quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

DEM? Nunca mais!

A população brasileira nunca fica livre dos escândalos políticos por muito tempo. Dessa vez o protagonista é o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (foto), acusado de comandar um esquema de arrecadação e distribuição de propinas a aliados: “Acuado, Arruda ameaça DEM e mira em Kassab”

Aos cidadãos já não resta nada porque está provado que não podemos confiar em nossos políticos. Digo isso porque são tantas as roubalheiras, a corrupção, a malversação do dinheiro dos cofres públicos, as mentiras que assolam o País e o corporativismo político que não há como garantir a idoneidade de ninguém.

A esperança que resta aos brasileiros é que, em algum momento, um bom político apareça e dê um basta definitivo em toda essa balbúrdia que corrói o Brasil. Precisamos garantir um bom futuro para as próximas gerações. E, com políticos como Arruda e Leonardo Prudente, o deputado que colocou dinheiro até em suas meias, tenho certeza de que o nosso brilhante futuro está cada vez mais distante: “Deputado da meia vira alvo de nova acusação”

Placas frias eram feitas no Detran de S.Paulo

Uma suposta rede de fábricas clandestinas em postos do Departamento Estadual de Trânsito (Detran-SP) está sendo investigada desde julho deste ano. A Corregedoria da Polícia Civil constatou os problemas por meio de uma diligência feita no posto do Parque Villa-Lobos, na zona oeste de São Paulo, e na antiga sede do departamento no Parque do Ibirapuera, na zona sul. Os locais foram fotografados por peritos do Instituto de Criminalística para constatar a presença das empresas.

As fábricas teriam sido instaladas nos principais postos de lacração de carros do Detran na capital e no interior. Os corregedores verificaram ainda a existência de sistema semelhante em postos de lacração de carros em Jundiaí e São José dos Campos. No caso da capital, as minifábricas teriam sido montadas pela Centersystem, e no interior, pela Cordeiro Lopes.

A existência da rede provaria mais uma forma de fraude aos contratos assinados entre o Detran e as empresas contratadas para emplacar e lacrar veículos no Estado. O prejuízo do departamento com as fraudes na execução dos contratos assinados em 2006 é estimado em pelo menos R$ 40 milhões.

“É preciso haver uma brutal conivência de funcionários do Detran e da divisão de licenciamento para que essas fábricas clandestinas funcionem”, afirma o empresário Hélio Rabello Passos Júnior, presidente da Associação dos Fabricantes de Placas do Estado. O empresário foi o autor da denúncia que levou à instauração do inquérito que ameaça dezenas de policiais, empresários e laranjas usados para acobertar o esquema milionário.

Por meio deles, os vencedores da licitação feita em 2005 burlariam a obrigação contratual de manter em estoque placas comuns necessárias para 15 dias de serviço. Essas placas foram oferecidas na licitação por R$ 2,50 a R$ 4,50, preços que seriam abaixo do custo das placas, fazendo as empresas Cordeiro Lopes e Centersystem vencerem a licitação pelo critério do menor preço.

Governo lesado

Como não existiriam em estoque, as empresas montavam as minifábricas, burlando a concorrência com os demais fabricantes, a fim de fazer a placa na hora. Mas fazem nos postos as placas especiais, que custam de R$ 60 a R$ 100 para o consumidor que já pagou a taxa de lacração e teria direito à placa comum sem custo extra. “Eles só fazem a placa comum quando o consumidor sabe que tem o direito e exige o produto”, disse o empresário Passos Júnior.

De acordo com a acusação do empresário, apesar de fazer a placa especial para o consumidor, ganhando por vender uma placa de preço em média 20 vezes maior, as empresas também lesariam o governo. É que, mesmo vendendo a placa especial, eles teriam de fabricar e entregar a placa comum. Quando fosse o caso de o consumidor exigir a placa especial, a comum deveria ser cortada e enviada como sucata ao Fundo Especial de Solidariedade do Palácio dos Bandeirantes. E o governo pagaria os R$ 2,50 ou R$ 4,50 pela placa comum que virou sucata.

