terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Céu de brigadeiro para o turismo brasileiro

Muito mais do que meros números ou índices, são determinadas ações ou movimentos do mercado que mostram se um setor está ou não bem. No caso do turismo no Brasil, é perceptível nas principais cidades a presença de estrangeiros, estimulados pelas últimas conquistas do país, notadamente a Copa do Mundo 2014 e a Olimpíada 2016 – e nos aeroportos também se percebe bom movimento de brasileiros rumo a passeios no exterior. Mas não é só no olhômetro ou nos números das associações de turismo que se comprova a força do setor. A recente compra de 63,6% das ações da CVC, maior operadora de turismo do Brasil, pelo Carlyle, fundo americano de private equity, é absolutamente sintomática quanto ao potencial do setor no país.


Pode-se discutir se a empresa brasileira fez ou não um bom negócio. Aí só o mercado vai dizer. Mas o que é importante para o país é o fato de um fundo desse tamanho decidir investir aqui. Não pelo nome do investidor – que, aliás, em abril foi investigado por um suposto pagamento de propina para obter recursos para o fundo de pensão dos servidores de Nova York.

A questão é que o Carlyle gere hoje um patrimônio de quase US$ 88 bilhões. É considerado nos Estados Unidos um fundo com credibilidade e com relações políticas importantes, a ponto de já ter tido entre seus conselheiros nomes como o ex-presidente George Bush (pai) e o ex-primeiro-ministro britânico John Major. E esse peso-pesado quer investir no turismo brasileiro.

Óbvio que não é por nenhum tipo de benesse. Os americanos sabem bem o que lhes pode dar um retorno robusto. Apenas para citar a CVC, que detém 60% do mercado nacional, a empresa teve um crescimento em torno de 20% entre 2008 e 2009 – números que batem com os gerais do setor de hotelaria, e que são altamente significativos para qualquer setor de qualquer cadeia produtiva do mundo.

No ano retrasado, a empresa embarcou 1,7 milhão de passageiros – para turismo interno ou externo. Ano passado foram 2 milhões. Também o turismo de negócios tem céu de brigadeiro à frente, com São Paulo prevendo crescimento de 5% na recepção de negócios e rede hoteleira com excelente nível de ocupação na capital. A projeção da direção, antes de o negócio com os americanos ser concluído, é que a CVC dobre de tamanho até 2015 – não por coincidência, entre a Copa do Mundo e a Olimpíada do Rio de Janeiro. Tudo isso sem que se possa perder de vista que em grandes e tradicionais destinos mundiais, como Estados Unidos e Europa, a tendência é inversa – de queda, ainda que discreta.

É a situação típica em que, se há motivos para festejar, há muitos mais para que o governo e as empresas se mantenham em alerta para evitar que a euforia deixe a peteca cair. Se o fluxo de turistas se mantivesse na alta temporada, já seria bom, mas há ainda margem para crescimento. É importante também que se pense na chamada baixa temporada, e usar um pouco da gordura acumulada para criar novas condições de atração para potenciais visitantes.

Quem é de gerações mais antigas sabe bem o trabalho que deu para que o Brasil deixasse de ser visto com desconfiança no exterior e virasse um player de ponta no turismo. O caminho é conhecido, é preciso segui-lo com muito trabalho e determinação. E com a certeza de que é um jogo que nunca estará totalmente ganho.

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