quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Kassabinho e 2012

Gilberto Kassab tem poucos motivos para brindar o ano novo. Não terá somente que se desdobrar para recuperar os índices de aprovação, que despencaram ao longo de 2009, mas reavaliar toda a sua estratégia política.

Por alguns meses, o DEM pensou em um voo mais ambicioso para o prefeito de São Paulo. Lançá-lo ao governo do Estado, por exemplo.

Kassab despontava como nova liderança dentro e fora do partido. Passara com louvor no teste das urnas em 2008. Por que perder o embalo? Além disso, há a desavença entre José Serra e o candidato tucano, Geraldo Alckmin. O governador não haveria de se opor à ideia de patrocinar dois nomes de sua base. No entanto, a administração Kassab derrapou feio em 2009 ao lidar com restrições orçamentárias. Não tomou decisões sensatas em muitas áreas cruciais, como varrição de ruas, merenda escolar e controle de enchentes. A Cidade Limpa virou a Cidade Descuidada.

Pior: Kassab mostrou-se indeciso. Cansou-se de anunciar "maldades" e depois recuar -um jogo sádico com o município, que comprometeu tanto a imagem do bom executivo como a do político afável. Quando enfim manteve a palavra, foi para aumentar o IPTU. Afe.

O eleitor, claro, reagiu. O boneco Kassabinho da campanha deve estar levando agulhadas de vodu. Em um ano, dobrou o número de paulistanos que acham ruim ou péssima a gestão -de 13% para 27%. Os que a consideram ótima ou boa caíram de 61% para 39%. A avaliação derreteu em todos os recortes: renda, sexo, idade e escolaridade. Sem o respaldo da cidade, Kassab torna-se "inelegível" em 2010.Obriga o DEM, em vez de avançar no cenário estadual, a tentar proteger o municipal. Conseguirá um prefeito anêmico fazer o sucessor?

Os rivais pegaram a deixa. Perceberam que 2010 também servirá ao jogo de 2012. Não à toa, voltou-se a falar no PT nos nomes de Aloizio Mercadante e Fernando Haddad. Folha

Um novo olhar



Na última quinta-feira (24/12), o prestigiado jornal francês Le Monde escolheu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva como "o homem do ano de 2009. Por seu sucesso à frente de um país tão complexo como o Brasil, por sua preocupação com o desenvolvimento econômico, com a luta contra as desigualdades e com a defesa do meio-ambiente”.

Poucos dias antes, Lula foi escolhido pelo jornal espanhol El País a primeira das cem personalidades mais importantes do mundo ibero-americano em 2009. Com direto a foto de capa inteira e perfil assinado pelo próprio primeiro-ministro da Espanha, José Luis Zapatero. "Homem que assombra o mundo", "completo e tenaz", “por quem sinto uma profunda admiração", escreveu o premiê espanhol.

Neste dia 29 de dezembro, o jornal britânico Financial Times escolheu o presidente brasileiro como uma das 50 personalidades que moldaram a última década, porque “é o líder mais popular da história do Brasil”. “Charme e habilidade política... baixa inflação... programas eficientes de transferência de rendas...", diz o jornal.

Há nestas notícias da imprensa internacional o reflexo de um novo dia, de um novo tempo de novos sonhos. Um novo olhar do mundo sobre o Brasil. No entanto, para o leitor/ouvinte dos nossos jornalões, simplesmente nada disso aconteceu.

Lula encerra agenda de 2009 em encontros com Steinbruch e Meirelles

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva encontrou-se ontem, no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, onde embarcaria para Brasília, com o presidente da CSN, Benjamin Steinbruch. Foi o primeiro encontro entre os dois depois de Lula manifestar a irritação com o atraso nas obras da Ferrovia Transnordestina, conduzida pelo consórcio encabeçado pela CSN. Segundo divulgou o Valor na edição de segunda-feira, o presidente não gostou ao saber que não conseguirá inaugurar, em 2010, ano da campanha eleitoral da sua sucessão, nenhum trecho da ferrovia ligando o interior aos dois principais portos do Nordeste: Pecém (CE) e Suape (PE).

