segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Ciro racha PT paulista

O PT paulista foi às urnas ontem escolher o presidente estadual do partido com duas grandes rachaduras. A maior delas envolve o nome do deputado Ciro Gomes (PSB), que poderá se candidatar ao governo de São Paulo numa aliança que contará com o apoio do partido de Luiz Inácio Lula da Silva. A segunda questão que divide opiniões dentro da legenda é a aliança com o PMDB.

O grupo liderado pela ex-prefeita Marta Suplicy, pelo senador Eduardo Suplicy e pelo ex-ministro da Fazenda Antônio Palocci já se mostrou contra Ciro. Já o líder do PT na Câmara dos Deputados, Cândido Vaccarezza, é a favor. "Essas divergências são pequenas demais para abalar a unidade do partido", comentou o deputado.

Na semana passada, uma reunião interna do partido liderada por José Dirceu na capital paulista discutiu os nomes que poderiam ser candidatos a vice-governador de Ciro em São Paulo. Os dois mais cotados são: Emidio de Souza, prefeito de Osasco, e Edinho Silva, presidente do PT-SP. Não à toa, os dois são a favor da possível candidatura do político cearense ao Palácio dos Bandeirantes e ainda o defendem como principal estratégia para fortalecer a candidatura de Dilma Rousseff em São Paulo. "O PT tem nomes fortes no estado, mas as alianças têm que favorecer a candidatura majoritária de presidente", ressalta Emidio.

Dirceu e Vaccarezza não estão sozinhos quando se fala das costuras de bastidores em volta do nome de Ciro Gomes ao governo de São Paulo. Além deles, fazem parte desse grupo os deputados federais José Genoino e José Mentor. O grupo, composto na verdade por todos os políticos do PT envolvidos no escândalo do mensalão, já garantiu a Ciro que, caso ele resolva mesmo se candidatar pela terra da garoa, conseguirá apoio suficiente para liquidar os que pensam em candidatura própria, como a ala da legenda liderada por Marta Suplicy.

Ao votar ontem nas eleições do PT, Marta negou que haja um racha no PT por conta do nome de Ciro, mas ratificou que defende o nome de Palocci. No entanto, ela frisou que não gostaria de contrariar o presidente Lula. "Nossa prioridade é Dilma 2010", disse.

O deputado estadual Adriano Diogo (PT) também é contra o partido apoiar a candidatura de Ciro, já que tem muitos nomes de peso que poderiam muito bem concorrer ao governo de São Paulo. No entanto, ele defende a aliança com o PMDB para dar mais sustentação ao nome de Dilma na corrida presidencial. "Não existe racha no PT. Nossas divergências internas são favoráveis ao partido e isso que faz o diferencial", ressalta o parlamentar.

Em todo o estado de São Paulo, filiados de mais de 500 municípios votaram nas eleições internas para escolher novos dirigentes em todos os níveis. "Tivemos umas das eleições mais tranquilas de todos os tempos porque o partido nunca esteve tão unido como agora", comentou Vaccarezza logo depois de votar.

A petista Maria Natal de Oliveira, 65 anos, foi uma das primeiras a comparecer às urnas, no bairro do Bixiga. Ela resolveu votar bem cedo para ir à missa das 10h. Em zonas eleitorais do Centro de São Paulo e da Vila Madalena, fiscais das eleições criaram confusão ao pedir que os militantes deixassem os locais de votação tão logo colocassem as cédulas nas urnas. "Essa grosseria nem combina com o partido", comentou Fabiana Rodrigues, 19 anos, que acompanhava a mãe, que votava na Mooca.

Aposta em Dilma

O ex-ministro-chefe da Casa Civil da Presidência da República José Dirceu (PT) apareceu ontem para votar nas eleições diretas do PT, em São Paulo. Assim que votou, o político disse que acredita na vitória da candidata Dilma Rousseff em 2010, mas que não subestima o candidato do PSDB, seja ele o governador de São Paulo, José Serra; ou o de Minas Gerais, Aécio Neves. "Será um desafio para o PT fazer uma campanha em que Luiz Inácio Lula da Silva não é candidato. Acredito que será um pleito difícil. É bom não subestimar nenhum dos candidatos", ressalta o ex-ministro.

Apesar das dificuldades para o PT, Dirceu vê nas eleições 2010 um cenário favorável ao partido. "Tudo indica que sairemos bem, pois o Lula está com popularidade alta, fez um bom governo, e a Dilma representa a continuação do projeto que está aí. Particularmente, tenho uma intuição de que sairemos bem, até porque já temos grandes alianças", afirmou.

Segundo ele, a população vai votar em Dilma justamente porque quer que tudo continue do jeito que está. "Nas viagens que faço pelo Brasil, percebo que só se fala na Dilma e na continuação do governo Lula. Isso faz a gente pensar que há grandes chances. O grande avanço será no período da campanha, que o PT sabe fazer muito bem", comenta. Dirceu.

Campanha

Quanto à sua participação na campanha da Dilma em 2010, Dirceu disse que estará à disposição do partido e, sem dar detalhes, o político afirmou ele sabe como ajudar. Segundo ele, seu voto foi para José Eduardo Dutra, que concorre à presidência nacional do PT pela chapa Construindo um Novo Brasil.

Sobre o racha no PT de São Paulo, por conta da controversa aliança com o PMDB e a possível candidatura de Ciro Gomes (PPS) com apoio do PT, ele disse que isso não vai atrapalhar a campanha da Dilma. "Temos que parar de olhar para o próprio umbigo", defendeu.

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