domingo, 24 de maio de 2009

Dívidas no cartão começam a cair


Pesquisa feita pelo Serasa aponta queda no endividamento do brasileiro com o cartão de crédito. Nos quatro primeiros meses deste ano, a dívida média com cartões e financeiras ficou em R$ 370, ou seja, 13,5% menor que em 2008. A oferta de dinheiro teve leve recuperação, após o período de instabilidade que começou antes mesmo da crise financeira mundial. A qua lidade do crédito no país melhorou no primeiro trimestre do ano e já alcançou o patamar pré-crise.

O crédito no Brasil mostra uma leve recuperação após um período de instabilidade que começou antes mesmo do agravamento da crise financeira mundial, em setembro de 2008. A qualidade do crédito no país teve alta no primeiro trimestre deste ano, em relação aos três últimos meses de 2008 e alcançou o patamar pré-crise, de acordo com o indicador que mede o financiamento da atividade econômica, divulgado na quinta-feira pela empresa de informações de crédito Serasa Experian.

Também diminuiu o endividamento no cartão de crédito. Segundo levantamento referente aos quatro primeiros meses de 2009, o valor médio das dívidas com cartões de crédito e financeiras é de cerca de R$ 370, 13,5% menor que em 2008.

A empresa registrou um rápido aumento no endividamento de parte dos consumidores mais ativos no crédito já a partir de 2007. Em abril, no entanto, houve redução de 9,5% na inadimplência da pessoa física em relação a março. Foi o maior recuo mensal registrado pela Serasa desde junho de 2006.

A dívida no cartão é a que cobra os maiores juros do mercado brasileiro, que podem chegar a 12% ao mês. Se forem somados multas, juros por atraso e cobrança indevida de comissão de permanência, os juros podem passar de 15% ao mês sobre parcelas vencidas e não pagas.

A melhor hora de usar O cartão é uma boa alternativa, no entanto, quando não houver diferença entre o preço à vista ou à prazo, ou seja, quando o cliente não consegue negociar desconto para o pagamento na hora, geralmente em dinheiro, dizem economistas.

– Estabelecimentos como restaurantes e supermercados normalmente não oferecem desconto à vista, e aí o consumidor tem a vantagem de um prazo para pagar, quando o orçamento estiver um pouco apertado – destaca Luis Carlos Ewald, professor de Finanças da Fundação Getulio Vargas (FGV-RJ).

Para que o consumidor não caia na armadilha do endividamento, especialistas são enfáticos ao afirmarem que as pessoas não devem ceder à tentação de pensar Sobrou dinheiro! Lições de economia doméstica, se acontecer de o consumidor não conseguir pagar mais que um mínimo em um mês, providências devem ser tomadas.

– Se você só tem dinheiro para pagar o mínimo, passe o próximo mês inteiro fazendo depósitos à vista de qualquer dinheiro extra ou sobrando, visando a liquidar a dívida no mês seguinte. E pare de comprar – aconselha o economista.

Já o presidente do Ibedec recomenda o bloqueio e negociação de parcelamento imediatos a partir do primeiro mês em que a pessoa paga o valor mínimo da fatura.

– É muito comum as pessoas pagarem o mínimo por cinco ou seis meses e só então pedirem o bloqueio e parcelamento. O consumidor deve estar atento – diz Tardin.

O economista Nelson de Sousa, professor de Finanças do IbmecRJ, recomenda ainda que as pessoas fiquem atentas às anuidades, e lembra que muitas instituições já aboliram essas taxas.

Índice O índice da Serasa Experian foi criado com base em modelos de avaliação de risco, e mede em uma escala de 0 a 100 a qualidade de crédito do consumidor.

O indicador foi de 79 pontos de janeiro a março de 2009. O resultado estava estagnado no patamar de 78,8 pontos desde o agravamento da crise financeira internacional.

Apesar da queda mensal da inadimplência da pessoa física, o indicador registrou aumento de 8,9% em abril na comparação com o mesmo mês de 2008, e chega a 10,8% de janeiro a abril deste ano.

Qualidade do crédito no Brasil teve alta no primeiro trimestre do ano no limite do cartão como complemento do salário.

– Tem gente que tem salário de R$ 5 mil, limite de R$ 3 mil e conta como se tivesse um salário de R$ 8 mil. Aí cai na roda viva dos juros – alerta o presidente do Instituto Brasileiro de Estudo e Defesa das Relações de Consumo (Ibedec), José Geraldo Tardin.

Na mesma linha, é importante que o consumidor se conscientize do perigo de pagar apenas o valor mínimo discriminado na fatura. Segundo Tardin, o pagamento de apenas essa quantia dobra a dívida do consumidor em seis meses.

Segundo Ewald, autor do livro Para sair da dívida O caminho para sair do vermelho: Suspensão O consumidor deve procurar a administradora do cartão de crédito e verificar a possibilidade de acordo para cancelar ou suspender o cartão, reduzir a dívida e parcelar o pagamento.

Empréstimo para pagar o cartão Caso seja correntista, o consumidor endividado deve considerar um empréstimo do tipo Crédito Direto ao Consumidor (CDC) para liquidar a dívida do cartão, e pagar o empréstimo em parcelas. Os juros do CDC costumam não ultrapassar 3% ao mês.

Ação judicial Caso não consiga um acordo administrativo ou financiamento para quitar a dívida, o cliente pode recorrer à Justiça. Em uma ação judicial, pode-se questionar os juros cobrados, que não podem exceder a média do mercado divulgada pelo Banco Central, a capitalização de juros (vedada pelo STF) e multas indevidas (acima de 2%, conforme o Código de Defesa do Consumidor).

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