Lula queixou-se aos representantes do consórcio em reunião no dia 8 de dezembro. Ouviu as reclamações dos empresários de que a obra estava orçada com um valor abaixo do praticado pelo mercado e que, por isso, o grupo tinha dificuldades em subcontratar empreiteiras para realizar a obra, especialmente no Ceará. Ao término do encontro, o presidente desabafou: "Estou me sentindo enganado".

Steinbruch não estava presente, pois participava, no mesmo dia, de uma reunião de negócios em Nova York, o que ajudou a aumentar a insatisfação de Lula. Segundo interlocutores do presidente, o encontro de ontem serviu para atender a uma reivindicação do próprio empresário, "que tentava uma audiência com Lula, dificultada pela incompatibildade das agendas". Relatos obtidos pelo Valor apontam que a conversa foi breve e amena. Steinbruch fez um balanço do ano de 2009, discorreu um pouco sobre o andamento das obras da Transnordestina e projetou ações para o ano que vem.

Lula também encontrou-se, ainda na sala de autoridades do aeroporto de Congonhas, ao voltar de São Paulo para Brasília, com o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. Meirelles levou ao presidente as avaliações feitas pelo mercado financeiro mostrando que o Brasil poderá crescer até 5,9% em 2010. O presidente tem dito que prefere não arriscar um percentual de crescimento para o ano que vem, mas, em seu último programa de rádio de 2009, afirmou que o país "não vai mais parar de crescer e se tornará, em pouco tempo, a sexta, a quinta ou a quarta maior economia do mundo".

Lula vai sair de férias até o dia 10 de janeiro. Segundo um auxiliar do presidente, ele vai com a família para a base naval de Aratu (BA). Lula esteve na mesma base em janeiro deste ano, embora a virada do ano tenha sido comemorada em Fernando de Noronha (PE). O presidente retornou de São Paulo no fim da tarde de ontem e seguiu diretamente para o Palácio da Alvorada. Hoje, não estão previstos compromissos oficiais do presidente. A agenda de trabalho só será retomada no dia 11 de janeiro.

Outros ministros também aproveitaram o reveillon e o início de janeiro para descansar. A chefe da Casa Civil, ministra Dilma Rousseff, deixou Brasília no dia 28 de dezembro e retorna no dia 5. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, retorna à Capital apenas no dia 15. As assessorias não divulgaram os locais de férias dos ministros. Os ministros da Justiça, Tarso Genro, das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, e do Planejamento, Paulo Bernardo, também suspenderam compromissos oficiais no início de 2010.

Brasil impediu ação americana no Suriname

Em uma tarde de abril de 1983, o então presidente João Figueiredo recebeu o embaixador dos Estados Unidos, Anthony

Motley, para uma visita fora da agenda do Palácio do Planalto. Más notícias. Motley, acompanhado de um assessor da Casa Branca, levava ao conhecimento do governo brasileiro a intenção do presidente Ronald Reagan de determinar uma intervenção militar no Suriname. O diplomata sustentava sua argumentação com fotos aéreas e informações da inteligência americana comprovando a presença crescente de soldados de Cuba no país. Seriam cerca de 400 deles - o equivalente a um terço do contingente das Forças Armadas surinamesas - em instalações próprias, fechadas e com características de centros de
treinamento.

A presença de um núcleo multiplicador da revolução socialista cubana no continente era inaceitável. Figueiredo reagiu depressa. Despachou para Paramaribo, no avião presidencial, o general Danilo Venturini, secretário do Conselho de Segurança Nacional. A missão de Venturini era oferecer ao líder surinamês, Desi Bouterse, suporte técnico em setores estratégicos, linhas de crédito e parceria em programas de infraestrutura - com o compromisso de afastamento rápido e inequívoco de Havana. Deu certo. No dia 26 de outubro o embaixador cubano, Oscar Cardenas, deixou o país. Seis dias mais tarde só o zelador permanecia na representação diplomática.

O episódio implicou uma certa tutela brasileira sobre o Suriname nos 20 anos seguintes. Foi aberta uma linha de crédito de emergência de US$ 10 milhões e entregues seis blindados Cascavel, armados com canhão de 90 milímetros.