Mas a Corregedoria suspeita que essas placas comuns, que teriam de ser fabricadas mesmo quando o consumidor exige a especial, nunca foram feitas. O Fundo de Solidariedade não teria recebido nada como sucata.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

DEM fica dividido sobre expulsão de Arruda

Uma ameaça velada encerrou a reunião do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, com a cúpula do Democratas, marcada para que explicasse seu suposto envolvimento no maior esquema de corrupção da história da capital. "Se o partido radicalizar, vou radicalizar também", disse Arruda, ao se despedir. A reunião foi tensa, mas inconclusa. Apesar do constrangimento que o escândalo causa ao partido, os dirigentes ficaram divididos quanto à expulsão sumária ou não do único governador da legenda. Deixaram a decisão para hoje, em reunião da Executiva Nacional, que tem 20 pessoas.

Em sua primeira aparição após virem a público fitas de vídeo (com imagens dele recebendo R$ 50 mil em dinheiro) e de áudio (com conversa em que ele trata de suposta divisão de propina entre aliados), Arruda leu nota na qual afirma que permanecerá no cargo. Faz acusações contra o denunciante - seu ex-secretário de Relações Institucionais, Durval Barbosa - e tenta desqualificar as provas. Termina dizendo que ficará no governo, "agora livre da herança maldita do governo anterior".

Referia-se ao fato de Barbosa ter sido presidente da Codeplan, empresa de informática do antecessor, Joaquim Roriz (PSC), período em que teria praticado atos que o tornaram réu em 32 processos. Arruda disse ter mantido Barbosa em setor "meramente burocrático". Com relação aos recursos que teria recebendo de Barbosa de 2004 a 2006, inclusive os mostrados no vídeo, diz que se destinavam a "ações sociais" e teriam sido " contabilizados, como todos os demais itens da campanha".

De terno, apoiando-se num andador - fez recente cirurgia na perna -, o governador recebeu dezenas de jornalistas em sua residência oficial, após a reunião com os dirigentes demistas. Tentou parecer tranquilo e dono da situação. Sentado ao lado dos advogados José Eduardo Alckmin e Flávio Cury, leu o comunicado de mais de três páginas e levantou-se sem responder às perguntas. Diante de algumas, chegou a ser irônico, dizendo não estar ouvindo. Parou apenas para responder sobre sua permanência ou não no DEM. "Estamos firmes. Vamos até o fim", disse.

Essa garantia, no entanto, não lhe foi dada pelos dirigentes. O senador Demóstenes Torres (GO) afirmou-lhe que votará por sua expulsão sumária. Para Demóstenes, os atos dos quais Arruda é acusado são "de extrema gravidade política e partidária" e há "indícios sérios de ato de improbidade, que implica violação de dever partidário", o que justificaria aplicação do estatuto do DEM que prevê a expulsão .

Acompanharam a posição de Demóstenes os líderes do Senado, José Agripino (RN), e da Câmara, Ronaldo Caiado (GO). "A decisão não vai satisfazer nem a gregos nem a troianos. Se tivermos a coragem de tomar uma atitude com o único governador que a gente tem, fica mais do que sinalizado nacionalmente que o partido não tem complacência com quem quer que seja", disse Caiado.

As explicações de Arruda não foram consideradas convincentes, mas os deputados Rodrigo Maia (RJ), presidente da legenda, e ACM Neto (BA) defenderam uma solução mais branda: abertura de processo contra Arruda, com ampla oportunidade de defesa, podendo resultar em advertência, suspensão ou expulsão. Essa posição foi apoiada pelo senador Adelmir Santana (DF) e pelo deputado licenciado Alberto Fraga (DF), secretário de Transportes do Governo do Distrito Federal. O senador Heráclito Fortes (PI) propôs a criação de uma comissão para acompanhar as investigações.

