quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Lula quer governadores no pacote habitacional


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai consultar governadores de diversos Estados para auxiliarem na elaboração do pacote habitacional. A intenção de Lula é anunciar o plano, que prevê a construção de 1 milhão de casas populares até 2010, duas semanas após o Carnaval. A conversa com os governadores servirá para que o presidente tenha a noção de onde estão os gargalos habitacionais. Durante reunião do Conselho Político, ontem, Lula disse que, desde 1974, o déficit habitacional brasileiro é 7,5 milhões de residências, um número que se manteve inalterado ao longo do tempo.

Nem o formato do encontro nem os convidados estão definidos. Aliados e assessores do governo não souberam dizer se as conversas ocorrerão pessoalmente ou por telefone. Os administradores estaduais também vêm mantendo reuniões constantes com a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, que mantém outro canal de diálogo com os bancos privados, em busca de reforço para o financiamento. "O plano habitacional é muito ambicioso e precisa da ajuda de todos. Não é tarefa que pode ser cumprida apenas pela União, pelos Estados e municípios, nem apenas pelos bancos públicos ou privados", explicou o vice-líder do governo na Câmara, Beto Albuquerque (PSB-RS).


A reunião do Conselho Político serviu também para os aliados terem uma noção mais exata dos efeitos da crise no Brasil. Além do presidente, conversaram com os parlamentares o ministro Mantega e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. Mantega disse aos presentes que o país já vive "uma recuperação modesta". Tanto Mantega quanto Meirelles mostraram que o crédito no país retomou os volumes anteriores a setembro, quando houve o agravamento da crise internacional.


Meirelles apresentou aos líderes dados mostrando que o câmbio está equilibrado e que o esforço do governo para reduzir os spreads bancários está surtindo efeito. "Mesmo dizendo que os juros nos bancos públicos já apresentaram redução, Meirelles nos assegurou que este tema continuará sendo atacado com toda força pelo governo", disse o líder do PSB no Senado, Renato Casagrande (ES).


Outro dado apresentado pelos integrantes da equipe econômica é que permaneceu praticamente inalterado o nível de investimento estrangeiro direto no país. Foi destacada a utilização de US$ 36 bilhões das reservas para financiar empresas brasileiras no exterior. Lula reiterou a recomendação para que as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) adotem regimes duplos ou triplos de jornadas de trabalho, para que acabem mais rapidamente e empreguem mais gente.


Os líderes também pediram ao presidente Lula que se busquem formas para pressionar empresas que contraiam empréstimos com bancos públicos a assumirem compromisso com a manutenção dos empregos. Uma das propostas é que, até seis meses após a contratação do financiamento, as empresas mantenham seus empregados contratados. Lula concordou com a ideia. "Seria a mesma coisa que o Sandro Mabel (líder do PR na Câmara e empresário do setor de alimentos) pegasse um empréstimo com o BNDES para capital de giro e demitisse não sei quantos trabalhadores uma semana depois", provocou o presidente, diante do político goiano.


Lula também demonstrou preocupação com a situação dos Estados Unidos e da China. Brincou, dizendo que viraria santo de tanto que estava rezando para que Barack Obama dê certo como presidente americano. Mas expressou aos líderes pelo menos uma discordância na forma como os americanos enfrentam a crise internacional. "Em vez de ficar colocando dinheiro nos bancos, eles deveriam estatizar de uma vez as instituições financeiras." Um assessor governista lembrou que isso está sendo feito na Europa, inclusive na Inglaterra. Mas que não poderia imaginar como isso seria feito nos Estados, por uma questão ideológica.


Em relação à China, Lula manifestou o receio de que haja desaceleração no ritmo de crescimento. Destacou que 40% da balança comercial chinesa vem da exportação, especialmente para os países do Primeiro Mundo. Se o nível de exportação chinesa cair, a economia internacional vai demorar ainda mais a se recuperar, afirmou.

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