Essa frota foi seguida de outra, composta por 15 blindados Urutu para transporte de tropas. Oficiais passaram a ser preparados nas escolas de comando brasileiras. Do pessoal das três forças do

Suriname, 1.840 militares, aproximadamente 300 falam português, aprendido na escola criada por uma equipe do extinto Serviço

Nacional de Informações, o SNI, em 1984, e ainda em funcionamento. O general Octávio Medeiros, chefe do SNI em 1983, morto em 2005, lembrou, em depoimento para sua biografia profissional, que o Exército do Brasil auxiliou, "muito diretamente", o esforço de Desi Bouterse para contermercenários "pagos e equipados por empresários europeus" que,segundo ele, pretendiam derrubar o governo. O sistema de comunicações e telefonia do Suriname foi projetado, financiado e instalado por empresas brasileiras. O governo do atual presidente, Ronald

Venetiaan, mantém ativos todos os compromissos de cooperação bilateral.

TJ-SP garante segurança pessoal para ex-integrantes do conselho

Provimento 1721/2009, um dos atos derradeiros da gestão do desembargador Roberto Antônio Vallim Bellocchi na presidência do Tribunal de Justiça de São Paulo, assegura proteção permanente de dois seguranças militares a ex-integrantes do Conselho Superior da Magistratura. Estão entre os beneficiados desembargadores ativos e inativos. A medida é extensiva a seus familiares "durante as 24 horas do dia, até o término do biênio subsequente ao do mandato exercido". A todos é facultada a "disposição de agente de segurança e viatura fixos".

O provimento, de 10 de novembro, "dispõe sobre a manutenção de seguranças aos membros do conselho, depois de findos os seus mandatos". Entrou em vigor na data da publicação no Diário Oficial, antevéspera do Natal, 23 de dezembro.

São duas as justificativas para a escolta especial aos magistrados. Uma delas considera que "os integrantes do conselho, ao término de seus mandatos, ainda dispõem de informações que, se conhecidas por terceiros, poderão influenciar na atuação dos sucessores." A outra destaca para "a necessidade de preservação da integridade física dos membros do conselho que deixam o exercício de seus mandatos".

A vigilância, diz o parágrafo único, "poderá ser reduzida ou dispensada a critério de cada um dos ex-integrantes do conselho". O provimento invoca "analogia com outros poderes". O conselho é atualmente constituído pelo presidente do TJ, pelo corregedor-geral e pelo vice-presidente. A partir de janeiro serão integrados os presidentes das três seções do tribunal - Direito Público, Privado e Criminal. No dia 4 toma posse o novo presidente da corte, desembargador Antonio Carlos Viana Santos, que substitui Bellocchi.

O conselho tem funções administrativas. Decide sobre quadros de pessoal, gestão e planejamento. A assessoria da presidência do TJ informou que quem se beneficia da medida são "os que estão deixando seus cargos no final deste ano e não permanecerão no conselho". Segundo a assessoria, "carros à disposição os desembargadores já dispõem". O custo da guarda "é de competência da Polícia Militar e do Executivo".

O desembargador Nélson Calandra, 30 anos na magistratura paulista, não vê privilégios. "É coisa hipotética, a maioria não usa, não gosta. O provimento é norma meramente programática e abstrata porque depende de solicitação e a maioria não solicita. Ninguém gosta de andar escoltado, é sempre um transtorno. Temos que admitir que muita gente é ameaçada, especialmente magistrados da sessão criminal. Mas tem que ter efetivo policial. E não tem. Muitas vezes somos ameaçados em razão do cargo. Eu mesmo já fui ameaçado, denúncias anônimas. Quadrilhas criminosas aprontam. Um dia assaltaram minha mulher na porta de casa, levaram meu carro zero e minhas roupas."

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Ministro Paulo Bernardo: governo terá de usar duodécimo em janeiro

O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, informou hoje que o governo terá de usar o duodécimo (1/12) para pagar as despesas de janeiro. Isto porque, segundo ele, dificilmente o orçamento da União de 2010 será sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva até o dia 31 de dezembro.