A reunião foi na residência oficial do governador. Arruda afirmou que as denúncias eram uma "armação" de Roriz - pré-candidato a governador. Leu para os correligionários a nota que mais tarde divulgaria à imprensa. Não convenceu de sua inocência. Fez apelo para que o partido mantivesse solidariedade, assim como o fez no caso do senador Antonio Carlos Magalhães (BA), morto em 2007. ACM foi envolvido, em 2001, juntamente com Arruda, então senador do PSDB, no escândalo da violação do painel eletrônico do Senado, na votação da cassação do ex-senador Luiz Estêvão, em 2000.

Na reunião, lembrou que o seu partido à época o abandonou, ao contrário do DEM sobre ACM. Pediu que a legenda mantivesse a tradição. Parecia desconhecer a gravidade de sua situação. Afirmou ter chance de reeleição. Divididos, os dirigentes demistas saíram dali para uma reunião na casa de Agripino para tentar unificar o discurso, mas a divergência permaneceu.

CNBB condena "prece da propina" de acusados no DF

O secretário-geral da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Dimas Lara Barbosa, condenou nesta segunda-feira a "bênção" realizada pelo presidente da Câmara Legislativa do Distrito Federal, Leonardo Prudente, e pelo corregedor da Casa, Junior Brunelli, registrada em vídeo gravado em investigações da Polícia Federal (PF). No vídeo, os dois, acusados de participar do esquema de pagamento de propina organizado pelo governo de José Roberto Arruda (DEM), aparecem pedindo a Deus que tire "pessoas ímpias e más" de seus caminhos e que proteja o secretário de Relações Institucionais da gestão do político democrata, Durval Barbosa.

O deputado Júnior Brunelli, que em outro vídeo aparece recebendo maços de dinheiro, é quem pede a intervenção divina para a ajuda. Barbosa é réu em 37 processos e denunciou o esquema de suposto pagamento da base aliada do governo de José Roberto Arruda (DEM) por conta da delação premiada, acordo feito com a Justiça para diminuição de pena em uma eventual condenação judicial.

O "mensalão" do governo, cujos vídeos foram divulgados neste fim de semana, é resultado das investigações da operação Caixa de Pandora, da PF. O esquema de desvio de recursos públicos envolvia empresas de tecnologia para o pagamento de propina aos parlamentares.

"Lamento que a religião esteja tão banalizada a ponto de as pessoas não a verem como serviço a Deus e ao próximo, mas como servir-se da fé e do próximo. Isso é uma inversão total de valores. Estamos perplexos como o que já vimos nesse caso e queremos que as investigações sejam ágeis e que, o quanto antes, a ética possa prevalecer e os fatos possam ser esclarecidos", observou o secretário-geral da CNBB.

Questionado, Leonardo Prudente não comentou o vídeo em que aparece participando da oração. Na gravação, Brunelli diz que o sangue divino purificaria suas "imperfeições" e pede ajuda de Deus para enfrentar uma "guerra".

Prece da propina

"Pai, quero te agradecer por estarmos aqui, sabemos que nós somos falhos, somos imperfeitos, mas é o teu sangue que nos purifica. Pai, nós somos gratos pela vida do Durval ter sido instrumento de bênção para nossas vidas, para essa cidade. Tantas são as investidas, Senhor, de homens malignos contra a vida dele, contra nossas vidas. Nós precisamos da Tua cobertura e dessa Tua graça, da Tua sabedoria, de pessoas que tenham, Senhor, armas para nos ajudar essa guerra. Acima de tudo, Senhor, todas as armas que podem ser falhas, todos os planejamentos podem falhar, todas as nossas atividades, mas o Senhor nunca falha", diz Brunelli na oração.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Guardei dinheiro na meia por segurança, diz deputado do DF

O presidente da Câmara Legislativa, Leonardo Prudente (DEM), afirmou nesta segunda-feira ter recebido dinheiro de caixa dois para a campanha eleitoral de 2006 e colocado os maços de dinheiro em bolsos e até nas meias como forma de garantir sua segurança pessoal. Flagrado em um vídeo recebendo os recursos que a Polícia Federal acredita se tratar de um esquema de pagamento de parlamentares da base aliada, Prudente disse que não pretende renunciar ao cargo.

