sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Mortes por chuvas no Brasil são comparáveis às de guerra

Pelo menos 150 pessoas morreram desde o início de dezembro por causa das chuvas que castigam seis Estados das regiões sul e sudeste do País. É quase o mesmo número de vítimas registradas no Afeganistão, país asiático invadido pelo exército americano em 2001 em resposta aos atentados terroristas de 11 de setembro e onde foram registradas cerca de 180 mortes desde 1º de dezembro de 2009.

No Iraque, país do Golfo Pérsico também invadido pelos americanos em 2003 sob a alegação de que produzia armas de destruição em massa, foram 277 mortes desde o final do ano passado. No Brasil, os líderes nas estatísticas de mortes em decorrência das fortes chuvas são o Rio de Janeiro, com cerca de 80, e São Paulo, com 43.

O número oficial de mortos por causa das chuvas no Brasil pode aumentar nos próximos dias. Em Angra dos Reis, no litoral sul do Rio de Janeiro, há duas pessoas desaparecidas por causa dos deslizamentos de terra na virada do ano. Duas pessoas também estão sumidas em Agudo (RS) desde que uma ponte desabou por causa da cheia do rio Jacuí. Em São Luiz do Paraitinga, no interior de São Paulo, um homem também está desaparecido por causa das chuvas.

Segundo levantamento da Secretaria Nacional da Defesa Civil, as chuvas afetaram 486 municípios nos seis Estados e deixaram, no total, 16.041 desabrigados e 50.456 desalojados. Em São Paulo, dos 645 municípios, 109 foram atingidos pelas enchentes, Pelos menos 27 pessoas firacam feridas e uma continua desaparecida na cidade histórica da São Luiz do Paraitinga. Desde dezembro, pelo menos 7.459 pessoas ficaram desabrigadas. Dessas, 3.184 continuam sem abrigo.

No Estado, Bofete, Caieiras, Caiuá, Chavantes, Cunha, Franco da Rocha, Getulina, Guararema, Guaratingueta, Inúbia Paulista, Lourdes, Manduri, Mirassol, Osasco, Oscar Bressane, Pardinho, São Luiz do Paraitinga, Santo André, Santo Antônio do Pinhal e Sumaré estavam em estado de emergência até a noite de ontem.

No Estado do Rio, as chuvas provocaram cerca de 80 mortes. Somente em Angra dos Reis, com o deslizamento nas encostas, pelo menos 52 corpos foram encontrados. No Rio, os casos de mortes foram registrados a partir da chuva do dia 30 de dezembro.

Deslizamentos de terra causaram dezenas de mortes na madrugada do dia 1º em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro. No centro de cidade, uma encosta cedeu e deslizou por cima de casas no Morro da Carioca. Na Ilha Grande, o deslizamento por conta das chuvas durante a madrugada encobriu a pousada de luxo Sankay, lotada de turistas, e mais sete casas, na enseada do Bananal.

No Rio Grande do Sul, pelo menos nove pessoas morreram em conseqüência das águas. Ontem, foram encontrados quatro corpos de pessoas dadas como desaparecidas. Três delas foram vítimas do acidente com a ponte sobre o rio Jacuí, em Agudo. Entre eles estava o do vice-prefeito do município, Hilberto Boeck. Em Minas Gerais, há registro de 14 óbitos.

De acordo com a Secretaria Nacional de Defesa Civil, os dados atendem a definição de cada Estado sobre o período de chuvas local. Por isso, em Minas Gerais, a contagem começou em setembro, no Rio Grande do Sul, em novembro, e no Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná, em dezembro do ano passado. Santa Catarina não registrou nenhuma morte até agora.

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