quarta-feira, 6 de maio de 2009

Pintou sugeira do Kasab


O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), exigiu ontem a regularização imediata da varrição no centro sem, no entanto, cumprir os acordos firmados em quatro audiências com a empresa que presta o serviço e o sindicato dos garis.
A gestão Kassab descumpriu o prazo de 20 de abril, previsto no acordo, para mudar o contrato de varrição e promover 228 ajudantes de serviços gerais para o cargo de garis.

Com isso, esses funcionários, que fazem a limpeza de calçadas e praças da região central, pararam de trabalhar.
Há pelo menos 16 dias, o centro não tem sido varrido de forma adequada. A paralisação atinge cerca de 23% dos quase mil funcionários responsáveis pela limpeza da região.

O problema começou quando o sindicato dos garis exigiu um pagamento maior para os ajudantes de serviços gerais que, contrariando a convenção da categoria, estavam trabalhando como varredores.
Um ajudante de serviços gerais, cuja função é capinar o mato e pintar o meio-fio, recebe hoje R$ 490 de salário.

Já um varredor ganha R$ 635, além de um adicional de R$ 93 por insalubridade.
Para corrigir a distorção, prefeitura, empresa (Construfert) e sindicato realizaram quatro audiências: duas no Ministério do Trabalho, uma no Ministério Público do Trabalho e outra na própria prefeitura.

Na audiência do Ministério Público do Trabalho, de 13 de março deste ano, a ata diz: "A prefeitura afirma que, após estudo apurado, constatou que realmente, no âmbito da prestação de serviços, há um descompasso entre as equipe de serviços gerais e de varrição e que precisa de 20 dias para terminar os trâmites de adaptação contratual e empenho do contrato, de forma a que haja uma recomposição das equipes".
A empresa exige receber mais da prefeitura, já que terá de pagar mais para os trabalhadores. Kassab diz que não aumentará o valor anual pago à Construfert, R$ 50,3 milhões.

Sem importância
A maioria das ruas da cidade só tem varrição de meio-fio -a limpeza das calçadas é de responsabilidade dos moradores e dos estabelecimentos.
As calçadas de ruas de grande circulação, sobretudo no centro, estavam sendo varridas pelos ajudantes gerais, que agora estão parados.
"Sou ajudante e, até quando resolverem o impasse, não posso sair mais à rua. Só dão valor assim, quando tudo está sujo. Quando estamos trabalhando ninguém dá importância", diz José Carlos Sousa da Silva, que antes fazia as vezes de varredor e agora está parado no alojamento do Parque Dom Pedro.
É justamente essa região, um dos maiores terminais de ônibus da cidade e vizinha do Mercado Municipal e da rua de comércio popular 25 de Março, que está com mais lixo.
"Vamos fazer uma manifestação na prefeitura. A paralisação do serviço já ocorreu, não estão varrendo mais", diz João Capana, diretor do Siemaco, o sindicato dos garis. Hoje, diz Capana, o número de varredores é igual ao de 1996, quando a cidade produzia menos lixo.

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