Segundo as investigações, o esquema seria liderado pelo governador José Roberto Arruda (DEM). Ex-integrante do PSDB e único governador do DEM no Brasil, Arruda aparece em um vídeo recebendo maços de dinheiro. As imagens foram gravadas pelo então secretário de Relações Institucionais da gestão do político democrata, Durval Barbosa. Réu em 37 processos, Barbosa denunciou o esquema por conta da delação premiada, acordo feito com a Justiça para diminuição de pena em uma eventual condenação judicial.

"Primeiro fui vítima de chantagem. Segundo, que me foi oferecida ajuda financeira para campanha política de 2006. Eu recebi o dinheiro e coloquei o mesmo nas minhas vestimentas em função da minha segurança. Eu não uso pasta. Tão logo eu tenha as demais informações estarei dando as demais declarações", disse o parlamentar.

O deputado não quis comentar o valor dos recursos não contabilizados recebidos e tampouco explicou outro vídeo em que aparece fazendo uma oração agradecendo as "bênçãos" recebidas.

"Eu coloquei o recurso nas minhas vestimentas em função da minha segurança. Essa doação não foi contabilizada. Não há nenhum motivo para o afastamento porque a gestão da Casa não está sendo contestada", disse.

Novas imagens de vídeos entregues pelo ex-secretário de Relações Institucionais do governo do Distrito Federal, Durval Barbosa, ao Ministério Público mostram Prudente recebendo maços de dinheiro, supostamente fruto de propina, e, após guardá-los nos bolsos, escondeu o restante em suas próprias meias.

O suposto "mensalão" do governo, cujos vídeos foram divulgados neste fim de semana, é resultado das investigações da operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal. O esquema de desvio de recursos públicos envolvia empresas de tecnologia para o pagamento de propina a deputados da base aliada.

Entre as diversas gravações, existem imagens de Leonardo Prudente, acompanhado do deputado Júnior Brunelli (PSC) e do próprio Durval Barbosa fazendo uma oração pelas "bênçãos" alcançadas.

A partir dos vídeos divulgados, a polícia investiga, além de parlamentares da base aliada, a participação de empresários de Brasília, como José Celso Gontijo, dono da construtora JC Gontijo, que aparece em imagens entregando pacotes de dinheiro a Barbosa.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Marconi Perillo PSDB é acusado de improbidade pela Promotoria

O Ministério Público de Goiás denunciou sob acusação de improbidade administrativa o vice-presidente do Senado, Marconi Perillo (PSDB-GO), e outras 16 pessoas.

A ação aponta indícios de enriquecimento ilícito e desvio de verbas em convênio firmado em 2000 para a contratação de "serviços de consultoria" da fundação Pro-UniRio à companhia energética de Goiás, a Celg.

Segundo a denúncia, a contratação teve participação dos acusados e foi autorizada por Perillo, então governador de Goiás. Ontem, ele disse que não teve participação no convênio firmado.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Prouni: MEC corta 1.766 bolsas e desvincula 15 instituições

A fiscalização conjunta do Ministério da Educação (MEC) e da Fazenda encontrou irregularidades em 1.766 bolsistas do Programa Universidade para Todos (Prouni), cujas bolsas estão cortadas a partir desta quarta-feira. Quinze instituições de ensino superior cadastradas no programa também foram desvinculadas.

As irregularidades das bolsas do Prouni, destinadas a pessoas de baixa renda, são encontradas a partir do cruzamento de dados sociais e econômicos dos bolsistas, disponíveis a partir de cadastros federais e universitários.

As principais fontes destas informações são a Relação Anual de Informações Sociais (Rais), o Registro Nacional de Veículos Automotores (Renavam) e a Plataforma Integrada para Gestão das Universidades Federais (PingIfes).

Já as irregularidades instituicionais são encontradas a partir do monitoramento de oferta e ocupação de bolsas. Ao total, 31 instituições foram alertadas, assinaram um Termo de Saneamento de Deficiências (TSD) e terão prazo para resolver a situação.

Outras 15 entidades que não emitiram termo de adesão ao programa serão descadastradas do programa. Os casos serão encaminhados à Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda.