Bernardo acredita que a lei orçamentária só deverá ser encaminhada pelo Congresso, ao Executivo, no início de janeiro. "Não acho que vá demorar muito. O orçamento deve chegar ao governo até o dia 10 de janeiro", afirmou Paulo Bernardo, depois de participar de entrevista no programa Bom Dia Ministro, promovido pela Radiobrás. Ele acredita que as divergências entre governo e oposição no Congresso serão resolvidas.

Lula inaugura pronto-socorro em São Bernardo do Campo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva inaugura hoje (29), às 10h45, a Unidade de Pronto Atendimento 24 horas (UPA) da Vila São Pedro, em São Bernardo do Campo (SP). O pronto-socorro tem capacidade para atender casos de urgência de uma região que abrange 200 mil habitantes.

Participam da cerimônia a ministra interina da Saúde, Márcia Bassit, o prefeito de São Bernardo do Campo, Luiz Marinho, e o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral. Após a solenidade, Lula viaja para Brasília, onde chega às 16h. Às 16h30, ele despacha com assessores no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB).

Aumento a partir do dia 1º de janeiro atinge 6,2 milhões de pessoas

SEGURO-DESEMPREGO

O valor do seguro-desemprego será reajustado em 9,67%. O reajuste valerá a partir de 1º de janeiro, conforme resolução do Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador (Codefat). O aumento tem relação com o reajuste do salário-mínimo que subirá de R$ 465 para R$ 510, também a partir de 1º de janeiro. A previsão é que haja um impacto de mais R$ 1,5 bilhão nas parcelas do benefício, consideradas todas as suas modalidades.

Para realizar o cálculo de quanto será a nova parcela do Seguro Desemprego, o trabalhador deve adotar algumas fórmulas. Quando a média dos três últimos salários anteriores à dispensa for até R$ 841,88, o valor da parcela será o resultado da multiplicação pelo fator 0,8. Já quando a média dos três últimos salários for entre R$ 841,89 e R$ 1.403,28 o valor será o resultado da multiplicação pelo fator 0,5 e soma-se a R$ 673,51. A média que exceder a R$ 1.403, o valor da parcela será, invariavelmente, R$ 954,21.

Previsão

A previsão é que 6,2 milhões de brasileiros recebam o seguro-desemprego em 2010, o que poderá totalizar R$ 17, 9 bilhões em parcelas. Há ainda a previsão de R$ 727, 6 milhões de incremento no abono salarial, considerando a projeção de pagamento de benefícios no calendário 2009/2010. Totalizando, esses valores corresponderão a um adicional de R$ 2,312 bilhões circulando na economia.

"Essa é a função do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT): proteger o trabalhador. Esses reajustes representam aumento do seu poder aquisitivo e, consequentemente, acelera nossa economia e nosso desenvolvimento", disse o ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi. A reslução foi publicada na edição de ontem do Diário Oficial da União.

O seguro-desemprego é um benefício integrante da seguridade social, garantido pelo art. 7º dos Direitos Sociais da Constituição Federal, e tem por finalidade promover a assistência financeira temporária ao trabalhador desempregado, em virtude da dispensa sem justa causa.

Aumento real

O ministro também previu um ganho real (acima da inflação) do salário dos brasileiros, em 2010, de 6%. Em 2009, segundo o ministro, o ganho real do salário deverá fechar em 4%, apesar do impacto da crise financeira internacional na economia. Lupi previu um aumento de mais de mais de dois milhões de empregos em 2010.

Para 2009, a estimativa de Lupi é de que o ano termine com 1,2 milhão de novos empregos. Em dezembro, estima o ministro, a perda de emprego com contratos temporários de fim de ano deverá ser de 250 mil. O volume é menor do que os 300 mil contratos de trabalho temporários que foram encerrados em 2008.

Segundo o ministro, 2010 será o melhor ano para a geração de emprego do governo Lula. Na sua avaliação, o presidente Lula terminará o seu segundo mandato com 12,5 milhões de empregos celetistas (trabalhadores regidos pela CLT) criados. Mais otimista do que a equipe econômica, o ministro estimou um crescimento entre 6% e 7% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2010.

domingo, 27 de dezembro de 2009

Aprovação ao governo de Kassab cai sete pontos, diz pesquisa

A aprovação ao governo do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), teve queda de sete pontos porcentuais entre maio e dezembro deste ano, segundo pesquisa Datafolha divulgada neste domingo (27).

