabará influindo nas decisões daqueles fundos dentro de algum tempo. Não há pressa, neste momento, porque o País dispõe de reservas suficientes para sua segurança externa e também porque o mais importante, a curto prazo, é atrair investimentos diretos, isto é, destinados ao setor produtivo e não ao mercado de títulos.

A elevação do Brasil ao grau de investimento foi motivada em parte por seu desempenho econômico durante a crise global, segundo nota assinada pelo diretor da Moody"s para a América Latina, Mauro Leos. O País foi qualificado, nessa nota, como um dos "vencedores" identificados pela agência de classificação nesta fase de turbulência financeira. Mas a concessão do grau de investimento depende principalmente de fatores como o grau de solvência do setor público, a relativa estabilidade dos preços e a solidez das contas externas.

Essas condições dependem de políticas prudentes e firmes, nem sempre populares por seus efeitos de curto prazo. Durante a crise, o governo tomou medidas expansionistas, principalmente por meio de cortes de impostos para estimular o consumo em alguns setores. Além disso, a contração econômica afetou a receita de impostos e um dos efeitos foi o aumento da relação entre a dívida pública e o Produto Interno Bruto (PIB). Esses efeitos tendem a ser temporários, admitem os analistas da Moody"s, e a piora de alguns indicadores não os impediu de atribuir ao País, além do grau de investimento, uma perspectiva positiva.

Uma nova promoção dependerá, no entanto, de novos progressos na consolidação do quadro fiscal, isto é, das contas públicas. Trata-se de saber, portanto, se o governo será capaz não só de promover o crescimento da economia, nos próximos anos, mas também de apresentar resultados melhores na administração de suas contas. Os analistas da Moody"s, por enquanto, parecem otimistas quanto a essa possibilidade.

Mas outros especialistas têm mostrado crescente preocupação com a tendência das contas públicas brasileiras. No começo do mês, a Fitch, a segunda agência a atribuir ao Brasil o grau de investimento, chamou a atenção para a piora das contas brasileiras.

"A estrutura do gasto público do Brasil está-se deteriorando, porque uma parte significativa de seu aumento está relacionada com benefícios de aposentadoria e pagamento de pessoal", disse a diretora sênior do grupo de risco soberano da agência, Shelly Shetty.

A inversão da tendência será difícil, acrescentou a especialista, porque esse aumento da despesa não é classificável como estritamente anticíclico. Outros países combateram a recessão com elevação dos investimentos públicos e corte de impostos. As duas medidas, ao contrário da majoração de salários e de pensões, são reversíveis depois da crise.

Na semana passada, o governo anunciou planos equivalentes a um rebaixamento da meta fiscal de 2009. O ministro da Fazenda nega a intenção de reduzir o superávit primário, mas será esse o resultado, se o governo tirar do cálculo os investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Se alguma folga for conseguida com esse expediente, será usada certamente para maiores gastos de custeio.

O grau de investimento atribuído ao País por três grandes agências é o reconhecimento do efeito ? acumulado ao longo de muitos anos ? de políticas acertadas. É o resultado de escolhas formuladas nos anos 90 e essencialmente mantidas pelo atual governo. A prioridade a interesses eleitorais pode comprometer essa conquista. Ainda se pode evitar esse erro.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Prefeitura de Nova York manda Kaddafi parar de montar tenda

A prefeitura de Nova York ordenou ao líder líbio Muamar Kaddafi que suspenda a instalação de sua tenda na cidade. O mandatário sempre dorme em sua tenda quando viaja, mas a municipalidade considera que a instalação - em jardins de uma propriedade do multimilionário Donald Trump - viola as normas da cidade. Kaddafi está em Nova York para participar da Assembleia Geral das Nações Unidas.

Kaddafi planejava instalar sua tenda de acampamento - utilizada tradicionalmente pelos povos nômades do norte da África - em Nova Jersey, em uma propriedade da embaixada da Líbia. Mas as autoridades negaram a autorização e Kaddafi tentou se instalar no Central Park, o que também não foi permitido.

Trump não esclareceu a cessão do terreno ao líder líbio e assegurou que a propriedade foi alugada para um grupo do Oriente Médio "que pode ter ou não relações com o senhor Kaddafi", mas assegurou que também está investigando a polêmica.

Joel Sachs, um advogado do povoado de Bedford, a 70 quilômetros ao norte de Manhattan, disse ao diário Journal News que a interrupção da montagem da tenda foi ordenada na noite de terça-feira, 22, porque não havia autorização para o estabelecimento de residência temporária no local. Sachs disse que as autoridades encontraram trabalhadores construindo a tenda, mas não puderam se comunicar com eles porque não falavam inglês.

Um funcionário do Departamento de Estado dos EUA, que pediu anonimato, disse que a propriedade foi alugada para o período de duração da Assembleia Geral da ONU e que ninguém dormiria lá.

A polícia proibiu o estacionamento nas ruas próximas à propriedade, que tem vizinhos como Martha Stewart e Ralph Lauren. Helicópteros das redes de televisão mostraram a tenda em construção no local.

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