Estudantes dessas instituições poderão concluir seus estudos normalmente.

O ProUni tem hoje 396.673 estudantes com bolsas ativas. No site do MEC (www.mec.gov.br), você pode conferir a lista dos ex-bolsistas e das instutuições desvinculadas.

Com informações da assessoria do MEC.

Carros e caminhões que poluem menos terão imposto menor

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou há pouco uma série de medidas para incentivar a compra de carros e caminhões que emitem menos gases de efeito estufa. Segundo ele, será mantido o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de 3% para os carros flex (gasolina/álcool) de 1.000 cilindradas até 31 de março de 2010. Com isso, esses veículos populares não voltam a ter IPI de 7% a partir de janeiro próximo

Os carros a gasolina de 1.000 cilindradas continuam dentro do cronograma previsto e retornam ao nível de 7% de IPI em janeiro. Os veículos de 2.000 cilindradas terão um IPI de 7,5% até 31 de março de 2010. Aqueles movidos a gasolina retornam ao patamar de 13% em janeiro do próximo ano.

O governo decidiu estimular a compra de novos caminhões. Para isso, segundo Mantega, será prorrogado o IPI zero até junho do ano que vem. "A média de idade da frota de caminhões é de 18 anos e precisa de renovação", disse.

Plano Nacional de Internet de Banda Larga pode ser fechado dentro de três semanas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva volta a se reunir dentro de três semanas com ministros e assessores para tentar fechar o Plano Nacional de Banda Larga, que tem como objetivo ampliar o acesso da população de baixa renda aos serviços de internet em alta velocidade.

A secretária executiva da Casa Civil, Erenice Guerra, e o coordenador de Inclusão Digital da Presidência da República, Cezar Alvarez, apresentaram hoje (24) a primeira versão do plano ao presidente. Mas, conforme assessores, Lula pediu aperfeiçoamento de alguns pontos.

Uma ideia que tem ganhado força no governo é que a Telebrás fique com a administração do projeto. Entre os pontos em aberto estão a fonte de recursos, ou seja, quanto será necessário para colocar o plano em prática e de onde virá, e como será feito o acesso, por meio de rede estatal ou privada. Um hipótese em estudo é a desoneração fiscal para aparelhos com o intuito de facilitar a expansão da rede.

O plano prevê metas para 2010, 2012 e 2014, ano em que o Brasil sediará a Copa do Mundo. De acordo com dados divulgados pelo Ministério das Comunicações, a proposta é aumentar para 30 milhões o número de acessos nas áreas rurais e urbanas em cinco anos. Um levantamento feito pela pasta mostra que em dezembro de 2008 a banda larga fixa atingia 9,6 milhões de pessoas.

A previsão é de que o plano seja instituído por meio de decreto presidencial. Medidas complementares ao projeto devem usar outro mecanismo da legislação.

Participaram da reunião de hoje com o presidente Lula os ministros Hélio Costa, das Comunicações, Paulo Bernardo, do Planejamento, Miguel Jorge, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Dilma Rousseff, chefe da Casa Civil, Guido Mantega, da Fazenda, Fernando Haddad, da Educação, e Sérgio Rezende, da Ciência e Tecnologia, além de representantes da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e da Advocacia-Geral da União (AGU).

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

PT deve ter candidato próprio em MG

A eleição interna para a nova direção do PT em Minas Gerais, onde o partido está dividido entre as pré-candidaturas ao governo estadual do ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, e do ex-prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel, diminuiu ainda mais a já remota possibilidade do partido abrir mão da chapa própria em favor de uma aliança com o PMDB do ministro das Comunicações, Hélio Costa, que lidera as pesquisas de intenção de voto.

Em desvantagem na disputa pelo comando do estadual do partido, os aliados de Patrus já anunciaram ontem que o ministro só desistirá de ser candidato se perder as prévias partidárias previstas no estatuto do PT em caso de impasse, no próximo ano. "Em Minas haverá prévias. A única hipótese de Patrus não disputar as prévias é se o outro lado desistir", afirmou um dos articuladores políticos do ministro, o deputado estadual André Quintão.