O maior estrago para a imagem do prefeito é com eleitores com renda acima de dez salários mínimos. Nessa faixa, ele chegou a obter 76% de ótimo/bom em outubro de 2008 - agora conseguiu 35%.

Em 2009, o governo de Kassab adotou medidas polêmicas como o corte na merenda, restrições de ônibus fretados, diminuição nos gastos com a limpeza pública, aumento do IPTU e aumento na tarifa do ônibus. Neste fim de ano, com o período de chuvas na capital e o agravamento de enchentes e interdições nas marginais, a prefeitura sofreu duras críticas.

A margem de erro da pesquisa é de três pontos porcentuais para mais ou para menos. A sondagem foi realizada de 14 a 18 de dezembro com 1.088 moradores da capital com mais de 16 anos.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Lula anuncia benefícios para moradores de rua

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta quarta-feira duas medidas para beneficiar moradores de rua e catadores de papel. Em um animado encontro de Natal com a população de rua em São Paulo, Lula destacou o comprometimento do governo com as políticas sociais e disse que o problema da moradia nos grandes centros urbanos do país é político.

Durante o evento na quadra do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, no Centro da capital paulista, Lula anunciou a compra de 25 imóveis vazios do INSS em todo o país ao custo total de R$ 20 milhões. Segundo Lula, os prédios, dois deles em São Paulo, serão destinados à população que não tem onde morar. O presidente criticou ainda o preconceito de parte da sociedade que ignora ou considera ruim a mera existência de pobres nas grandes cidades.

– Todo mundo quer feira, mas não na porta de casa. Todo mundo quer ponto de ônibus, mas não na porta de casa – falou Lula, sob aplausos do público presente, antes de ironizar o preconceito contra os moradores de rua. – Pobre é bom para ver em filme.

Decreto

Durante o evento, Lula assinou decreto responsável pela criação da Política Nacional para a População em Situação de Rua, que cria um comitê interministerial para verificar as reinvidicações do setor, determina a inclusão dos moradores de rua nas contagens oficiais, fortalece da rede de albergues e a cria o Centro Nacional de Defesa dos Direitos Humanos dos Moradores de Rua – que terá a função de receber denúncias de violência ou discriminação.

– Temos de 50 a 60 mil moradores de rua, mas não temos uma pesquisa confiável. O IBGE vai se comprometer em fazer isso – prometeu Lula, antes de ressaltar a sensibilidade social do seu governo. – Todos aqui sabem que esse governo é voltado permanentemente aos segmentos mais humildes da sociedade. Eu duvido que já tenha tido em algum momento da história desse país não um presidente, mas um governo que tivesse compromisso e a relação mais forte que nós temos com os movimentos sociais desse país.

Sempre bastante aplaudido, o presidente revelou ainda que as empresas que optarem por comprar material reciclado diretamente de cooperativas de catadores de papel deverão receber descontos fiscais na cobrança do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).

– É um papel decisivo na indústria da reciclagem – disse o presidente, que chegou ao local por volta de 11h30 e só começou a falar ao público duas horas depois. O discurso durou meia hora. O presidente focou suas declarações na questão da moradia e pediu que os movimentos sociais preparassem um projeto com as principais necessidades para que os compromissos fossem assumidos ainda em 2010, ano eleitoral. – Queria que a gente preparasse as necessidades habitacionais para a população de rua ainda este ano. Quando eu vier aqui em dezembro do ano que vem, eu serei rei posto. Já terá outra pessoa eleita e rei posto não faz promessa.
Com agências

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Pediu pra sair pra não ser esmagado

A decisão do governador Aécio Neves encerra o primeiro capítulo da sucessão presidencial no PSDB, em favor da candidatura do governador José Serra à sucessão de Lula, mas não põe fim ao suspense que acompanha a novela.

Aécio não anunciou na carta o passo seguinte, o que mantém a possibilidade de vir a disputar uma vaga ao Senado por Minas. Mas é inegável que a desistência anunciada ontem abre caminho para a chapa puro-sangue tão sonhada pelos tucanos e em relação à qual o DEM não tem mais poder de contestação.

