segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Guardei dinheiro na meia por segurança, diz deputado do DF

O presidente da Câmara Legislativa, Leonardo Prudente (DEM), afirmou nesta segunda-feira ter recebido dinheiro de caixa dois para a campanha eleitoral de 2006 e colocado os maços de dinheiro em bolsos e até nas meias como forma de garantir sua segurança pessoal. Flagrado em um vídeo recebendo os recursos que a Polícia Federal acredita se tratar de um esquema de pagamento de parlamentares da base aliada, Prudente disse que não pretende renunciar ao cargo.

Segundo as investigações, o esquema seria liderado pelo governador José Roberto Arruda (DEM). Ex-integrante do PSDB e único governador do DEM no Brasil, Arruda aparece em um vídeo recebendo maços de dinheiro. As imagens foram gravadas pelo então secretário de Relações Institucionais da gestão do político democrata, Durval Barbosa. Réu em 37 processos, Barbosa denunciou o esquema por conta da delação premiada, acordo feito com a Justiça para diminuição de pena em uma eventual condenação judicial.

"Primeiro fui vítima de chantagem. Segundo, que me foi oferecida ajuda financeira para campanha política de 2006. Eu recebi o dinheiro e coloquei o mesmo nas minhas vestimentas em função da minha segurança. Eu não uso pasta. Tão logo eu tenha as demais informações estarei dando as demais declarações", disse o parlamentar.

O deputado não quis comentar o valor dos recursos não contabilizados recebidos e tampouco explicou outro vídeo em que aparece fazendo uma oração agradecendo as "bênçãos" recebidas.

"Eu coloquei o recurso nas minhas vestimentas em função da minha segurança. Essa doação não foi contabilizada. Não há nenhum motivo para o afastamento porque a gestão da Casa não está sendo contestada", disse.

Novas imagens de vídeos entregues pelo ex-secretário de Relações Institucionais do governo do Distrito Federal, Durval Barbosa, ao Ministério Público mostram Prudente recebendo maços de dinheiro, supostamente fruto de propina, e, após guardá-los nos bolsos, escondeu o restante em suas próprias meias.

O suposto "mensalão" do governo, cujos vídeos foram divulgados neste fim de semana, é resultado das investigações da operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal. O esquema de desvio de recursos públicos envolvia empresas de tecnologia para o pagamento de propina a deputados da base aliada.

Entre as diversas gravações, existem imagens de Leonardo Prudente, acompanhado do deputado Júnior Brunelli (PSC) e do próprio Durval Barbosa fazendo uma oração pelas "bênçãos" alcançadas.

A partir dos vídeos divulgados, a polícia investiga, além de parlamentares da base aliada, a participação de empresários de Brasília, como José Celso Gontijo, dono da construtora JC Gontijo, que aparece em imagens entregando pacotes de dinheiro a Barbosa.

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