Tido por aliados do PT como mais receptivo à ideia de abrir mão da chapa própria petista em nome de alianças, Patrus não terá condições políticas de retirar uma candidatura conquistada em uma disputa interna. A disposição do ministro em investir nas prévias partidárias tornou-se evidente na semana passada, quando seus aliados divulgaram pesquisas de institutos pouco conhecidos que o apontavam com 51% de preferência dos filiados ao partido, ante 33% de Pimentel.

Em posição hegemônica na direção partidária local, os aliados de Pimentel planejam pressionar Patrus para um acordo interno que, concretizado, criará dificuldades até para abrigar uma eventual candidatura de Hélio Costa à reeleição ao Senado. "Até fevereiro iremos buscar a unidade e uma possibilidade é de uma chapa em que um dos dois seja o candidato ao governo estadual e o outro ao Senado", afirmou o deputado federal Reginaldo Lopes (MG), presidente estadual petista e aliado de Pimentel. De acordo com o deputado estadual, o PMDB poderia pleitear em uma aliança a outra vaga ao Senado, o lugar de vice e coligações proporcionais para deputado federal e deputado estadual.

Até o fechamento desta edição, Lopes era o favorito para reeleger-se no primeiro turno. O parlamentar disputa a presidência regional contra o dirigente Gleber Naime, apoiado por Patrus; o deputado federal Gilmar Machado, do grupo Mensagem ao Partido; e o deputado estadual Padre João, das tendências de esquerda, entre os principais candidatos. Na eleição interna de 2007, Lopes ficou com 49,6% dos votos no primeiro turno, mas o segundo colocado, o deputado estadual Durval Ângelo, que então representava as correntes à esquerda no partido, desistiu de concorrer no segundo turno.

A grande expectativa entre os militantes do PT era em relação à votação das chapas para a direção nacional. Pimentel lançou uma chapa própria para a direção, basicamente composta por mineiros, sem candidato a presidente nacional. A estratégia do ex-prefeito é garantir a eleição de uma cota própria no Diretório Nacional da sigla, onde teve grandes dificuldades em 2008 no embate interno contra Patrus em relação às eleições municipais em Belo Horizonte. Patrus se opôs à aliança branca entre o PT e o PSDB para eleger Marcio Lacerda (PSB) à prefeitura. Por muito pouco o acordo não foi proibido pela direção da sigla. Na ocasião, Pimentel recebeu o apoio-decisivo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Ciro racha PT paulista

O PT paulista foi às urnas ontem escolher o presidente estadual do partido com duas grandes rachaduras. A maior delas envolve o nome do deputado Ciro Gomes (PSB), que poderá se candidatar ao governo de São Paulo numa aliança que contará com o apoio do partido de Luiz Inácio Lula da Silva. A segunda questão que divide opiniões dentro da legenda é a aliança com o PMDB.

O grupo liderado pela ex-prefeita Marta Suplicy, pelo senador Eduardo Suplicy e pelo ex-ministro da Fazenda Antônio Palocci já se mostrou contra Ciro. Já o líder do PT na Câmara dos Deputados, Cândido Vaccarezza, é a favor. "Essas divergências são pequenas demais para abalar a unidade do partido", comentou o deputado.

Na semana passada, uma reunião interna do partido liderada por José Dirceu na capital paulista discutiu os nomes que poderiam ser candidatos a vice-governador de Ciro em São Paulo. Os dois mais cotados são: Emidio de Souza, prefeito de Osasco, e Edinho Silva, presidente do PT-SP. Não à toa, os dois são a favor da possível candidatura do político cearense ao Palácio dos Bandeirantes e ainda o defendem como principal estratégia para fortalecer a candidatura de Dilma Rousseff em São Paulo. "O PT tem nomes fortes no estado, mas as alianças têm que favorecer a candidatura majoritária de presidente", ressalta Emidio.