Ele sai forte do páreo e pode negociar sua presença numa chapa com José Serra, de forma a não ser um vice decorativo, com papel meramente coadjuvante. Há inclusive antiga proposta no partido pela qual ele teria um ou mais ministérios sob seu comando, garantindo a visibilidade para ser o candidato à sucessão de 2014.

Influiu para que Aécio antecipasse esse anúncio o atrito entre o PMDB e o presidente Lula. Com uma definição mais clara de sua estratégia, o PSDB se coloca como alternativa de aliança para o PMDB, o que, no mínimo, cria dificuldades para a candidata do governo, Dilma Rousseff.

Aécio constatou que chegara ao limite na estratégia de protelar ao máximo sua decisão, sem prejudicar o PSDB. Além dos fatores já mencionados, a posição de pré-candidato começava a ser ameaçada pelo timing de qualquer campanha: ele precisaria começar a se movimentar como candidato se decidisse levar adiante a empreitada.

Embora a crítica de Aécio ao partido, por ter desconsiderado sua proposta de realização de prévias, tenha sido interpretada como um sinal de que não pensa em compor com Serra, a lógica política indica o contrário.

Uma chapa Serra-Aécio, na avaliação de todos os políticos, seria a única opção com chance de enfrentar a popularidade do presidente Lula, transferida para a sua candidata Dilma Rousseff. "Imbatível", é como os tucanos e o Democratas a saúdam constantemente.

De fato, uma composição com o DEM, mesmo se o governador do DF, José Roberto Arruda, estivesse no melhor dos mundos, reforçaria a estratégia de campanha da candidatura oficial de fazer da eleição de 2010 um plebiscito para escolher entre os governos Fernando Henrique e Lula. Já uma chapa puro-sangue, torna o apoio do DEM compulsório e evita o desgaste de uma busca explícita por um vice cujo perfil o parceiro de ontem já não dispõe. E que já não convém.

Aécio e Serra sabem que a campanha não poderá ser contra o presidente Lula. Sua popularidade e o sentimento do eleitor de que deve ao seu governo uma vida mais confortável, de maior poder de compra, de lazer e consumo não recomendam confrontos.

Por isso, a estratégia de postergar o quanto possível o anúncio oficial da candidatura, para que o debate se dê com Dilma Rousseff e que se abra a chance de o eleitor escolher qual dos candidatos têm melhor capacidade de assegurar esse benefícios em continuidade à gestão Lula.

Restará sempre a dúvida sobre o comportamento dos tucanos. Foi estratégia a disputa entre Aécio e José Serra? O acompanhado conflito entre ambos teve o propósito de dar mais visibilidade aos dois políticos, mantendo-os candidatos, sem no entanto sê-los?

Mesmo que não se possa responder positivamente a essa questão, o fato é que, até aqui, todos ganharam. O governador Aécio Neves deixa o figurino de candidato com 15% nas pesquisas, cinco vezes mais do que tinha ao admitir a candidatura. Fica forte com a renúncia, algo que os mineiros sabem fazer como ninguém. Aumenta seu trunfo junto a Serra, e está forte em Minas. Pode impor as condições para aceitar compor uma chapa como vice.

Nas contas dos tucanos, a chapa puro-sangue pode capturar os 35 milhões de votos das regiões Sul e Sudeste e viabilizar uma reversão de expectativas no Nordeste, onde Lula é absoluto nas pesquisas que medem a aprovação de seu governo.

Para Serra, há um efeito colateral do gesto de Aécio, que não chega a ser inadministrável: ainda que continue uma possibilidade, a chapa puro-sangue ganhou contornos mais nítidos, ficou mais próxima da realidade política, o que torna o governador de São Paulo mais candidato do que antes. E, por consequência, vira alvo antes do tempo que escolheu para oficializar sua candidatura.

Seja qual for a estratégia de Aécio, há uma dinâmica própria no processo em curso no PSDB, que pode tornar irreversível a chapa puro-sangue. O senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) dá bem o tom da euforia do partido, ao dizer que a chapa Serra-Aécio é perfeita: "Aécio é o nosso fator de sedução", diz.

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