segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Encostados no descaso com o dinheiro público

Sabe aquela expressão “parece que estou falando com um poste”, usada quando uma pessoa não ouve, não entende ou não reage à conversa? Então, cuidado ao sair por aí, tratando os postes como concreto inanimado. Em alguns bairros do Rio, onde o poder público chega atrasado ou simplesmente não chega, eles já ganharam vida própria e podem se virar contra você, como acontece com os postes ‘fujões’, os ‘folgados’, os ‘cabeludos’ e até os ‘bêbados’.

Uma fila de ‘fujões’ escapou das calçadas e agora zomba de quem passa de carro pela Rua Thompson Motta, em Marechal Hermes. Quatro postes de mais de 10 m, com cabos de energia, foram plantados e esquecidos após o fim das obras do Rio Cidade, há cinco anos. Basta um motorista desavisado passar por ali para a lista de vítimas dos ‘fujões de Marechal’ engrossar.

"Já perdi as contas de quantos acidentes essas aberrações causaram. Vão ficar assim até o dia em que matarão alguém”, reclama o aposentado Diamantino Tavares, 79 anos.

Se Marechal Hermes tem ‘fujões’, o problema, no Méier, são os ‘folgados’. Como um andarilho indesejável e mal-educado, cada poste da Rua Hermengarda ocupa, sobre a estreita calçada de 80 cm de largura, espaço suficiente para obrigar o pedestre a disputar a rua com os carros. Lá, uma criança acabou morrendo ao ser atropelada por ônibus, porque anadava na rua. Os ‘folgados’ também são facilmente encontrados na Rua 24 de Maio e Barão do Bom Retiro, no Engenho Novo, e Ana Barbosa, no Méier.

No Andaraí, enquanto um poste ‘careca’, sem nenhum cabo ou fio, faz figuração na Rua Maxwell, na Avenida Itaóca, em Bonsucesso, quem desfila sua graça são os ‘cabeludos’, com um monte de fios saindo do alto. Outros fugitivos do ‘barbeiro’ dão pinta pela Av. Radial Oeste, no Maracanã; e na Rua Visconde de Niterói, na Mangueira.

Já na esquina da Av. Rodrigues Alves e Rua Rivadávia Correia, era possível encontrar o ‘bêbado’. Na categoria “mais pra lá, do que pra cá”, o poste estava completamente torto, quase caindo na pista.

Num passeio pela Av. Monsenhor Félix, em Vaz Lobo, o poste ‘varal’ não passou despercebido. Famoso por dar aquela forcinha a comerciantes vizinhos, ele serve para publicidade ilegal, como vitrine de camelôs para expor peças da nova coleção. Em Madureira, na Avenida Edgard Romero, a estaca de concreto não serve apenas para iluminação. Sua principal função é servir para os comerciantes amarrarem lonas das barracas, mas não se incomodam em ajudar a alimentar ‘gatinho’ de luz de estimação criado nas redondezas.

O último ilustre personagem da família dos postes abandonados do Rio atende pelo nome de poste caveira, que já morreu faz tempo mas insiste em assombrar a Av. 24 de Maio, altura do número 1.150, também no Méier, com suas ferragens aparecendo de tão corroído que está.O dia

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