Dirceu e Vaccarezza não estão sozinhos quando se fala das costuras de bastidores em volta do nome de Ciro Gomes ao governo de São Paulo. Além deles, fazem parte desse grupo os deputados federais José Genoino e José Mentor. O grupo, composto na verdade por todos os políticos do PT envolvidos no escândalo do mensalão, já garantiu a Ciro que, caso ele resolva mesmo se candidatar pela terra da garoa, conseguirá apoio suficiente para liquidar os que pensam em candidatura própria, como a ala da legenda liderada por Marta Suplicy.

Ao votar ontem nas eleições do PT, Marta negou que haja um racha no PT por conta do nome de Ciro, mas ratificou que defende o nome de Palocci. No entanto, ela frisou que não gostaria de contrariar o presidente Lula. "Nossa prioridade é Dilma 2010", disse.

O deputado estadual Adriano Diogo (PT) também é contra o partido apoiar a candidatura de Ciro, já que tem muitos nomes de peso que poderiam muito bem concorrer ao governo de São Paulo. No entanto, ele defende a aliança com o PMDB para dar mais sustentação ao nome de Dilma na corrida presidencial. "Não existe racha no PT. Nossas divergências internas são favoráveis ao partido e isso que faz o diferencial", ressalta o parlamentar.

Em todo o estado de São Paulo, filiados de mais de 500 municípios votaram nas eleições internas para escolher novos dirigentes em todos os níveis. "Tivemos umas das eleições mais tranquilas de todos os tempos porque o partido nunca esteve tão unido como agora", comentou Vaccarezza logo depois de votar.

A petista Maria Natal de Oliveira, 65 anos, foi uma das primeiras a comparecer às urnas, no bairro do Bixiga. Ela resolveu votar bem cedo para ir à missa das 10h. Em zonas eleitorais do Centro de São Paulo e da Vila Madalena, fiscais das eleições criaram confusão ao pedir que os militantes deixassem os locais de votação tão logo colocassem as cédulas nas urnas. "Essa grosseria nem combina com o partido", comentou Fabiana Rodrigues, 19 anos, que acompanhava a mãe, que votava na Mooca.

Aposta em Dilma

O ex-ministro-chefe da Casa Civil da Presidência da República José Dirceu (PT) apareceu ontem para votar nas eleições diretas do PT, em São Paulo. Assim que votou, o político disse que acredita na vitória da candidata Dilma Rousseff em 2010, mas que não subestima o candidato do PSDB, seja ele o governador de São Paulo, José Serra; ou o de Minas Gerais, Aécio Neves. "Será um desafio para o PT fazer uma campanha em que Luiz Inácio Lula da Silva não é candidato. Acredito que será um pleito difícil. É bom não subestimar nenhum dos candidatos", ressalta o ex-ministro.

Apesar das dificuldades para o PT, Dirceu vê nas eleições 2010 um cenário favorável ao partido. "Tudo indica que sairemos bem, pois o Lula está com popularidade alta, fez um bom governo, e a Dilma representa a continuação do projeto que está aí. Particularmente, tenho uma intuição de que sairemos bem, até porque já temos grandes alianças", afirmou.

Segundo ele, a população vai votar em Dilma justamente porque quer que tudo continue do jeito que está. "Nas viagens que faço pelo Brasil, percebo que só se fala na Dilma e na continuação do governo Lula. Isso faz a gente pensar que há grandes chances. O grande avanço será no período da campanha, que o PT sabe fazer muito bem", comenta. Dirceu.

Campanha

Quanto à sua participação na campanha da Dilma em 2010, Dirceu disse que estará à disposição do partido e, sem dar detalhes, o político afirmou ele sabe como ajudar. Segundo ele, seu voto foi para José Eduardo Dutra, que concorre à presidência nacional do PT pela chapa Construindo um Novo Brasil.

Sobre o racha no PT de São Paulo, por conta da controversa aliança com o PMDB e a possível candidatura de Ciro Gomes (PPS) com apoio do PT, ele disse que isso não vai atrapalhar a campanha da Dilma. "Temos que parar de olhar para o próprio umbigo", defendeu.

Ver e Rever Copyright © 2011 | Template created by Ver e Rever | Powered by Blogger